24 jul Amamentação SMAM 2014

Convite – Semana Mundial de Aleitamento Materno – SMAM 2014


10545085_733612880030077_1642141915_nDurante a primeira semana de agosto (1 a 7) a Casa Curumim estará com uma programação especial para a Semana Mundial de Aleitamento Materno – SMAM 2014, promovida pela WABA (Aliança Mundial para Ação em Aleitamento).

O tema deste ano é -> Amamentação: uma vitória para toda vida!

No dia 2 de agosto participaremos da Hora do Mamaço que acontece em São Paulo a partir das 10h na Casa das Rosas (Av. Paulista, 37). Esta é a 3ª edição do evento que também acontece em outras cidades do Brasil. É uma iniciativa da AMS Brasil. Para saber se haverá em sua cidade, entre no blog do evento: http://goo.gl/MW3jeG

No dia 5 de agosto o Grupo gratuito de Aleitamento Materno será especial. Haverá uma vivência musical com nossa querida Giovanna Puerto, uma roda de bate-papo sobre amamentação, a transmissão de um filme seguida de um coffee break. Bebês, maridos e vovós são benvindos :)

Durante toda a semana divulgaremos relatos e fotos de nossas pacientes e seguidoras com seus bebês mamando, uma maneira de incentivar mais mães a procurarem ajuda quando necessário e tocar pais e avós sobre a importância do apoio para o sucesso do aleitamento.

Durante os sete dias publicaremos artigos escritos pelos profissionais da Casa Curumim sobre amamentação no blog e no facebook.

Marquem na agenda e não esqueçam! Nos vemos em breve.

Casa Curumim

hora mamaco

 

smam14

 

16 mai Sobre a Casa Curumim

Casa Curumim


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Curumim é uma palavra de origem tupi que significa crianças indígenas. Foi a partir deste nome que os pediatras Honorina de Almeida e Douglas Nóbrega Gomes pensaram na Casa Curumim. Um local que respeita a criança, a natureza da mulher de parir e amamentar, ajudando para que estes momentos sejam iniciados de forma natural e apoiando em situações de dificuldade.

A Casa Curumim reúne profissionais especializados em manejo clínico da lactação que podem proporcionar orientações para que a experiência de amamentar seja prazerosa e duradoura. Oferece também atendimento integral à família: Assistência na amamentação (hospitalar e domiciliar), assistência neonatal humanizada em sala de parto humanizado, acupuntura, pediatria integral, homeopatia, grupo de gestantes, pós-parto e aleitamento materno, fisioterapia e terapia ocupacional, psicologia infantil, oficina de brincar e musicalização, oficinas de papinha, nutrição infantil e alimentação complementar, nutrição na gestação e infância, pré-natal, atendimento psicológico à gestante e ao pós-parto, terapia craniossacral, fonoaudiologia neonatal e infantil, yoga para gestantes e bebês, massagem thai, curso de preparação para o parto e cuidados com o bebê e cursos direcionados aos profissionais da saúde como o de Manejo Clínico em Aleitamento Materno.

Referência por ser a primeira clínica de aleitamento materno de São Paulo, a Casa Curumim é também ponto de encontro para homens e mulheres que buscam um atendimento humanizado e respeitoso desde a gestação. 

 

1 ago Amamentação SMAM 2014

Especial #SMAM2014


Pouco Leite, o que fazer?

É muito comum algumas mães sentirem que produzem pouco leite. Assim que o

bebê nasce a produção do leite ainda não é equilibrada em relação à demanda.

Com o passar do tempo o organismo vai produzir exatamente o que o recém

nascido necessita.

O importante é ficar atenta a alguns sinais que demostram que a produção não

está sendo suficiente para as necessidades do bebê. E esses sinais são:

• Ganho de peso insuficiente.

• Perda de 10% de seu peso de nascimento.

• Não recuperação do peso de nascimento até o 10o dia de vida.

• Eliminação de urina menor que seis vezes ao dia.

• Diminuição da atividade e disposição do bebê.

Se algum desses sinais estiver presente, é possível, com a ajuda de

profissionais especializados, reverter o quadro. A técnica de relactação, por

exemplo, é bastante eficaz nesses casos.

A mulher que amamenta precisa descansar o máximo que conseguir e ter

pensamentos positivos quanto à sua capacidade de amamentar. Chá de funcho

também pode ajudar para um aumento na produção do leite e não tem contra

indicação.

Fernanda Mariz

Nutricionista Materno Infantil

24 jul Amamentação SMAM 2014

Semana Mundial de Aleitamento Materno – SMAM 2014 – 1 a 7 de agosto


Amamentação, uma vitória para toda vida!

10545085_733612880030077_1642141915_nComo a amamentação e os ODM estão ligados?

Em 1990, oito objetivos globais, os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), foram estabelecidos por governos e pelas Nações Unidas para combater a pobreza e promover o desenvolvimento saudável e sustentável de uma forma abrangente até 2015. Temos “contagens regressivas” regulares para avaliar o progresso alcançado quanto aos objetivos. Neste ano o tema da Semana Mundial da Amamentação (SMAM) WABA vem responder à atual contagem regressiva para alcançar os “Objetivos do Milênio”, afirmando a importância de aumentar e manter o apoio, a promoção e a proteção a amamentação na agenda pós-2015, envolvendo o maior número de grupos e pessoas de diversas idades possíveis. O ano de 2014 é também da Copa do Mundo de Futebol! A amamentação proporciona uma boa saúde e nutrição, sendo ambas importantes para o esporte. Então vamos todos marcar um gol ou mais – o gol da amamentação – para a vida e para o esporte!

Os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) foram estabelecidos para serem alcançados até 2015 – no próximo ano! Embora muito progresso tenha sido alcançado, ainda existe muito a ser trabalhado. Aqui estão alguns exemplos: a pobreza diminuiu, mas ainda uma em cada oito pessoas vai para cama com fome. A desnutrição afeta cerca de um quarto de todas as crianças no mundo. O excesso de peso, outra forma de má nutrição está se tornando mais comum também.

Nas últimas duas décadas, a mortalidade infantil diminuiu em 40%, mas ainda quase 7 milhões de crianças abaixo de cinco anos morrem a cada ano, principalmente por doenças preveníveis. A medida que a taxa global de mortalidade de menores de cinco anos tem diminuído, a proporção de mortes neonatais (durante o primeiro mês de vida) compromete o aumento proporcional de todas as mortes infantis.

No mundo, a mortalidade materna diminuiu de 400 por 100.000 nascidos vivos em 1990 para 210 em 2010, mas menos da metade das mulheres dão à luz em Hospital Amigo da Criança.

Ao apoiar, promover e proteger a amamentação, VOCÊ pode contribuir para cada um dos ODM de forma substancial. A amamentação exclusiva e a alimentação complementar adequada são intervenções importantes para melhorar a sobrevivência infantil, salvando potencialmente cerca de 20% das crianças abaixo de cinco anos. Vamos rever como o Comitê Científico em Nutrição da ONU associou o aleitamento materno a cada um dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio.

Objetivo 1 – Erradicar a pobreza extrema e a fome
A amamentação exclusiva e a continuidade da amamentação por dois anos fornece a mais alta qualidade de energia e nutrientes, pode ainda ajudar a prevenir a fome e a má nutrição. A amamentação confere custo e benefício ao alimentar bebês e crianças. É acessível para todos e não sobrecarrega os orçamentos familiares, em comparação com a alimentação artificial.

Objetivo 2 – Atingir o ensino básico universal
A amamentação e a alimentação complementar adequada são fundamentais para o aprendizado. Amamentação e alimentos complementares de boa qualidade reduzem significativamente o risco de baixa estatura, e assim melhora o desenvolvimento mental e, em consequência promoveo aprendizado.

Objetivo 3 – Promover a igualdade entre os sexos das mulheres
A amamentação promove a equidade entre os sexos, dando a criança um bom começo de vida. A maioria das diferenças de crescimento entre os sexos começam como os alimentos complementares são adicionados à dieta, e a preferência de gênero começa a agir sobre as decisões de alimentação. A amamentação é um direito único da mulher, e deve ser apoiada pela sociedade, por exemplo, através das leis deproteção à maternidade

Objetivo 4 – Reduzir a mortalidade infantil
A mortalidade infantil pode ser facilmente reduzida em cerca de 13%, apenas com melhores práticas de amamentação, e 6% com melhores práticas da alimentação complementar. Além disso, cerca de 50-60% da mortalidade de menores de 5 anos é secundária à desnutrição, amplamente causada por alimentação complementar inadequada, seguida de más práticas de amamentação.

Objetivo 5 – Melhorar a saúde materna
A amamentação está associada a diminuição da perda de sangue no pós-parto, diminuiu o câncer de mama, de ovário, de endométrio e a osteoporose. A amamentação também contribui para o aumento dos intervalos entre partos, reduzindo os riscos de gestações próximas uma da outra.

Objetivo 6 – Combater HIV/AIDS, a malária e outras doenças
A amamentação exclusiva juntamente com a terapia antirretroviral para mulheres e bebês pode reduzir a transmissão de HIV da mulher para a criança a um nível muito baixo.

Objetivo 7 – Garantir a sustentabilidade Ambiental
A amamentação está ligada ao menor desperdício da indústria de leite, farmacológico, bem como o desperdício de plástico e de alumínio, reduz ainda o uso de gás e demais combustíveis.

Objetivo 8 – Estabelecer uma parceria mundial para o desenvolvimento
A Estratégia Global para a Alimentação de Lactentes e Crianças de Primeira Infância promove a colaboração multi-setorial. Pode criar várias parcerias para apoiar o desenvolvimento por meio de programas em prol da amamentação e da alimentação complementar.

WABA – A Semana Mundial de Amamentação é coordenada pela Aliança Mundial para Ação
em Aleitamento (WABA), é uma aliança mundial de pessoas, organizações e redes dedicadas
ao apoio, promoção e proteção ao aleitamento materno em todo o mundo, fundamentada na
Declaração de Innocenti, os Dez Passos Para Nutrir o Futuro e a Estratégia Global da OMS/
UNICEF para a Alimentação de Lactentes e Crianças de Primeira Infância.Seus principais
associados são a Academia de Amamentação de Medicina (ABM), Rede Internacional em
Defesa do Direito de Amamentar (Rede IBFAN), Associação Internacional de Consultores
em Lactação (ILCA), La Leche League Internacional (LLLI), Wellstart Internacional (WI). A
WABA tem estatus consultivo com o UNICEF, e como ONG tem estatus consultivo especial
com o Conselho Econômico e Social das Nações Unidas (ECOSOC).

9 jul Férias

Férias – julho/14


Saiba quais profissionais estarão em férias nos próximos dias:

Melissa Ramos – até 15 de julho

Fernanda Mariz – até 18 de julho

Honorina Almeida (Nina) – até 22 de julho

Branca Lapolla – até 24 de julho

Lucila Faleiros – até 27 de julho

Ana Paula Martins – até 5 de agosto

Beatriz Kesselring – até 5 de agosto

Rachel Franchisci – de 28 de julho até 14 de agosto

Tiemi Yoshida – de 1 a 30 de agosto

 

 

 

 

Sandra Sisla – até 17 de julho

16 jun Artigos Vivência Musical

Por que ensinar música ao bebê?


A música faz o pano de fundo para as nossas vidas e nós, seres humanos somos naturalmente atraídos por ela. Como a linguagem, ela tem o poder de se comunicar e de expressar emoção, motivar e nos inspirar. Une as pessoas, cria e nos remete a memórias , é fonte de alegria e conforto.
Smiling baby with headphoneA música desperta a imaginação e estimula a criatividade. Une cada parte de nosso ser, fisicamente, mentalmente, emocionalmente, socialmente e espiritualmente. Nos presenteia com uma liberdade de expressão diferente de qualquer outra forma de arte. Ao mesmo tempo, a música é altamente disciplinada e estruturada, desenvolvendo o cérebro e da promovendo o aprendizado

Os bebês aprendem sobre música e som desde antes do nascimento. É de dentro do ventre materno que recebe seus primeiros estímulos sonoros, através do som das batidas do coração de sua mãe. A primeira infância é um momento crucial para a aprendizagem quando o cérebro está passando por uma rápida transformação. Bebês gostam de aprender! São naturalmente criativos e curiosos, interessados em explorar o mundo ao seu redor em todas as suas facetas.
Música não é exceção. Fazer música juntos é extremamente gratificante para adultos e bebês. A música permite que você se relacione com seu bebê de uma maneira única, estreitando seus laços de amor, promovendo que seu bebê desenvolva novas habilidades brincando e se divertindo.

Iniciar o fazer música para a maioria dos adultos é uma condição que acaba sendo prejudicada por inibições, medo do fracasso, a falta de auto-confiança e uma sensação de exigência que provoca tensão e frustração. Pense bem: felizmente, bebês não têm nenhum desses sentimentos geradores de angústia para o aprendizado musical, pelo contrário, eles são naturalmente criativos, musicais, e não temem o fracasso, nem mesmo o conhecem! Abraçam e recebem a experiência musical em todas as suas facetas multissensoriais, pois a música se dá não apenas por estímulo auditivo, mas também se dá pela visão, tato e até mesmo olfato e paladar. Os bebês estão abertos a experimentação!
Para bebês a música pode criar um canal através do qual podem explorar livremente e mostrar a sua emoções. A música estimula a aprendizagem, criatividade e imaginação, promove e aprimora essas habilidades. Além disso, a música é amplamente reconhecida como um grande apaziguador do stress. A música acalma e relaxa o bebê, acalenta e conforta. Aliviam a tensão muscular, relaxa a respiração e estimulam ondas cerebrais (que imitam o pulso da música, causando relaxamento ou estimulação).

Os bebês, é claro, nascem com um desejo inato de aprender e capacidade de se comunicar.
Mesmo antes do nascimento, eles ouvem o som dos batimentos cardíacos da mãe, aprendem reconhecê-la pela voz, mostram uma preferência para a sua língua nativa e respondem a estímulos sonoros de dentro do ventre.
A orelha é formada na terceira semana de gestação e é o primeiro órgão sensorial para desenvolver conexões cerebrais. A partir da semana 16, a orelha é funcional e o
bebê está escutando ativamente por semana 24.

Ao nascer, um bebê é capaz de reconhecer músicas conhecidas em sua vida intrauterina e distinguir as vozes de seus pais. Ele mostra uma preferência marcada por músicas cantadas pela mãe ou pai .
Nas primeiras semanas de vida, os bebês ouvem atentamente o mundo ao seu redor. Eles aprendem a localizar a origem de um som, são surpreendidos por barulhos altos e embalados pelo “ruído branco” e música clássica.
Conforme continuam a desenvolver, bebês aprendem a imitar sons e criar alguns por conta própria, com objetos como panelas e colheres de pau e inclusive com seus próprios corpos e vozes. Eles balançam ao som da música e mostrar alegria, sorrindo, batendo palmas e aprendem a se revezar com outras crianças.
A pesquisa mostra que uma maior atenção ao desenvolvimento precoce da linguagem por parte dos pais e cuidadores incentiva o desenvolvimento de alfabetização e habilidades de comunicação. Os elementos
de música (por exemplo, ritmo, afinação, timbre), são os próprios elementos usados em falar uma língua e por esta razão, a música também é um pré-requisito fundamental para o desenvolvimento da linguagem, preparando o
ouvido e cérebro para ouvir, assimilar e produzir sons.

Texto extraído do livro “Teaching your young child music”, por Vicki Watson. Tradução Giovanna Puerto Carlin

A Casa Curumim tem uma atividade de Vivência Musical para bebês – informe-se neste link!

16 jun Amamentação APLV Artigos Nutrição

Sobre o leite de vaca: mitos e verdades


por Rachel Francischi

leiteRecebo com frequência dúvidas se o consumo de leite de vaca é saudável ou não. Devemos tomar e oferecer para as crianças? O leite e seus derivados aumenta a formação de muco e catarro? Atrapalha ou ajuda no emagrecimento? Dá gases? Engrossa a pele? Aumenta as crises de asma ou rinite? Intolerância à lactose ou alergia? O cálcio do leite pode ser perfeitamente substituído?
Vamos então entender essas respostas com base na ciência e na evidência, com respaldo dos estudos científicos e organizações internacionais e nacionais (ver referências ao final do artigo).

No início da vida:
O alimento mais perfeito e completo para o ser humano é o leite materno. O leite materno deve ser o único alimento/bebida da criança até os seis meses de vida. O leite materno deve continuar a ser oferecido até pelo menos os dois anos de idade ou mais. Ele garante saúde e nutrição, melhora a digestão, previne infecções e alergias, promove o adequado crescimento, desenvolvimento infantil físico, emocional, cognitivo e do sistema nervoso.
Nem o leite de vaca, nem nenhum derivado de leite de vaca (queijo, iogurte, etc) deve ser oferecido para crianças até os dois anos de idade, salvo em condições especiais de dificuldades de amamentação e por indicação expressa do pediatra ou nutricionista. Para deixar claro, a tão famosa fórmula (ou fórmula infantil) dos bebês é feita de leite de vaca.

Infelizmente no Brasil o desmame ocorre mais cedo do que deveria. Apesar de inúmeros esforços conseguirem aumentar a duração da amamentação no país, ainda nossas crianças recebem menos leite materno do que deveriam.

Na ausência do leite materno, precisamos de alternativas para a ingestão adequada de nutrientes. E é aí que entra o leite de vaca. Então vamos conhecer as vantagens e desvantagens de consumir leite de vaca e derivados:

O leite de vaca é a secreção das glândulas mamárias da vaca para alimentar os bezerros. É um alimento com alto teor de proteínas, fonte de vitamina D, potássio, magnésio, zinco e, sobretudo, cálcio. O leite de vaca é a maior fonte de cálcio na natureza.

Mas o cálcio do leite de vaca é bem absorvido pelo nosso corpo?
Sim, embora não seja um excelente tipo de cálcio, o leite de vaca ainda é a maior fonte de cálcio absorvível. Cerca de 30% do cálcio do leite é absorvido pelo corpo humano, contra cerca de 60% do brócolis e da couve-manteiga (excelentes fontes), e cerca de 5% do espinafre e 15% do feijão. Como o leite de vaca tem muito cálcio, mesmo sendo apenas um terço absorvido, ainda assim é bastante cálcio. Você precisaria comer umas 4 porções de brócolis (4 xícaras) para ter a mesma quantidade de cálcio absorvido num 1 copo de leite!

Mas o ser humano é a única espécie na natureza que consome o leite de outros animais e continua tomando leite na idade adulta. Isso não é contra a nossa natureza?
Esse argumento é bem capcioso. De fato, o ser humano é o único ser na natureza que consome leite de outros animais. E é também a única espécie que consegue utilizar a tecnologia de alimentos ao seu favor… Somos a única espécie que aprendeu a usar o fogo e cozinhar seus próprios alimentos, que desenvolve e consome alimentos industrializados com aditivos químicos, armazenados sob-refrigeração ou na salmoura, cultivados em monoculturas gigantescas repleta de agrotóxicos, etc. Atribuir todos os problemas nutricionais da humanidade ao leite de vaca é injusto e perigoso.

É verdade que uma criança em aleitamento materno não precisa de leite de vaca até os dois anos de idade?
Sim, a criança em aleitamento materno deve receber apenas leite materno idealmente sob livre demanda, até os dois anos de idade ou mais. Somado ao leite materno, a partir dos 6 meses de vida, a criança deve receber os alimentos complementares.
Caso a criança em aleitamento materno com mais de seis meses de vida passe várias horas do dia longe da mãe, para garantir a ingestão adequada de nutrientes reforço praticar a amamentação sob livre demanda noturna e livre demanda diurna sempre que possível. Em alguns casos excepcionais, pode ser recomendada a amamentação mista (leite artificial e leite materno) para bebês após os seis meses de vida, sob orientação expressa médica e/ou de nutricionista.

Para quem o leite de vaca e seus derivados é indicado?
Para crianças desmamadas; para crianças amamentadas somente a partir dos 2 anos de idade; para adultos e pessoas de terceira idade de ambos os sexos.

Para quem o leite de vaca é contraindicado?
Para crianças amamentadas, para adultos e crianças intolerantes a lactose ou alérgicos a proteína do leite de vaca.

Quanto de leite/queijos/iogurtes uma criança e um adulto deveria comer?
Segundo as guias de alimentação e nutrição brasileiras elaboradas ou respaldadas por órgãos oficiais como o Ministério da Saúde, a Universidade de São Paulo, a Sociedade Brasileira de Pediatria, o Conselho Regional de Nutrição, entre outras, a recomendação é:

Crianças maiores de 1 ano (que não recebem leite materno): cerca de 3 porções ao dia (cada porção equivalente a 1 xícara das de chá de leite ou 2 fatias de queijo)
Adultos: cerca de 3 porções ao dia
Por outro lado, a Universidade de Harvard dos Estados Unidos recomenda um consumo bem inferior de leite de vaca e derivados: apenas 1 a 2 porções diárias para a maioria das pessoas, no máximo. Esse consumo deve ser complementado com um bom consumo diário de vegetais verde escuros como os brócolis e a couve, com adequado estado nutricional de vitamina D (presente em leite e derivados, alguns peixes marinhos e principalmente produzida no nosso organismo a partir da exposição à luz do sol) e também de vitamina K (presente em vegetais de folhas verdes).

Qual a diferença de intolerância à lactose e alergia ao leite?
As pessoas intolerantes à lactose têm dificuldade para digerir o açúcar do leite (lactose) porque não possuem no seu intestino a enzima lactase em quantidade suficiente. Intolerantes à lactose vão perdendo a capacidade de produzir essa enzima depois de certa idade, às vezes na infância mesmo ou apenas quando adulto. É genético. Especialmente pessoas de origem afrodescendentes e asiáticas são mais susceptíveis. Ou seja, a maior parte da humanidade!
Se você não tem intolerância à lactose e exclui totalmente a lactose da sua vida, pode sim desenvolver essa intolerância porque seu corpo vai diminuindo a quantidade de lactase que produz.
Algumas pessoas podem tolerar uma pequena quantidade de lácteos ou não sentir quase nada ao consumir alguns derivados do leite que contenham menos lactose (iogurtes e queijos), porém se tomam um copo grande de leite sentem muito desconforto (por exemplo, muitos gases, cólicas abdominais, diarreias, sensação de estufamento, mal-estar, etc.).
Se você suspeita que tem intolerância à lactose, converse com seu médico. Existe um exame que faz um teste da sua capacidade de digerir a lactose e permite assim um diagnóstico preciso.

Já a alergia ao leite é na verdade a Alergia à Proteína do Leite de Vaca (APLV). Não existe alergia à lactose.

A APLV é a alergia mais frequente em crianças. A alergia é uma reação do sistema imunológico à presença de uma determinada proteína no alimento. Geralmente alérgicos à proteína do leite de vaca são também a do leite da cabra, já que são proteínas bem parecidas.
Os sintomas podem ser leves ou bastante severos. Imediatamente (até 1 hora) após consumir leite de vaca, os sintomas de alergia podem ser urticárias, inchaços, vômitos, diarreias e chiados respiratórios. Sintomas mais tardios (horas ou dias) depois de consumir o leite podem ser diarreias, vômitos, dermatites (eczema). Em casos mais graves, pode ocorrer choque anafilático com risco de vida.

Cerca de 2,5% das crianças com menos de 3 anos têm essa alergia. APLV tipicamente surge na infância e eventualmente pode desaparecer na idade escolar ou na adolescência. Pessoas com APLV têm que excluir totalmente o leite de vaca e derivados da sua alimentação, já que mesma uma quantidade mínima pode desencadear os sintomas.

Vale a pena lembrar que bebês amamentados não têm intolerância à lactose porque no leite materno tem bem mais lactose do que no leite de vaca. Alguns bebês mesmo amamentados podem ter a alergia à proteína do leite de vaca, já que essa proteína pode passar pelo leite materno se a mãe consome o leite de vaca.

É verdade que o leite de vaca aumenta a formação de muco e agrava a asma, rinite e chiado respiratório?
Não. Todos os estudos científicos até hoje não conseguiram estabelecer nenhuma associação entre o consumo de leite de vaca e a ocorrência de asma ou sintomas respiratórios, salvo em casos excepcionais de pacientes que sofrem de alergia à proteína do leite de vaca (APLV).

Então, somente apenas para quem tem APLV os sintomas respiratórios acima descritos estão associados ao consumo de leite de vaca e derivados lácteos.

Muitos estudos já foram feitos sobre esse tema e todos falharam em demonstrar que o leite ou os lácteos em geral aumentam a formação de muco. Mas mesmo assim, esse é um tema complexo porque muitos médicos e profissionais ligados à medicina natural/alternativa defendem essa teoria. Desde o século 12 existem relatos de proibição de leite de vaca para asmáticos! Talvez você já tenha escutado por aí que quem está gripado ou tem rinite não deva tomar leite… Inclusive autores que admiro muito pelo seu trabalho em outras áreas da saúde (por exemplo, a Laura Gutman) falam publicamente que o leite aumenta a formação de muco.

Mas vamos entender o que de fato acontece à luz da medicina baseada em evidência:
De acordo com estudos científicos, pessoas que percebem a tal formação de muco/catarro nas vias respiratórias após tomar leite de vaca também sentem esse sintoma quando tomam uma bebida à base de soja (placebo). De fato, o leite (especialmente o leite integral) tem uma textura particular que pode deixar sobre a língua e a garganta um tipo de revestimento e causar essa sensação de muco/catarro. Mas notemos que o mesmo efeito é sentido com placebo ou leite de soja, e não se trata de muco ou catarro, é apenas uma sensação temporária na garganta.

Um estudo curioso encontrou justamente que aquelas pessoas que acreditam que o leite produz muco, quando gripadas, relatam que sofrem mais tosses e sintomas de congestão nasal ao consumir leite. Porém, o estudo demonstrou que elas não produzem mais secreção nasal ou muco do que as pessoas que não acreditam nessa associação. Ou seja, a autossugestão pode influenciar nos sintomas percebidos pelos pacientes!

Um artigo da Nova Zelândia tentou explicar justamente a hipótese porque em alguns casos realmente o leite pode influenciar negativamente os sintomas respiratórios. A hipótese médica sugere que não se trata de uma simples relação de causa e efeito entre o leite e a formação de muco. O tipo de leite consumido deve ser o leite do tipo A1 (um tipo específico de leite cuja proteína caseína é do tipo A1 e não A2); além disso, da digestão dessa proteína um outro peptídeo específico (conhecido como beta-CM-7) deve passar pelo intestino e chegar até a circulação sistêmica; e por fim os tecidos devem estar inflamados para haver a produção de muco. Por isso apenas um pequeno subgrupo de pessoas com asma ou sintomas respiratórios podem ter melhoras na dieta de eliminação de lácteos. Pacientes asmáticos que têm essa proteína (beta-CM-7) no sangue são os que teriam maiores riscos de aumentar a produção de muco com o consumo de leite. Essa hipótese ainda não foi testada em seres humanos num experimento científico.

O leite de vaca engorda?
Existem três tipos de leite: integral, semi-desnatado e desnatado, que diferem no teor de gorduras e vitaminas lipossolúveis (especialmente vitamina A e D), presentes em maior quantidade no leite integral. O cálcio é o mesmo nos três tipos de leite. Se você precisa restringir o consumo de gorduras e calorias, opte por um produto semi ou desnatado.

É melhor leite em pó, de caixinha ou fresco? Ou iogurtes?
O leite em pó geralmente é fortificado com vitaminas e minerais, e pode ser útil para pacientes com carências nutricionais. O leite de caixinha contém conservantes e tem um maior prazo de validade (imagine só, um leite que dura meses fora da geladeira!). O leite fresco (tipo A) é pasteurizado e não contém conservantes, sendo o produto que mais recomendo, junto com os leites e iogurtes orgânicos.
Para bebês com menos de 12 meses que não são amamentados, fórmulas infantis são mais recomendadas.

Os iogurtes contém bactérias saudáveis que ajudam na microbiota intestinal. Os melhores iogurtes são aqueles que contém apenas leite e fermento lácteo e, no máximo, algo de frutas. Muito cuidado com os iogurtes e produtos lácteos com açúcar e aditivos químicos, altamente desaconselháveis especialmente para crianças. Leia sempre os rótulos dos alimentos!

Mas conheço tanta gente evitando leite e derivados que quero fazer um teste.
Dietas sem lactose estão na moda. As guias e recomendações são de evitar qualquer dieta de restrição ao leite de vaca sem um diagnóstico médico. Inclusive o Conselho Regional de Nutrição tem um parecer técnico indicando que “A restrição ao consumo de leite e derivados somente deve ser feita aos pacientes com diagnóstico clínico confirmado de Intolerância à Lactose, sensibilidade à proteína do leite (Alergia à Proteína do Leite de Vaca – APLV) ou de outras condições fisiológicas e imunológicas”.

Saliento que qualquer restrição alimentar implica em carências nutricionais se não for contrabalanceada, por isso é tão perigosa e deve ser realizada sempre com orientação profissional. Se você precisa eliminar qualquer grupo alimentar do seu cardápio, procure um nutricionista antes de se submeter a qualquer dieta.

Espero que esse texto sirva de utilidade e e ajude a esclarecer tantos mitos que escutamos sobre alimentação. Caso você deseje saber mais, pode entrar em contato e deixo também alguns links e referências abaixo.

Ministério da Saúde (Guias Alimentares para a população brasileira): http://nutricao.saude.gov.br/publicacoes.php
Universidade de Harvard (consumo de leite de vaca e saúde): http://www.hsph.harvard.edu/nutritionsource/what-should-you-eat/calcium-and-milk/
World Health Organization (WHO) (aleitamento materno): http://www.who.int/topics/breastfeeding/en/
World Allergy Organization (WAO): http://www.worldallergy.org/professional/allergic_diseases_center/cows_milk_allergy_in_children/
Food Allergy Research & Education: http://www.foodallergy.org/
Australasian Society of Clinical Immunology and Allergy (ASCIA) (leite e formação de muco): http://www.allergy.org.au/patients/food-other-adverse-reactions/milk-mucus-and-cough

Algumas referencias interessantes:
Anderson JW, Johnstone BM, Remley DT. Breast-feeding and cognitive development: a meta-analysis. Am J Clin Nutr. 1999 Oct; 70(4): 525-35.
Arney WK, Pinnock CB. The milk mucus belief: sensations associated with the belief and characteristics of believers. Appetite. 1993 Feb;20(1): 53-60.
Bartley J, McGlashan SR. Does milk increase mucus production? Med Hypotheses. 2010 Apr;74(4): 732-4.
Brasil. Ministério da Saúde. Saúde da criança: nutrição infantil: aleitamento materno e alimentação complementar . Brasília : Editora do Ministério da Saúde, 2009.
Gonzalez, C. Un regalo para toda la vida: Guía de la lactancia materna. Madrid, Ediciones Temas de Hoy, 2006.
Haug A, Høstmark AT, Harstad OM. Bovine milk in human nutrition–a review. Lipids Health Dis. 2007 Sep 25;6: 25.
Pinnock CB, Graham NM, Mylvaganam A, Douglas RM. Relationship between milk intake and mucus production in adult volunteers challenged with rhinovirus-2. Am Rev Respir Dis. 1990 Feb;141(2): 352-6.
Pinnock CB, Arney WK. The milk-mucus belief: sensory analysis comparing cow’s milk and a soy placebo. Appetite. 1993 Feb;20(1):61-70.
Samour PQ, Helm KH. Handbook of pediatric nutrition. Burlington, Jones & Bartlett Learning, 2005.
Silva RC et al. “Centesimal composition of human milk and physico-chemical properties of its fat.” Química Nova 30.7 (2007): 1535-1538.
Thiara G, Goldman RD. Milk consumption and mucus production in children with asthma. Can Fam Physician. 2012 Feb;58(2):165-6.
Uauy R, Kain J, Mericq V, Rojas J, Corvalán C. Nutrition, child growth, and chronic disease prevention. Annals of Medicine 2008; 40: 11-20.
UNICEF. Tracking progress on child and maternal nutrition. A survival and development priority. New York, 2009.
Wüthrich B, Schmid A, Walther B, Sieber R. Milk consumption does not lead to mucus production or occurrence of asthma. J Am Coll Nutr. 2005 Dec;24(6 Suppl):547S-55S.

12 mai Amamentação Artigos

A nutrição e a amamentação


lyingdown

Por Fernanda Mariz – Nutricionista

A sensação que durante a amamentação a mulher sente mais fome é verdadeira, porque nesse período há um grande gasto calórico. Entretanto deve-se ter atenção quanto à qualidade dos alimentos a serem consumidos.

Algumas mães relatam que certos alimentos podem contribuir para o aparecimento de sintomas como cólica, gases e irritabilidade nos bebês.

Eu observo, na prática, que os alimentos que estão mais associados a esses sintomas são: chocolate, feijão, cebola, repolho, pimenta e leite. Mas cada criança pode reagir de forma diferente, não há regras. Por isso a importância de observar eventuais sintomas e evitar o consumo dos alimentos que forem associados com eles.

Deve-se beber bastante líquido para suprir a produção de leite, que é de em média, 800ml por dia. Beba durante todo o dia e quando for amamentar, deixe sempre um copo de água perto. O importante é não sentir sede.

É recomendado evitar o uso de bebidas que contenham cafeína (café, chá, refrigerante, energéticos, chocolate), ou limitar o consumo em até 300 mg por dia (cerca de 3 xícaras pequenas de café). Mas se perceber que o bebê fica irritadiço depois que houve a ingestão da cafeína, o ideal é cortar até o fim da amamentação.

Quando uma mãe que amamenta consome álcool, parte da bebida passa para o leite materno. Sabe-se que, em aproximadamente duas horas, uma dose de álcool (1 taça de vinho ou 1 copo de cerveja) é metabolizado e eliminado pelo corpo. Portanto se uma mãe quiser ingerir uma dose de bebida alcoólica a recomendação é que não beba se for amamentar nas próximas 2 ou 3 horas.

Amamentar é tudo de bom! Para muitas mulheres essa não é uma tarefa fácil. Felizmente existem profissionais especializados a dar auxílio para que a amamentação seja um sucesso. O importante é não desistir.

 

5 mai Amamentação Artigos

A importância do apoio das avós na pratica do aleitamento materno.


Por Maiana Rappaport

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A amamentação possui benefícios tanto para o crescimento e desenvolvimento das crianças do ponto de vista biopsicossocial, quanto para a saúde da mulher-mãe, da família, sociedade e planeta, sendo, portanto, um ato de grande importância para o ser humano. Apesar de o aleitamento materno exclusivo ser considerado a melhor forma de alimentar o lactente, essa prática vem sofrendo influências culturais, econômicas e sociais que proporcionam desestímulos para as mães que desejam amamentar seus filhos, culminando quase sempre num desmame precoce. Recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) nos primeiros seis meses de forma exclusiva, e complementada até os dois anos; as taxas de aleitamento materno no Brasil ainda são baixas.

Para modificar essa realidade são necessárias ações que promovam essa prática, as quais devem contemplar fatores que interferem na amamentação, pois é sabido que o aleitamento materno, apesar de biologicamente determinado, é influenciado por fatores sociopsicoculturais. Entre esses fatores, encontram-se a opinião e o incentivo das pessoas que cercam a mãe, incluindo as avós maternas e/ou paternas da criança; a influência das avós na amamentação pode favorecê-la ou dificultá-la.

Estudo prospectivo foi realizado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, com o objetivo de verificar a influência das avós na duração do aleitamento materno, mediante estudo de alguns aspectos referentes às avós e sua relação com as prevalências dessa prática nos primeiros seis meses de vida da criança. Tal pesquisa, realizada com 601 mães de recém-nascidos normais nascidos em hospital universitário na cidade de Porto Alegre- RS, concluíram que as avós podem influenciar negativamente na amamentação, tanto na sua duração quanto na sua exclusividade. Independentemente da idade, cor da pele, escolaridade, renda per capita, número de filhos e de ter recebido ou não intervenção na maternidade, as mães com contato diário com as respectivas mães tiveram uma chance maior de interromper o aleitamento materno nos primeiros seis meses após o nascimento da criança. Já o contato mais frequente com as avós paternas não afetou significativamente a duração do aleitamento materno. Parece que a percepção da mãe de que a sogra aprova a amamentação é importante para sua manutenção da mesma, pois as mães que relatavam que a sogra não era favorável à amamentação ou desconheciam a opinião delas tiveram uma chance quase duas vezes maior de interromper o aleitamento materno nos primeiros seis meses.

De acordo com a pesquisa: “É importante levar em consideração que um percentual expressivo de avós (em torno da metade) aconselhou o uso de água e/ou chás já no primeiro mês e que essa atitude pode contribuir para o abandono da amamentação exclusiva”. Apesar de o presente estudo ter revelado uma associação entre contato diário com a avó materna e uma menor duração do aleitamento materno, ele não elucida os fatores envolvidos nesta relação.  Mais de 75% das avós da amostra estudada tiveram seus filhos na década de 60 ou 70, época em que o aleitamento materno, em especial o exclusivo, não era tão valorizado, as taxas de aleitamento materno eram muito baixas, o uso de água e chás era recomendado pelos pediatras e imperava a crença do “leite fraco” ou “pouco leite”. Portanto, em muitas situações, as avós estão apenas repassando às suas filhas ou noras a sua experiência com amamentação -vividas há 20 ou 30 anos, contrárias às recomendações atuais das práticas alimentares de crianças- acreditando ser o mais adequado. É possível, também, que as mães que tenham contato diário com as suas mães ou sogras deleguem parte do seu papel de mãe a elas, e que isso reflita em menor duração do aleitamento materno.

Sendo o aleitamento materno um processo altamente influenciado pela cultura, mostra-se de suma importância o desenvolvimento de estratégias de promoção do aleitamento materno e apoio ao pós-parto, que inclua as avós. Espaços onde as mesmas possam expor seus sentimentos relacionados ao nascimento do neto e suas crenças relacionadas à amamentação. Onde possam receber informação atualizada, para apoiar e ajudar seus filhos a tornarem-se pais. Dessa forma, as avós estarão mais preparadas para exercer influência positiva no estimulo ao processo de amamentação, de suas filhas ou noras.

 Referência:

“Influência das avós na prática do aleitamento materno”

 Lulie R O SusinI; Elsa R J GiuglianiII; Suzane C KummerIII

IDepartamento de Patologia. Fundação Universidade do Rio Grande. Rio Grande, RS, Brasil
IIDepartamento de Pediatria e Puericultura. Faculdade de Medicina. Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Porto Alegre, RS, Brasil
IIISecretaria Municipal de Porto Alegre. Porto Alegre, RS, Brasil

Maiana Rappaport é psicóloga na Casa Curumim e ministra o Curso Tornando-se vovó na atualidade que acontece no dia 10 de maio. Informe-se clicando AQUI.

23 abr Cursos

A importância do brincar na criança!


Por Vanessa A. Caldeira

“O brincar é uma necessidade básica e um direito de todos. O brincar é uma experiência humana, rica e complexa”. (ALMEIDA, M. T. P, 2000)

Brincar é um DIREITO da criança!!

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Isso porque brincar é essencial para o desenvolvimento do ser humano e simplesmente porque traz prazer e felicidade!

O brincar é ao mesmo tempo meio para adquirir habilidades e conhecimento, expressá-lo além de possibilitar a representação e transformação do modo de ver esse mundo.

O brincar também é um objetivo em si mesmo, como direito da criança, mas que encontra muitas vezes empecilhos para acontecer.

Quando olhamos o brincar enquanto meio podemos considerar que ele é um instrumento para a criança apreender o sobre o mundo em suas leis físicas; como as características dos objetos, suas formas de comportarem no mundo e as relações dos objetos entre si no tempo e no espaço. Ela aprende as regras e formas de manifestações sociais; como agradecer, dar tchau, se portar nos diferente ambientes e com pessoas de diferentes faixas etárias. E por fim aprende sobre sua cultura e seu grupo social; os valores (aquilo que valorizamos) manifestos em nossas ações, comportamentos e falas.

O brincar também pode ser um meio para a criança refletir o que tem entendido e sentido sobre esse meio. Quando ela imagina ela traz pra brincadeira as representações daquilo que vivencia, como quando brinca de casinha. Nesse momento ela pode elaborar aquelas experiências significativas, que precisa reproduzir para entender e para propor novas formas de resolver situações conflituosas.

O agir sobre o mundo pode ser facilitado também pelo brincar. Quando a criança quer pegar um brinquedo e precisa desenvolver habilidades para se locomover (rola, pegar, engatinhar, andar); pra olhar e acompanhar visualmente um objeto em suas qualidades como cores, brilhos, contrastes, profundidade; para desenvolver atenção e processar os som e suas qualidades como timbres diferentes que permitem reconhecer que som é esse, como ritmo, como grave e agudo e a melodia e para distinguir cheiros e desenvolver o paladar e o olfato como quando reconhece a mãe pelo cheiro.

Quando olhamos o brincar sob o ponto de vista que é uma necessidade essencial da criança temos que pensar formas para que o brincar possa ser garantido pelas famílias, escolas, terapias, e pela diferentes propostas da sociedade na atenção à criança. Ter como objetivo que criança brinque significa pensar o que tem dificultado esse brincar e pensar como oferecer uma diversidade de possibilidades e oportunidades para brincar.

Para exercer o direito de brincar é necessário garantir momentos para a criança brincar sozinha. A criança precisa de um espaço para criar livremente. Reviver simbolicamente momentos prazerosos e difíceis servem para a criança entender situações e resignificar suas experiência.

Também é necessário garantir encontros para a criança brincar com outras pessoas. Nos dias de hoje na nossa sociedade há cada vez menos possibilidades de encontros entre as pessoas. Com as famílias reduzidas, com a diminuição das brincadeiras nas ruas, com mais compromissos como aulas de inglês, natação. É preciso valorizar o encontro para brincar garantindo o encontro com adultos significativos (os pais, avós, tios). Esses momentos são essenciais para a criança pois além que ampliar o afeto entre os participantes da brincadeira ajuda o adulto a entender o mundo da criança e esta a entender o mundo do adulto. É mais importante brincar com a criança do que ensinar como brincar. Compor a brincadeira com o que a criança traz, valorizando o que sabe, trazendo novos elementos que possam enriquecer seu aprendizado e criatividade, se divertindo com a criança e nomeando objetos (isso é um martelo que serve para martelar, bater), sentimentos (você ficou triste?) e ações (vamos fingir que estamos dormindo) que ainda nãoconhecem.

Brincar com outros amigos com o mínimo de influencia do adulto também precisa ser incentivado. É nesses momentos que a criança aprende a se relacionar. Pode por exemplo, vivenciar situações de frustrações e exercita formar de lidar com ela (pedir em prestado, negociar um tempo em que cada um brinque um pouco, a buscar outro brinquedo que interesse). Se a todo o momento o adulto influencia nessas negociações as crianças não aprendem lidar com frustrações sozinhas. É preciso que adulto ajude a criança a se relacionar bem como por exemplo pedir licença, agradecer, pedir emprestado.

Outro aspecto que pode facilitar a brincadeira é valorizar o acesso a cultura infantil. Oferecer uma diversidade de formas (música, pintura, escultura, literatura…) e de conteúdos (temas) sobre o universo infantil. A vivencia dessas experiências sensoriais diferentes enriquecem a criatividade e o acesso de outras formas de manifestações das experiências humanas. Isso pode ser vivenciado partir de peças de teatro, fantoche, musicas, contação de histórias, leitura.

É preciso também incentivar brincadeiras tradicionais que passam por gerações e\ou aparecem em diversas culturas como corre-corre, pega-pega, jogo de bola.

Para facilitar o acesso a brinquedos e brincadeira é preciso ter brinquedos. Para isso pode-se  trocar brinquedos entre famílias, ir brincar em ambientes diferentes, freqüentar brinquedotecas, alugar brinquedos por site pode facilitar as brincadeiras. Ter brinquedos não significa quantidade. Ter muitos brinquedos pode dificultar a escolha da criança e de brincar com um deles. Comprar apenas brinquedos pré fabricados pode dificultar que a criança exercite sua criatividade pois a forma de brincar já está pré estabelecida. Melhor é comprar brinquedos que favoreçam diversas formas de criar ou construir brinquedos junto com a criança (como fazer um chapéu pirata, construir um carro com caixas de remédio…). Esses brinquedos podem significar muito mais do que aquele comprado pois surgiram da relação muito particular da criança com o adulto.

Promover o acesso a brincadeiras que não envolvem necessariamente um objeto mas que são facilitadas pela presença do outro (adulto ou criança) como as brincadeiras de imaginação. Imaginar é simbolizar, é não ter o objeto real mas poder acessá-lo com outros instrumentos como a palavra, o desenho, a imagem mental. Imaginar é essencialmente social, a partir dos símbolos sociais. Para facilitar esse tipo de brincadeira é preciso se oferecer enquanto mediador e facilitador dos símbolos, mesmo que num segundo momento a criança faça isso sozinha. É preciso imaginar junto com a criança, entrar em sua história e trazer elementos do mundo para que ela conheça e construa uma narrativa das mais simples as mais complexas.

As brincadeira corporais permitem que a criança conheça o seu corpo, o que ele é, o que pode fazer. O corpo delimita o eu, o outro e me distingue do espaço. Começo conhecendo meu corpo a partir da referencia do outro, como a mãe que amamenta. Aos poucos a criança vai se diferenciando dela. Quando a mãe que toca e nomeia partes do corpo da criança vai aprendendo e sentido o seu corpo. Durante um bom tempo, a criança precisa do outro para entender o seu corpo. Precisa de alguém pra imitar, e precisa de espaço para movimentar-se. É preciso garantir o outro e o espaço para isso.

Muitas brincadeiras tradicionais (como pega-pega, corre corre, estátua) e jogos precisam de outras crianças e de pessoas que conheçam suas regras. Novamente garantir o encontro com o outro é essencial para a brincadeira.

Enquanto uma atividades humana a brincadeira acontece essencialmente na relação social ou com referências desta! Brincar é essencial para criança simplesmente porque brincar é fundamental para o ser humano! Você já pensou o significou o brincar em sua infância? Aqueles amigos que nunca esquecemos, aquele brinquedo ou brincadeira que fez parte significativa da nossa infância, aqueles momentos de encontro prazerosos com os pais.

Resgatar esses momentos reafirmam que é preciso garantir isso também para nossas crianças pois brincar é essencialmente o prazer da criança!

Boa brincadeira!!!

Próxima turma da Oficina de Brincar para bebês de até 18 meses dia 29/08 às 14h na Casa Curumim.

Mais informações clique AQUI!

10 abr Artigos Pós-Parto

A importância do apoio no pós-parto


Por: Maiana Rappaport

O nascimento de um filho é um acontecimento que modifica a vida do casal, são muitas as mudanças que a mãe e o pai têm que enfrentar; especialmente a mãe, que tende a responder a esta nova fase de acordo com as características do bebê, ás suas pessoais e a sua habilidade de solicitar e aceitar apoio. A mulher tem que se adaptar à nova vida: às demandas do bebê, uma interação conjugal que inclui o bebê e a vida profissional e social, com a presença de um ser que depende dela. Além disso, com o nascimento do bebê a mulher deixa de ser o centro de sua própria vida. Perde o seu próprio ritmo diário, seu dia passa a ser ditado pelas necessidades do bebê.

Principalmente nos primeiros meses, a mãe está submetida à privação do sono e à adaptação da vida ao ritmo do bebê. A resposta da mulher a estas mudanças é influenciada por fatores individuais e ambientais, destacando-se, como um dos fatores mais importantes que influencia o seu bem-estar, o apoio que ela recebe daqueles que a rodeiam. O pai e avós do recém-nascido têm grande importância na rede de apoio para a recém-mãe. A literatura tem mostrado que a disponibilidade e fruição de uma rede de apoio social favorecem a responsividade materna, trazendo benefícios a curto e longo prazo para a mãe, criança e o próprio casal. Cada mãe pode necessitar de diferentes tipos de apoio, em diferentes circunstâncias, quer seja uma orientação, uma ajuda prática ou mesmo algumas palavras de carinho. Muitas vezes, a ajuda pode não ser solicitada ou mesmo recebida, mas o fato da mãe saber que tem com quem contar tem um impacto potencial positivo. Mães com uma rede de apoio social maior mostram-se mais sensíveis em sua interação com o bebê. Com suas necessidades emocionais mais atendidas, tornam-se mais hábeis para se centrar nas necessidades do bebê.

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“Para amamentar um filho precisamos muito mais do que dois peitos.Precisamos de dois braços que sustentem os nossos, enquanto carregamos, entre sonhos, nosso bebê. Dois olhos, que nos olhem sem preconceitos, enquanto o nosso olhar se perde no sorriso do nosso filho. Suaves carícias que nos curem, quando as feridas doem. Palavras que nos encham de coragem, quando estivermos a ponto de desistir. Precisamos de um abraço longo e sem pressa, quando a solidão da noite nos devore. Precisamos de um mundo que nos espere, enquanto nós damos de mamar a nossos filhos. Voltaremos. Iguais, porém melhores.”

Lic. Paula Napolitano.

Maiana Rappaport é Psicóloga clínica formada pela PUC/SP e psicanalista pelo Sedes Sapientiae, especialista no atendimento à gestantes e mães no pós-parto.

Ela coordena:

Grupo de Pós-Parto, Conversa de Mães – saiba mais

Tornando-se Vovós na atualidade – saiba mais

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