23 abr Temas em Pediatria

A importância do brincar na criança!


Por Vanessa A. Caldeira

“O brincar é uma necessidade básica e um direito de todos. O brincar é uma experiência humana, rica e complexa”. (ALMEIDA, M. T. P, 2000)

Brincar é um DIREITO da criança!!

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Isso porque brincar é essencial para o desenvolvimento do ser humano e simplesmente porque traz prazer e felicidade!

O brincar é ao mesmo tempo meio para adquirir habilidades e conhecimento, expressá-lo além de possibilitar a representação e transformação do modo de ver esse mundo.

O brincar também é um objetivo em si mesmo, como direito da criança, mas que encontra muitas vezes empecilhos para acontecer.

Quando olhamos o brincar enquanto meio podemos considerar que ele é um instrumento para a criança aprender sobre o mundo em suas leis físicas; como as características dos objetos, suas formas de se comportarem no mundo e as relações dos objetos entre si no tempo e no espaço. Ela aprende as regras e formas de manifestações sociais; como agradecer, dar tchau, se portar nos diferentes ambientes e com pessoas de diferentes faixas etárias. E por fim, aprende sobre sua cultura e seu grupo social; os valores (aquilo que valorizamos) manifestos em nossas ações, comportamentos e falas.

O brincar também pode ser um meio para a criança refletir o que tem entendido e sentido sobre esse meio. Quando ela imagina ela traz pra brincadeira as representações daquilo que vivencia, como quando brinca de casinha. Nesse momento, ela pode elaborar aquelas experiências significativas que precisa reproduzir para entender e para propor novas formas de resolver situações conflituosas.

O agir sobre o mundo pode ser facilitado também pelo brincar. Quando a criança quer pegar um brinquedo e precisa desenvolver habilidades para se locomover (rola, pegar, engatinhar, andar); pra olhar e acompanhar visualmente um objeto em suas qualidades como cores, brilhos, contrastes, profundidade; para desenvolver atenção e processar os sons, e suas qualidades como timbres diferentes que permitem reconhecer que som é esse, como ritmo, como grave e agudo e a melodia e para distinguir cheiros e desenvolver o paladar e o olfato como quando reconhece a mãe pelo cheiro.

Quando olhamos o brincar sob o ponto de vista que é uma necessidade essencial da criança, temos que pensar formas para que o brincar possa ser garantido pelas famílias, escolas, terapias, e pelas diferentes propostas da sociedade na atenção à criança. Ter como objetivo que a criança brinque significa pensar o que tem dificultado esse brincar e pensar como oferecer uma diversidade de possibilidades e oportunidades para o brincar.

Para exercer o direito de brincar é necessário garantir momentos para a criança brincar sozinha. A criança precisa de um espaço para criar livremente. Reviver simbolicamente momentos prazerosos e difíceis servem para a criança entender situações e resignificar suas experiência.

Também é necessário garantir encontros para a criança brincar com outras pessoas. Nos dias de hoje, em nossa sociedade, há cada vez menos possibilidades de encontros entre as pessoas. Com as famílias reduzidas, com a diminuição das brincadeiras nas ruas, com mais compromissos como aulas de inglês, natação. É preciso valorizar o encontro para brincar garantindo o encontro com adultos significativos (os pais, avós, tios). Esses momentos são essenciais para a criança pois além de ampliar o afeto entre os participantes da brincadeira ajuda o adulto a entender o mundo da criança e esta a entender o mundo do adulto. É mais importante brincar com a criança do que ensinar como brincar. Compor a brincadeira com o que a criança traz, valorizando o que sabe, trazendo novos elementos que possam enriquecer seu aprendizado e criatividade, se divertindo com a criança e nomeando objetos (isso é um martelo que serve para martelar, bater), sentimentos (você ficou triste?) e ações (vamos fingir que estamos dormindo) que ainda não conhecem.

Brincar com outros amigos com o mínimo de influencia do adulto também precisa ser incentivado. É nesses momentos que a criança aprende a se relacionar. Pode, por exemplo, vivenciar situações de frustrações e exercita a forma de lidar com ela (pedir emprestado, negociar um tempo em que cada um brinque um pouco, a buscar outro brinquedo que interesse). Se a todo o momento o adulto influencia nessas negociações as crianças não aprendem a lidar com frustrações sozinhas. É preciso que o adulto ajude a criança a se relacionar bem como a por exemplo pedir licença, agradecer, pedir emprestado.

Outro aspecto que pode facilitar a brincadeira é valorizar o acesso à cultura infantil. Oferecer uma diversidade de formas (música, pintura, escultura, literatura) e de conteúdos (temas) sobre o universo infantil. A vivência dessas experiências sensoriais diferentes enriquecem a criatividade e o acesso de outras formas de manifestações das experiências humanas. Isso pode ser adquirido a partir de peças de teatro, fantoche, musicas, contação de histórias, leitura.

É preciso também incentivar brincadeiras tradicionais que passam por gerações e\ou aparecem em diversas culturas como corre-corre, pega-pega, jogo de bola.

Para facilitar o acesso às e brincadeira é preciso ter brinquedos. Para isso pode-se  trocar brinquedos entre famílias, ir brincar em ambientes diferentes, frequentar brinquedotecas, alugar brinquedos por site pode facilitar as brincadeiras. Ter brinquedos não significa quantidade. Ter muitos brinquedos pode dificultar a escolha da criança e de brincar com um deles. Comprar apenas brinquedos pré fabricados pode dificultar que a criança exercite sua criatividade pois a forma de brincar já está pré estabelecida. Melhor é comprar brinquedos que favoreçam diversas formas de criar ou construir brinquedos junto com a criança (como fazer um chapéu pirata, construir um carro com caixas de remédio). Esses brinquedos podem significar muito mais do que aquele comprado pois surgiram da relação muito particular da criança com o adulto.

Promover o acesso às brincadeiras que não envolvem necessariamente um objeto mas que são facilitadas pela presença do outro (adulto ou criança) como as brincadeiras de imaginação. Imaginar é simbolizar, é não ter o objeto real mas poder acessá-lo com outros instrumentos, como a palavra, o desenho, a imagem mental. Imaginar é essencialmente social, a partir dos símbolos sociais. Para facilitar esse tipo de brincadeira é preciso se oferecer enquanto mediador e facilitador dos símbolos, mesmo que num segundo momento a criança faça isso sozinha. É preciso imaginar junto com a criança, entrar em sua história e trazer elementos do mundo para que ela conheça e construa uma narrativa das mais simples as mais complexas.

As brincadeiras corporais permitem que a criança conheça o seu corpo, o que ele é, o que pode fazer. O corpo delimita o eu, o outro e me distingue do espaço. Começo conhecendo meu corpo a partir da referência do outro, como a mãe que amamenta. Aos poucos a criança vai se diferenciando dela. Quando a mãe que toca e nomeia partes do corpo da criança que vai aprendendo e sentindo o seu corpo. Durante um bom tempo, a criança precisa do outro para entender o seu corpo. Precisa de alguém pra imitar, e precisa de espaço para movimentar-se. É preciso garantir o outro e o espaço para isso.

Muitas brincadeiras tradicionais (como pega-pega, corre corre, estátua) e jogos precisam de outras crianças e de pessoas que conheçam suas regras. Novamente garantir o encontro com o outro é essencial para a brincadeira.

Enquanto uma atividades humana a brincadeira acontece essencialmente na relação social ou com referências desta! Brincar é essencial para criança simplesmente porque brincar é fundamental para o ser humano! Você já pensou no significou do brincar em sua infância? Aqueles amigos que nunca esquecemos, aquele brinquedo ou brincadeira que fez parte significativa da nossa infância, aqueles momentos de encontro prazerosos com os pais.

Resgatar esses momentos reafirmam que é preciso garantir isso também para nossas crianças pois brincar é essencialmente o prazer da criança!

Boa brincadeira!!!

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