16 mai Aleitamento Materno

Primeira clínica multiprofissional especializada em Aleitamento Materno de São Paulo


Curumim é uma palavra de origem tupi que significa crianças indígenas. Foi a partir deste nome que os pediatras Honorina de Almeida e Douglas Nóbrega Gomes pensaram na Casa Curumim. Um local que respeita a criança, a natureza da mulher de parir e amamentar, ajudando para que estes momentos sejam iniciados de forma natural e apoiando em situações de dificuldade.

A Casa Curumim reúne profissionais especializados em manejo clínico da lactação que podem proporcionar orientações para que a experiência de amamentar seja prazerosa e duradoura. Oferece também atendimento integral à família: Assistência na amamentação (hospitalar e domiciliar), assistência neonatal humanizada em sala de parto humanizado, acupuntura, pediatria integral, homeopatia, grupo de gestantes, pós-parto e aleitamento materno, fisioterapia e terapia ocupacional, psicologia infantil, oficina de brincar e musicalização, oficinas de papinha, nutrição infantil e alimentação complementar, nutrição na gestação e infância, pré-natal, atendimento psicológico à gestante e ao pós-parto, terapia craniossacral, fonoaudiologia neonatal e infantil, yoga para gestantes e bebês, massagem thai, curso de preparação para o parto e cuidados com o bebê e cursos direcionados aos profissionais da saúde como o de Manejo Clínico em Aleitamento Materno.

Referência por ser a primeira clínica de aleitamento materno de São Paulo, a Casa Curumim é também ponto de encontro para homens e mulheres que buscam um atendimento humanizado e respeitoso desde a gestação. 

 

6 abr Parto

Relato de Parto


Por Juliana Bonat

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Foi no dia em que completei 38 semanas de gestação que a minha bolsa estourou. Na verdade, foi de madrugada, perto da meia-noite. Estava dormindo e percebi imediatamente que a bolsa havia estourado, pois saiu muita água. Contei, no mesmo momento, o que havia acontecido no grupo de whatsapp que havíamos criado para o acompanhamento do meu parto. Nele estavam eu, o meu companheiro Rafael, a Dra. Desireé Encinas, as enfermeiras Beatriz Kesselring e Visiane Batista, e a doula Lucia Junqueira. Escrevi para o grupo e a Lucia me respondeu fazendo as perguntas necessárias para aquele momento. Como as contrações não haviam começado e a água estava incolor, ela me orientou a voltar a dormir, o que eu fiz tranquilamente, pois sabia que o dia seguinte poderia ser longo e cansativo. Consegui ficar tranquila, pois estava muito bem informada devido às conversas que havia tido durante as consultas tanto com a Dra. Desireé como com a Beatriz e com a Lucia. Eu sabia que não havia por que me desesperar e, se eu realmente queria ter um parto natural, somente com as intervenções médicas necessárias, deveria seguir o seu conselho.

Eu e meu companheiro dormimos até as 7h da manhã. Acordei um pouco ansiosa e liguei para a Dra. Desireé, que me orientou a fazer uma caminhada para estimular as contrações, que ainda não haviam iniciado. Decidimos preparar a mala para a maternidade e então saímos para caminhar. Fizemos uma caminhada gostosa, em que pude ligar para amigas e irmãos. Passamos no mercado para comprar comidas especiais para o parto e para o pós-parto. As contrações realmente começaram durante o passeio, mas ainda eram bem leves. A Visiane veio na minha casa por volta da hora do almoço. Tivemos uma conversa gostosa enquanto eu almoçava e, então, ela avaliou como estava o andamento do trabalho de parto. Ali fizemos o primeiro exame de toque, que foi muito cuidadoso, como todos os seguintes. Naquele momento, eu ainda estava com 1 centímetro de dilatação, mas a boa notícia era que o colo do meu útero já havia afinado bastante, o que ajudaria no processo. A Dra. Desirée também havia me orientado a fazer uma sessão de acupuntura. Gostei da sugestão e consegui agendar uma sessão na minha casa às 14h. A acupuntura parece ter acelerado as contrações e posso dizer que foi uma ótima ideia ter feito essa terapia alternativa, em vez de ter que encarar uma indução com ocitocina ou outra forma de indução. Assim que a sessão terminou, fomos ao Hospital São Luiz. O trajeto foi um pouco difícil, pois as contrações já estavam fortes e a dor é pior quando estamos sentadas. A sorte é que era um sábado e não pegamos muito trânsito.

Quando chegamos ao hospital, a Dra. Desireé já estava me esperando. Ela me acompanhou tanto na recepção, quando tive que responder a perguntas como “Qual é a sua religião?” e “Qual é o seu grau de escolaridade?”, como nos procedimentos médicos protocolares, como a cardiotocografia e o exame de toque. Na verdade, foi ela quem realizou esses exames, o que me deixou bem mais tranquila, pois há relatos de que as enfermeiras do hospital nem sempre os fazem com a gentileza devida. Foi ali também que recebi o antibiótico na veia, pois já haviam passado mais de 16 horas que a minha bolsa havia estourado e esse é um procedimento para evitar que o bebê tenha alguma infecção. No momento do toque, foi aquela surpresa, pois já estava com 7 cm de dilatação. Foi nesse momento que decidi que não chamaria o anestesista, pois o andamento do trabalho de parto estava indo muito bem e eu não queria que a analgesia desacelerasse o processo, nem queria que minha filha sofresse com seus efeitos colaterais. Foi uma decisão muito importante para mim, pois eu sempre tive muito medo da dor do parto. Durante a gestação, li bastante sobre partos. Racionalmente, eu não queria que houvesse a analgesia, mas eu tinha medo e achava que não suportaria a dor. Foi muito bom saber que eu podia suportá-la e isso fez eu me reconhecer como uma mulher mais forte do que imaginava ser.

Fomos à sala de pré-parto, onde fiquei sentada numa bola de pilates e com a água do chuveiro caindo nas costas, o que alivia muito as dores das contrações. Mas ficamos pouco tempo ali. Para a minha alegria uma das salas de parto humanizado ou de “delivery”, como se diz no hospital, ficou disponível e pudemos ir para lá. A Visiane chegou ainda quando estávamos no pré-parto e a Lucia, logo depois, no “delivery”.
Já bem acomodadas e com a equipe completa, agora eu precisava me concentrar para a chegada da nossa Teresa. Não sei dizer exatamente a que horas chegamos no “delivery”, mas posso dizer que pude respeitar o ritmo do meu corpo e da minha filha. As contrações iam ficando cada vez mais frequentes e eu ia experimentado posições que me faziam sentir menos dor. A Lucia me ajudava, sugerindo posições e falando palavras que me faziam relaxar. Ela ajudava também o Rafael, deixando-o mais tranquilo e orientando-o. A Visiane colocou uma trilha sonora gostosa. A Dra Desireé sempre analisando e coordenando tudo com muito cuidado. Entre as contrações, conversávamos sobre alimentação, astrologia, filosofia; eu comia, bebia, me recarregava.
O momento mais difícil foi para passar dos 9 cm para os 10 cm de dilatação. As contrações já estavam bastante intensas e eu estava bastante cansada. Comecei a ficar tensa e o processo demorou bastante nessa etapa, acredito que durou aproximadamente 3 horas. A participação de meu marido foi muito importante em todo o parto, mas nesse final ele foi literalmente como um porto seguro, em que eu me ancorava para suportar a dor. Ficamos, eu e ele, um tempo na banheira a sós, para que pudéssemos conversar e relembrar de nossa história. Depois disso, Teresa não demorou muito mais a chegar. Na fase final, o expulsivo, fui para o banco de parto. Acho que ela chegou em 30 minutos e o círculo de fogo doeu muito menos do que eu imaginava. A equipe toda me ajudou a encontrar a melhor posição e me orientou em como fazer a força necessária e em como gritar. Aliás, gritei como nunca imaginei ser capaz e isso me ajudou a fazer força.

Lembro de quando senti a cabeça da minha filha pela primeira vez. Foi inacreditável! Teresa chegou às 21h21 do dia 21 de janeiro. Assim que nasceu, ela veio para o meu colo. Eu chorava e ria ao mesmo tempo. O nascimento é como um milagre, algo inexplicável. Ela ainda ficou um tempo ligada a mim pelo cordão umbilical, para que pudesse aprender a respirar com seu pulmão. O pediatra, Dr. Ricardo Coutinho, a analisou, viu que estava tudo bem. Em seguida fui para a cama com ela, para que ela pudesse mamar. Foi impressionante a rapidez com que ela pegou o meu peito e a força com que ela o sugou. Ficamos ali por aproximadamente 2 horas. Eu levei dois pontos e o Dr. Ricardo ficou cuidando da nossa filha ali mesmo, ao nosso lado.

Fiquei muito feliz por ter tido nossa filha de uma forma tão linda, com pessoas tão respeitosas e que têm amor pelo que fazem. A confiança que tive na equipe foi essencial para poder me entregar a este tão momento importante em nossas vidas. Digo que elas foram feiticeiras que me ajudaram a relaxar e a me fortalecer. Ainda hoje, quando estou com alguma dificuldade para entender a minha bebê ou quando estou esgotada fisicamente, me lembro desse momento tão intenso que a foi a chegada dela e de como todos foram essenciais para que isso acontecesse. Toda a equipe entrou para nossa história, tem um lugar especial em nossa família. Sou muita grata a elas.

27 mar Temas em Pediatria

Sobrepeso e obesidade infantil: sem idealismos, nem radicalismos.


Por Rachel Francischi, Nutricionista.

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As pesquisas de Demografia e Saúde, feitas conjuntamente pelo Ministério da Saúde e o IBGE, confirmam dados alarmantes do aumento no número de crianças com obesidade no Brasil: nos últimos vinte anos, as prevalências de obesidade em crianças entre 5 a 9 anos foram multiplicadas por quatro entre os meninos (4,1% para 16,6%) e por, praticamente, cinco entre as meninas (2,4% para 11,8%).

Muitas famílias acham erroneamente que criança cheia de dobrinhas e “bem fofinha” é uma criança saudável. Mas quais são as consequências da obesidade na infância?

Crianças obesas têm maiores riscos de sofrer problemas cardiovasculares, como colesterol alto e hipertensão, resistência à insulina e pre-diabetes, problemas ósseos e articulares, dificuldades respiratórias como a apnea do sono e são mais susceptíveis a problemas psicológicos e sociais como a estigmatização, preconceito, bullying, baixa auto-estima e até mesmo depressão! A obesidade infantil aumenta o risco de esta criança ser um adulto obeso e de sofrer morte prematura.

As crianças e os adolescentes obesos de hoje têm muito mais chance de serem adultos obesos no futuro, e assim têm maiores riscos de sofrer do coração, infarto, diabetes tipo 2, osteoartrite e vários tipos de câncer (mama, cólon, endométrio, esôfago, rins, pâncreas, tireoide, ovário, próstata, etc).

O melhor caminho é realmente a prevenção segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), pois tanto o sobrepeso como a obesidade podem ser prevenidas!

Os primeiros anos de vida são muito importantes na prevenção: aleitamento materno exclusivo até sexto mês de vida e continuado até pelo menos os dois anos de idade, introdução alimentar adequada com alimentos naturais e variados, nenhuma ingestão de açúcar até os dois anos de idade, por exemplo, ajudarão na formação de uma microbiota intestinal saudável, na educação de um paladar saudável, e na adoção de bons hábitos alimentares que seguirão por toda a vida!

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Especialmente na infância, a OMS e o Ministério da Saúde sugerem:

O aumento no consumo de frutas, verduras e legumes é prioritário, assim como grãos integrais e os alimentos naturais ou minimamente processados.

A quantidade de calorias e de gordura deve ser controlada, e isso significa restringir o consumo especialmente de produtos ultra-processados (industrializados como bolachas, salgadinhos, embutidos, macarrão instantâneo, salsichas, sucos de caixinha, refrigerantes, guloseimas em geral, etc) e de açúcar;

Ser fisicamente ativo: no mínimo 60 minutos de exercícios regulares moderados ou intensos, todos os dias.

Especial atenção dou ao tema do processamento dos alimentos. Embora o ultra-processamento dê origem a produtos que não estragam rapidamente, que agradam facilmente o paladar, e que demandam mínima – ou nenhuma – preparação culinária, há enorme perda de nutrientes (especialmente vitaminas e minerais), fibras e água. A presença de aditivos químicos, a quantidade excessiva de gorduras não saudáveis, açúcar e sódio, além do estímulo ao excesso de consumo de energia completam a lista dos malefícios de comer produtos altamente industrializados com frequência…

Estudos já documentaram que, em seu conjunto, quando comparados aos alimentos minimamente processados, os produtos ultra-processados tendem a apresentar mais açúcar, mais gordura saturada, mais sódio, menos fibra e maior densidade energética (mais calorias). Também contém menos vitaminas e minerais. São produtos para serem consumidos apenas de vez em quando e olhe lá, e não diariamente como vejo na rotina de muitas crianças.

A alta densidade energética não é a única justificativa da associação entre o consumo dos ultra-processados à obesidade, especialmente a infantil. Também entram na conta a ingestão de ‘calorias líquidas’ (as bebidas adoçadas e muito calóricas, com sucos de caixinha e refrigerantes) que não trazem saciedade; a hiperpalatabilidade, estimulando o consumo do alimento mesmo quando a pessoa se sente ‘satisfeita’ (esses alimentos são muito saborosos); a adição de químicos que, entre outros fatores, podem interferir com a microbiota humana e a saciedade; a prática do comer sem atenção (comer automaticamente) e do consumo de porções muito grandes; além de ações de marketing agressivas, especialmente para crianças– por parte da indústria. O marketing dos produtos ultra-processados promove o comer compulsivo!

Segundo pesquisadores da USP, dados de 2009 demonstram que estes alimentos representavam quase 28% do total calórico da cesta nacional de alimentos brasileira, e com tendência a crescer.

E como devemos lidar quando uma criança está com obesidade?

O processo para a redução da obesidade envolve a mudança de hábitos de toda a família, e não apenas da criança.

A estigmatização, bullying e baixa auto-estima da criança que sofre de obesidade são frequentes e podem ser trágicas para a criança. Isso também vale para a proibição no consumo de determinados alimentos que a criança gosta e está acostumada a comer. Imagine a família toda degustando uma sobremesa e a criança com obesidade é privada desse convívio. Tudo isso pode desencadear transtornos alimentares, como compulsão alimentar, anorexia e bulimia, que são doenças gravíssimas. A alimentação é um prazer e um encontro social, e precisamos encontrar formas de ajudar a criança (e toda a família) a ter uma alimentação mais saudável, e sem radicalismos!

Outro ponto importante: estigmatizar a criança, colocando um rótulo de obesa ou gordinha, pode agravar a obesidade na idade adulta! Um estudo recente com 500 mulheres adultas encontrou que a insatisfação com o peso estava diretamente relacionada ao fato delas se lembrarem de seus pais fazendo algum tipo de comentário negativo sobre seus corpos quando jovens, independente do seu IMC. E quanto mais comentários dos pais sobre o corpo de suas filhas e sobre o quanto elas comiam, maior o IMC dessas mulheres. Ou seja, é provável que aquela família que busca “ajudar” seu filho contando a ele sobre a sua obesidade, controlando a sua alimentação e comentando sobre seu corpo, podem piorar o quadro no longo prazo.

E o que fazemos então?

Precisamos focar em melhorar o comportamento e estilo de vida das famílias, e não focar na redução do peso da criança. Evitamos a todo custo o controle rigoroso sobre a criança!

Por exemplo, se queremos que nosso filho coma menos salgadinhos e guloseimas entre as refeições, precisamos comprar mais frutas; precisamos frequentar mais feiras livres e menos a sessão de produtos ultra-processados do supermercado (evitar passar nos corredores de salgadinhos, refrigerantes, biscoitos, macarrões instantâneo, salsichas e embutidos dos mercados); precisamos ser criativos para inventar refeições caseiras práticas e nutritivas, em vez de abrir uma caixa de comida congelada ou pedir uma pizza em casa; precisamos dar o exemplo, comendo mais alimentos naturais, tomando café da manhã diariamente e realizando refeições em família com tranquilidade e num encontro harmonioso; se queremos que a criança se exercite mais, precisamos frequentar mais parques e áreas livres com ela; e inúmeros exemplos que podemos planejar conjuntamente com a família para chegar a um plano concreto e real, sem idealismos.

O tratamento da obesidade infantil não é rápido e envolve muita paciência e amor. Vemos que o diagnóstico da obesidade infantil muitas vezes ajuda a família como um todo a repensar seus hábitos e a adotar um estilo de vida mais saudável: pais, irmãos, avós também entram na dança e desfrutam de mais qualidade de vida. É uma oportunidade excelente para aprender a cuidar de nós mesmos e melhorar nossa auto-estima que valerá para a vida inteira!

1 mar Temas em Pediatria

Por que toda criança precisa brincar (muito)?


Por Gilka Girardello

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Brincando, elas
aprendem a escolher: uni-duni-tê.
aprendem a imaginar: esta poça d’água vai ser o mar.
aprendem a perseverar: caiu o castelo, vou fazer de novo.
aprendem a imitar: eu era o motorista – brrrrrrum.
aprendem a criar: dou um nó aqui, outro aqui e tá pronto o circo.
aprendem a descobrir: misturei amarelo e azul, olha o que deu.
aprendem a confiar em si: olha o que eu consegui fazer.
aprendem novos conhecimentos: 28, 29, 30, lá vou eu!
aprendem a fantasiar: daí a gente voava.
aprendem novas habilidades: vou fazer o cabelo da minha fada cacheado.
aprendem a partilhar: tira, bota, deixa ficar.
aprendem a inventar: essa tampinha de garrafa vai ser o pratinho deles.
aprendem a pensar logicamente: joga a bola pra ele!
aprendem a pensar narrativamente: vou te contar.
aprendem a interagir: posso brincar com vocês?
aprendem a cooperar: dá a mão que eu te ajudo.
aprendem a questionar: será que é assim mesmo?
aprendem a memorizar: vamos ver quem pula corda até cem?
aprendem a conhecer suas forças: deixa que eu defendo.
aprendem a conhecer seus limites: tô com medo.
aprendem a encorajar: vem que eu te seguro.
aprendem a fazer julgamentos: assim não vale.
aprendem a analisar: os grandes aqui, os pequenos ali.
aprendem a devanear: hã?
aprendem a compaixão: dá a mão que eu te puxo.
aprendem a fazer analogias: aquela nuvem não parece
um cavalo?
aprendem a organizar: ó que legal a minha fila de
carrinhos.
aprendem a fazer cultura: vamos brincar de inventar
piada?
aprendem a compartilhar: pega essa boneca que eu
pego aquela.
aprendem a perdoar: tudo bem, já passou.
aprendem a desbravar: vamos ver o que tem lá?
aprendem a construir: era uma vez uma cidade assim.
aprendem a destruir: vamos desmanchar pra fazer
outro.
aprendem a sentir: fiquei com o olho cheio d’água.
aprendem a rir: ra-ra-rá, lembra aquela hora?
aprendem a olhar: acho que aquela graminha ali é um
gafanhoto.
aprendem a ver: você tá triste?

Entre outras razões, porque brincar
é o principal jeito de
as crianças aprenderem.

E muito mais.
Mais que um jeito de aprender, brincar é o jeito de
as crianças serem. Não é uma coisa que possa
ser substituída, reembolsada amanhã, ou uma
preparação para o futuro. As crianças precisam
brincar hoje e todos os dias de sua infância. Todas
as crianças, no mundo inteiro, têm o direito
de aprender essas coisas e de ser plenamente
assim. Se não brincarem – muito – quando crianças,
não conseguirão aprender (nem ser) direito
depois. E todos os adultos do mundo precisam
aprender melhor o que as crianças, mesmo
sem perceber, têm pra nos ensinar.

Gilka Girardello
Professora no Programa
de Pós-Graduação em
Educação da UFSC
(Universidade Federal
de Santa Catarina) e
coordenadora do Núcleo
de Estudos Infância,
Comunicação e Arte

Toda quarta-feira, acontece na Casa Curumim a Oficina Desenvolver Brincando. Informe-se aqui!

1 mar Família

Avós que ajudam a cuidar dos netos vivem por mais tempo.


Participar da vida dos netos leva a um risco de mortalidade 37% menor – e mesmo quem não tem filhos pode viver um pouco mais cuidando dos outros.

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Adaptação por Maiana Rappaport: Psicóloga /Psicanalista e Consultora do sono de bebês e crianças – Coordena Oficina de reciclagem de avós na atualidade, grupo de pós parto “Conversa de mães” e oficina soninho bom do bebê de 0 a 6 meses” na Casa Curumim.

Um estudo desenvolvido na Alemanha, publicado pelo jornal científico da Sociedade de Comportamento Humano e Evolução, analisou 500 pessoas, entre 70 e 103 anos de idade, que foram acompanhadas ao longo de 19 anos pelo Estudo de Envelhecimento de Berlin. No estudo foram comparados 2 grupos, um composto por idosos que conviviam e participavam ativamente da educação dos netos ,como figuras de suporte aos pais das crianças, e outro grupo formado por aqueles que não tinham esse convívio ou não possuíam netos . Um dos resultados mais significativos foi que os avós que colaboravam com os cuidados com os netinhos apresentaram um risco de mortalidade, em idade precoce, 37% menor do que aqueles que não participavam dos cuidados com os pequenos, ou que não tinham netos. Depois do início da pesquisa, esses velhinhos viveram por cerca de dez anos a mais do que os outros!. Mas se a pessoa não tem filhos ou netos, está destinada a morrer mais cedo? Os pesquisadores continuaram a pesquisa com esse grupo de idosos e perceberam que muitos deles se propunham a ajudar e apoiar amigos e vizinhos, criando outro tipo de comunidade. Nesse caso, a sobrevida média foi de sete anos, em contraste com 4 anos entre os idosos que não mantinham essa relação colaborativa com os filhos.

Eles também acham que o estudo sustenta uma teoria evolutiva chamada Hipótese da Vovó, que tenta explicar porque os seres humanos vivem tanto tempo depois de a sua fase fértil acabar. O que não é muito comum na natureza porque, evolutivamente falando, nossa função é a reprodução e a manutenção da espécie, ou seja, os avós que ajudam a cuidar dos filhos mudam esse paradigma. De acordo com os pesquisadores, o convívio com a família, assim como o cuidar, contribui com a saúde física e emocional e com a expectativa de vida do ser humano.

Para mais informações sobre a Oficina Tornando-se Vovós e Vovôs na atualidade clique aqui.

15 fev Temas em Pediatria

DICA: O cansaço do final do dia: de quem? Da mãe? Do bebê?


Após um longo dia cuidando do seu bebê, à noitinha, na hora de começar a rotina noturna, tudo está muito difícil, “chegou a hora da bruxa”. Ele chora, esperneia. Não tem nada que o satisfaça.
Aqui estão algumas dicas para te ajudar a preparar-se para o adormecimento noturno do seu bebê.

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Você ficou o dia inteiro com o bebê, o amamentou, alimentou, brincou, trocou as fraldas, passeou, banhou. Ao final do dia, na hora de colocá-lo para dormir, está muito difícil: o bebê chora, tudo que você oferece a ele não o satisfaz, você não sabe mais o que fazer e às vezes chega a chorar junto com ele.

Triste, frustrada, telefona para seu marido, contando o ocorrido. Quando ele chega em casa, você passa o pequeno “gremlin” para os braços do papai. O papai conversa um pouquinho com ele, embala no colo, põe o pequeno para dormir e em alguns minutos o bebê adormece. Você não sabe se chora, fica ressentida ou simplesmente fica feliz, pois finalmente, com o pai, ele adormeceu!

Os bebês sabem diferenciar o pai e a mãe! Eles sentem tudo! Se você vai colocá-lo para dormir quando está estressada, cansada, com fome, sem forças, nem paciência, apressada para que ele adormeça logo, para assim poder descansar, tomar um banho, comer alguma coisa ou simplesmente dormir são grandes as chances de que o processo de adormecimento seja difícil e longo. Algumas dicas que poderão ajudá-la:

- Tenha um tempo para você. Quando seu marido chegar em casa, deixe-o com o bebê! Saia por 20 minutos, meia hora, dê uma volta no quarteirão, vá até a padaria tomar um suco, comprar um pão fresquinho, dar uma caminhada, vá tomar um café com uma amiga. Permita-se sair à rua um pouquinho e ver que o mundo continua sendo o mundo. Lá fora, os carros passando na rua, as pessoas voltando do trabalho, trânsito, movimento. Quando você voltar para casa, tudo continuará igual, porém, você estará diferente. Se faz bem a você, também faz bem ao seu bebê. Essa baixa de energia é muito importante para você e influência diretamente no seu bebê, na forma como você relaciona-se com ele.

- Antes de colocar seu bebê para dormir, coma, beba algo, vá ao banheiro, tente desligar-se de tudo o que você ainda tem para fazer. Concentre-se apenas no momento do adormecimento do pequeno. Deixe o celular, computador, livros, os pensamentos que não são importantes de fora do quarto. Fique 100% com seu bebê Entre no quarto com ele, totalmente disponível: “Estou aqui para te ajudar a adormecer, está tudo bem!”.
O bebê humano nasce imaturo e depende totalmente de pelo menos um adulto que cuide dele integralmente. Comumente o adulto de referência, nessa fase, é a mãe. Principalmente no início da vida o bebê demanda que nos emprestemos a ele 100%! O bebê ocupa a mãe em demasia, é um trabalho intenso, contínuo, e muitas vezes pouco reconhecido! Essa demanda maciça (talvez única em intensidade, frente a tantas outras ao longo de nossas vidas), é árdua, e, portanto necessita de muito apoio e ajuda de qualidade!

Um bebê só ficará bem, se sua mãe estiver bem e sentir-se apoiada!

Maiana Rappaport- psicóloga/ psicanalista e consultora do sono de bebês e crianças.

Na Casa Curumim oferece: Oficina soninho bom do bebê de 0 a 6 meses, Consultoria do sono personalizada para bebês e crianças pequenas Oficina de reciclagem de vovós e vovôs na atualidade, grupo de pós-parto “Conversa de mães”, atendimento psicológico a gestantes, mães no pós-parto, depressão pós-parto, casais, adultos em geral.

“Oficina Soninho Bom do bebê de 0 a 6 meses”
Próxima oficina acontecerá dia 22/03/2017, quarta-feira
das 10h às 13h na Casa Curumim!
Vagas Limitadas!
Para informações e inscrições: soninhobomdobebe@gmail.com

3 dez Temas em Pediatria

O sono do bebê: Por que o bebê precisa dormir tanto, se ele não quer fazê-lo?


Por Maiana Rappaport- Psicóloga Psicanalista e Consultora do sono de bebês e crianças. Coordena o Grupo de Pós-parto e a Oficina de reciclagem de vovós e vovôs na Casa Curumim.

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O sono é um aspecto de suma importância na saúde dos seres humanos. Desde o útero, o feto alterna momentos em que dorme e permanece acordado. O bebê humano nasce imaturo. Nas primeiras semanas de vida, o bebê tem um sono muito irregular e não sabe diferenciar o dia e a noite. Viver fora do útero cansa e muito! Afinal de contas, após o nascimento, o bebê precisa respirar aprender a mamar na sua mãe, deglutir, digerir o leite, fazer coco e xixi, interagir com as pessoas ao seu redor, adaptar-se ao mundo aéreo, barulhos, intensidades variadas de luminosidade, sons, diferentes toques e muito mais. O choro é o recurso que o bebê tem para comunicar-se quando tem algum desconforto, e esses podem ser variados: fome, dor, cansaço, frio, calor, falta de contato, saudade do colo, do cheiro e da voz da mãe, entre outros.

Desde as primeiras semanas, o pequeno necessita de uma rotina mínima para dormir, descansar, e assim, aproveitar o dia e desenvolver-se de forma saudável. Com o tempo é desejável que ofereçamos ao bebê um ritual do sono, que consiste numa sequência constante e repetitiva de ações, que vá sinalizando que está na hora dele relaxar e dormir. Essa possibilidade de previsibilidade promove ao bebê, a sensação de continuidade e segurança.

Durante o sono, os bebês recarregam suas energias, metabolizam sensações, emoções, inúmeras informações que recebem quando estão despertos; e consolidam todos os novos conhecimentos. No sono da noite, vários hormônios importantes são liberados: a melatonina (do sono), o GH (do crescimento), a leptina (controla a sensação de saciedade) e muito mais. O humor, a atenção, o estado de espírito, a memória e o aprendizado, dependem de quantidade e qualidade de horas de sono. Cada indivíduo tem suas necessidades particulares, mas em geral, os recém-nascidos necessitam dormir de 16 a 18 horas, fracionadas durante o dia e a noite.

Porém, conforme ele vai crescendo, o tempo que aguenta ficar acordado e bem, de dia, vai aumentando. Ainda assim, nos primeiros anos ele necessita de sonecas diurnas e até seus 5 anos, ainda que não faça mais sonecas diurnas, necessita de 10 a 11 horas de sono noturno!

Pesquisas atuais evidenciam que a falta de sono contínuo e de qualidade pode provocar labilidade no humor, problemas de aprendizagem, de concentração, atenção e memória. Hiperatividade, impulsividade, agressividade, obesidade e ansiedade. Além de baixa no funcionamento metabólico e imunológico e consequências no potencial cognitivo e relacional.

O trabalho, da Consultora do sono com famílias de bebês e primeira infância, consiste em informar aos pais (com bases em evidências cientificas) como se dá a dinâmica do sono do bebê e da criança (de acordo com sua idade) e assim, os mesmos possam adequar suas expectativas às reais possibilidades dos pequenos. Além de oferecer-lhes instrumentos para observarem seus filhos, reconhecerem suas comunicações (pessoais e singulares) e criarem um ambiente de sono saudável para que o pequeno aprenda a relaxar e a dormir, sem choro. Ele necessita e quer dormir, mas não sabe colocar-se numa situação de relaxamento e adormecer sozinho, requer ajuda e precisa aprender!

Com consistência nas ações, persistência dos pais e muito carinho, processualmente o pequeno aprenderá a dormir com prazer, de forma cada vez mais continua e independente.

Informe-se:

- Oficina do sono em grupo, dirigida a casais, gestantes e pais de bebês de 0 a 6 meses. E-mail: soninhobomdobebê@gmail.com

- Consultoria do sono individual e personalizada dirigida a famílias com bebês desde o nascimento até o final da primeira infância (5 anos). E-mail: maiana.r@uol.com.br

25 nov Pós-Parto

TRISTEZAS NO PÓS-PARTO


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(Cena do filme “O Estranho em Mim”)

Por Denise de Sousa Feliciano

A imagem da mãe apaixonada que embala ou amamenta seu bebê pode ser contagiante. Não é à toa que tantos artistas e fotógrafos, renomados ou não, fizeram dessa cena a inspiração para belas obras de arte e ensaios fotográficos. Mas a arte é a edição da vida real. Nela o artista privilegia a inspiração que lhe captura, escolhendo as emoções que quer eternizar ocultando as demais.

A experiência de maternidade não é só encanto e serenidade, é a árdua construção de uma identidade nova na vida da mulher, na configuração da família, e no processo de tornar-se íntimo de um estranho que veio para ficar. Esse processo depende de fatores diversos, desde a matriz psíquica que a mulher traz consigo, de sua história, da história e o lugar desse bebê na vida de seus pais e da dinâmica do casal (ou não-casal) que engravida.

A intensidade emocional que todos esses fatores impõem à maternidade leva a mulher a esgotamentos emocionais e a demandas que em outras circunstâncias tem condições de dar conta por si mesma. É por isso que se faz necessário uma rede de acolhimento à mãe, para que ela possa também ser capaz de oferecer ao bebê o suporte emocional que estrutura sua saúde mental. O papel do pai é fundamental, mas também o apoio das famílias de origem são importantes, desde que não sejam invasivas e permitam que a mãe aprenda com sua própria experiência de ser mãe.

Por essa razão é que a mulher em geral se mostra mais fragilizada e vulnerável após o parto, sobretudo quando retorna da maternidade para sua antiga casa, que não é mais a mesma. A estranheza do ambiente que se torna desconhecido e, mais ainda, a estranheza de não reconhecer a si mesma são o motivo do estado entristecido que as mães costumam ter nesse período, chamado de baby-blues.

O chorar com frequência, magoar-se, emocionar-se e se sentir incapaz de tarefas aparentemente simples fazem parte desse estado mental, que é também o modo como a mãe se identifica com as vivências emocionais de seu filho e o compreende.

Infelizmente a falsa ideia de que maternidade é sinônimo de alegria e encantamento pode assustar as pessoas ao seu redor que – por medo de uma depressão -, tentam animá-la a qualquer custo mascarando as emoções genuínas e impondo-lhe uma alegria superficial que a colocam em grande solidão. O que poderia ser passageiro se fosse acolhido e cuidado, passa a se intensificar e pode se encaminhar para um estado depressivo mais preocupante.

Mesmo em casos mais intensos em que a mãe não se sente capaz de cuidar do bebê e/ou de si mesma, é fundamental que haja apoio e atenção das pessoas à sua volta que são referencias emocionais e em quem poderá se fortalecer.

No filme O Estranho em mim, podemos acompanhar o declínio emocional gradativo da personagem Rebecca que esperava com entusiasmo a chegada de seu bebê. Aos poucos se vê num estranhamento extremo que a leva a fugir de casa e de si mesma para um estado de encapsulamento silencioso. A solidão e a ausência de um olhar atento para sua gradativa fragilidade desencadeiam nela o que nomeia-se de depressão pós-parto. Mas é no extremo de seu desespero que o seu silêncio torna-se o grito por socorro que permite que ela receba ajuda e cura. Um alerta para todos nós.

Denise de Sousa Feliciano é psicanalista, doutora em Psicologia do Desenvolvimento Humano pela USP/SP, especialista em Psicopatologia do Bebê e Psicanálise com Crianças, vice-presidente do Departamento de Saúde Mental da Sociedade de Pediatria de SP. Atende na Casa Curumim.

3 nov Temas em Pediatria

Crianças Insuportáveis


Por Maíra Scombatti

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Outro dia, refletindo junto com uma outra mãe durante um atendimento, propus aprofundarmos o que ela estava sentindo quando me disse: “Eu não estou suportando o meu filho! Eu não sei mais o que fazer!”. No exercício da escuta empática, senti com ela o desespero que às vezes aparece na jornada da maternidade.

A maioria de nós, mães e pais, já sabe o que seria “certo” fazer. Sabemos racionalmente, mas é comum nos perdemos na irracional arte de criar filhos. Faz parte. E acho importante percebermos que, diversas vezes, as melhores teorias pedagógicas e psicológicas transformam-se em culpas imensas sobre os ombros parentais.

Com essa perspectiva, não me interessa dizer o que “sei”, o que li ou mesmo o que vivi. Não me agradam listas prontas do tipo “os 10 passos para lidar com uma criança insuportável”, a não ser que esses 10 passos sejam variações de olhares singulares, da pausa para respirar, da conexão com os sentimentos das crianças e dos pais.

Ainda junto com essa mãe, propus que pensássemos naquele momento: o que pode significar essa percepção de “uma criança insuportável”? Separando conceitos, dá para lembrar que insuportável é aquilo que é muito difícil suportar. Suportar é tanto o “não ceder, aguentar, resistir”; quanto o “ser capaz de segurar”, ou ainda, reflito eu: ser capaz de dar o suporte. Podemos pensar, então, que uma criança fica insuportável quando não a aguentamos, quando não conseguimos dar suporte àquele ser. “Ah, então, a culpa é dos pais?” Podem perguntar os experts em teorias simplistas. E eu proponho, assim como proponho para mim mesma depois de perceber um conflito com meus filhos: que tal parar de procurar culpados, ampliar a percepção do presente e abrir espaço para que soluções singulares surjam?

Então, vamos lá, diante da percepção “eu não consigo suportar meu filho”, minha proposta é: vamos trabalhar o acolhimento. Acolhimento das crianças, sim, mas em conjunto com o acolhimento dos adultos que cuidam das crianças. Acolher é oferecer refúgio, proteção ou conforto físico, abrigar(-se), amparar(-se). O acolhimento do sentir, do que faz sentido, para que possamos ampliar outros sentidos e verdadeiramente transformar relações.

Meu filho está insuportável? Antes de pensar em culpados, eu consigo perceber o que eu estou sentindo? É raiva? Impotência? Cansaço? Vontade de “esganar”? Posso me permitir sentir? Posso acolher meu sentimento antes de qualquer ação? Consigo tomar alguma distância? Posso pedir ajuda de outro adulto (familiar, profissional ou amigo)?

Algumas crianças exigem bastante suporte e conseguem bem facilmente tirar um adulto do seu eixo. É fácil criticar a educação de determinada família quando temos apenas filhos com temperamentos mais fáceis. E, sim, existem diferenças de temperamentos. Para quem teve mais de um filho, essa é uma percepção bem comum e a diferença também pode ser acolhida.

Outro ponto de acolhimento na percepção do insuportável: como mães e pais, vivemos um desafio imenso quando temos como proposta educar sem reproduzir os modelos violentos, físicos ou morais, a que fomos submetidos no passado. Essa é outra reflexão que tenho ampliado cada vez mais com as famílias que me procuram. Facilmente percebemos o que não queremos fazer: “não quero que meu filho obedeça porque tem medo de apanhar. Mas quero que ele me respeite e respeite os outros seres humanos. Sei que quero educá-lo com amorosidade, mas algumas vezes me percebo sem saber como construir esse respeito sem imposições violentas”. Essa fala resume um pouco o que sinto como mãe e o que escuto enquanto profissional de outras mães e pais. É difícil mesmo (e olha aí o acolhimento do que é difícil também!).

Com algumas famílias, vejo que ao acolhermos de verdade nossas limitações, podemos também aceitar o insuportável e abrir espaço para o novo. Para a solução que ainda não foi pensada e, assim, construímos uma paternidade ou maternidade criativa e presente.

Também sou adepta do bom humor sempre que possível: como não achar graça quando nos percebemos raivosos e pensando (ou gritando) coisas do tipo: Por que raios este ser não consegue me ouvir agora, com toda minha amorosidade??? Depois das cenas tragicômicas, dá pra perceber que a raiva estava ofuscando a amorosidade. E que ela estava ali para ser sentida, acolhida e é importante que possamos criar este acolhimento para o que nos desequilibra também.

Ao invés de julgar (aos outros ou a mim mesma): pais incompetentes, crianças insuportáveis, prefiro propor: pais acolhidos, crianças acolhidas. E assim seguimos suportando-nos com uma boa escuta, que acolha e suporte o que por vezes fica insuportável. Suportemo-nos, com amor, com raiva e com espaço para a criatividade que nos surpreende!

Maíra Scombatti

É psicopedagoga e atende crianças, adolescentes e famílias. Mãe do Theo e do Ian, coordena projetos sócio-educativos desde 1999. É autora do livro “Conversas de gente Grande – histórias infantis para adultos”(ComArte/USP). Atualmente realiza atendimentos na Casa Curumim e é colaboradora no Instituto de Psiquiatria da FMUSP, onde empreende oficinas teatrais para crianças e adolescentes em tratamento.

12 out Temas em Pediatria

DÊ O PRESENTE AO SEU FILHO


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Quando eu era criança tinha um tabuleiro de xadrez que ficava sobre a mesa de centro. Eu passava horas inventando histórias para os bonequinhos, o rei e a rainha. Me lembro como se fosse hoje de tão gostosa que a brincadeira era. Eu não sabia jogar xadrez, e felizmente meus pais não me atrapalharam a diversão tentando me ensinar.

Crianças são curiosas. Criativas. Se encantam com cores, texturas, formas, orifícios. Criança gosta de explorar. Podem se entreter horas com um pedaço de qualquer coisa.

Mas a preocupação cada vez mais crescente de prepara-las para o futuro, tem feito muitos pais direcionarem suas explorações. Apresentam-lhes cada vez mais estímulos cheios de objetivos, brinquedos estruturados para desenvolver-lhes aptidões variadas. Sem falar de celulares e tablets. Tentam prepará-los para a concorrência da vida. Se você aprende desde pequeno já leva vantagem, dizem por aí. Ledo engano.

Na ânsia de garantir o futuro dos filhos, os pais se esquecem de oferecer-lhes o que eles mais precisam no presente: ser criança e se perder no prazer indescritível da imaginação. E porque “não se pode perder tempo” impõem um ritmo acelerado até com hora marcada e tempo definido para brincar livremente. Primeiro a obrigação!

Pais, deem tempo aos seus filhos. E voltem no tempo para brincar com eles sem pressa.
Quando me lembro do mergulho nas brincadeiras como as do xadrez, sinto um lamento de não conseguir mais viajar pelo mundo mágico que só criança consegue entrar. Brincando hoje com crianças me divirto ao ver o entusiasmo delas, principalmente quando estamos de verdade com elas. Mas a gente não consegue mais aquele tal pirlimpimpim que permite a elas serem a brincadeira. A nossa diversão de adulto é se encantar com o encanto delas que nos contagia. E isso também é muito bom!

Quando convido pais a brincarem com seus filhos em minha sala de crianças, frequentemente ficam constrangidos e por não saber bem o que fazer às vezes começam a testar o conhecimento dos filhos perguntando que cor é essa ou o que está escrito. Uma pena. Não conseguem se desligar da obrigação de aprender e perdem a chance de acompanhar o prazer dos filhos na descoberta. Essas são as que permanecem na memória como verdadeiro aprendizado, pois vêm acompanhadas de prazer.

Ao inventar e brincar a criança não apenas absorve o mundo, mas recria-o para si mesma. E é a capacidade de recriar a vida a cada dia que diferencia os grandes adultos, como Tom Hanks no inesquecível Quero ser grande.

Denise de Sousa Feliciano
Psicóloga e Psicanalista

5 set Pós-Parto

Os benefícios da convivência entre avós e netos.


Adaptação por Maiana Rappaport: Psicóloga /Psicanalista e Consultora do sono de bebês e crianças – Coordena Oficina de reciclagem de avós na atualidade, grupo de pós parto “Conversa de mães” e oficina soninho bom do bebê de 0 a 6 meses” na Casa Curumim.

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Não é preciso muito esforço para notar como a interação entre netos e avós é positiva. Estudo feito durante 19 anos, pelo Boston College, EUA, comprova que os dois lados se beneficiam desse relacionamento. Para os avós, a conexão permite contato com uma geração muito mais nova e, consequentemente, uma abertura a novas ideias. Para os netos, os idosos oferecem a sabedoria adquirida durante a vida – e esse conhecimento acaba sendo incorporado pelas crianças quando elas se tornam adultas, além de os avós também costumarem passar às novas gerações muitas histórias sobre o passado, o que é enriquecedor para qualquer criança. Além de tudo isso, os pesquisadores também concluíram que a relação avós-netos pode ajudar a diminuir sintomas depressivos para ambas as partes. 

Uma nova pesquisa sobre o assunto foi realizada pela Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos.  Os cientistas elaboraram uma hipótese de que os avós com a mente saudável aumentam as chances de sobrevivência dos filhos de seus filhos porque, assim, são capazes de transmitir a eles seus conhecimentos e habilidades. Como um reforço à teoria, eles procuraram e conseguiram identificar em vários genes mutações relativamente novas que protegem contra doenças neuro-degenerativas, como o Alzheimer, que costuma aparecer em pessoas idosas. Segundo os cientistas, parece estar havendo uma seleção natural diante de nossos olhos. Ou seja, as pessoas que têm esses genes vivem mais (porque estão protegidas contra as doenças neuro-degenerativas) e, consequentemente, conseguem colaborar mais com a criação dos netos, pois estão saudáveis. 



Contar com a ajuda dos pais na hora de terem filhos!

Um estudo britânico recente, feito com 2 mil participantes, por exemplo, mostrou que mulheres que moram perto da casa de suas mães têm mais probabilidade de ter filhos. A razão mais provável apontada pelos pesquisadores é que a facilidade com os cuidados deixa essas mulheres melhor preparadas psicologicamente e mais tranquilas na hora de decidir ter um filho. Ou seja, o apoio dos avós é muito importante e é sempre bom poder contar com ele. Para isso, se relacionar de forma saudável para todas as partes envolvidas; é importante conversar e chegar a um consenso na família. Os avós têm de compartilhar dos princípios dos pais ou, pelo menos, respeitar as ideias. É importante ressaltar que a criança nunca deve ser impedida de conviver com avós amorosos, mesmo que as regras deles não estejam completamente de acordo com a dos pais.

Pais X Avós


Acontece que nem tudo é um mar de rosas nessa história. Se você já deixou seu filho com os avós, com certeza sabe que os desentendimentos são inevitáveis! Fica então a dúvida: como agir nesses casos?

Algumas dicas que podem facilitar a boa convivência. Confira:

- Os avós devem fazer sua parte procurando se informar sobre novos padrões de comportamento, métodos de educação e tratamentos de saúde. Por exemplo, frequentando Oficinas de reciclagem para a atualização dos conhecimentos nos cuidados com os bebês, também podem ser um espaço para sensibilização e reflexão sobre o espaço das avós dentro da família, hoje, e a importância do bom apoio que os avós podem oferecer aos seus filhos, na ocasião destes tornarem-se pais e formarem sua própria família. Também podem acompanhar alguma visita do neto ao pediatra (já que elas tendem a pensar que, se o que fizeram deu certo, não há por que não repetir). Na consulta, conhecem o pediatra da criança e razões comprovadas cientificamente, para as ações e métodos de educação e cuidados dos seus filhos.

- O mais importante é que os papéis sejam bem definidos. Todos vão palpitar, sim, sobre assuntos que envolvem a criança, mas, com uma boa conversa, entrar em um acordo não será tão difícil. Não há certo e errado, e sim aquilo que funciona para o casal e que deve ficar claro para familiares. Um acordo que pode ser renovado conforme novas situações apareçam. Os pais precisam aceitar a sabedoria dos avós, assim como esses devem respeitar a autoridade dos pais.

- Quando acontecer algum desentendimento, respire fundo e deixe a discussão para um momento em que a criança não esteja presente. Isso garante uma convivência pacífica e saudável entre todos.

- Se a criança costuma ficar todos os dias na casa dos avós, os limites devem ser melhor delimitados. Convivendo cotidianamente com o neto, os avós podem sentir-se mais livres para aplicar seus próprios métodos de criação, o que pode chatear os pais. Mais uma vez, uma conversa franca e tranquila será necessária para chegar à solução. E cabe aqui ainda uma regra geral: a autoridade dos pais é sempre maior, mas, se eles dependem de outras pessoas para cuidar dos filhos, têm que aceitar que a influência externa é inevitável.

- Tratar os avós como babás de luxo é o grande erro cometido pelos pais. Por isso, se a criança precisa ou quer passar o dia na casa deles, não faça listas indicando o que pode ou não pode ser feito.

Confie na relação direta existente entre avós e neto e respeite suas decisões e atitudes. Lembre-se dos momentos felizes e divertidos que você mesmo passou ao lado dos seus avós fazendo tudo aquilo que lhe era proibido pelos pais e que, no entanto, não lhe fizeram nenhum grande mal.

Oficina de Reciclagem: tornando-se vovós na atualidade


Conversando sobre tornarem-se vovós, a importância da comunicação e apoio entre as gerações e atualizando conhecimentos sobre: aspectos emocionais do parto e pós-parto, amamentação e cuidados com o bebê! Mais informações e datas: administracao@casacurumim.com.br (Jacqueline)

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