5 mai Aleitamento Materno

A importância do apoio das avós na prática do aleitamento materno.


Por Maiana Rappaport

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A amamentação possui benefícios tanto para o crescimento e desenvolvimento das crianças do ponto de vista biopsicossocial, quanto para a saúde da mulher-mãe, da família, sociedade e planeta, sendo, portanto, um ato de grande importância para o ser humano. Apesar de o aleitamento materno exclusivo ser considerado a melhor forma de alimentar o lactente, essa prática vem sofrendo influências culturais, econômicas e sociais que proporcionam desestímulos para as mães que desejam amamentar seus filhos, culminando quase sempre num desmame precoce. Recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) nos primeiros seis meses de forma exclusiva, e complementada até os dois anos; as taxas de aleitamento materno no Brasil ainda são baixas.

Para modificar essa realidade são necessárias ações que promovam essa prática, as quais devem contemplar fatores que interferem na amamentação, pois é sabido que o aleitamento materno, apesar de biologicamente determinado, é influenciado por fatores sociopsicoculturais. Entre esses fatores, encontram-se a opinião e o incentivo das pessoas que cercam a mãe, incluindo as avós maternas e/ou paternas da criança; a influência das avós na amamentação pode favorecê-la ou dificultá-la.

Estudo prospectivo foi realizado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, com o objetivo de verificar a influência das avós na duração do aleitamento materno, mediante estudo de alguns aspectos referentes às avós e sua relação com as prevalências dessa prática nos primeiros seis meses de vida da criança. Tal pesquisa, realizada com 601 mães de recém-nascidos normais nascidos em hospital universitário na cidade de Porto Alegre- RS, concluíram que as avós podem influenciar negativamente na amamentação, tanto na sua duração quanto na sua exclusividade. Independentemente da idade, cor da pele, escolaridade, renda per capita, número de filhos e de ter recebido ou não intervenção na maternidade, as mães com contato diário com as respectivas mães tiveram uma chance maior de interromper o aleitamento materno nos primeiros seis meses após o nascimento da criança. Já o contato mais frequente com as avós paternas não afetou significativamente a duração do aleitamento materno. Parece que a percepção da mãe de que a sogra aprova a amamentação é importante para sua manutenção da mesma, pois as mães que relatavam que a sogra não era favorável à amamentação ou desconheciam a opinião delas tiveram uma chance quase duas vezes maior de interromper o aleitamento materno nos primeiros seis meses.

De acordo com a pesquisa: “É importante levar em consideração que um percentual expressivo de avós (em torno da metade) aconselhou o uso de água e/ou chás já no primeiro mês e que essa atitude pode contribuir para o abandono da amamentação exclusiva”. Apesar de o presente estudo ter revelado uma associação entre contato diário com a avó materna e uma menor duração do aleitamento materno, ele não elucida os fatores envolvidos nesta relação.  Mais de 75% das avós da amostra estudada tiveram seus filhos na década de 60 ou 70, época em que o aleitamento materno, em especial o exclusivo, não era tão valorizado, as taxas de aleitamento materno eram muito baixas, o uso de água e chás era recomendado pelos pediatras e imperava a crença do “leite fraco” ou “pouco leite”. Portanto, em muitas situações, as avós estão apenas repassando às suas filhas ou noras a sua experiência com amamentação -vividas há 20 ou 30 anos, contrárias às recomendações atuais das práticas alimentares de crianças- acreditando ser o mais adequado. É possível, também, que as mães que tenham contato diário com as suas mães ou sogras deleguem parte do seu papel de mãe a elas, e que isso reflita em menor duração do aleitamento materno.

Sendo o aleitamento materno um processo altamente influenciado pela cultura, mostra-se de suma importância o desenvolvimento de estratégias de promoção do aleitamento materno e apoio ao pós-parto, que inclua as avós. Espaços onde as mesmas possam expor seus sentimentos relacionados ao nascimento do neto e suas crenças relacionadas à amamentação. Onde possam receber informação atualizada, para apoiar e ajudar seus filhos a tornarem-se pais. Dessa forma, as avós estarão mais preparadas para exercer influência positiva no estimulo ao processo de amamentação, de suas filhas ou noras.

 Referência:

“Influência das avós na prática do aleitamento materno”

 Lulie R O SusinI; Elsa R J GiuglianiII; Suzane C KummerIII

IDepartamento de Patologia. Fundação Universidade do Rio Grande. Rio Grande, RS, Brasil
IIDepartamento de Pediatria e Puericultura. Faculdade de Medicina. Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Porto Alegre, RS, Brasil
IIISecretaria Municipal de Porto Alegre. Porto Alegre, RS, Brasil

Maiana Rappaport é psicóloga na Casa Curumim e ministra o Curso Tornando-se vovó na atualidade que acontece no dia 13 de junho. Informe-se clicando AQUI.

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