7 ago Aleitamento Materno

Amamentação e trabalho: para dar certo, o compromisso é de todos!


Hoje o bate-papo com a Dra. Honorina de Almeida, a Dra. Nina, pediatra especialista em aleitamento materno da Casa Curumim é sobre como a mulher deve se preparar para o retorno ao trabalho e seguir amamentando.

A mãe carrega seu bebê durante 9 meses de gestação e após o nascimento desenvolve a dedicação em tempo integral que é necessária nesses primeiros meses de vida fortalecendo ainda mais essa relação entre mãe e bebê. Quando a licença-maternidade chega ao fim, a dor dessa separação pode ser muito forte. Muitas mães já começam a sofrer desde as primeiras semanas só com o pensamento da volta ao trabalho. Então é importante que ela possa aproveitar esses primeiros meses com o bebê mas no momento adequado se preparar para se separar do bebê.

“A mulher pode se dar o direito de sofrer, faz parte do processo e a sensação de abandono em relação ao filho é enorme, mas voltar ao trabalho também é positivo, apesar de um tanto precoce na maioria das empresas brasileiras”, afirma a Dra. Nina.
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No Brasil, muitas empresas públicas e também um número cada vez mais crescente de empresas privadas garantem 6 meses de licença maternidade. Mas ainda a maioria das empresas trabalham com o que lei (CLT) determina: licença-maternidade de 4 meses e duas pausas de meia hora para alimentar o bebê/ ordenhar o leite durante a jornada de trabalho até o 6º mês de vida do bebê.

Para amenizar o impacto da distância, as mães podem adotar algumas medidas para prepara-lás e preparar o bebê para a separação que virá. Ela pode começar a sair por algum tempo para que possa ficar algum tempo longe da presença dela e também possa estar com a pessoa que vai cuidar dele. Assim ela e o bebê poderão vivenciar a situação de estarem um sem o outro por algum tempo.

Quem vai cuidar e onde o bebê vai ficar na volta ao trabalho?

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Segundo a Dra. Nina, o ideal é ir amadurecendo as soluções. Decidir quem vai cuidar do bebê, quando começar a ordenhar e a armazenar o leite, no local de trabalho como o leite será ordenhado, armazenado e transportado. Além é claro, de ensinar o bebê a se alimentar sem ser pelo peito. Ir aos poucos e com paciência oferecendo o leite no copinho para que a transição seja tranquila e deixando a pessoa que vai cuidar do bebê alimentá-lo. Quando o retorno ao trabalho acontece depois dos 6 meses e o bebê já come, a situação é muito mais fácil.

“A mulher tem que saber que é assim, que não é só ruim voltar a traballhar, que existem coisas boas neste processo. Um estudo recente mostrou que filhos de mães que trabalham fora são mais educados e independentes e as filhas são mais bem sucedidas do que filhas de mulheres que não trabalharam fora. Provavelmente temos esses resultados pois os pais são o maior exemplo para os filhos. Por outro lado, também temos estudos que mostram que para a criança não é bom se os pais trabalham em demasia e ficam muito tempo fora de casa. O desafio atual é encontrar um meio termo e ficar o mínimo de tempo fora de casa. Vale a pena dizer também que tentar organizar no trabalho, para ficar o mínimo possível fora de casa. Tentar um acordo com o chefe para flexibilizar o horário. Um dos pais pode entrar no trabalho mais cedo e assim voltar mais cedo para casa. O outro começa mais tarde. Enfim, pensar nas possibilidades para que o bebê possa ficar o maior tempo possível com um dos pais. Quando se tem familiares que podem cuidar, melhor ainda”, completa a Dra.

A empresa deve dar suporte àa mãe nesse retorno, mas como sabemos, muitas pessoas não conhecem a importância do leite materno e cada mãe que retorna ao trabalho pode conversar com seus colegas de trabalho sobre o tema. Explicar que o leite materno protege seu filho, que ficará menos doente, e estará mais contente com o sucesso da amamentação.

ordenha-humanaQuando o bebê vai para um bercário, há que ter recursos para ajudar essa mãe a manter a amamentação. Às vezes, o berçário tem resistência quanto a receber o leite materno ordenhado, então é interessante a família mostrar como funciona o processo para descongelar, como oferecer no copinho e sempre destacar que chupeta e mamadeira são grandes vilões do aleitamento materno.

O que é preciso para manter a produção de leite após a volta ao trabalho?

leiteee-armazenado-1Para manter a produção é essencial esvaziar as mamas quando a mãe estiver longe do bebê, extraindo seu leite em intervalos regulares. Quanto mais se retira o leite, mais leite se produz. Por isso, quando a mãe estiver com o bebê o ideal é que ela ofereça o peito sempre que ele solicitar. Assim, a mulher que trabalha poderá continuar amamentando seu bebê de manhã, antes de sair de casa e após retornar do trabalho.

Lembrando que a Semana Mundial de Aleitamento Materno, que acontece de 1 a 7 de agosto, com o tema Amamentação e Trabalho: para dar certo, o compromisso é de todos, reforça a importância de as empresas terem salas de apoio para as trabalhadoras continuarem a amamentação mesmo com a volta à vida profissional. Nas salas de apoio, a mãe pode retirar e armazenar o leite para ser oferecido posteriormente ao bebê. As empresas também são incentivadas a oferecer licença maternidade de seis meses e creches próximas ao trabalho. O incentivo à licença prolongada segue a recomendação de profissionais de que, até os seis meses, a criança não receba nenhum outro alimento ou bebida além do leite humano.

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