16 mai Aleitamento Materno

Primeira clínica multiprofissional especializada em Aleitamento Materno de São Paulo


Curumim é uma palavra de origem tupi que significa crianças indígenas. Foi a partir deste nome que os pediatras Honorina de Almeida e Douglas Nóbrega Gomes pensaram na Casa Curumim. Um local que respeita a criança, a natureza da mulher de parir e amamentar, ajudando para que estes momentos sejam iniciados de forma natural e apoiando em situações de dificuldade.

A Casa Curumim reúne profissionais especializados em manejo clínico da lactação que podem proporcionar orientações para que a experiência de amamentar seja prazerosa e duradoura. Oferece também atendimento integral à família: Assistência na amamentação (hospitalar e domiciliar), assistência neonatal humanizada em sala de parto humanizado, acupuntura, pediatria integral, homeopatia, grupo de gestantes, pós-parto e aleitamento materno, fisioterapia e terapia ocupacional, psicologia infantil, oficina de brincar e musicalização, oficinas de papinha, nutrição infantil e alimentação complementar, nutrição na gestação e infância, pré-natal, atendimento psicológico à gestante e ao pós-parto, terapia craniossacral, fonoaudiologia neonatal e infantil, yoga para gestantes e bebês, massagem thai, curso de preparação para o parto e cuidados com o bebê e cursos direcionados aos profissionais da saúde como o de Manejo Clínico em Aleitamento Materno.

Referência por ser a primeira clínica de aleitamento materno de São Paulo, a Casa Curumim é também ponto de encontro para homens e mulheres que buscam um atendimento humanizado e respeitoso desde a gestação. 

 

3 dez Temas em Pediatria

O sono do bebê: Por que o bebê precisa dormir tanto, se ele não quer fazê-lo?


Por Maiana Rappaport- Psicóloga Psicanalista e Consultora do sono de bebês e crianças. Coordena o Grupo de Pós-parto e a Oficina de reciclagem de vovós e vovôs na Casa Curumim.

IMG-20161126-WA0006

O sono é um aspecto de suma importância na saúde dos seres humanos. Desde o útero, o feto alterna momentos em que dorme e permanece acordado. O bebê humano nasce imaturo. Nas primeiras semanas de vida, o bebê tem um sono muito irregular e não sabe diferenciar o dia e a noite. Viver fora do útero cansa e muito! Afinal de contas, após o nascimento, o bebê precisa respirar aprender a mamar na sua mãe, deglutir, digerir o leite, fazer coco e xixi, interagir com as pessoas ao seu redor, adaptar-se ao mundo aéreo, barulhos, intensidades variadas de luminosidade, sons, diferentes toques e muito mais. O choro é o recurso que o bebê tem para comunicar-se quando tem algum desconforto, e esses podem ser variados: fome, dor, cansaço, frio, calor, falta de contato, saudade do colo, do cheiro e da voz da mãe, entre outros.

Desde as primeiras semanas, o pequeno necessita de uma rotina mínima para dormir, descansar, e assim, aproveitar o dia e desenvolver-se de forma saudável. Com o tempo é desejável que ofereçamos ao bebê um ritual do sono, que consiste numa sequência constante e repetitiva de ações, que vá sinalizando que está na hora dele relaxar e dormir. Essa possibilidade de previsibilidade promove ao bebê, a sensação de continuidade e segurança.

Durante o sono, os bebês recarregam suas energias, metabolizam sensações, emoções, inúmeras informações que recebem quando estão despertos; e consolidam todos os novos conhecimentos. No sono da noite, vários hormônios importantes são liberados: a melatonina (do sono), o GH (do crescimento), a leptina (controla a sensação de saciedade) e muito mais. O humor, a atenção, o estado de espírito, a memória e o aprendizado, dependem de quantidade e qualidade de horas de sono. Cada indivíduo tem suas necessidades particulares, mas em geral, os recém-nascidos necessitam dormir de 16 a 18 horas, fracionadas durante o dia e a noite.

Porém, conforme ele vai crescendo, o tempo que aguenta ficar acordado e bem, de dia, vai aumentando. Ainda assim, nos primeiros anos ele necessita de sonecas diurnas e até seus 5 anos, ainda que não faça mais sonecas diurnas, necessita de 10 a 11 horas de sono noturno!

Pesquisas atuais evidenciam que a falta de sono contínuo e de qualidade pode provocar labilidade no humor, problemas de aprendizagem, de concentração, atenção e memória. Hiperatividade, impulsividade, agressividade, obesidade e ansiedade. Além de baixa no funcionamento metabólico e imunológico e consequências no potencial cognitivo e relacional.

O trabalho, da Consultora do sono com famílias de bebês e primeira infância, consiste em informar aos pais (com bases em evidências cientificas) como se dá a dinâmica do sono do bebê e da criança (de acordo com sua idade) e assim, os mesmos possam adequar suas expectativas às reais possibilidades dos pequenos. Além de oferecer-lhes instrumentos para observarem seus filhos, reconhecerem suas comunicações (pessoais e singulares) e criarem um ambiente de sono saudável para que o pequeno aprenda a relaxar e a dormir, sem choro. Ele necessita e quer dormir, mas não sabe colocar-se numa situação de relaxamento e adormecer sozinho, requer ajuda e precisa aprender!

Com consistência nas ações, persistência dos pais e muito carinho, processualmente o pequeno aprenderá a dormir com prazer, de forma cada vez mais continua e independente.

Informe-se:

- Oficina do sono em grupo, dirigida a casais, gestantes e pais de bebês de 0 a 6 meses. E-mail: soninhobomdobebê@gmail.com

- Consultoria do sono individual e personalizada dirigida a famílias com bebês desde o nascimento até o final da primeira infância (5 anos). E-mail: maiana.r@uol.com.br

25 nov Pós-Parto

TRISTEZAS NO PÓS-PARTO


estranho-696x464
(Cena do filme “O Estranho em Mim”)

Por Denise de Sousa Feliciano

A imagem da mãe apaixonada que embala ou amamenta seu bebê pode ser contagiante. Não é à toa que tantos artistas e fotógrafos, renomados ou não, fizeram dessa cena a inspiração para belas obras de arte e ensaios fotográficos. Mas a arte é a edição da vida real. Nela o artista privilegia a inspiração que lhe captura, escolhendo as emoções que quer eternizar ocultando as demais.

A experiência de maternidade não é só encanto e serenidade, é a árdua construção de uma identidade nova na vida da mulher, na configuração da família, e no processo de tornar-se íntimo de um estranho que veio para ficar. Esse processo depende de fatores diversos, desde a matriz psíquica que a mulher traz consigo, de sua história, da história e o lugar desse bebê na vida de seus pais e da dinâmica do casal (ou não-casal) que engravida.

A intensidade emocional que todos esses fatores impõem à maternidade leva a mulher a esgotamentos emocionais e a demandas que em outras circunstâncias tem condições de dar conta por si mesma. É por isso que se faz necessário uma rede de acolhimento à mãe, para que ela possa também ser capaz de oferecer ao bebê o suporte emocional que estrutura sua saúde mental. O papel do pai é fundamental, mas também o apoio das famílias de origem são importantes, desde que não sejam invasivas e permitam que a mãe aprenda com sua própria experiência de ser mãe.

Por essa razão é que a mulher em geral se mostra mais fragilizada e vulnerável após o parto, sobretudo quando retorna da maternidade para sua antiga casa, que não é mais a mesma. A estranheza do ambiente que se torna desconhecido e, mais ainda, a estranheza de não reconhecer a si mesma são o motivo do estado entristecido que as mães costumam ter nesse período, chamado de baby-blues.

O chorar com frequência, magoar-se, emocionar-se e se sentir incapaz de tarefas aparentemente simples fazem parte desse estado mental, que é também o modo como a mãe se identifica com as vivências emocionais de seu filho e o compreende.

Infelizmente a falsa ideia de que maternidade é sinônimo de alegria e encantamento pode assustar as pessoas ao seu redor que – por medo de uma depressão -, tentam animá-la a qualquer custo mascarando as emoções genuínas e impondo-lhe uma alegria superficial que a colocam em grande solidão. O que poderia ser passageiro se fosse acolhido e cuidado, passa a se intensificar e pode se encaminhar para um estado depressivo mais preocupante.

Mesmo em casos mais intensos em que a mãe não se sente capaz de cuidar do bebê e/ou de si mesma, é fundamental que haja apoio e atenção das pessoas à sua volta que são referencias emocionais e em quem poderá se fortalecer.

No filme O Estranho em mim, podemos acompanhar o declínio emocional gradativo da personagem Rebecca que esperava com entusiasmo a chegada de seu bebê. Aos poucos se vê num estranhamento extremo que a leva a fugir de casa e de si mesma para um estado de encapsulamento silencioso. A solidão e a ausência de um olhar atento para sua gradativa fragilidade desencadeiam nela o que nomeia-se de depressão pós-parto. Mas é no extremo de seu desespero que o seu silêncio torna-se o grito por socorro que permite que ela receba ajuda e cura. Um alerta para todos nós.

Denise de Sousa Feliciano é psicanalista, doutora em Psicologia do Desenvolvimento Humano pela USP/SP, especialista em Psicopatologia do Bebê e Psicanálise com Crianças, vice-presidente do Departamento de Saúde Mental da Sociedade de Pediatria de SP. Atende na Casa Curumim.

CINEMA E PSIQUISMO – apresentação do filme O Estranho em mim e debate com a psicanalista Denise de Sousa Feliciano – Terça 29/11/2016 às 19:30.
Inscrições e informações: administracao@casacurumim.com.br

3 nov Temas em Pediatria

Crianças Insuportáveis


Por Maíra Scombatti

149405768

Outro dia, refletindo junto com uma outra mãe durante um atendimento, propus aprofundarmos o que ela estava sentindo quando me disse: “Eu não estou suportando o meu filho! Eu não sei mais o que fazer!”. No exercício da escuta empática, senti com ela o desespero que às vezes aparece na jornada da maternidade.

A maioria de nós, mães e pais, já sabe o que seria “certo” fazer. Sabemos racionalmente, mas é comum nos perdemos na irracional arte de criar filhos. Faz parte. E acho importante percebermos que, diversas vezes, as melhores teorias pedagógicas e psicológicas transformam-se em culpas imensas sobre os ombros parentais.

Com essa perspectiva, não me interessa dizer o que “sei”, o que li ou mesmo o que vivi. Não me agradam listas prontas do tipo “os 10 passos para lidar com uma criança insuportável”, a não ser que esses 10 passos sejam variações de olhares singulares, da pausa para respirar, da conexão com os sentimentos das crianças e dos pais.

Ainda junto com essa mãe, propus que pensássemos naquele momento: o que pode significar essa percepção de “uma criança insuportável”? Separando conceitos, dá para lembrar que insuportável é aquilo que é muito difícil suportar. Suportar é tanto o “não ceder, aguentar, resistir”; quanto o “ser capaz de segurar”, ou ainda, reflito eu: ser capaz de dar o suporte. Podemos pensar, então, que uma criança fica insuportável quando não a aguentamos, quando não conseguimos dar suporte àquele ser. “Ah, então, a culpa é dos pais?” Podem perguntar os experts em teorias simplistas. E eu proponho, assim como proponho para mim mesma depois de perceber um conflito com meus filhos: que tal parar de procurar culpados, ampliar a percepção do presente e abrir espaço para que soluções singulares surjam?

Então, vamos lá, diante da percepção “eu não consigo suportar meu filho”, minha proposta é: vamos trabalhar o acolhimento. Acolhimento das crianças, sim, mas em conjunto com o acolhimento dos adultos que cuidam das crianças. Acolher é oferecer refúgio, proteção ou conforto físico, abrigar(-se), amparar(-se). O acolhimento do sentir, do que faz sentido, para que possamos ampliar outros sentidos e verdadeiramente transformar relações.

Meu filho está insuportável? Antes de pensar em culpados, eu consigo perceber o que eu estou sentindo? É raiva? Impotência? Cansaço? Vontade de “esganar”? Posso me permitir sentir? Posso acolher meu sentimento antes de qualquer ação? Consigo tomar alguma distância? Posso pedir ajuda de outro adulto (familiar, profissional ou amigo)?

Algumas crianças exigem bastante suporte e conseguem bem facilmente tirar um adulto do seu eixo. É fácil criticar a educação de determinada família quando temos apenas filhos com temperamentos mais fáceis. E, sim, existem diferenças de temperamentos. Para quem teve mais de um filho, essa é uma percepção bem comum e a diferença também pode ser acolhida.

Outro ponto de acolhimento na percepção do insuportável: como mães e pais, vivemos um desafio imenso quando temos como proposta educar sem reproduzir os modelos violentos, físicos ou morais, a que fomos submetidos no passado. Essa é outra reflexão que tenho ampliado cada vez mais com as famílias que me procuram. Facilmente percebemos o que não queremos fazer: “não quero que meu filho obedeça porque tem medo de apanhar. Mas quero que ele me respeite e respeite os outros seres humanos. Sei que quero educá-lo com amorosidade, mas algumas vezes me percebo sem saber como construir esse respeito sem imposições violentas”. Essa fala resume um pouco o que sinto como mãe e o que escuto enquanto profissional de outras mães e pais. É difícil mesmo (e olha aí o acolhimento do que é difícil também!).

Com algumas famílias, vejo que ao acolhermos de verdade nossas limitações, podemos também aceitar o insuportável e abrir espaço para o novo. Para a solução que ainda não foi pensada e, assim, construímos uma paternidade ou maternidade criativa e presente.

Também sou adepta do bom humor sempre que possível: como não achar graça quando nos percebemos raivosos e pensando (ou gritando) coisas do tipo: Por que raios este ser não consegue me ouvir agora, com toda minha amorosidade??? Depois das cenas tragicômicas, dá pra perceber que a raiva estava ofuscando a amorosidade. E que ela estava ali para ser sentida, acolhida e é importante que possamos criar este acolhimento para o que nos desequilibra também.

Ao invés de julgar (aos outros ou a mim mesma): pais incompetentes, crianças insuportáveis, prefiro propor: pais acolhidos, crianças acolhidas. E assim seguimos suportando-nos com uma boa escuta, que acolha e suporte o que por vezes fica insuportável. Suportemo-nos, com amor, com raiva e com espaço para a criatividade que nos surpreende!

Maíra Scombatti

É psicopedagoga e atende crianças, adolescentes e famílias. Mãe do Theo e do Ian, coordena projetos sócio-educativos desde 1999. É autora do livro “Conversas de gente Grande – histórias infantis para adultos”(ComArte/USP). Atualmente realiza atendimentos na Casa Curumim e é colaboradora no Instituto de Psiquiatria da FMUSP, onde empreende oficinas teatrais para crianças e adolescentes em tratamento.

12 out Temas em Pediatria

DÊ O PRESENTE AO SEU FILHO


4627931739

Quando eu era criança tinha um tabuleiro de xadrez que ficava sobre a mesa de centro. Eu passava horas inventando histórias para os bonequinhos, o rei e a rainha. Me lembro como se fosse hoje de tão gostosa que a brincadeira era. Eu não sabia jogar xadrez, e felizmente meus pais não me atrapalharam a diversão tentando me ensinar.

Crianças são curiosas. Criativas. Se encantam com cores, texturas, formas, orifícios. Criança gosta de explorar. Podem se entreter horas com um pedaço de qualquer coisa.

Mas a preocupação cada vez mais crescente de prepara-las para o futuro, tem feito muitos pais direcionarem suas explorações. Apresentam-lhes cada vez mais estímulos cheios de objetivos, brinquedos estruturados para desenvolver-lhes aptidões variadas. Sem falar de celulares e tablets. Tentam prepará-los para a concorrência da vida. Se você aprende desde pequeno já leva vantagem, dizem por aí. Ledo engano.

Na ânsia de garantir o futuro dos filhos, os pais se esquecem de oferecer-lhes o que eles mais precisam no presente: ser criança e se perder no prazer indescritível da imaginação. E porque “não se pode perder tempo” impõem um ritmo acelerado até com hora marcada e tempo definido para brincar livremente. Primeiro a obrigação!

Pais, deem tempo aos seus filhos. E voltem no tempo para brincar com eles sem pressa.
Quando me lembro do mergulho nas brincadeiras como as do xadrez, sinto um lamento de não conseguir mais viajar pelo mundo mágico que só criança consegue entrar. Brincando hoje com crianças me divirto ao ver o entusiasmo delas, principalmente quando estamos de verdade com elas. Mas a gente não consegue mais aquele tal pirlimpimpim que permite a elas serem a brincadeira. A nossa diversão de adulto é se encantar com o encanto delas que nos contagia. E isso também é muito bom!

Quando convido pais a brincarem com seus filhos em minha sala de crianças, frequentemente ficam constrangidos e por não saber bem o que fazer às vezes começam a testar o conhecimento dos filhos perguntando que cor é essa ou o que está escrito. Uma pena. Não conseguem se desligar da obrigação de aprender e perdem a chance de acompanhar o prazer dos filhos na descoberta. Essas são as que permanecem na memória como verdadeiro aprendizado, pois vêm acompanhadas de prazer.

Ao inventar e brincar a criança não apenas absorve o mundo, mas recria-o para si mesma. E é a capacidade de recriar a vida a cada dia que diferencia os grandes adultos, como Tom Hanks no inesquecível Quero ser grande.

Denise de Sousa Feliciano
Psicóloga e Psicanalista

5 set Pós-Parto

Os benefícios da convivência entre avós e netos.


Adaptação por Maiana Rappaport: Psicóloga /Psicanalista e Consultora do sono de bebês e crianças – Coordena Oficina de reciclagem de avós na atualidade, grupo de pós parto “Conversa de mães” e oficina soninho bom do bebê de 0 a 6 meses” na Casa Curumim.

9c9ab0e6070e6f803399a9738e6eedd0_reconciling-with-your-grandchilds-parents-580x326_featuredImage

Não é preciso muito esforço para notar como a interação entre netos e avós é positiva. Estudo feito durante 19 anos, pelo Boston College, EUA, comprova que os dois lados se beneficiam desse relacionamento. Para os avós, a conexão permite contato com uma geração muito mais nova e, consequentemente, uma abertura a novas ideias. Para os netos, os idosos oferecem a sabedoria adquirida durante a vida – e esse conhecimento acaba sendo incorporado pelas crianças quando elas se tornam adultas, além de os avós também costumarem passar às novas gerações muitas histórias sobre o passado, o que é enriquecedor para qualquer criança. Além de tudo isso, os pesquisadores também concluíram que a relação avós-netos pode ajudar a diminuir sintomas depressivos para ambas as partes. 

Uma nova pesquisa sobre o assunto foi realizada pela Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos.  Os cientistas elaboraram uma hipótese de que os avós com a mente saudável aumentam as chances de sobrevivência dos filhos de seus filhos porque, assim, são capazes de transmitir a eles seus conhecimentos e habilidades. Como um reforço à teoria, eles procuraram e conseguiram identificar em vários genes mutações relativamente novas que protegem contra doenças neuro-degenerativas, como o Alzheimer, que costuma aparecer em pessoas idosas. Segundo os cientistas, parece estar havendo uma seleção natural diante de nossos olhos. Ou seja, as pessoas que têm esses genes vivem mais (porque estão protegidas contra as doenças neuro-degenerativas) e, consequentemente, conseguem colaborar mais com a criação dos netos, pois estão saudáveis. 



Contar com a ajuda dos pais na hora de terem filhos!

Um estudo britânico recente, feito com 2 mil participantes, por exemplo, mostrou que mulheres que moram perto da casa de suas mães têm mais probabilidade de ter filhos. A razão mais provável apontada pelos pesquisadores é que a facilidade com os cuidados deixa essas mulheres melhor preparadas psicologicamente e mais tranquilas na hora de decidir ter um filho. Ou seja, o apoio dos avós é muito importante e é sempre bom poder contar com ele. Para isso, se relacionar de forma saudável para todas as partes envolvidas; é importante conversar e chegar a um consenso na família. Os avós têm de compartilhar dos princípios dos pais ou, pelo menos, respeitar as ideias. É importante ressaltar que a criança nunca deve ser impedida de conviver com avós amorosos, mesmo que as regras deles não estejam completamente de acordo com a dos pais.

Pais X Avós


Acontece que nem tudo é um mar de rosas nessa história. Se você já deixou seu filho com os avós, com certeza sabe que os desentendimentos são inevitáveis! Fica então a dúvida: como agir nesses casos?

Algumas dicas que podem facilitar a boa convivência. Confira:

- Os avós devem fazer sua parte procurando se informar sobre novos padrões de comportamento, métodos de educação e tratamentos de saúde. Por exemplo, frequentando Oficinas de reciclagem para a atualização dos conhecimentos nos cuidados com os bebês, também podem ser um espaço para sensibilização e reflexão sobre o espaço das avós dentro da família, hoje, e a importância do bom apoio que os avós podem oferecer aos seus filhos, na ocasião destes tornarem-se pais e formarem sua própria família. Também podem acompanhar alguma visita do neto ao pediatra (já que elas tendem a pensar que, se o que fizeram deu certo, não há por que não repetir). Na consulta, conhecem o pediatra da criança e razões comprovadas cientificamente, para as ações e métodos de educação e cuidados dos seus filhos.

- O mais importante é que os papéis sejam bem definidos. Todos vão palpitar, sim, sobre assuntos que envolvem a criança, mas, com uma boa conversa, entrar em um acordo não será tão difícil. Não há certo e errado, e sim aquilo que funciona para o casal e que deve ficar claro para familiares. Um acordo que pode ser renovado conforme novas situações apareçam. Os pais precisam aceitar a sabedoria dos avós, assim como esses devem respeitar a autoridade dos pais.

- Quando acontecer algum desentendimento, respire fundo e deixe a discussão para um momento em que a criança não esteja presente. Isso garante uma convivência pacífica e saudável entre todos.

- Se a criança costuma ficar todos os dias na casa dos avós, os limites devem ser melhor delimitados. Convivendo cotidianamente com o neto, os avós podem sentir-se mais livres para aplicar seus próprios métodos de criação, o que pode chatear os pais. Mais uma vez, uma conversa franca e tranquila será necessária para chegar à solução. E cabe aqui ainda uma regra geral: a autoridade dos pais é sempre maior, mas, se eles dependem de outras pessoas para cuidar dos filhos, têm que aceitar que a influência externa é inevitável.

- Tratar os avós como babás de luxo é o grande erro cometido pelos pais. Por isso, se a criança precisa ou quer passar o dia na casa deles, não faça listas indicando o que pode ou não pode ser feito.

Confie na relação direta existente entre avós e neto e respeite suas decisões e atitudes. Lembre-se dos momentos felizes e divertidos que você mesmo passou ao lado dos seus avós fazendo tudo aquilo que lhe era proibido pelos pais e que, no entanto, não lhe fizeram nenhum grande mal.

Oficina de Reciclagem: tornando-se vovós na atualidade


Conversando sobre tornarem-se vovós, a importância da comunicação e apoio entre as gerações e atualizando conhecimentos sobre: aspectos emocionais do parto e pós-parto, amamentação e cuidados com o bebê! Mais informações e datas: administracao@casacurumim.com.br (Jacqueline)

26 ago Aleitamento Materno

Método Canguru no Brasil: 15 anos de Política Pública


Por Paulo Vicente Bonilha Almeida

Um dos grandes desafios para todos nós, brasileiros, refere-se ao cuidado de nossas crianças. Uma conjunção de políticas públicas volta- das para a gestante, criança e família vem sendo desenvolvida pelo País nas últimas décadas levando a alguns resultados exitosos, embora saiba- mos que ainda há muito o que fazer.

Nesta perspectiva, destacamos a Atenção Humanizada ao Recém- -Nascido (RN) de Baixo Peso – Método Canguru, política pública nacional desde o ano 2000, que vem modificando o paradigma do cuidado perinatal e contribuindo para a redução da morbimortalidade neonatal.

O Brasil apresentou redução de 77% das mortes na infância desde 1990 até 2012, com isso cumprindo, com três anos de antecedência, o Objetivo de Desenvolvimento do Milênio (ODM) número 4, que previa a redução em 2/3 da mortalidade desse público entre 1990 e 2015. Em 1990 a taxa brasileira indicava que a cada mil crianças nascidas vivas, 58 mor- riam antes de completar cinco de anos de vida. Em 2012, o índice foi reduzido para 16/1.000, o quinto maior ritmo de queda do mundo deixando conosco a tarefa de identificarmos a cada momento as questões que irão determinar a redução desses índices.

Estes resultados, segundo uma publicação da revista Lancet, em 2013, foram atribuídos, em grande parte, à expansão da Atenção Básica no país, por meio da Estratégia Saúde da Família (ESF), somada ao benefício do programa de transferência de renda Bolsa-Família, que possibilitaram melhorias nas condições de educação e saúde, garantindo às famílias mais vulneráveis, maior cobertura de vacinação, de consultas de pré-natal e puericultura, entre outras.
Destacamos, ainda, a Política Nacional de Aleitamento Materno, com suas múltiplas estratégias de ação (Iniciativa Hospital Amigo da Criança, Estratégia Amamenta e Alimenta Brasil, Ação Mulher Trabalhadora que Amamenta, Rede Brasileira de Bancos de Leite e campanhas anuais de mobilização social) a qual tem conseguido ampliar as taxas de aleitamento materno de forma significativa contribuindo efetivamente para que o País atingisse as metas internacionais. Nas capitais brasileiras e no Distrito Federal, o tempo médio de aleitamento materno aumentou em um mês e meio entre 1999 a 2008.

O Programa Nacional de Imunização, que em 2013 completou 40 anos, conseguiu que o País eliminasse a ocorrência de muitas doenças imunopreveníveis e já vem conseguindo ofertar as vacinas recomenda- das pela Organização Mundial de Saúde (OMS), mantendo altos índices de cobertura vacinal.

Mais recentemente, o Ministério da Saúde, a partir da Rede Cegonha, fortaleceu medidas para o enfrentamento da mortalidade materna e infantil (em especial no componente neonatal cuja redução tem se mos- trado mais lenta) a partir do fomento à atenção integral e humanizada às gestantes e aos bebês, qualificando o pré-natal, apoiando a adoção das boas práticas obstétricas e neonatais, baseadas em evidências e preconizadas pela OMS. Entre essas práticas, destacamos o enfrentamento às cesáreas sem indicação médica precisa, que favorecem o nascimento pré-termo ou em idade gestacional limítrofe e, consequentemente, uma série de complicações.

A Rede Cegonha possibilitou ainda a criação de mais de 1.000 leitos de Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN) e por meio da Portaria GM-MS 930/2012, instituiu o conceito de “cuidado progressivo”, buscando a continuidade do cuidado, desde a UTIN, passando pelo leito de Uni- dade de Cuidados Intermediários Convencional, até chegar à Unidade de Cuidados Intermediários Canguru. Esta tipologia de leito canguru é outra inovação citada na portaria, que reforçou a garantia do direito do recém- -nascido internado em UTIN contar com sua mãe, pai ou cuidador 24h por dia, conquistas normativas fortemente influenciadas pelas práticas do Método Canguru no País.
Iniciativa igualmente importante no âmbito da Rede Cegonha, do ponto de vista da qualificação e humanização da atenção, foi a normatização de diretrizes de atenção ao RN no momento do nascimento. A tríade de boas práticas – clampeamento oportuno do cordão umbilical, contato pele a pele e aleitamento materno na primeira hora de vida – associada à garantia de oferta de profissionais capacitados em reanimação neonatal, são fundamentais para a redução da morbidade e do componente neonatal da mortalidade infantil.

Considerando todo o acima exposto, percebe-se que o atual contexto da saúde da criança no Brasil, não permite mais que as políticas públicas se contentem com a sobrevivência infantil, precisando necessariamente, a exemplo de muitos países, da estruturação de políticas públicas que ao mesmo tempo se preocupem com o pleno desenvolvimento na primeira infância.

Neste sentido, foram articuladas estratégias que culminaram, em 2015, com a publicação da Política de Atenção Integral à Saúde da Criança (PNAISC). Esta política agrega sete eixos que perpassam todas as redes de atenção à saúde, envolvendo ações que vão desde a atenção humanizada perinatal até o desenvolvimento integral da criança. Um dos sete eixos é a Atenção Humanizada ao Recém-Nascido – Método Canguru.

No Brasil, o Método Canguru sempre foi utilizado como um cuidado diferenciado visando à qualidade da assistência. Ao completar 15 anos de política no País, destaca-se além da redução da mortalidade, uma série de vantagens evidenciadas em publicações científicas, entre elas um melhor desenvolvimento neuropsicomotor.

A estratégia de disseminação do Método Canguru, historicamente adotada pela Coordenação Geral de Saúde da Criança e Aleitamento Materno do Ministério da Saúde brasileiro, com a criação de Centros de Referência e formação maciça de tutores para a disseminação do Método tem permitido sua implantação crescente em mais e mais hospitais.

O sucesso da capacitação dos hospitais de ensino do País, sendo vários deles referência nacional na atenção neonatal, foi outra conquista, com destaque para os que compõem a Rede Brasileira de Pesquisa Neo- natal. Muitos, nos últimos anos, não apenas aderiram ao Método Canguru, mas estão atuando como multiplicadores em sua região, cumprindo com seu papel de formação e extensão universitária.

Este modo de trabalhar e seus resultados já colocaram o País em evidência no âmbito internacional, trazendo um novo desafio de responder a crescentes demandas de países interessados em firmar parcerias de cooperação internacional com o Brasil. Neste sentido, é também com júbilo que o Ministério da Saúde pode anunciar que em 2015 foi iniciada a primeira Cooperação Internacional neste campo, apoiando El Salvador a ser mais um país a ter seus recém-nascidos beneficiados pelo Método Canguru.

No âmbito nacional, o desafio maior que ora se apresenta é a qualificação das equipes de Atenção Básica do País para uma atenção qualificada à criança que nasceu pré-termo egressa de internação neonatal, na 3a etapa do Método Canguru. O objetivo é que os profissionais da Atenção Básica sintam-se seguros para acolher e acompanhar essas crianças, utilizando-se deste Método, de forma compartilhada com a equipe multiprofissional da maternidade de nascimento do bebê.

Esta publicação cumprirá papel importante como registro histórico e para a consolidação da implementação desta Política Nacional em todos os aspectos aqui abordados, se tornando leitura obrigatória por todos os profissionais e gestores do Sistema Único de Saúde (SUS) empenhados em ofertar uma atenção mais qualificada e humanizada a cada brasileirinha e brasileirinho de nosso país.

Finalmente, não poderia encerrar sem deixar de prestar, em nome do Ministério da Saúde, uma justa homenagem à Profa. Zeni Lamy, docente da Universidade Federal do Maranhão, que, com tanto brilhantismo e dedicação vem coordenando a expansão e o fortalecimento desta Política no País. Na pessoa dela homenageio e agradeço a Luiza Geaquinto, responsável pela Política na Coordenação Geral Saúde da Criança e Aleitamento Materno – GSCAM, aqui no Ministério da Saúde e a cada um dos não menos devotados Consultores Nacionais e Tutores Estaduais do Método Canguru, que compõem este belo e generoso time de verdadeiros militantes pelo SUS e pela saúde dos bebês e suas famílias no Brasil!
Boa leitura!

Anexo de E-mail

4 ago Aleitamento Materno

As bactérias do leite materno


Por Rachel Francischi, Nutricionista da Casa Curumim

stk_babyspath_BPH130_4x3

Sim, o leite materno contém bactérias! E elas são muito desejadas, por mais estranho que possa parecer. Os micróbios do leite materno ajudam no desenvolvimento e amadurecimento do sistema imunológico do bebê, na resistência contra infecções e até mesmo na proteção contra o aparecimento de alergias e asma na infância!

O contato com essas bactérias saudáveis da mãe é extremamente importante para o desenvolvimento infantil. Partos tipo cesarianas e o uso de leite artificial vêm contribuindo para o aumento de alergias e doenças mediadas pelo sistema imunológico devido à falta da exposição do bebê às saudáveis bactérias maternas.

Então vamos entender um pouco melhor desse assunto:

Nós temos trilhões de bactérias no nosso intestino. Essas bactérias são chamadas de microbiota intestinal. Já foram identificadas mais de 500 espécies diferentes, sendo algumas muito saudáveis e outras nem tanto. Uma microbiota intestinal adequada depende de vários fatores, como nascimento por parto normal, aleitamento materno e consumo de dieta equilibrada. A microbiota equilibrada e saudável traz muitos benefícios para o ser humano:

- produção de vitaminas (vitamina K, vitamina B12) para o nosso corpo;
- modulação do funcionamento do nosso sistema imunológico, diminuição de alergias e de doenças inflamatórias;
- regulação do funcionamento do intestino;
- formação de barreira intestinal para impedir a entrada de patógenos (os outros micróbios causadores de doença);
- melhora na absorção de nutrientes, tais como ferro, zinco e vitamina D;
- modulação do funcionamento do sistema nervoso (através do eixo de comunicação intestino-cérebro): emoções e comportamentos ligados à depressão, ansiedade, estresse, memória, aprendizagem, e até mesmo autismo;
- regulação da sensação de saciedade, do desenvolvimento da obesidade e do diabetes mellitus.

No entanto, fatores como o uso de medicamentos, a alimentação desbalanceada, o estresse físico e/ou mental podem desequilibrar nossa população de bactérias do “bem” e do “mal” no intestino. E aí todos esses benefícios para a saúde podem ser perdidos!

Assim como no intestino, há também centenas de espécies de bactérias no leite humano, e há uma grande variação dos tipos de bactérias de mãe para mãe. O leite materno é um alimento probiótico por natureza! As bactérias variam desde o colostro e ao longo dos meses de amamentação, uma sabedoria impressionante para garantir ao bebê as melhores bactérias possíveis em cada etapa do seu crescimento.

E como as bactérias chegam até o leite materno? Os cientistas ainda estão descobrindo os mecanismos exatos e acreditam que existe uma conexão através das circulações sanguínea e linfática, desde o intestino da mãe até as glândulas mamárias.

Até bem pouco tempo atrás, acreditava-se que era somente no trabalho de parto que o bebê entrava em contato por primeira vez com as bactérias maternas para formar a sua microbiota intestinal. No parto normal, sabemos que bebê é colonizado especialmente por bactérias saudáveis naturalmente presentes na vagina e na pele materna, diferentemente do parto cesárea. Nos últimos anos, a descoberta de bactérias maternas também no cordão umbilical, no líquido amniótico, nas membranas fetais e no mecônio de bebês saudáveis contraria a ideia que o útero seja um ambiente estéril. Os estudos recentes sugerem que desde o útero o bebê já está em contato com as bactérias da mãe.

Ou seja, os tipos de bactérias que o feto encontra no útero da mãe, e não só no tipo de parto e no tipo de aleitamento (materno ou artificial), podem influenciar a programação metabólica que esse bebê terá ao longo de toda a vida!

E parece que até mesmo a cólica do recém-nascido pode ter relação com a microbiota não saudável no intestino da mãe e consequentemente do bebê. A teoria dos pesquisadores é que a microbiota não saudável do bebê pode alterar a junção das células intestinais, interferindo na motilidade e permeabilidade do intestino do bebê (através de processos inflamatórios, nervosos e/ou hormonais), podendo causar dores abdominais e cólicas no recém-nascido.

Tudo isso ainda é muito novo na ciência, as hipóteses ainda estão sendo testadas para que possamos atuar tanto na prevenção como no tratamento de cólicas, alergias e doenças. Mas já sabemos que quanto mais saudáveis forem os tipos de bactérias no intestino da mãe e consequentemente no útero e no leite materno, melhor será o desenvolvimento do bebê, especialmente do seu sistema imunológico.

E claro que sabemos que o leite materno é sempre superior a qualquer leite artificial, independentemente da microbiota materna. Sempre, sempre mesmo, o leite materno será o melhor alimento para o bebê independente da microbiota materna! E a ciência ainda está descobrindo como podemos melhorar ainda mais os tipos de bactérias do leite materno…

Sabemos que a variedade de bactérias saudáveis no nosso intestino diminuiu muito nas últimas décadas, principalmente pelo crescimento da urbanização e do uso de antibióticos. O alto grau de processamento/industrialização da nossa comida também interferiu na nossa microbiota. Não é de se surpreender que o tipo de bactérias no leite de mães de áreas rurais tende a ser mais saudável do que no leite de mães de áreas urbanas.

Os estudos apontam que a qualidade da dieta materna desde a gestação e consequentemente o perfil de bactérias do intestino da mãe modulariam quais os tipos de bactérias que fazem parte da vida uterina, do parto, do aleitamento e consequentemente da microbiota do bebê.

Se você quer ter bactérias saudáveis e transmitir ainda mais bactérias saudáveis pelo seu leite materno, cuide especialmente da sua dieta. O quê comemos alimenta as populações das nossas bactérias! E se queremos que o leite materno tenha colônias de bactérias das mais saudáveis que existem, cuidemos da dieta materna desde a gestação.

Caprichar nos alimentos naturais e ricos em fibras, especialmente as verduras, frutas e legumes naturais, os grãos integrais, a aveia, os feijões, os alimentos com nenhum ou menor grau de industrialização como os iogurtes naturais, poucos doces/açúcares e pouca farinha branca, pouca ou nenhuma fritura ou gordura hidrogenada, moderação no consumo de carnes e alimentos de origem animal são algumas dicas que podem ajudar na colonização e permanência da maior variedade de bactérias saudáveis na nossa microbiota intestinal.

O uso de probióticos (organismos vivos ingeridos que conferem benefícios para a nossa saúde) na dieta materna desde a gestação e no pós-parto também pode ser indicado, dependendo do estado nutricional materno.

Já sabíamos que a nutrição materna era fundamental para o crescimento e desenvolvimento do bebê durante a gestação e amamentação. Agora os estudos da microbiota ampliam a importância da alimentação saudável materna para várias outras áreas da saúde infantil. Cuidemos com carinho das nossas bactérias!

Referências

Bode L, McGuire M, Rodriguez JM, Geddes DT, Hassiotou F, Hartmann PE, McGuire MK. It’s alive: microbes and cells in human milk and their potential benefits to mother and infant. Adv Nutr. 2014 5(5):571-3.

Conlon MA, Bird AR. The Impact of Diet and Lifestyle on Gut Microbiota and Human Health. Nutrients. 2015;7(1):17-44.

Funkhouser LJ, Bordenstein SR. Mom knows best: the universality of maternal microbial transmission. PLoS Biol. 2013;11(8):e1001631.

Liu X, Cao S, Zhang X. Modulation of Gut Microbiota-Brain Axis by Probiotics, Prebiotics, and Diet. J Agric Food Chem. 2015 Sep 16;63(36):7885-95.

West CE. Probiotics for allergy prevention. Beneficial Microbes 2016 7:2, 171-9.

8 jun Aleitamento Materno

Ordenha e Armazenamento de Leite


Como_fazer_a_ordenha_manual-720x320

Por Gabriela Sintra Rios – Psicóloga e Coordenadora do Grupo de Amamentação da Casa Curumim.

Com o retorno ao trabalho ou mesmo naqueles momentos em que a mãe precisa se ausentar por um tempo e deixar seu bebê com outro responsável, surgem muitas dúvidas a respeito de como realizar a ordenha e armazenar o seu leite.

Algumas mães encontram mais facilidade em fazer a retirada manualmente e vão adquirindo prática ao longo da amamentação, outras preferem a bomba mecânica que geralmente podem ser alugadas ou adquiridas, contudo com o avanço da tecnologia e com a disponibilidade de materiais mais modernos no mercado, é importante ressaltar que estas quando não usadas de maneira correta podem acarretar lesões mamilares.

Existem algumas razões importantes para ordenhar o leite materno. A ordenha contribui para o aumento da produção de leite e mantém a lactação. Ajuda a amenizar o ingurgitamento mamário e a prevenção de uma mastite – as ordenhas de alívio ajudam a mãe nos momentos em que os peitos estão muito doloridos e cheios. Prepara as mamas tornando-as mais macias na região dos mamilos e aréola – parte escura da mama -, afim de facilitar a pega e favorecer a mamada do bebê. O leite pode ser retirado e oferecido ao bebê que por algum motivo não pode ser amamentado. A mãe pode se sentir à vontade para doar a bancos de leite, caso produza em demasia.

Como preparar as mamas para a retirada de leite

Importante que a mãe esteja com as mãos limpas, com os cabelos presos e protegendo a boca e o nariz com máscara. Não há necessidade de higienizar as mamas, mas caso realize, procure usar apenas água, pois o sabão muitas vezes pode ressecar os mamilos. Procure sentar em uma posição confortável com os ombros relaxados e o corpo levemente inclinado para a frente. Para a ordenhar é sempre importante a mãe realizar uma massagem prévia com movimentos circulares que podem percorrer a região da aréola e toda a extensão da mama.

Como retirar o leite

Com os dedos em forma de “C” procure posicionar o dedo polegar na aréola acima da aréola do mamilo e o indicador abaixo, os outros dedos irão sustentar a mama. Pressione a região da aréola com movimentos firmes, aproximando os dedos e direcionando-os para o tórax, de forma intermitente (tipo “aperta-solta”), até o leite começar a fluir. Procure não pressionar somente o bico, pois não irá sair nada de leite. As primeiras gotas de leite devem ser desprezadas (em média 0,5 a 1 ml).
No começo pode sair pouco leite, mas com a estimulação o leite começará a pingar ou sair em pequenos jatos. A mãe pode mudar a posição dos dedos, assim facilita o esvaziamento de todas as partes da mama. Ao final aplique delicadamente gotas de leite na região dos mamilos e aréola.

Como conservar e fazer o descongelamento do leite

Utilize sempre recipientes de vidro e com tampas de plástico, estes devem ser previamente esterilizados. Uma boa forma de esterilizar é ferver o vidrinho por 15 minutos, ou mesmo usando esterilizadores de micro-ondas pelo tempo determinado na embalagem do esterilizador. Em seguida escorra o vidro e a tampa sobre um pano limpo até secarem naturalmente.

Segundo a Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano, o leite ordenhado e congelado deve ser estocado por um período máximo de 15 dias a partir da data da coleta, sendo mantido em temperatura máxima de -3 °C (congelador ou freezer). Essas normas foram adotadas aqui no Brasil, devido ao fato de morarmos em um país tropical, onde há mudanças constantes de temperatura, e com isso esse tempo máximo garante sua qualidade.

Caso seja ordenhado e oferecido por um período de até 12 horas, este poderá ser mantido na geladeira em temperatura máxima de 5 °C (guardado na prateleira da geladeira e não na porta, pois com o abrir e fechar pode ocorrer a oscilação de temperatura).

O frasco não precisa ficar totalmente cheio, a mãe pode completa-lo aos poucos com outras coletas, mas é importante deixar um espaço de pelo menos dois dedos entre a borda do frasco e o leite.

Caso a ordenha seja feita no trabalho, as dicas são as mesmas, porém procure transportar o leite bem congelado para casa em bolsas ou caixas térmicas, vale utilizar aqueles gelox para manter a temperatura. Identifique o frasco com a data e hora da coleta. O leite utilizado será sempre com a data dos mais velhos para os mais novos.

No momento do descongelamento, coloque o leite em um recipiente em banho-maria, aquecendo sem ferver, ao desligar o fogo, a temperatura da água deve estar em torno dos 40 ºC, sendo possível tocar a água sem se queimar. O frasco deve então permanecer na água aquecida até descongelar completamente o leite. Importante salientar que o leite materno não deve ser levado ao micro-ondas para o seu descongelamento ou aquecimento, pois este procedimento pode destruir seus fatores de proteção.

Dicas importantes para as mães

Para as mães que trabalham fora, procure amamentar o seu bebê sempre que você estiver em casa, assim a produção de leite é mantida; Quando mais você der de mamar neste período que estiver com seu bebê, mais leite você terá; Procure amamentar logo pela manhã ao acordar, á tarde quando regressar do trabalho e a noite antes de adormecerem; Aproveite os finais de semana para amamentar com mais frequência, pois estará estimulando a produção e reforçando o vínculo entre você se seu bebê. Após descongelar o leite descongelado, retire somente a quantidade que o bebê for tomar. Ofereça o leite em copinho, xícara ou colher, e caso ele não tome todo o leite a sobra que tocar a boca do bebê deverá ser desprezada.

5 jun Artigos

Falando de Homeopatia


Por Dr. Alexandre Funcia

Estou iniciando aqui no site da Curumim uma coluna falando um pouco sobre Homeopatia.

Achei importante começar abordando três perguntas frequentes feitas a mim:

O que é Homeopatia?

Como surgiu?

Em que se baseia?

Various mother tinctures of homeopathic medicine

Homeopatia é o nome que o médico alemão Samuel Hahnemann deu a uma modalidade de entendimento do processo saúde-doença e de tratamento médico criada por ele no final do século XVIII.

A Homeopatia surge num momento da história em algum grau semelhante ao atual. Um médico vê-se profundamente insatisfeito com os efeitos colaterais (por vezes letais) dos medicamentos de seu tempo e, em contrapartida, os pacientes temem profundamente os médicos, por seus tratamentos intensamente agressivos (como sangrias, vomitórios, catárticos, lavagens intestinais, cirurgias desnecessárias e mutilantes, além de remédios muitas vezes venenosos), e temem ainda mais ter de dar entrada nos hospitais, que têm a fama de deixar quem lá entra mais doente ainda, podendo mesmo morrer. Vive-se com pânico pela doença e pânico ainda maior pelo tratamento e por quem o realiza.

A história de como começa essa nova modalidade médica mistura-se com a história de seu criador.

Hahnemann, de família humilde, formou-se médico e clinicou com êxito por anos até que, cuidando de um amigo seu, este morreu em seus braços por conta dos tratamentos da época. Hahnemann fechou então o consultório e passou a traduzir obras médicas, justamente seguindo um princípio hipocrático fundamental, “em primeiro lugar, não fazer mal” (lat. primum non nocere).

Certo dia, enquanto traduzia para o alemão o livro Matéria Médica, do renomado médico escocês William Cullen, deparou-se com uma explicação que considerou descabida para a eficácia do quinino (Cinchona officinalis) nos casos de malária; seu espírito investigativo fez então que ele tomasse o quinino sem mesmo estar doente de malária. Após alguns dias usando a substância, ele começou a observar em si sintomas semelhantes aos da malária. Ao suspender a medicação, cessaram os sintomas.

Em sua época, a formação médica incluía conhecimentos mais sólidos de História da Medicina, e ele lembrou-se dos ensinamentos de Hipócrates, médico grego conhecido como o “Pai da Medicina”, que considerava haver duas maneiras de se tratar um doente:

- pelos contrários, a linha terapêutica predominante a partir de Galeno (médico romano), em que se considera que, para um sintoma do paciente, usa-se uma substância contrária àquele sintoma, como, por exemplo, antitérmicos, antialérgicos, anticonvulsivos, analgésicos (“anti-dor”);

- e pelos semelhantes, em que, se uma substância causa determinado sintoma em uma pessoa saudável, ela curará o mesmo sintoma em uma pessoa doente (os soros usados para picadas de cobras e para o tétano são exemplos, na medicina convencional, dessa lógica de tratamento).

Pois então: Hahnemann viu nesses sintomas que teve com o quinino uma demonstração da “terapêutica pelos semelhantes”.

Fez então testes com outras substâncias comuns da época, como beladona, digital (da flor da planta dedaleira), arsênico, mercúrio, ópio, para ver se se repetia o mesmo fenômeno, o que aconteceu.

Um contemporâneo seu, Albrecht von Haller, administrava medicamentos a pessoas saudáveis antes de empregá-los no doente, para estudar seus efeitos. Baseando-se em seus trabalhos, utilizou os remédios experimentados em si em colegas médicos e em seus próprios parentes, observando e anotando minuciosamente os resultados obtidos. Novamente viu corroboradas suas observações.

Foi compilando os resultados, que confirmavam essa “nova” terapêutica até que, em 1796, publicou seu trabalho “Ensaio sobre um novo princípio para descobrir as virtudes curativas das substâncias medicamentosas, seguido de alguns comentários a respeito dos princípios aceitos na época atual”, em que sistematizava o conhecimento adquirido ao longo de 6 anos de experimentações. Nasce aqui o que ele denominou Homeopatia (do gr. hómoios “semelhante” + páthos = “doença”). Foi Hahnemann quem também cunhou o termo Alopatia (gr. állos, “outro”, “diferente” + páthos, “sofrimento”) para a modalidade médica até hoje hegemônica.

Na próxima semana, darei continuação à Historia da Homeopatia falando do que se denomina Medicamento dinamizado e o por quê de Hahnemann empregar essa técnica de preparação do medicamento, que é um dos pontos em que os detratores da Homeopatia se apóiam para criticá-la.

Até mais…

17 mai Parto

Relato de Parto


Por Rafaela Fadoni Alponti Vendrame

IMG_9747

Há 4 meses, passamos pela experiência mais intensa de nossas vidas: o parto da Maria Clara! Obviamente, que o parto da Alice também foi emocionalmente intenso, primeiro filho, a expectativa é absurda, estávamos cheios de medos, dúvidas, ela também adiantou, o povo aqui em casa não gosta de perder tempo, e chegou por meio de uma cesárea. Apesar de hoje eu ter consciência de que talvez a conduta pudesse ter sido outra, acho difícil alguém questionar e ir contra o médico num momento tão importante como esse e isso talvez seja o principal motivo pelo qual os médicos convencem facilmente as mães a optarem pela cesárea eletiva, mas isso não vem ao caso agora. Alice chegou toda linda, loira, quase careca, mas loira, roxinha, calma e a cara do pai.

No caso da Maria Clara, o parto foi intenso em todos os sentidos, tanto emocional quanto fisicamente. A nossa caçula escolheu um dia muito festivo para nascer, um dia tranquilo. Tava todo mundo viajando, avós, avôs e tios, só tia Lets e tio Dilano estavam por aqui. Deixou todo mundo descansar e se recuperar da bebedeira da noite anterior, o pai dela em especial (hahaha!).

A bolsa rompeu logo cedo, acordei o marido, liguei para as nossas anjas, Dra. Desireé Encinas, a médica que me passou uma super segurança e tranquilidade, Beatriz Basile Kesselring – a enfermeira fantástica e tranquila e a Lucia Desideri Junqueira, a doula linda, tranquilíssima e muito parceira.

Ouvi todas as orientações e fomos tocar a vida, tomar banho, arrumar a casa, o restante das coisas, acordar a irmã mais velha e comunicar a família e alguns amigos. A primeira pergunta de todo mundo foi “vocês já estão indo pro hospital?” e quando ouviam a resposta: não, ficaremos aqui até as contrações ficarem mais intensas e com intervalos menores, ficavam indignados e bravos. Talvez eu também ficasse se estivesse no lugar deles, mas nós estávamos tranquilos com a escolha que fizemos, seguros e confiantes porque nossas anjas são experientes e muito competentes.

Durante a gestação, conversamos muito e elas nos prepararam para o grande momento, obviamente que a teoria nem sempre é como a prática, mas o que nos fez permanecer tranquilos foi a certeza de que estávamos fazendo tudo da forma correta e segura para mim e para Maria.

Na gestação da Alice, eu não cheguei a sentir as famosas contrações e tinha receio de não identificá-las, mas elas definitivamente não passam desapercebidas! Enfim, 5 horas depois da bolsa ter rompido estávamos indo pro hospital. A essa altura do campeonato, o povo todo já tava querendo matar o Tonico porque ainda estávamos em casa, mas parceiro é parceiro e estávamos juntos nessa.

Apesar da dor, que é imensa, eu estava tranquila. Meu único medo quando chegamos ao hospital era a Maria cair no chão, escorregar de dentro de mim, enquanto eu andava até a sala de parto. Eu fui andando por opção, já que ficar sentada era bem pior pra mim. As duas horas seguintes foram intensas, doloridas e cheias de movimentos involuntários. A única coisa que eu fiz foi “obedecer” o meu corpo e a cada contração que vinha eu me via fazendo força de forma totalmente involuntária. A presença do Tonico e das nossas anjas foi essencial para que no curtíssimo, porém reconfortante, intervalo entre as contrações eu ficasse tranquila e retomasse as forças.

Muitas vezes, eu nem processava o que eles estavam falando, mas só de ouvir o som da voz deles eu já me tranquilizava. Em um determinado momento, eu achei que não fosse mais dar conta, mas as anjas e meu maridinho, nervoso, mas firme e forte, não me deixaram desistir e depois disso Maria chegou!

Chegou dentro da banheira e saiu de dentro da água aos berros, pulmãozinho forte! E ainda respeitando tudo o que havíamos conversado sobre o momento do parto, as anjas a colocaram em meu colo, esperaram o cordão umbilical parar de pulsar para depois cortá-lo, fomos juntas para cama, ela ficou comigo e com o Tonico por uma hora após o parto e só então a levaram para o berçário.

Acho que nunca conseguirei descrever tudo o que senti, não me refiro só as dores, mas a tudo. Ter tido a oportunidade de tentar – e conseguir – o parto natural, ser respeitada, ser ouvida e ser cuidada foi uma experiência surreal! No parto da Alice, fui cuidada, mas me privaram da oportunidade de tentar o parto normal sem ter um motivo real.

Anjas, gostaria novamente de agradecer pelo antes, durante e depois do parto! Marido, obrigada por confiar em mim, na minha – que depois se tornou nossa – escolha. Eu te amo infinitamente! Enfim, a intenção é compartilhar minha linda experiência, não estou aqui para levantar bandeira contra ou a favor de nenhum tipo de parto, mas se for da nossa vontade e for seguro para mãe e para o bebê, temos que nos permitir tentar e não cair naquela histórinha de que com cesárea anterior é muito arriscado o parto normal, entre tantas outras que ouvimos por aí!

Página 1 de 812345...Última »