18 mar Aleitamento Materno

Bebês que mamam por mais tempo têm renda e escolaridade maiores quando adultos


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Uma pesquisa da Universidade Federal de Pelotas, com 3,5 mil recém-nascidos, mostra que crianças amamentadas por mais de um ano têm escolaridade 10% superior àquelas que não completaram um mês de alimentação com leite materno. O efeito sobre a renda foi o mesmo. Crianças com maior período de amamentação tornaram-se adultos com renda 33% superior a dos que não receberam leite materno por mais de 30 dias.

O estudo está publicado na edição desta quarta-feira, 18, da revista The Lancet Global Health. “Já sabíamos que a amamentação auxiliava no desenvolvimento da inteligência. Esse trabalho traz as primeiras evidências dos efeitos práticos desse benefício”, afirmou um dos líderes da pesquisa, o professor Cesar Victora.

Bernardo Hortas, que divide a coordenação dos trabalhos, reforça. “Havia dúvidas se o efeito da amamentação sobre inteligência e o desenvolvimento cerebral alcançaria a vida adulta. Os resultados dos estudos mostram que sim.”

O grupo de pesquisa acompanhou dados de crianças nascidas em 1982 na cidade gaúcha de Pelotas. O banco de dados trazia inicialmente informações de 6 mil participantes. Os voluntários fizeram ao longo dos anos quatro avaliações de grande porte. Na última, com indivíduos já com 30 anos, além de testes de QI, foram incluídas questões sobre renda e escolaridade. Foram avaliados nesta etapa dados de 3.493 participantes.

“Tomamos o cuidado de expurgar qualquer fator social que pudesse influenciar nesses resultados”, contou Hortas.

Ele ressaltou que na amostra avaliada o aleitamento materno esteve presente em todas as classes sociais. “Estudos em países desenvolvidos muitas vezes são criticados por não conseguirem separar de forma socioeconômica? nosso estudo faz isso pela primeira vez.”

Os pesquisadores dividiram os voluntários em cinco grupos, de acordo com a duração do aleitamento. “Os resultados indicam que, quanto mais longa a amamentação, melhor a renda, a escolaridade e a inteligência”, apontou Victora. A variação na escala de QI é de três pontos da média.

Os pesquisadores atribuem os resultados a uma combinação de fatores. Um dos mecanismos que provavelmente exercem grande influência no maior desenvolvimento da inteligência é a presença de ácidos graxos saturados de cadeia longa no leite materno. “É essencial para o desenvolvimento dos neurônios”, disse Hortas. Mas há outros pontos importantes.

“O vínculo entre mãe e a criança é fortalecido durante a amamentação. Isso deve ser levado em conta”, completou. Victora apontou também a necessidade de se avaliar o impacto do leite materno na ativação de genes.

Presidente do Departamento de Aleitamento Materno da Sociedade Brasileira de Pediatria, Luciano Borges Santiago disse que já havia indícios dos benefícios da amamentação para o desenvolvimento intelectual. “Amamentar faz diferença na inteligência. Isso é um dado a mais que vem para fortalecer as vantagens do leite materno.”

Fundadora do grupo Matrice, que apoia a amamentação, Fabíola Cassab, de 38 anos, concordou. “Vivi isso com a minha filha e vejo nas outras crianças do grupo. Isso (a pesquisa da universidade) vai encorajar outras mulheres a dar de mamar por mais tempo.”

Fonte: Estadão

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