16 mai Aleitamento Materno

Casa Curumim


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Curumim é uma palavra de origem tupi que significa crianças indígenas. Foi a partir deste nome que os pediatras Honorina de Almeida e Douglas Nóbrega Gomes pensaram na Casa Curumim. Um local que respeita a criança, a natureza da mulher de parir e amamentar, ajudando para que estes momentos sejam iniciados de forma natural e apoiando em situações de dificuldade.

A Casa Curumim reúne profissionais especializados em manejo clínico da lactação que podem proporcionar orientações para que a experiência de amamentar seja prazerosa e duradoura. Oferece também atendimento integral à família: Assistência na amamentação (hospitalar e domiciliar), assistência neonatal humanizada em sala de parto humanizado, acupuntura, pediatria integral, homeopatia, grupo de gestantes, pós-parto e aleitamento materno, fisioterapia e terapia ocupacional, psicologia infantil, oficina de brincar e musicalização, oficinas de papinha, nutrição infantil e alimentação complementar, nutrição na gestação e infância, pré-natal, atendimento psicológico à gestante e ao pós-parto, terapia craniossacral, fonoaudiologia neonatal e infantil, yoga para gestantes e bebês, massagem thai, curso de preparação para o parto e cuidados com o bebê e cursos direcionados aos profissionais da saúde como o de Manejo Clínico em Aleitamento Materno.

Referência por ser a primeira clínica de aleitamento materno de São Paulo, a Casa Curumim é também ponto de encontro para homens e mulheres que buscam um atendimento humanizado e respeitoso desde a gestação. 

 

10 abr Uncategorized

Lançamento Comer o quê?


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10 dez Temas em Pediatria

Uso do repelente de insetos em crianças


1. Evitando os mosquitos (1)

a. Proteção mecânica: utilize roupas com as mangas longas e calças compridas. As roupas finas não impedem as picadas, preferir tecidos de trama mais fechada e mais grossos. Evite roupas escuras (atraem mais insetos) e as roupas que ficam muito coladas ao corpo pois elas permitem a picada. O uso de perfumes pode atrair alguns insetos e deve ser evitado nas crianças. Algumas roupas já vêm tratadas com substâncias repelentes (geralmente artigos esportivos como camisas para camping e pesca).

b. Nos períodos do nascer e do pôr do sol as janelas devem ficar fechadas, o que reduz a entrada de muitos mosquitos. Os mosquitos como o Aedes atacam mais durante as primeiras horas da manhã e no final da tarde, mas podem picar à noite se houver suficiente luz artificial. São encontrados em locais abertos e possuem predileção pelo tornozelo, então a criança deve ser protegida quando está brincando fora de casa, com roupas que cubram esta parte do corpo (2). O uso do ar condicionado ajuda a manter os mosquitos afastados.

c. Existem produtos que podem ser utilizados nas roupas como a permetrina 0,5% em spray (para ser aplicada APENAS nas roupas e telas de janelas e NÃO diretamente sobre a pele).

d. Instalação de telas e mosquiteiros. Eles podem ser tratados com a permetrina em spray ou alguns já estão disponíveis com a substância com ação repelente.

e. A dedetização por empresa especializada reduz a quantidade de mosquitos na casa, mas deve-se seguir todas as orientações de tempo de afastamento da casa e limpeza após a sua realização.

f. Os repelentes elétricos (com liberação de inseticidas) são úteis e diminuem a entrada dos mosquitos quando colocados próximos das janelas e portas. Deve-se tomar cuidado com os repelentes líquidos que podem ser retirados da tomada pela criança e acidentalmente ingeridos.

g. Aparelhos ultrassônicos ou que emitem luzes não possuem eficácia comprovada. h. Realizar a limpeza do terreno da casa e, se possível, de terrenos, praças ou casas próximas, além da retirada de lixo e entulhos que possam acumular água parada que servem como local de criação de novos mosquitos.

2. Uso de repelentes: os repelentes tópicos podem ser usados para passeios em locais com maior número de insetos como praias, fazendas e chácaras, não devendo ser utilizado durante o sono ou por períodos prolongados. Na tabela 1 (3), constam alguns dos repelentes existentes no Brasil e suas respectivas concentrações da substância ativa. Eles atuam formando uma camada de vapor com odor que afasta os insetos. Sua eficácia pode ser alterada pela concentração da substância ativa, por substâncias exaladas pela própria pele, fragrâncias florais, umidade, gênero (menor eficácia em mulheres), de modo que um repelente não protege de maneira igual a todas as pessoas.

a. Abaixo de 6 meses – não há estudos nessa faixa etária sobre segurança dos repelentes e extrapola-se o uso dos recomendados para bebês acima de 6 meses em caso de exposição inevitável e com orientação médica.

b. Acima dos 6 meses – IR3535 – protege por cerca de 4 horas. É usado na Europa há vários anos e, em concentrações de 20% é eficaz, mas os estudos diferem quanto ao período de ação contra o Aedes aegypti que parece ser muito curto.

c. Acima de 2 anos – os que contém DEET são os mais utilizados. Quanto maior a concentração da substância, mais longa é a duração do seu efeito, com um platô entre 30 e 50%. Uma formulação com cerca de 5% de DEET confere proteção por aproximadamente 90 minutos, com 7% de DEET a proteção dura quase 2 horas e com 20% de DEET a proteção é de 5 horas. A concentração máxima para uso em crianças varia de país para país: nos EUA a Academia Americana de Pediatria recomenda concentrações de até 30% para crianças acima de 2 anos. A Sociedade Canadense de Pediatria preconiza repelentes com até 10% de DEET para crianças de 6 meses a 12 anos e autores franceses, concentrações de até 30% para crianças entre 30 meses e 12 anos. Há consenso quanto a se evitar a aplicação em crianças menores de 6 meses. A maioria dos repelentes disponíveis no Brasil possuem menos de 10% de DEET. A restrição da concentração de DEET a 15% ou menor baseada na toxicidade em animais pode resultar em doses insuficientes para a prevenção de doenças potencialmente graves (4) como a Dengue e a Zika a. Assim, o risco da toxicidade deve ser devidamente pesado em relação ao risco da doença. A associação de baixas concentrações de DEET com outros inseticidas está em estudo e parece ser promissora para evitar a resistência aos repelentes atualmente disponíveis. (5)

d. Icaridina – em concentrações de 10% confere proteção por 3 a 5 horas e a 20%, de 8 a 10 horas. Deriva da pimenta e permite aplicações mais espaçadas que o DEET, com eficácia comparável. Parece ser mais potente contra o Aedes Aegypti do que o DEET e o IR3535 e está liberado para uso acima de 2 anos.

e. Óleos naturais: são os mais antigos repelentes conhecidos e parecem ter eficácia razoável. Porém, por serem altamente voláteis (evaporam rápido), protegem por pouco tempo. Um estudo mostrou que o óleo de soja a 2% conferiu proteção contra o Aedes por quase 1 hora e meia. O óleo de citronela por evaporar muito rápido, fornece proteção muito curta. Óleo de andiroba puro mostrou ser muito menos efetivo que o DEET. Óleo de capim-limão teve seu princípio ativo isolado (PMD) e em concentração de 30% é comparável ao DEET a 20%, sendo o mais efetivo dos óleos naturais.

f. Esses produtos podem causar reações alérgicas locais e sistêmicas e devem ser usados com cautela e, preferencialmente, com a orientação do Pediatra.

g. Atenção ao utilizar pulseiras de citronela, pois além da baixa eficácia(6) já foram relatados casos de alergia no local do contato com a pele.

3. Orientação quanto à aplicação dos repelentes:

a. NUNCA aplicar na mão da criança para que ela mesma espalhe no corpo. Elas podem esfregar os olhos ou mesmo colocar a mão na boca.

b. Aplicar a quantidade e intervalo recomendados pelo fabricante, lembrando que a maioria dos repelentes atuam até 4cm do local da aplicação.

c. NÃO aplicar próximo da boca, nariz, olhos ou sobre machucados na pele e seguir as orientações do fabricante guardando a bula ou embalagem para posterior consulta, em caso de ingestão ou efeitos adversos.

d. Assim que não for mais necessário o repelente deve ser retirado com um banho com água e sabonete.

e. NÃO permitir que a criança durma com o repelente aplicado. Apesar de seguro se usado corretamente o repelente é uma substância química e pode causar reações alérgicas ou intoxicações na criança quando utilizado em excesso.

f. Em locais muito quentes (temperaturas maiores que 30 graus) ou em crianças que suam muito, os fabricantes recomendam reaplicações mais frequentes.

g. Repelentes com hidratantes ou protetores solares devem ser evitados, pois essas associações não são recomendadas em crianças. Os repelentes reagem com os protetores solares e acabam por reduzir o efeito do protetor quando aplicados juntos. Pode-se aplicar o protetor solar e após 20 a 40 minutos realizar a aplicação do repelente escolhido.

h. A apresentação em loção cremosa é mais segura do que a apresentação em spray e deve ser preferida nas crianças.

tabela

1. Markus JR. Prurigo estrófulo – reação de hipersensibilidade induzida por picada de insetos. Pronap. 2014;17(2):71-82.

2. Arya SC, Agarwal N. Advice to travelers on topical insect repellent use against dengue mosquitoes in far North Queensland, Australia. J Travel Med. 2011 Nov-Dec;18(6):434; author reply

3. Stefani GPP, A.C.; Castro, A.P.B.M.; Fomin, A.B.F.; Jacob, C.M.A. Insect repellents: recommendations for use in children. Rev Paul Pediatr. 2009;27(1):81-9.

4. Chen-Hussey V, Behrens R, Logan JG. Assessment of methods used to determine the safety of the topical insect repellent N,N-diethyl-m-toluamide (DEET). Parasit Vectors. 2014;7:173.

5. Abd-Ella A, Stankiewicz M, Mikulska K, Nowak W, Pennetier C, Goulu M, et al. The Repellent DEET Potentiates Carbamate Effects via Insect Muscarinic Receptor Interactions: An Alternative Strategy to Control Insect Vector-Borne Diseases. PLoS One. 2015;10(5):e0126406.

6. Webb CE, Russell RC. Advice to travelers on topical insect repellent use against dengue mosquitoes in Far North Queensland, Australia. J Travel Med. 2011 Jul-Aug;18(4):282-3.

Fonte: Sociedade Brasileira de Pediatria.

6 dez Gestantes

Atenção gestantes: protejam-se!


Por Desirée Encina, obstetra.

Verão chegando e com ele muito calor, chuvas e consequentemente mosquitos!

Diariamente, recebo em meu trabalho  muitas gestantes e mães com dúvidas sobre como se prevenir da Dengue e mais recentemente do Zika vírus, o que gerou a necessidade de passar informações importantes.

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Sabemos que o Zika vírus é transmitido pelo mosquito Aedes Aegypti, sendo assim, as medidas gerais de prevenção já alertadas anteriormente à Dengue são válidas à Zika.  (Evitar agua parada, colocar areia nos vasos de flores, tampar caixas de água, evitar roupas coloridas e agarradas ao corpo, evitar perfumes fortes).

Além disso, temos que prevenir a picada do mesmo com o uso de roupas compridas, telas de proteção nas janelas e repelentes químicos.

São 3 tipos de repelentes que temos no Brasil:

- Icaridina

- DEET

- IR3535

A Icaridina ( “Exposis”) é eficiente contra o mosquito e de maior duração na pele, 10 horas.

O DEET é o mais facilmente encontrado ( “OFF, Autan, Repelex”) também é eficiente, mas a duração é menor em sua concentração de 15% presente  no Brasil, devendo ser reaplicado a cada 6h.

O IR3535 ( “loção anti mosquito Johnson”) tem duração muito curta, 2 horas, podendo deixar a gestante desprotegida. O mesmo acontece com os repelentes naturais, como citronela, que também tem absorção muito rápida, 20 minutos, por isso, não recomendados.

As gestantes devem usar repelentes desde o inicio da gestação.

Dessa maneira, o repelente mais indicado é a icaridina, devido ao seu maior tempo de ação.  É recomendado seu uso 1 vez ao dia e se a temperatura ambiente for superior a 30 graus, deverá ser reaplicado a cada 5 horas. O repelente deve ser usado diariamente. E pode ser usado também por crianças a partir dos 2 anos

Outro detalhe importante é que o mesmo deve ser usado após a maquiagem, hidratantes, protetor solar, entre outros cosméticos, ou seja, sempre o último produto a ser aplicado na pele!

23 nov Temas em Pediatria

Relato sobre sono


Relato de Lilian Yuri Okada, mãe da Nina (atualmente com 11 meses) sobre Consultoria do sono para recém nascidos (oficina soninho bom do bebê de 0 a 6 meses).

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Consultoria realizada pela consultora do sono Maiana Rappaport, psicóloga e psicanalista, iniciada quando minha filhinha Nina tinha 2 meses de vida e acompanhada até os 4 meses de vida

“O aspecto mais importante no apoio dado pela Consultora de Sono primeiramente foi a escuta. Para mim, foi bastante acolhedor tê-la auxiliando em minhas dúvidas, não se limitando apenas às questões do sono, englobando também a saúde geral da bebê e a da mãe.

As orientações sobre desenvolvimento geral foram importantes porque determinados estágios no qual o bebê se encontra tem implicações em sua rotina de sono. Assim, entendendo o contexto e fase em que a bebê estava, pudemos atender de forma mais efetiva as necessidades dela.

As informações sobre os estágios e saltos de desenvolvimento, além de interessantes, nos permitiram ser empáticos com a Nina e nos ajudaram a lidar melhor com ela. Mais especificamente, sobre as questões do sono, foi fundamental entender o ciclo e janelas de sono do bebê e as orientações de como proceder. Outro ponto importante foi chamar a atenção para o fato de que, normalmente, atribuímos ao bebê o nosso ritmo de sono, mas que é necessário acompanhar o ritmo do bebê para depois, de forma muito vagarosa, encaixá-lo em nosso ritmo.
Seguir as orientações contribuiu não apenas para o bem estar da bebê, mas também para a redução de estresse da família toda, em especial da mãe, que passa a maior parte do tempo com o bebê.

A consultora enfatizou a importância da saúde física e mental da mãe para que ela cuide melhor do bebê. Ressaltou a importância de dormir sempre que possível e procurar relaxar com técnicas de automassagem.

No caso da Nina, que não havia uma questão crítica em relação ao sono, apesar disso, a consultoria foi de grande valor para nós, pais. Tínhamos quase que total desconhecimento das informações referentes às questões do sono que a consultora nos trouxe (ciclo, quantidade de horas necessárias, importância do sono, comportamento médio dos bebês, etc). Informações simples, dadas de forma precisa e clara que foram fundamentais para ajustarmos nossa conduta com a Nina. A partir dessas informações, surgiram outras dúvidas que foram esclarecidas pela consultora no período do contrato, respeitando as necessidades da Nina.

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Por ser muito novinha, o ritmo e padrão de soneca da Nina eram inconstantes o que gerava uma certa angústia em como lidar, às vezes dormia muito, outras vezes lutava contra o sono chegando à exaustão. A consultora mostrou-se sempre à disposição para tirar nossas dúvidas e nos tranquilizar.

Nossa experiência com a Nina em relação ao sono tem sido muito melhor depois que seguimos as orientações da consultora. Talvez, se não tivéssemos tido tais orientações, estaríamos enfrentando agora uma situação mais difícil de lidar. Por exemplo, poderíamos ter estabelecido um ritmo prejudicial à qualidade de sono dela ou “viciá-la” a dormir somente em determinadas condições não favoráveis aos pais, como o colo. A Nina é uma bebê atenta e desperta, dorme pouco, mas atualmente temos propiciado situações e ritmo para que ela tire sonecas mais longas durante o dia.”

A oficina “Soninho Bom do Bebê” tem o objetivo de ajudar os pais a entender o sono do seu pequeno e o que ele precisa para ter uma boa qualidade de sono. Sem regras rígidas, com muito amor e carinho, que os bebês precisam e merecem! A próxima acontecerá no dia 20 de janeiro, das 10h às 13h. Para inscrições e mais informações: ☎ 11 3862.8312 – 3862.5569 – 3862.0387 ou administracao@casacurumim.com.br (Pamela) ou AQUI

23 set Aleitamento Materno

A livre demanda do ponto de vista nutricional


por Rachel Francischi, nutricionista da Casa Curumim

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O adulto pode ficar algumas ou várias horas sem comer. O seu metabolismo sabe enfrentar períodos de jejuns sem grandes prejuízos para o corpo humano. Assim, a maioria de nós pode aguardar os momentos oportunos para receber alimentos. Diversos hormônios são liberados na corrente sanguínea, no momento exato e na quantidade certa para permitir as diversas reações químicas de adaptação do corpo para a presença ou não do alimento. Insulina, glucagon, cortisol são exemplos desses hormônios.

Mas… um bebê não pode esperar. Sua sensação de fome é muito, muito intensa! Além disso, sua comida (o leite materno) muda substancialmente ao longo do tempo. O leite materno muda inclusive se sofre atrasos para ser oferecido. Isso porque o leite materno não é um alimento morto, é um alimento vivo, em constante evolução a cada mamada!

A quantidade de gordura muda muito durante uma mamada, e o bebê precisa muito dessa gordura do leite materno. A composição do leite materno muda também entre as mamadas. Por exemplo, o leite do inicio de uma mamada tem pouco gordura, e o leite ao final da mamada chega ter cinco vezes mais gordura. A gordura é fundamental para o adequado crescimento do bebê. O leite materno da manhã não é exatamente o mesmo leite materno da noite.

De forma simplificada, podemos dizer que a composição do leite materno (especialmente a quantidade média de gordura) numa determinada mamada depende de quatro fatores: tempo entre as mamadas; quantidade de gordura no final da mamada anterior; volume (quantidade de leite) mamado na mamada anterior; e volume consumido na mamada atual. É assim que a natureza regula a composição do leite materno.

Pois é! Um bebê que mama 50 mL de cada peito não é o mesmo que aquele bebê que toma 100 mL de um só peito. E a dieta do bebê que toma 100 mL a cada duas horas é completamente diferente daquele que toma 200 ml a cada quatro horas.

Isso porque a quantidade de gordura diminui com o tempo transcorrido desde a mamada anterior (quanto mais tempo de intervalo entre as mamadas, menos gordura terá no leite materno da mamada atual). E a quantidade de gordura no leite materno aumenta com a concentração de gordura no final da mamada anterior. Também aumenta quanto mais leite saiu na mamada anterior. E também aumenta quanto mais leite estiver saindo na mamada atual.

Por exemplo, um bebê que mama numa mesma mamada dos dois peitos raramente acaba com o leite mamado no segundo peito. Nesse caso, ele mama cerca de dois terços de leite menos gorduroso (leite mais diluído) e um terço de leite concentrado. Por outro lado, o bebê que mama de um só peito na mamada, toma cerca de metade de leite diluído e metade de leite concentrado.

O leite materno é um alimento versátil. Para o bebê, não é nada monótono se alimentar apenas dele. Isso porque o bebê não come sempre o mesmo alimento quando está recebendo o aleitamento materno sob livre demanda. Podemos dizer que ele tem a sua disposição um cardápio variado para escolher, desde o equivalente a uma sopa levinha até sobremesas bem cremosas!

O bebê então “escolhe” seu cardápio de leite materno dando instruções ao peito através de três chaves:

1) A quantidade de leite que mama a cada mamada (quer dizer, mamando mais ou menos tempo e com maior ou menor intensidade).

2) O tempo entre uma mamada e a próxima mamada.

3) Tomar só de um peito ou de ambos peitos.

O que um bebê é capaz de fazer com o leite materno é autêntica engenharia de alimentos para obter exatamente a nutrição que necessita diariamente. O controle que o bebê tem sobre sua própria dieta é total e perfeito quando pode variar estas três chaves. Impor um regime de horários (dar de mamar a cada 3 horas por exemplo) é impedir a sábia natureza de agir e regular a exata nutrição que o bebê precisa. Nisso é que consiste o aleitamento materno sob livre demanda: que o bebê decida quando vai mamar, por quanto tempo vai mamar e se vai mamar de um peito apenas ou dos dois peitos.

Referencias bibliográficas

González C. Un regalo para toda la vida: guía de lactancia materna. Madrid, Ed Temas de Hoy, 2009.

González C. Mi niño no me come. Madrid, Ed Temas de Hoy, 2011.

León-Cava N, Lutter C, Ross J, Martin L. Cuantificación de los beneficios de la lactancia materna: reseña de la evidencia. Washington, Organización Panamericana de la Salud, 2002.

7 set Temas em Pediatria

Doutor, meu bebê não dorme!…


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… não mama, não quer comer, chora demais, morde outras crianças com frequência. São algumas das muitas queixas que inundam as consultas de puericultura em busca de respostas que aliviem a angústia que contagia toda a família.

Frequentemente o pediatra não encontra qualquer disfunção que explique o sintoma. Alguns reconhecerão um traço emocional na origem desses distúrbios funcionais, mas desconhecem encaminhamentos que possam ser eficazes e rápidos. A ideia de um atendimento psíquico muitas vezes não é facilmente recebido pelos pais, que buscam alívio rápido para angústias que se tornam insustentáveis.

Os primeiros três anos de vida de uma criança formam o alicerce de toda sua vida, seja do ponto de vista de seu desenvolvimento fisiológico, seja psicoafetivo. Dificuldades nessa etapa de vida podem comprometer todo o aparelho mental da criança, impossibilitando o desenvolvimento de suas competências. Em níveis mais graves pode representar os primeiros sinais dos Transtornos do Espectro Autista (TEA) que precisam ser escutados com a máxima brevidade para os devidos encaminhamentos que farão toda a diferença da saúde mental dessa criança.

A periodicidade das consultas de puericultura permite ao pediatra observar e acompanhar vários aspectos do desenvolvimento do bebê e perceber rapidamente quando algo não vai bem. Essa observação não se refere apenas às curvas de crescimento e desenvolvimento motor, mas também abrange a dinâmica que a família estabelece com a criança e também com o próprio pediatra. Pais muito aflitos, que ligam constantemente para o médico expressam com esse comportamento pouca confiança em sua capacidade de cuidarem de seu filho. Essa insegurança tanto pode ser por imaturidade emocional dos pais, quanto uma percepção intuitiva deles sobre distúrbios psicoemocionais dessa criança. O pediatra precisa estar atento a esses sinais e se indagar sobre o que eles representam para a família, pois muitas vezes significa um pedido de ajuda implícito, porém inconsciente. Da mesma forma a angústia de um bebê pode estar denunciando a incapacidade de seus pais estarem sintonizados com suas necessidades, revelando assim uma carência do vínculo primordial que não foi bem constituído.

E diante dessas observações o que fazer? Conversar com eles sobre isso e sugerir que possam buscar a ajuda de um profissional qualificado a compreender a dinâmica inconsciente que pode estar impedindo um vínculo familiar prazeroso e saudável. Durante os primeiros 1000 dias da criança, a possibilidade de reconhecer e intervir em transtornos vinculares que impedem uma interação saudável entre o bebê e seus pais é a grande oportunidade de evitar muito sofrimento desnecessário e investir na saúde mental da vida ulterior dessa criança.

Alguns psicanalistas se especializaram em atendimentos chamados Intervenções Psicanalíticas Pais-Bebê, Intervenção Precoce na Relação Pais-Bebê ou Terapia Conjunta Pais-Bebê que têm como objetivo escutar o significado inconsciente desses sintomas, permitindo que o desconforto apresentado pelo bebê desapareça na medida em que deixa de ocupar a função psíquica que a sustentava. Além da remissão do sintoma de sofrimento emocional do bebê, observa-se fortalecer as funções parentais e o vínculo.

Denise de Sousa Feliciano é Psicóloga e Psicanalista. Membro do Departamento de Psicanálise de Criança e Professora do Instituto Sedes Sapientiae; Doutora em psicologia pelo IPUSP-SP, especialização em Psicopatologia do Bebê pela USP e Université Paris 12; Membro Filiado da Sociedade Brasileira de Psicanálise de SP; Membro da Sociedade Brasileira de Pediatria e do Departamento de Saúde Mental da Sociedade de Pediatria de SP. Ela atende na Casa Curumim, informe-se.

7 ago Aleitamento Materno

Amamentação e trabalho: para dar certo, o compromisso é de todos!


Hoje o bate-papo com a Dra. Honorina de Almeida, a Dra. Nina, pediatra especialista em aleitamento materno da Casa Curumim é sobre como a mulher deve se preparar para o retorno ao trabalho e seguir amamentando.

A mãe carrega seu bebê durante 9 meses de gestação e após o nascimento desenvolve a dedicação em tempo integral que é necessária nesses primeiros meses de vida fortalecendo ainda mais essa relação entre mãe e bebê. Quando a licença-maternidade chega ao fim, a dor dessa separação pode ser muito forte. Muitas mães já começam a sofrer desde as primeiras semanas só com o pensamento da volta ao trabalho. Então é importante que ela possa aproveitar esses primeiros meses com o bebê mas no momento adequado se preparar para se separar do bebê.

“A mulher pode se dar o direito de sofrer, faz parte do processo e a sensação de abandono em relação ao filho é enorme, mas voltar ao trabalho também é positivo, apesar de um tanto precoce na maioria das empresas brasileiras”, afirma a Dra. Nina.
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No Brasil, muitas empresas públicas e também um número cada vez mais crescente de empresas privadas garantem 6 meses de licença maternidade. Mas ainda a maioria das empresas trabalham com o que lei (CLT) determina: licença-maternidade de 4 meses e duas pausas de meia hora para alimentar o bebê/ ordenhar o leite durante a jornada de trabalho até o 6º mês de vida do bebê.

Para amenizar o impacto da distância, as mães podem adotar algumas medidas para prepara-lás e preparar o bebê para a separação que virá. Ela pode começar a sair por algum tempo para que possa ficar algum tempo longe da presença dela e também possa estar com a pessoa que vai cuidar dele. Assim ela e o bebê poderão vivenciar a situação de estarem um sem o outro por algum tempo.

Quem vai cuidar e onde o bebê vai ficar na volta ao trabalho?

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Segundo a Dra. Nina, o ideal é ir amadurecendo as soluções. Decidir quem vai cuidar do bebê, quando começar a ordenhar e a armazenar o leite, no local de trabalho como o leite será ordenhado, armazenado e transportado. Além é claro, de ensinar o bebê a se alimentar sem ser pelo peito. Ir aos poucos e com paciência oferecendo o leite no copinho para que a transição seja tranquila e deixando a pessoa que vai cuidar do bebê alimentá-lo. Quando o retorno ao trabalho acontece depois dos 6 meses e o bebê já come, a situação é muito mais fácil.

“A mulher tem que saber que é assim, que não é só ruim voltar a traballhar, que existem coisas boas neste processo. Um estudo recente mostrou que filhos de mães que trabalham fora são mais educados e independentes e as filhas são mais bem sucedidas do que filhas de mulheres que não trabalharam fora. Provavelmente temos esses resultados pois os pais são o maior exemplo para os filhos. Por outro lado, também temos estudos que mostram que para a criança não é bom se os pais trabalham em demasia e ficam muito tempo fora de casa. O desafio atual é encontrar um meio termo e ficar o mínimo de tempo fora de casa. Vale a pena dizer também que tentar organizar no trabalho, para ficar o mínimo possível fora de casa. Tentar um acordo com o chefe para flexibilizar o horário. Um dos pais pode entrar no trabalho mais cedo e assim voltar mais cedo para casa. O outro começa mais tarde. Enfim, pensar nas possibilidades para que o bebê possa ficar o maior tempo possível com um dos pais. Quando se tem familiares que podem cuidar, melhor ainda”, completa a Dra.

A empresa deve dar suporte àa mãe nesse retorno, mas como sabemos, muitas pessoas não conhecem a importância do leite materno e cada mãe que retorna ao trabalho pode conversar com seus colegas de trabalho sobre o tema. Explicar que o leite materno protege seu filho, que ficará menos doente, e estará mais contente com o sucesso da amamentação.

ordenha-humanaQuando o bebê vai para um bercário, há que ter recursos para ajudar essa mãe a manter a amamentação. Às vezes, o berçário tem resistência quanto a receber o leite materno ordenhado, então é interessante a família mostrar como funciona o processo para descongelar, como oferecer no copinho e sempre destacar que chupeta e mamadeira são grandes vilões do aleitamento materno.

O que é preciso para manter a produção de leite após a volta ao trabalho?

leiteee-armazenado-1Para manter a produção é essencial esvaziar as mamas quando a mãe estiver longe do bebê, extraindo seu leite em intervalos regulares. Quanto mais se retira o leite, mais leite se produz. Por isso, quando a mãe estiver com o bebê o ideal é que ela ofereça o peito sempre que ele solicitar. Assim, a mulher que trabalha poderá continuar amamentando seu bebê de manhã, antes de sair de casa e após retornar do trabalho.

Lembrando que a Semana Mundial de Aleitamento Materno, que acontece de 1 a 7 de agosto, com o tema Amamentação e Trabalho: para dar certo, o compromisso é de todos, reforça a importância de as empresas terem salas de apoio para as trabalhadoras continuarem a amamentação mesmo com a volta à vida profissional. Nas salas de apoio, a mãe pode retirar e armazenar o leite para ser oferecido posteriormente ao bebê. As empresas também são incentivadas a oferecer licença maternidade de seis meses e creches próximas ao trabalho. O incentivo à licença prolongada segue a recomendação de profissionais de que, até os seis meses, a criança não receba nenhum outro alimento ou bebida além do leite humano.

6 ago Aleitamento Materno

Aprendendo sobre relactação


Em um bate-papo com a Dra. Honorina de Almeida (Dra. Nina), pediatra especialista em aleitamento materno da Casa Curumim, ela explicou sobre a relactação, uma técnica que ajuda muitas mulheres a produzir leite para seus bebês – sejam eles biológicos ou não.

Ela contou que quando a mulher já amamentou e por algum motivo o leite secou, através do processo da relactação ela consegue recuperar a produção de leite e amamentar novamente.

imagem de relactação

“A técnica pode ser feita de várias maneiras. Geralmente, usamos um equipamento chamado Sistema de Nutrição Suplementar que é mais conhecido como relactador. Como mostra a figura ao lado é um sistema simples que leva o leite (colocado em um frasco) para o bebê através de uma sonda que é grudada no peito da mulher de maneira que fique dentro da boca do bebê quando ele estiver sugando o peito. Ele vai mamar no peito enquanto recebe o leite, que pode ser o materno ou fórmula láctea”, explica a Dra. Nina.

Essa técnica é usada por mulheres que fizeram cirurgias de mama, com baixa produção de leite ou para bebês que por algum motivo específico não conseguem sugar todo o leite da mãe. É uma maneira de incluir o complemento para os bebês que precisam, sem ter que usar a mamadeira, grande vilã da amamentação.

A Dra. Explica que a estimulação das mamas, pela sucção do bebê, favorece a produção de leite.

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Segundo a Dra. Nina, toda vez que o bebê recebe o leite que não seja através do peito ele deixa de estimular a mama a produzir leite. Se ele mama o leite que precisa sugando o peito, há duas grandes vantagens: a primeira é que enquanto ele está recebendo o complemento através da relactação, ele está sugando a mama, que funciona assim, quanto mais suga, mais produz. E a segunda, é que evita a confusão de bicos, situação na qual normalmente o bebê opta pela mamadeira, onde o fluxo de leite é maior e o esforço menor.

Durante o processo da relactação é fundamental não dar a mamadeira ao bebê. Por isso, caso haja a necessidade de dar o leite sem ser no relactador, a mulher deve optar por um copinho.

Mães adotivas

Para a mulher que adotou um bebê e mesmo que nunca tenha amamentando nem engravidado e tem o desejo de vivenciar este momento, utiliza-se o mesmo sistema. Nesse caso, chama-se lactação induzida. Também pode ser necessário o auxílio de medicações capazes de estimular a produção do hormônio prolactina -, que induz a produção de leite. Um bom planejamento para as estimulações das mamas também é importante nessa situação.

Segundo a Dra. Nina, mais do que a vontade de nutrir o bebê há o desejo de conexão com aquela criança, de criação de vínculo através do contato. Um momento mágico que proporcionará uma ligação profunda entre aquela mulher e aquele bebê, que apesar de não ter sido gerado em seu ventre, se conectará à ela através do olhar, do contato pele-a-pele e do alimento.

6 ago Aleitamento Materno

Relato de Amamentação


Amamentando minhas trigêmeas

Por Sabrina Martins Schvarcz, mãe de Luana, 11, Alex, 10 e Melissa, Cecilia e Laura, 3 anos

Eu já tinha dois filhos quando recebi a notícia de que seria mãe de trigêmeas. Melissa, Cecilia e Laura vieram ao mundo para virarem minha vida do avesso, e me ensinarem que é preciso muita paciência, disciplina e amor para se criar cinco filhos nos dias de hoje.

A gravidez foi relativamente tranquila, talvez por ter acontecido naturalmente, sem nenhum tipo de tratamento. Como eu já tinha passado pela experiência de estar grávida, não tinha muitas dúvidas e incertezas, nada era novidade, a não ser uma dose a mais de cansaço e cuidados. E depois de trinta e quatro semanas e um dia de gestação, elas nasceram respirando sozinhas e pesando 1,890kg, 1815kg e 1540kg, e foram direto para a UTI neonatal.

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Mas na rotina de mãe de UTI, tudo era novidade. Eu não amamentei no primeiro dia, nem no segundo, nem no terceiro. Tive que assinar um termo autorizando minhas pequenas a receberem leite materno pasteurizado doado, pois eu ainda não produzia o suficiente para as três. Fiquei em choque, e só naquele momento é que me dei conta, de que eu não amamentaria minhas trigêmeas exclusivamente, em livre demanda, como fiz com meus outros dois filhos.

Foi difícil vê-las na mamadeira tão pequenas, e recebendo um leite que não era meu, ainda que por sonda. Mesmo indo ao lactário diariamente a quantidade de leite que eu conseguia extrair era sempre insuficiente para as três, então alternávamos de modo que a cada mamada uma delas recebesse meu leite. Conforme foram sendo liberadas para mamar diretamente no peito, começaram a receber também complemento de leite artificial. Nos horários de mamadas eu estava sempre lá, mas muitas vezes a escolhida só queria dormir, e enquanto eu tentava despertá-la para mamar, via a irmã bem acordada e mamando toda a mamadeira oferecida pela enfermeira. Na mamada seguinte a cena era a mesma, ainda que com outras bebês, e assim sucessivamente, de modo que algumas vezes, apesar de estar disponível em todas as mamadas, acabava o dia e eu não tinha amamentado ninguém. Nesse esquema de rodízio, foi difícil fazer com que elas realmente aprendessem a mamar. Tive dificuldades com a pega correta, especialmente com a Cecilia, que era menorzinha e passou mais tempo na UTI.

Apesar de tantas limitações envolvendo o processo de amamentação das minhas trigêmeas, em nenhum momento pensei em desistir só pelo fato que de teriam que receber complemento na mamadeira de qualquer jeito. Reunidas em casa depois de quarenta e um longos dias de UTI neo, fiz uma planilha para organizar as mamadas. Ia alternando entre um peito e complemento para a primeira, outro peito e complemento para a segunda, e só complemento para a terceira, de forma que cada uma das meninas recebesse a maior quantidade de leite materno possível.

Não tive dificuldades com a amamentação dos meus filhos mais velhos, mas dessa vez foi tudo diferente. Eu sentia que aos poucos, elas mesmas iam mamando cada vez menos no peito e preferindo a mamadeira. Algumas vezes a segunda não tinha paciência de esperar eu acabar a mamada da primeira, e acabava ficando só na mamadeira também.

Ao final de cinco meses alimentando as meninas em livre demanda as mamadas já estavam bem dessincronizadas, e somente uma delas ainda gostava de mamar no peito. Ainda assim, todos os dias eu tirava leite com a bombinha para oferecer para as outras duas. Com a diminuição do interesse por parte delas a produção de leite foi também diminuindo, até que aos seis meses a quantidade de leite era muito pequena perto do que elas mamavam, e todas já preferiam a mamadeira. O processo de desmame aconteceu gradativamente, e embora eu tenha ficado chateada na época, as meninas naturalmente desmamaram aos seis meses de idade. Para mim que já havia amamentado dois filhos exclusivamente até os seis meses e depois seguido amamentando até um ano, foi difícil, pois de certa forma me sentia rejeitada pelas meninas.

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Hoje elas estão com quase quatro anos e são meninas grandes e saudáveis, nem de longe lembram os bebês frágeis que eu vi pela primeira vez na incubadora de UTI neo. São crianças alegres, brincalhonas, cheias de vida, aprontam muito e raramente ficam doentes. Quando olho para elas hoje, pouco sinto da tristeza que permeou todas as questões relacionadas à amamentação do trio nos primeiros meses de vida. O que ficou desse processo, são as lembranças boas dos momentos de cumplicidade, do olho-no-olho, e a certeza de que fiz o que estava a meu alcance para que pudessem ter o melhor de mim. O mais curioso é que até hoje elas adoram ver bebês sendo amamentados, e sempre que brincam de bonecas, costumam oferecer o peito para suas próprias filhinhas!

5 ago Aleitamento Materno

Relato de Amamentação


Por Bruno Mendonça Coêlho, pai da pequena Helena.

“Ter filhos não é para quem tem pressa.

… e Helena nasceu! O parto normal ocorreu, depois de bolsa rota, com o mínimo de intervenções possível. E quero salientar que foi assim não porque tenha qualquer apreço à ideia do parto desassistido tecnologicamente. Muito pelo contrário! Sou fã de carteirinha da tecnologia e dos avanços da ciência e, como não podia deixar de ser no nosso caso, parimos no Hospital Albert Einstein embasados por uma extensa leitura que fiz da literatura médica sobre parto e que me fez ficar tranquilo em sermos assistidos por uma equipe superpreparada que tinha essa conduta menos interventiva… e Helena nasceu.

E veio a hora de amamentar, afinal de contas é o que esperamos, ou ao menos, o que supomos que ocorrerá: que depois de 38 semanas no útero, tudo o que o bebê quer é o peito da mãe. Mas a realidade, às vezes, é muito mais complexa do que as campanhas pró amamentação da Unicef e do Ministério da Saúde fazem crer. Apesar de nossa vontade, Helena nasceu com dificuldades de amamentação e por mais que tentasse, não conseguia mamar no peito.

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Como tantas outras crianças que nascem antes das 39 semanas (o chamado termo precoce), ela não coordenava perfeitamente o mecanismo de sucção. O resultado disso é que a abertura da boca, a saída da língua e a pressão para puxar o leite não se entendiam. O maestro estava dormindo. Coisas de uma boca ainda pequenininha e de um sistema nervoso que poderia ter esperado e amadurecido um pouquinho mais antes de nascer. Uma semana a mais ou a menos nesta fase da vida faz muita diferença. Quando isso se junta a um mamilo um pouco menos “exuberante”… a zica é completa.

… e apesar da intervenção da equipe do berçário, nada de mamar. É justamente nesta hora que bate um desespero! Ela nasceu pequenininha e ainda não está mamando, o que fazer agora? E tudo o que ouvimos sobre amamentação exclusiva até os seis meses, como fica? E nem o pessoal do berçário do Hospital A. Einstein consegue resolver o problema… Diante deste cenário, cair em tentação (dar “complemento”, mamadeira etc) é a coisa mais fácil que existe, ainda mais quando não dispomos de meios para resolvê-lo. Felizmente dispúnhamos! Tiemi Yoshida, a pediatra de Helena e uma fã de rock muito animada — We rock it! —, nos encaminhou para Fernanda (Santa Fernanda, como diz Luiza).

Bem, Fernanda Cacciari (faço questão de dar os nomes, afinal são excelente profissionais e merecem ser valorizados!) é uma fonoaudióloga de Santos — Santista Fernanda!, né Luiza —, especialista em amamentação e alimentação infantil, que fez, e ainda faz, toda diferença na vida de Helena. Pra começar, nos acalmou em relação ao que estava acontecendo (deu-nos toda a explicação técnica acima). Além do mais, nos ensinou várias técnicas para amamentá-la que dispensam a necessidade de mamadeira além de estar nos acompanhado desde então.

Partindo do princípio de que a dor não é condição para amamentação, tem ajustado diariamente a “pegada” de Helena na mama de Luiza, possibilitando um aleitamento confortável. Também nos ajudou a retirar o leite com a bomba, a dar leite no copinho, com uma sonda, entre outras técnicas ninja para hora de mamar… E o trabalho trouxe seus frutos… há uns dias, com seis dias de vida, Helena “fez a pega” e mamou sozinha pela primeira vez!‼‼ E tem evoluído bastante dia-a-dia tornando bem mais fácil o processo de amamentar. Hoje, Luiza deu de mamar sem a ajuda de ninguém…

Mas porque contar toda essa história? A questão é que por falta de informação adequada, de ajuda especializada, muitas pessoas abdicam de amamentar seus filhos. Junto a isso, frases como “eu não tinha leite”, “o bebê não queria o peito”, “meu leite era fraco” entre outras ajudam a contaminar o cenário da amamentação. O problema é que quem mais sai perdendo é a criança, visto que muito da proteção imunológica do recém nascido vem do leite materno ¬— isso para citar só um dos benefícios do aleitamento. No nosso caso, tivemos a felicidade de sermos bem orientados e de encontrar uma pessoa especialista no assunto. Também somos afortunados por podermos arcar com essa orientação. Neste sentido, um último argumento para aqueles que pensam excessivamente nos custos: leite artificial, remédios, médicos e tratamentos ao longo do tempo (quem mama mais, fica menos doente ao longo da vida) também custam uma boa grana…

Ideal seria um protocolo nacional sistematizado para o aleitamento! Um bem para pais e filhos!”

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