16 mai Sobre a Casa Curumim

Casa Curumim


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Curumim é uma palavra de origem tupi que significa crianças indígenas. Foi a partir deste nome que os pediatras Honorina de Almeida e Douglas Nóbrega Gomes pensaram na Casa Curumim. Um local que respeita a criança, a natureza da mulher de parir e amamentar, ajudando para que estes momentos sejam iniciados de forma natural e apoiando em situações de dificuldade.

A Casa Curumim reúne profissionais especializados em manejo clínico da lactação que podem proporcionar orientações para que a experiência de amamentar seja prazerosa e duradoura. Oferece também atendimento integral à família: Assistência na amamentação (hospitalar e domiciliar), assistência neonatal humanizada em sala de parto humanizado, acupuntura, pediatria integral, homeopatia, grupo de gestantes, pós-parto e aleitamento materno, fisioterapia e terapia ocupacional, psicologia infantil, oficina de brincar e musicalização, oficinas de papinha, nutrição infantil e alimentação complementar, nutrição na gestação e infância, pré-natal, atendimento psicológico à gestante e ao pós-parto, terapia craniossacral, fonoaudiologia neonatal e infantil, yoga para gestantes e bebês, massagem thai, curso de preparação para o parto e cuidados com o bebê e cursos direcionados aos profissionais da saúde como o de Manejo Clínico em Aleitamento Materno.

Referência por ser a primeira clínica de aleitamento materno de São Paulo, a Casa Curumim é também ponto de encontro para homens e mulheres que buscam um atendimento humanizado e respeitoso desde a gestação. 

 

23 abr Cursos

A importância do brincar na criança!


Por Vanessa A. Caldeira

“O brincar é uma necessidade básica e um direito de todos. O brincar é uma experiência humana, rica e complexa”. (ALMEIDA, M. T. P, 2000)

Brincar é um DIREITO da criança!!

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Isso porque brincar é essencial para o desenvolvimento do ser humano e simplesmente porque traz prazer e felicidade!

O brincar é ao mesmo tempo meio para adquirir habilidades e conhecimento, expressá-lo além de possibilitar a representação e transformação do modo de ver esse mundo.

O brincar também é um objetivo em si mesmo, como direito da criança, mas que encontra muitas vezes empecilhos para acontecer.

Quando olhamos o brincar enquanto meio podemos considerar que ele é um instrumento para a criança apreender o sobre o mundo em suas leis físicas; como as características dos objetos, suas formas de comportarem no mundo e as relações dos objetos entre si no tempo e no espaço. Ela aprende as regras e formas de manifestações sociais; como agradecer, dar tchau, se portar nos diferente ambientes e com pessoas de diferentes faixas etárias. E por fim aprende sobre sua cultura e seu grupo social; os valores (aquilo que valorizamos) manifestos em nossas ações, comportamentos e falas.

O brincar também pode ser um meio para a criança refletir o que tem entendido e sentido sobre esse meio. Quando ela imagina ela traz pra brincadeira as representações daquilo que vivencia, como quando brinca de casinha. Nesse momento ela pode elaborar aquelas experiências significativas, que precisa reproduzir para entender e para propor novas formas de resolver situações conflituosas.

O agir sobre o mundo pode ser facilitado também pelo brincar. Quando a criança quer pegar um brinquedo e precisa desenvolver habilidades para se locomover (rola, pegar, engatinhar, andar); pra olhar e acompanhar visualmente um objeto em suas qualidades como cores, brilhos, contrastes, profundidade; para desenvolver atenção e processar os som e suas qualidades como timbres diferentes que permitem reconhecer que som é esse, como ritmo, como grave e agudo e a melodia e para distinguir cheiros e desenvolver o paladar e o olfato como quando reconhece a mãe pelo cheiro.

Quando olhamos o brincar sob o ponto de vista que é uma necessidade essencial da criança temos que pensar formas para que o brincar possa ser garantido pelas famílias, escolas, terapias, e pela diferentes propostas da sociedade na atenção à criança. Ter como objetivo que criança brinque significa pensar o que tem dificultado esse brincar e pensar como oferecer uma diversidade de possibilidades e oportunidades para brincar.

Para exercer o direito de brincar é necessário garantir momentos para a criança brincar sozinha. A criança precisa de um espaço para criar livremente. Reviver simbolicamente momentos prazerosos e difíceis servem para a criança entender situações e resignificar suas experiência.

Também é necessário garantir encontros para a criança brincar com outras pessoas. Nos dias de hoje na nossa sociedade há cada vez menos possibilidades de encontros entre as pessoas. Com as famílias reduzidas, com a diminuição das brincadeiras nas ruas, com mais compromissos como aulas de inglês, natação. É preciso valorizar o encontro para brincar garantindo o encontro com adultos significativos (os pais, avós, tios). Esses momentos são essenciais para a criança pois além que ampliar o afeto entre os participantes da brincadeira ajuda o adulto a entender o mundo da criança e esta a entender o mundo do adulto. É mais importante brincar com a criança do que ensinar como brincar. Compor a brincadeira com o que a criança traz, valorizando o que sabe, trazendo novos elementos que possam enriquecer seu aprendizado e criatividade, se divertindo com a criança e nomeando objetos (isso é um martelo que serve para martelar, bater), sentimentos (você ficou triste?) e ações (vamos fingir que estamos dormindo) que ainda nãoconhecem.

Brincar com outros amigos com o mínimo de influencia do adulto também precisa ser incentivado. É nesses momentos que a criança aprende a se relacionar. Pode por exemplo, vivenciar situações de frustrações e exercita formar de lidar com ela (pedir em prestado, negociar um tempo em que cada um brinque um pouco, a buscar outro brinquedo que interesse). Se a todo o momento o adulto influencia nessas negociações as crianças não aprendem lidar com frustrações sozinhas. É preciso que adulto ajude a criança a se relacionar bem como por exemplo pedir licença, agradecer, pedir emprestado.

Outro aspecto que pode facilitar a brincadeira é valorizar o acesso a cultura infantil. Oferecer uma diversidade de formas (música, pintura, escultura, literatura…) e de conteúdos (temas) sobre o universo infantil. A vivencia dessas experiências sensoriais diferentes enriquecem a criatividade e o acesso de outras formas de manifestações das experiências humanas. Isso pode ser vivenciado partir de peças de teatro, fantoche, musicas, contação de histórias, leitura.

É preciso também incentivar brincadeiras tradicionais que passam por gerações e\ou aparecem em diversas culturas como corre-corre, pega-pega, jogo de bola.

Para facilitar o acesso a brinquedos e brincadeira é preciso ter brinquedos. Para isso pode-se  trocar brinquedos entre famílias, ir brincar em ambientes diferentes, freqüentar brinquedotecas, alugar brinquedos por site pode facilitar as brincadeiras. Ter brinquedos não significa quantidade. Ter muitos brinquedos pode dificultar a escolha da criança e de brincar com um deles. Comprar apenas brinquedos pré fabricados pode dificultar que a criança exercite sua criatividade pois a forma de brincar já está pré estabelecida. Melhor é comprar brinquedos que favoreçam diversas formas de criar ou construir brinquedos junto com a criança (como fazer um chapéu pirata, construir um carro com caixas de remédio…). Esses brinquedos podem significar muito mais do que aquele comprado pois surgiram da relação muito particular da criança com o adulto.

Promover o acesso a brincadeiras que não envolvem necessariamente um objeto mas que são facilitadas pela presença do outro (adulto ou criança) como as brincadeiras de imaginação. Imaginar é simbolizar, é não ter o objeto real mas poder acessá-lo com outros instrumentos como a palavra, o desenho, a imagem mental. Imaginar é essencialmente social, a partir dos símbolos sociais. Para facilitar esse tipo de brincadeira é preciso se oferecer enquanto mediador e facilitador dos símbolos, mesmo que num segundo momento a criança faça isso sozinha. É preciso imaginar junto com a criança, entrar em sua história e trazer elementos do mundo para que ela conheça e construa uma narrativa das mais simples as mais complexas.

As brincadeira corporais permitem que a criança conheça o seu corpo, o que ele é, o que pode fazer. O corpo delimita o eu, o outro e me distingue do espaço. Começo conhecendo meu corpo a partir da referencia do outro, como a mãe que amamenta. Aos poucos a criança vai se diferenciando dela. Quando a mãe que toca e nomeia partes do corpo da criança vai aprendendo e sentido o seu corpo. Durante um bom tempo, a criança precisa do outro para entender o seu corpo. Precisa de alguém pra imitar, e precisa de espaço para movimentar-se. É preciso garantir o outro e o espaço para isso.

Muitas brincadeiras tradicionais (como pega-pega, corre corre, estátua) e jogos precisam de outras crianças e de pessoas que conheçam suas regras. Novamente garantir o encontro com o outro é essencial para a brincadeira.

Enquanto uma atividades humana a brincadeira acontece essencialmente na relação social ou com referências desta! Brincar é essencial para criança simplesmente porque brincar é fundamental para o ser humano! Você já pensou o significou o brincar em sua infância? Aqueles amigos que nunca esquecemos, aquele brinquedo ou brincadeira que fez parte significativa da nossa infância, aqueles momentos de encontro prazerosos com os pais.

Resgatar esses momentos reafirmam que é preciso garantir isso também para nossas crianças pois brincar é essencialmente o prazer da criança!

Boa brincadeira!!!

Próxima turma da Oficina de Brincar para bebês de até 18 meses dia 25/04 às 14h na Casa Curumim.

Mais informações clique AQUI!

10 abr Artigos Pós-Parto

A importância do apoio no pós-parto


Por: Maiana Rappaport

O nascimento de um filho é um acontecimento que modifica a vida do casal, são muitas as mudanças que a mãe e o pai têm que enfrentar; especialmente a mãe, que tende a responder a esta nova fase de acordo com as características do bebê, ás suas pessoais e a sua habilidade de solicitar e aceitar apoio. A mulher tem que se adaptar à nova vida: às demandas do bebê, uma interação conjugal que inclui o bebê e a vida profissional e social, com a presença de um ser que depende dela. Além disso, com o nascimento do bebê a mulher deixa de ser o centro de sua própria vida. Perde o seu próprio ritmo diário, seu dia passa a ser ditado pelas necessidades do bebê.

 Principalmente nos primeiros meses, a mãe está submetida à privação do sono e à adaptação da vida ao ritmo do bebê. A resposta da mulher a estas mudanças é influenciada por fatores individuais e ambientais, destacando-se, como um dos fatores mais importantes que influencia o seu bem-estar, o apoio que ela recebe daqueles que a rodeiam. O pai e avós do recém-nascido têm grande importância na rede de apoio para a recém-mãe. A literatura tem mostrado que a disponibilidade e fruição de uma rede de apoio social favorecem a responsividade materna, trazendo benefícios a curto e longo prazo para a mãe, criança e o próprio casal. Cada mãe pode necessitar de diferentes tipos de apoio, em diferentes circunstâncias, quer seja uma orientação, uma ajuda prática ou mesmo algumas palavras de carinho. Muitas vezes, a ajuda pode não ser solicitada ou mesmo recebida, mas o fato da mãe saber que tem com quem contar tem um impacto potencial positivo. Mães com uma rede de apoio social maior mostram-se mais sensíveis em sua interação com o bebê. Com suas necessidades emocionais mais atendidas, tornam-se mais hábeis para se centrar nas necessidades do bebê.

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“Para amamentar um filho precisamos muito mais do que dois peitos.Precisamos de dois braços que sustentem os nossos, enquanto carregamos, entre sonhos, nosso bebê. Dois olhos, que nos olhem sem preconceitos, enquanto o nosso olhar se perde no sorriso do nosso filho. Suaves carícias que nos curem, quando as feridas doem. Palavras que nos encham de coragem, quando estivermos a ponto de desistir. Precisamos de um abraço longo e sem pressa, quando a solidão da noite nos devore. Precisamos de um mundo que nos espere, enquanto nós damos de mamar a nossos filhos. Voltaremos. Iguais, porém melhores.”

Lic. Paula Napolitano.

Maiana Rappaport é Psicóloga clínica formada pela PUC/SP e psicanalista pelo Sedes Sapientiae, especialista no atendimento à gestantes e mães no pós-parto.

Ela coordena:

Grupo de Pós-Parto, Conversa de Mães – saiba mais

Tornando-se Vovós na atualidade – saiba mais

3 abr Cursos

Babás: desresponsabilização ou apoio?


Por Marina Tulha

Atualmente, temos nos ocupado bastante em pensar sobre a maternidade e suas questões. Pensando nas mulheres, especificamente, aquelas que há pouco tempo ainda eram formadas para cuidar das coisas da casa, da família, do ambiente familiar. Para essas, a maternidade era quase como um “caminho natural” a ser seguido. E quando acontecia, ela já havia cuidado de outros bebês, tinha tido muito tempo para observar, se ocupar e vivenciar o “maternar”.

Já no mundo contemporâneo, não é bem assim. As mulheres são formadas para trabalhar e estudar. Não tem mais a vivência do cuidado com as crianças da família ou da comunidade no seu cotidiano, a não ser em momentos esporádicos e breves.

Na sociedade atual pós-moderna, nessa cultura vigente, todos temos que produzir, dar conta de todas as facetas da vida, mesmo que de forma superficial, sem repouso. Precisamos estar o tempo todo ligados, já que “tempo é dinheiro”. Assim, dormir, relaxar, brincar, cuidar, dialogar pode ser entendido como um risco de ser banido da luta pela sobrevivência no mundo capitalista. Os sujeitos devem ser suficientes em si mesmos, não podendo existir espaço para fragilidades de qualquer ordem.

Infelizmente (ou felizmente), esse não é o tempo da maternidade. Ela exige reflexão e acomodações de afetividades. Erros e acertos. Ou erros para acertos. Devido a esse cenário, na primeira gravidez é preciso haver muitas transformações, ir à busca de muita informação teórica, para se aproximar ao máximo dessa nova condição: ser mãe.

Depois do nascimento, continuam as acomodações. As mães precisam dar conta sozinhas desse novo papel. Será?! Em sua coluna na Época, Isabel Clemente, com o texto “Babás e os riscos da ajuda demais: quando os pais perdem os filhos dentro de casa” (30/03/14), faz uma discussão bastante interessante sobre a importância de os pais cumprirem o compromisso que assumem ao decidirem ter um filho, não delegarem essa função tão importante e insubstituível para uma babá. Alega, inclusive, que ao fazê-lo, o resultado provável são futuros crianças/adolescentes inseguros e imaturos. Apesar de precisarem criar laços afetivos para desempenho de sua função, babás não podem ser responsáveis pela formação, educação e afetividade das crianças.

Nós, da BE-A-BÁ, estamos de acordo com ela. As babás não podem ser o suporte maior, até porque elas são temporárias na vida DAQUELA criança. Em nosso curso de formação para babás, esse assunto é recorrentemente abordado com muita delicadeza para fomentar reflexão. Certamente, acreditamos que ter uma babá pode ser muito bom para a criança em formação, potencializando a “mãe continente” e o “pai orientador educativo”.

Estamos falando de uma profissão que sempre teve como base o “bom senso”, ou apenas o “jeitinhho” com criança. Pensando nisso, realmente é difícil para todos os envolvidos manterem-se em sua função. Está aí a importância da profissionalização das babás. Para que tenham, além do “jeitinho” e do “bom senso”, a qualificação fundamentada na teoria e a reflexão na prática x teoria. Essas mulheres, babás, têm um papel complexo, pois vivem em uma linha tênue: precisam formar laço afetivo, sem esquecer que são profissionais. Como elas se equilibram nessa linha? Sim, quem mantém a babá no seu lugar de apoio na formação da criança (coadjuvante) são os pais (protagonistas). São eles quem direcionam e garantem o equilíbrio dessa profissional.
Então, como fazer para garantir esse equilíbrio?

Construir uma relação baseada no diálogo e confiança entre babás e pais. É por meio dessa relação, onde pais vêem a babá como parceira, aquela que será capaz de colocar em prática àquilo que nós gostaríamos de estar fazendo quando estamos trabalhando.
Em sua matéria, no blog itmãe, “Como manter uma relação de confiança com a babá”, publicada em 31.03.2014, Daniela Folloni defende que a relação de confiança inicia no processo de contratação da babá. Desde referências e documentação.
Por termos essa preocupação que a BE-A-BÁ se propõem a fazer esse processo com muito cuidado e cautela, baseada nos perfis, de forma humanizada e singular. Nós apoiamos todo o processo, exatamente cuidando dessa relação que está nascendo. Assim como dedicamos nossa atenção à primeiríssima infância, crendo que o início da vida é determinante para a formação dos sujeitos autônomos, também entendemos que o início dessa relação tão carregada de preocupações e afetos (babás-pais) merece nosso olhar e cuidado para que depois possa crescer e se desenvolver sem ruídos.

Mães ensinam a lidar com a babá e com os familiares na hora de educar
Enfim, para que nossas crianças sejam adultos mais confiantes e autônomos, apostamos na relação saudável entre babá-pais-crianças. Sim, precisamos de apoio. Sim, precisamos direcionar que apoio é esse que queremos. Não, não podemos nos ausentar e delegar nossas funções. Babás podem e devem ser apoio, sem desresponsabilização.

Sobre a Babá BE-A-BÁ e as coordenadoras:

Gabriela Buccini é fonoaudióloga, doutoranda e mestre em Saúde Pública (USP), aperfeiçoada em Aleitamento Materno (Unifesp). Faz atendimento as dificuldades de amamentação na Casa Curumim.

Ao compartilhar sua observação da dificuldade das mães em ter profissionais que apoiassem a amamentação e compreendessem seu papel no desenvolvimento infantil, com Marina Tulha, sua sócia, surgiu a Babá BE-A-BÁ.

Marina Tulha é psicóloga formada e aprimorada pela PUC/SP e especialista em psicopatologia pelo SEDES, tem se dedicado ao estudo da relação mãe-bebê.

Saiba mais sobre o curso clicando aqui. 

 

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27 mar Amamentação Artigos

O que comer para aumentar a produção de leite materno?


Por Rachel Francischi

diet1-600x420Hoje uma querida paciente que acompanhei durante a gestação me mandou um email angustiado perguntando se eu teria alguma dica nutricional para ela produzir mais leite, porque a bebê recém-nascida estava chorando muito à noite e ela tinha começado a dar um complemento de leite artificial.

Parei tudo o que estava fazendo! E resolvi escrever não só para ela mas para você que é mãe recente, porque essa é a realidade de muitas mães que atendo, e de amigas e até mesmo de profissionais da saúde quando se tornam mães, vivendo uma angústia gigante ao sentir que não podem ou não são capazes de amamentar seus bebês.

Bem… O ideal é que você produza exatamente o quanto de leite seu bebê precisa, nem mais, nem menos. Mais leite te daria um grave problema, leite empedrado, riscos de mastite, febre, infecção, etc. Menos leite certamente o bebê vai ter prejuízo no ganho de peso e se desnutrir.

E é por isso que gostaria de ressaltar aqui a importância do ganho de peso, e não do choro do bebê, para ter certeza que realmente algum complemento ao leite materno é necessário. Isso porque o único parâmetro confiável para avaliação da produção de leite materno é o ganho de peso do bebê. Não é o choro, a irritabilidade do bebê, o quanto de leite você extrai apertando ou ordenhando o seu peito, etc. É apenas o ganho de peso do bebê.

O problema é que muitas vezes os pediatras não sabem interpretar corretamente o ganho de peso do bebê e logo já recomendam um complemento. E como o complemento geralmente é dado em mamadeira, e o bebê acaba se acostumando a “mamar” sem fazer força com o complemento, ele logo vai perdendo o interesse pelo peito. E assim o ciclo se completa com um desmame precoce aos 2-3 meses de idade. Não estou dizendo que seja esse o seu caso, mas faço questão de chamar sua atenção porque é isso que vemos com frequência na prática clínica.

As curvas de crescimento para o correto acompanhamento do ganho de peso do seu filho devem ser as novas curvas da OMS (elaboradas a partir de dados epidemiológicos multicêntricos – em vários países do mundo – e com bebês amamentados no peito) e não com as curvas do NCHS (elaboradas a partir de bebês norte-americanos alimentados em sua maioria com fórmulas infantis). Parece um detalhe, mas faz toda a diferença!

O bebê no peito ganha peso mais lentamente, mas pode crescer mais rápido em comprimento e é muito mais saudável que o bebê que toma leite artificial.

lyingdownPediatras desatualizados comparam o ganho de peso de um bebê de peito com a curva NCHS e logo “determinam” que o bebê está “baixo peso” e introduzem o complemento. Uma baita confusão. Bebê baixo peso é aquele que está a menos dois (-2) desvios-padrão da curva normal da OMS (e não do NCHS). Você pode ver as curvas em http://www.who.int/childgrowth/en/  Se seu bebê está a -1,5 ou -1 desvios-padrão da média, não é recomendado o complemento. E sim o acompanhamento do crescimento, como todos os bebês.

Falo tudo isso para ajudar a você entender e até mesmo relaxar um pouco, porque a pior coisa para a produção de leite materno é a tensão ou a preocupação, especialmente a preocupação de “não conseguir” nutrir seu bebê.

O melhor e maior estímulo para a produção de leite é a sucção do bebê ou a ordenha do leite materno.

E para a secreção de leite é o relaxamento. Relaxar…

Ou seja:

Coloque o bebê no peito sempre e com frequência. Respeite a livre demanda. Busque ordenhar o seu leite após as mamadas (você tem bomba? Você pode fazer a ordenha manual ou até mesmo alugar uma bomba… e guardar o leite materno para oferecer em vez do complemento). Essa ordenha já vai estimular sua produção.

E realmente relaxar libera hormônios como a oxitocina que é responsável por fazer o leite sair do peito… Sei bem que não é muito fácil relaxar com um recém-nascido em casa, mas dentro do possível respirar calmamente de olhos fechados, meditar, escutar uma música suave que você goste, andar ao ar livre, e até mesmo sexo (sei que não dá nenhuma vontade agora no pós-parto, mas o orgasmo ajuda também), aconchego, estar cercada de pessoas queridas sem julgamentos ou pressões, tudo isso ajuda muito…

mother breastfeeding her newborn babyDo ponto de vista nutricional, você pode ajudar na amamentação tomando líquidos em quantidade suficiente (cerca de 2,5 a 3L por dia) respeitando sempre seus sinais de sede (excesso de líquidos é prejudicial) e também de fome; passar fome atrapalha enormemente a amamentação, e você deve buscar comer a cada 2 a 3 horas alimentos saudáveis e naturais; pode sim comer feijão, arroz, brócolis, azeite de oliva, frutas em geral… Ao contrário do que a crença popular diz, feijão, folhas etc não causam gases no bebê. Não os elimine da sua dieta logo de cara. Os casos de cólicas, intolerância alimentar e alergias do recém-nascido estão muito mais ligados a alimentos alergênicos (frutos do mar, leite de vaca, ovos, amendoim, etc – dependendo da genética da família) do que ao feijão propriamente dito. Mas independente do que eu diga, sempre observe seu bebê e as reações dele. Converse com um especialista.

Evite bebidas alcoólicas, mesmo a crença dizendo que cerveja preta aumenta a produção de leite (na verdade ela até aumenta mesmo, cientificamente comprovado, logo na mamada seguinte; mas depois a produção de leite volta a reduzir e acaba dando na mesma; oooops, na mesma não dá, porque álcool para um recém-nascido é extremamente tóxico). Não beba bebidas alcoólicas de nenhum tipo.

E você pode vir com seu bebê para uma consulta para conversamos mais se você precisar, será um prazer!

Boas mamadas para vocês!

Rachel Francischi
Nutricionista (FSP/USP CRN3 9780)
Mestre em Biologia Funcional e Molecular na área de Bioquímica (UNICAMP)
Master Practioner em Programação Neurolinguística (PNL)
Nutricionista para América Latina e Caribe do Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas (ONU) (2007- 2012)

27 mar Amamentação Relatos

Relato de amamentação


Por Beth, mãe da Catarina.

“Mas doutora, eu vou poder amamentar no centro cirúrgico? – Claro Beth!” E esse foi o pacto que eu fiz com a minha GO, no momento que decidimos agendar a cesárea quando eu estava por volta da 38ª semana de gestação. A essa altura estava tentando elaborar, o que na época me parecia a única opção viável para trazer ao mundo um bebê em posição pélvica. Hoje eu tenho uma visão bem diferente disso, mas a minha experiência de parto tem conteúdo suficiente para outro relato. O que eu gostaria mesmo é de dividir aqui é a minha saga com a amamentação.

As 9:16h do dia 10/05/2013 a Catarina veio ao mundo e, quando a GO perguntou para a neonatologista do hospital se a bebê poderia dar “um cheiro no colostro”, a resposta caiu como uma bomba na minha cabeça – Não, não, a prioridade é aquecer o bebê!

Para uma nutricionista, não amamentar seu filho na primeira hora de vida tem o mesmo efeito de uma facada no coração. Amamentar seu filho somente depois de 7 horas que ele veio ao mundo, é uma experiência digna de cortar os pulsos…

Após chegarmos em casa, a Catarina chegou a dormir mais de 8h seguidas nos primeiros dias de vida e não chorava muito de fome. Eu a colocava no meu peito, ela sugava, o peito jorrava leite, tudo parecia sob controle, até que chegou o dia da primeira consulta com o pediatra, uma semana depois do parto.

Apesar de eu ter escolhido seguir com o neonatologista do hospital para o parto (outra escolha que daria mais um relato interessante), o único contato com pediatra que eu tive antes do nascimento da minha filha foi o doutor Douglas, graças a uma amiga do trabalho. Minha sorte, pois na primeira consulta constatamos que ela tinha ganhado menos de 50g. Na segunda consulta, 4 dias depois, fui nocauteada por uma perda de peso de 120g. Havia algo muito errado com a amamentação, mas como seria possível? Ela mamava, eu tinha muito leite, meu peito não doía… foi aí que a jornada começou. Para minha sorte, um anjo chamado Teresa apareceu na sala, chamada as pressas pelo dr. Douglas, que estava com cara de bem preocupado. Ficamos mais uma hora e meia naquela consulta e diversos pontos foram constatados: peito grande, leite demais, bebê com dificuldade de sucção e muito sonolento.

Aprendi que tinha que tirar o primeiro leite para ajudá-la a chegar ao leite posterior mais rápido. Aprendi que uma bomba tira-leite de qualidade é o melhor presente que uma gestante pode ganhar. Aprendi que não poderia dar mamadeira para não causar confusão de bico. Aprendi que não basta ter leite, o bebê tem que mamar. E o mais importante, aprendi que a curva de ganho de peso da OMS pode enlouquecer uma mãe. Sim, aprendi mais coisas em 40 dias que em 5 anos de faculdade.

Fizemos um diário de bordo e eu anotava todas as mamadas com riqueza de detalhes. Aquilo tinha virado uma meta pessoal, eu tinha que amamentar minha filha e ela não tomaria nenhum complemento, a não ser o meu próprio leite. Eu não consegui me adaptar ao copinho, então a segunda opção foi a translactação. Foi um desafio, pois mirar a boca do bebê no bico do peito e na cânula não era fácil. Depois de alguns dias, resolvi investir no translactador da Medela. Recomendo muito!!!!!

E foi assim, dando meu leite como complemento 3 vezes ao dia. Garantindo pelo menos 6 mamadas diárias, fazendo exercícios orais na bebê antes de cada mamada e me entregando de corpo e alma a experiência mais primitiva que já vivi, que conseguimos reverter o quadro e depois de 1 mês a Catarina havia recuperado o peso de quando nasceu.

Agradeço todos os dias ter cruzado o caminho do dr. Douglas e da dra. Teresa. Agradeço o apoio deles, do meu marido e das mulheres e mães sábias que encontrei durante o meu pós parto.

Na faculdade, aprendi a importância da amamentação, os benefício do leite materno e a técnica correta. Mas foi a vida que me ensinou que amamentação vai além da técnica. Amamentação é entrega. E entregar-se não é fácil… é preciso de muito amor e muito apoio para transpor as barreiras.

26 mar Artigos Violência Obstétrica

Violência Obstétrica – informação nunca é demais!


Por Beatriz Keasserling

A violência obstétrica existe e está mais próxima do que imaginamos.

Eu fui vítima da violência obstétrica no nascimento de uma das minhas filhas, num hospital de “primeira linha”, de São Paulo. Na época, não denunciei e não gritei, pois entendia que precisava aceitar os protocolos e condutas.

Conforme a Defensoria Pública do Estado, os atores desse tipo de violência são profissionais de saúde de ambientes públicos e privados. Por meio do tratamento desumanizado, abusam da medicalização e patologização dos processos naturais da gestação, parto e puerpério. A consequência disso para as mulheres é a perda da autonomia e capacidade de decidir livremente sobre seus corpos e sexualidade, impactando negativamente na qualidade de vida.

Para que esta realidade mude, é necessário compreendê-la e denunciá-la, assim como garantir que os casos em que ela ocorreu sejam acolhidos, apurados e julgados.

Para denunciar os casos de violência obstétrica, entre em contato com os locais de atendimento da Defensoria Pública do Estado de São Paulo.

Entrar em contato com a defensoria publica, através do 180 que atende violencia contra a mulher ou 136, disque saúde.

A imagem a seguir faz parte do  projeto fotográfico ’1:4: retratos da violência obstétrica’ de autoria da fotógrafa Carla Raider que registrou na pele de mulheres os episódios de violência durante o parto.

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26 mar Cursos

A importância da qualificação das babás: do apoio à amamentação ao estímulo do desenvolvimento


por Gabi Buccini – fonoaudióloga Casa Curumim

As babás de bebês precisam ser carinhosas e calmas, ser experientes nos cuidados do bebê (praticidade), como cuidar da troca de fraldas ou banho, ajudar a acalentar o bebê nos momentos de choro e urgência. Mas, acima de tudo, precisam estar preparadas para extrapolar os cuidados físicos e  desempenhar a função de apoio à amamentação e estímulo do desenvolvimento do bebê de maneira integral e humanizada.

Algumas mães possuem dificuldades no início da amamentação e podem necessitar de ajuda prática para lidar com o bebê. Estudos recentes mostram que o sucesso da amamentação depende do apoio que a mulher/mãe recebe durante todo período de adaptação a essa nova situação. Por isso, ter uma babá com qualificação específica que compreenda esse processo e o seu papel é fundamental para que ela tenha uma postura proativa e possa oferecer ajuda prática de apoio à amamentação exclusiva e manutenção da amamentação após o retorno da mãe ao trabalho.

Nos dois primeiros anos de vida do bebê, grande parte de suas sinapses cerebrais e habilidades motoras, linguísticas e psíquicas são desenvolvidas. Sendo assim, não a toa os pais desejam garantir um cuidado singular que estimule seus primeiros movimentos e garanta um ambiente seguro para o desenvolvimento de todo seu potencial. Para isso, poder contar com uma profissional que consiga compreender que cada criança é diferente, e de que estas diferenças incluem interesses e habilidades, aceitando o ritmo de aprendizagem de maneira singular e estimulando nossos filhos de maneira afetuosa é o que buscamos.

A profissionalização da babá é uma tendência no mercado de trabalho e cada vez mais ouvimos as mães com dificuldade em encontrar profissionais adequadas para essa função. Por isso, invista na formação da sua babá! Nossa proposta é oferecer um curso onde sua babá conscientize-se do seu papel no desenvolvimento da criança até os 2 anos,  garantindo uma visão integral da criança e de seu ambiente. 

Sobre a Babá BE-A-BÁ e as coordenadoras:

Gabriela Buccini é fonoaudióloga, doutoranda e mestre em Saúde Pública (USP), aperfeiçoada em Aleitamento Materno (Unifesp). Faz atendimento as dificuldades de amamentação na Casa Curumim.

Ao compartilhar sua observação da dificuldade das mães em ter profissionais que apoiassem a amamentação e compreendessem seu papel no desenvolvimento infantil, com Marina Tulha, sua sócia, surgiu a Babá BE-A-BÁ.

Marina Tulha é psicóloga formada e aprimorada pela PUC/SP e especialista em psicopatologia pelo SEDES, tem se dedicado ao estudo da relação mãe-bebê.

Saiba mais sobre o curso clicando aqui. 

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26 fev Artigos Dr. Douglas Nascimento Humanizado

O papel do pediatra no nascimento humanizado


Por Douglas N. Gomes*

O trabalho do pediatra é essencial no momento do bem nascer. Sua atuação diferenciada contribui para garantir a preservação do que a natureza reserva para mães e bebês durante o nascimento. Cabe a esse profissional evitar as interferências causadas por procedimentos desnecessários ou inoportunos no nascimento.

Entre as suas atribuições primordiais está a de garantir um contato íntimo, pele a pele, da mãe com o bebê após o nascimento. Além satisfazer a vontade da maioria das mães de ver e tocar seu bebê logo após o parto, esse contato também é a melhor forma de proporcionar o equilíbrio da temperatura e dos sinais vitais do bebê, fato que já foi provado por pesquisas científicas desde 1995.

Hoje sabe-se que quando é garantido um ambiente aquecido e com pouca luz grande parte dos recém-nascidos olha demoradamente os olhos de sua mãe, chora menos e se adapta com mais tranquilidade ao novo ambiente menos quente, mais barulhento e com maior força de gravidade do que o intrauterino.

Está cientificamente comprovado que os bebês que mamam na primeira hora de vida têm maior possibilidade de estender seu período de amamentação exclusiva, chegando com mais facilidade ao ideal recomendado pela Organização Mundial da Saúde de alimentar os bebês exclusivamente ao seio até os seis meses de vida e manter a amamentação, junto com alimentos complementares, até dois anos de vida ou mais.

A essência da assistência humanizada ao parto e ao recém-nascido está em bem atender as necessidades de saúde das famílias nesse ciclo tão especial da vida como é o parto e o nascimento. E, ao mesmo tempo, não ceder ao interesse do sistema médico de oferecer recursos tecnológicos muitas vezes desnecessários ou inoportunos para a investigação de doenças e problemas de saúde. Na base do cuidado humanizado está o entendimento da saúde como o bem estar e a felicidade das pessoas e não apenas a ausência de doenças e patologias.

Se por um lado é certo que evitar, identificar e tratar doenças ou problemas do corpo, da mente e da vida social das famílias fazem parte do papel do médico pediatra, por outro ainda são poucos os profissionais que conseguem identificar as reais necessidades de saúde das famílias durante o nascimento e a infância.

Para isso, o pediatra precisa ter uma escuta qualificada para questões não médicas e por vezes muito determinantes da saúde dos bebês e das crianças como: a história de vida do casal e de suas famílias, as qualificações individuais dos pais para lidar com mudanças ou com situações diversas da vida, a resiliência de cada um, o entendimento que as famílias têm do processo de nascimento e parto, o entendimento individual que cada um tem do processo saúde-doença, a rede de apoio familiar do casal e até os conflitos na relação do casal, que não raro se refletem em problemas para a criança, como por exemplo nas dificuldades com a amamentação.

Faz parte do atendimento humanizado ao recém-nascido não realizar movimentos intempestivos, que causam choro ou desconforto, em suas primeiras horas de vida. O bebê deve ser manuseado com suavidade e leveza. Algumas ações que refletem essa manipulação delicada e suave são:

  • movimentar lenta e delicadamente o bebê após sua saída do canal de parto para conduzi-lo ao colo da mãe;
  • enxugar delicadamente com panos preaquecidos a parte de trás do corpo do bebê, que não está em contato direto com a pele da mãe;
  • enxugar apenas tocando, sem esfregar a pele do bebê;
  • trocar os panos preaquecidos que envolvem o bebê, a qualquer momento, se ficarem úmidos ou encharcados de líquidos;
  • dar atenção especial ao rosto do bebê, limpando suavemente eventuais resíduos de líquido ou sangue;
  • encontrar uma posição mais confortável para o bebê sobre o ventre ou o peito da mãe caso ele chore ou mostre algum desconforto;
  • não deixar em nenhum momento o bebê desenrolado ou com partes do corpo descobertas ou expostas ao frio;
  • se o bebê nascer na água, aquecê-lo com a própria água morna da banheira, derramando-a suavemente sobre as costas dele;
  • aguardar o bebê dar sinais de que quer mamar para posicioná-lo próximo à aréola do seio materno, dando a ele a oportunidade de se movimentar para buscar e abocanhar o peito;
  • não interromper o contato pele a pele do bebê com a mãe por motivos banais como a necessidade de mudança de posição da mulher para os procedimentos finais do parto;
  • realizar os procedimentos de rotina, como pesar e medir o bebê, apenas depois que ele solte o seio ao terminar de mamar ou, se não tiver mamado, após ele dar sinais que descansar ou dormir sempre após a primeira hora de vida;
  • pesar o bebê enrolado em panos preaquecidos para não expô-lo ao frio;
  • fazer o primeiro exame pediátrico com o bebê em ambiente aquecido, com enrolamento parcial, em posição organizada (com os membros agrupados) e com contenção facilitada pelo pai ou familiar;
  • dar o primeiro banho do bebê no quarto, enrolado em panos e em posição vertical (dentro de balde) para que ele relaxe e até durma, se quiser;
  • oferecer ao casal a possibilidade segura de aplicar vacinas e realizar procedimentos dolorosos no bebê somente após estar acertada a amamentação;
  • ouvir os pais e explicar detalhadamente todos os procedimentos e exames necessários para o bebê e sugerir soluções práticas para sua realização;
  • dar suporte e resolver todos os problemas relacionados ao manejo da amamentação exclusiva;
  • assertividade para proteger o bebê de rotinas hospitalares desnecessárias que atrapalhem um nascimento natural e impossibilitem a amamentação precoce;
  • acolher as demandas e vontades do casal quanto a todos os cuidados e procedimentos que serão dispensados ao bebê durante sua estada no hospital;
  • fazer visitas médicas complementares (hospitalares ou em casa, se necessário), se necessário, para garantir os cuidados adequados e individualizados para cada bebê, de acordo com suas necessidades e os problemas diagnosticados.

Alguns diferenciais do pediatra humanizado:

  • disponibilidade para estar presente no momento do parto;
  • abertura para ouvir e acolher os questionamentos dos pais com relação à própria conduta, aos procedimentos do hospital ou do restante da equipe de saúde;
  • disponibilidade para atender chamados durante o período pós-parto;
  • oferecer alternativas domiciliares de tratamento após a alta para problemas como dificuldades na amamentação, banho de luz para tratamento de icterícia.
  • disponibilidade para responder a telefonemas e/ou mensagens de texto dos pais, sem demora, seja de bebês com poucos dias vida ou de crianças maiores;
  • utilizar os diversos meios de comunicação disponíveis como e-mail, programas de troca de mensagens instantâneas e torpedos para agilizar a comunicação com os pais;
  • disponibilidade para conversar com pediatras de prontos-socorros onde seus pacientes porventura estejam sendo atendidos em casos de urgência para avaliar em conjunto as condutas médicas que estão sendo tomadas;
  • disponibilidade para visitar os bebês que precisarem de internação com o objetivo de acompanhar as condutas propostas e sugerir mudanças, além de esclarecer as dúvidas da família e dar suporte emocional aos pais.

 * Douglas N. Gomes é médico neonatologista e pediatra da Casa Curumim

13 jan Amamentação Dra. Nina Relatos

Relato de Amamentação


Por Carla, mãe de Matheus

A minha história começa na gravidez. Não me lembro ao certo quando, mas na minha memória a barriga ainda não era tão grande e a obstetra me dizia que aquelas marquinhas brancas na minha mama eram leite. Fiquei muito feliz com a descoberta e confesso que nunca me passou pela cabeça que “existiam” problemas de amamentação, simplesmente não considerava essa questão.

O Matheus resolveu nasceu com 36 semanas e 1 dia, tive contrações desde a madrugada e às 19h04 chorava emocionada e muito realizada ao ouvir seu primeiro choro… Choros da vida!

Como nasceu de cesárea (por questões médicas justificadas e importantes, e sem violência obstétrica!) e como foi considerado prematuro, voltou para o quarto algumas horas depois do nascimento e rapidamente ele pegou o peito, sugou com força e vontade! “Com uma pega muito boa”, diziam as auxiliares de enfermagem. Assim, mais uma vez fiquei tranquila: “meu filho está recebendo meu leite”, pensei e senti.

No dia seguinte percebi que Matheus chegou ao quarto, após o banho no berçário, com marquinhas em volta da boca, parecendo que haviam colocado um copo, questionei, e as auxiliares disseram que não era nada. Somente quando o pediatra foi ao quarto, explicou que “como Matheus é prematuro temos que controlar sua glicemia e foi preciso dar complemento”. Ouvi, calei, aceitei… e somente hoje, passados 1 ano e 3 meses, consigo ter a clareza que nesse exato instante o MAS veio me assombrar… “mas meu leite não é suficiente?”.

Assim, o que deveria ser um encontro se tornou uma questão de técnica e quantidade: “a pega deve ser assim”, “observe atenta”, “coloque nessa posição”, “vamos medir a glicemia”, “ele ficou muito tempo no peito? Pouco tempo? Sugou?”… Após as mamadas, em algumas ocasiões, ainda havia uma espetada em seu pezinho para saber se a glicemia estava dentro da referência, algumas vezes estava super boa, e eu ficava muito feliz e realizada, MAS algumas vezes, depois de horas amamentando, a glicemia vinha baixa e era preciso do copinho com complemento… Nem preciso dizer o quanto isso foi me arrasando….

Outro fantasma veio assombrar… Matheus também teve icterícia e cogitava-se que ele precisaria ficar mais um dia na maternidade e eu teria alta. Ficamos em desespero! E minha obstetra foi super acolhedora e logo disse que não me daria alta sem meu filho… um pouco de acalento voltou ao coração.

A icterícia diminuiu e tivemos alta. MAS Matheus chegou em casa com a orientação que eu deveria dar complemento no copinho e que logo providenciasse consulta médica para verificar seu peso.

Nós não estávamos preparados para isso, eu não estava realmente preparada para esse tipo de questão e fui pega de surpresa… não questionei, procurei seguir todas as orientações, pois como “mãe de primeira viagem” foi o melhor que pude fazer por Matheus naquele momento. Não conseguia ouvir nenhum “instinto”, não havia tido espaço para deixar fluir e abrochar meu maternar… e assim, o início da amamentação foi atravessada pela questão quantitativa.

Consegui uma consulta com um pediatra logo no dia seguinte, e em uma consulta de 10 minutos, que me causou estranheza, disse somente que o peso estava estável e não havia icterícia e que voltássemos em 15 dias. Como eu ouvi o que queria, não procurei outro pediatra prontamente…

Nesses primeiros dias, o leite “desceu”, Matheus mamava e adormecia mamando, com gotinhas de leite na boca… MAS passado alguns dias começou a chorar no final do dia…. Com ajuda do Google eu diagnostiquei que fosse cólica, ignorando que ele não tinha nem 21 dias, e no telefone com o “suposto pediatra”, este me receitou um remédio antigases. Não resolvia…. e durante o dia Matheus começou a dormir pouco, continuava magrinho, eu não descansava… Continuei acreditando que era cólica, conversei com amigas que já tinham tido filhos, peguei dicas… Passei a restringir minha alimentação de qualquer alimento que pudesse produzir gases…. resultado, passei a comer pouco e com pouquíssima variedade. O “horário da cólica” começou a ficar muito extenso e de noite Matheus ficava 3 horas em meu peito, exausta e sem saber o que fazermos, passamos a achar que ele havia mamado demais e estava com congestão.

Não sei quanto tempo isso durou, sei que pareceu uma eternidade. Procuramos outra pediatra, que conversou calmamente conosco e disse, “o Matheus está com fome”… Que golpe avassalador, que culpa senti….

Receitou plasil para mim e orientou a qualquer choro dele, dar o peito. Ficamos assim, uma semana, mas o pequeno ainda não ganhava peso e continuava chorando… e eu exausta… Assim, mais uma vez a orientação foi complementar a mamada. Uma alegria me invadiu ao ver meu filho sorrir novamente e dormir tranquilo novamente. Entretanto, escondia lá no fundo uma tristeza por saber que “eu não tinha leite o suficiente”… Não dizia a todo momento (acho que não, pelo menos), mas passava o dia pesquisando e tentando fazer coisas para aumentar minha produção de leite… Tomei chá da mamãe, fiz acupuntura, passei a me alimentar melhor e tentava acreditar em mim… MAS a cada mamada ficava assombrada com “a quantidade que produzi de leite foi suficiente?”, e fui ficando deprimida, cabisbaixa…

Passadas algumas semanas, a tranquilidade foi acabando, porque Matheus tomava a mamadeira muito rápido, que cada vez eram maiores, e agora sim, sofria de cólica…. E eu me culpava muito… “se eu tivesse leite ele não teria cólica”, e também não me conformava… até que conversando com uma amiga ela me indicou a Dra. Nina – por quem tenho eterna e imensa gratidão. Chegamos na Casa Curumim quando o Matheus tinha 1 mês e meio.

Dra. Nina nos recebeu com sua espontânea tranquilidade e segurança, ela acreditou em mim, e para além de ensinar a técnica da relactação, e trocar o plasil que estava me deprimindo, me devolveu uma boa parte da minha autoconfiança.

Assim, com o peito cheio de amor e se enchendo de leite, finalmente, comecei a amamentar e maternar… Encontrei meu filho, nos encontramos… Havia quantidade suficiente e técnica suficiente que foram abrindo espaço para o encontro. A complementação diminuiu, algumas vezes foram dispensadas e Matheus não teve mais cólica. E para além disso, comecei a conhecer meu filho, seu ritmo, suas necessidades, minhas necessidades. Matheus mamou no peito até os 9 meses, quando mostrou todos os sinais do desmame e tivemos que lidar com essa nova etapa.

Para mim não foi fácil lidar com esse fato em nossa história, somente consigo escrever esse relato passado todo esse tempo, e ainda com muitas lágrimas…. Mas (que agora é ressignificado) tenho também orgulho de ter sido persistente até encontrar o que acreditava ser o melhor para o Matheus e assim eu pudesse deixar aflorar meu maternar… Tenho orgulho porque não desisti e acredito que essas história precisam ser compartilhadas para que outras mães não acreditem que as dificuldades de amamentação tenham que acabar na mamadeira. Tenho orgulho porque meu filho é muito alegre e sorridente e quando ele me olha…. sinto muito, muito amor.

Obrigada Dra. Nina!

3 dez Amamentação

O que as pesquisas científicas dizem sobre os benefícios da amamentação


O Aleitamento materno protege tanto as mães como suas crianças contra a maioria das doenças!

Maternidad by Picasso

Maternidad by Picasso

Benefícios para a saúde da criança:

• Câncer: Crianças exclusivamente amamentadas por no mínimo 6 meses apresentam metade da probabilidade de desenvolver câncer antes dos 15 anos do que crianças não amamentadas.
• Diabetes: Crianças que recebem fórmulas infantis à base de leite de vaca antes dos 2 meses têm 2 vezes maior probabilidade de desenvolver diabetes.
• Morte súbita: Crianças não amamentadas têm probabilidade quase 3 vezes maior de serem vítimas de morte súbita do que crianças amamentadas.
• Má oclusão(dentes tortos):Entre crianças amamentadas, quanto mais longa a duração do aleitamento materno, menor a incidência de má oclusão.
• Cárie dental:Crianças amamentadas desenvolvem menos cáries do que crianças não amamentadas.
• Parasitas: Crianças de 1 a 2 anos amamentadas têm uma taxa de infecção por parasitas de 29%, enquanto que crianças não amamentadas têm uma taxa de 66%.
• Infecção do trato urinário: Do nascimento até os 6 meses as crianças alimentadas por mamadeira têm probabilidade 5 vezes maior de contrair infecção urinária do que as amamentadas.
• Diarréia: Crianças de 0-12 meses que não recebem leite de peito são 14,2 vezes mais prováveis de morrer de diarréia do que bebês amamentados exclusivamente.
• Desnutrição: 80% das crianças de 3 meses ou mais ainda amamentadas apresentam estado nutricional normal, mas das crianças alimentadas por mamadeira somente 43% têm essa classificação.
• Infecção respiratória aguda (IRA): Bebês desmamados têm risco 3.6 vezes maior de morrer por infecção respiratória aguda comparado a crianças em aleitamento materno.
• Otite: Crianças de 0 a 12 meses amamentadas exclusivamente têm metade do número de otites do que crianças não amamentadas.
• Visão melhor: Tanto bebês nascidos pré- termo como a termo, alimentados com leite de peito, apresentam melhor visão aos 4 meses e aos 36 meses do que aqueles alimentados artificialmente.
• Xeroftalmia (desordem da visão): A xeroftalmia em crianças é 3 vezes mais provável nas que interromperam a amamentação antes dos 24 meses.
• Melhor desenvolvimento intelectual: Crianças amamentadas por longo período apresentam maiores índices em testes de inteligência.
• Osteoporose: O risco de fraturas de quadril em mulheres com mais de 65 anos é reduzido pela metade entre as que amamentam. Amamentar a criança por 9 meses reduz o risco para 1⁄4.
• Espaçamento entre gestações: Enquanto não recomeçam os períodos de menstruação e enquanto a mulher amamenta exclusivamente, a proteção quanto a uma gravidez nos primeiros 6 meses é de 98% e depois dos 6 meses cai para 96%.

* Fonte: GIFA – Geneva Infant Feeding Association, membro da IBFAN. Post box 157
1211 Geneva 19, Suiça.
Tradução : Silmara Salete de B. Silva / Marina Ferreira Rea / Tereza Toma (IBFAN – Brasil). Editoração: Nelson Francisco Brandão

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