4 mai Temas em Pediatria

Bronquiolite


Por Tatiana Sano, pediatra especialista em Pneumologia Pediátrica da Casa Curumim.

bronquiolite-no-bebê21-1Muitas mães já devem ter ouvido falar na Bronquiolite, principalmente agora durante o outono/inverno, mas o que é Bronquiolite?

Bronquiolite Viral Aguda é uma doença que acomete crianças menores de 2 anos, principalmente as menores de 1 ano e é uma das principais viroses responsáveis pelas internações e idas ao pronto socorro nesta época do ano.

Esses vírus inflamam a mucosa (levando a um inchaço e produção de muco) que reveste a parte interna dos bronquíolos (ramificações bem finas da arvore brônquica). O ar passa com dificuldade provocando o principal sintoma da Bronquiolite o “chiado”= sibilos.

Por que acomete crianças menores que 2 anos?
Por causa do pequeno calibre das vias aéreas qualquer inchaço de suas paredes ou a mínima quantidade de muco já podem ser suficientes para provocar uma obstrução importante na passagem de ar. Além disso, a imunidade dos lactentes para estes vírus respiratórios ainda é pequena
Quais são os principais vírus que causam Bronquiolite:

Vírus Sincicial Respiratório-VSR (75%), Rinovírus (39%), Coronavirus (21%), Influenza (10%),
Como a doença evolui?

Inicia com os sintomas de um resfriado comum como coriza, obstrução nasal, tosse e febre e é muito comum a história de ter algum familiar, como irmão mais velho resfriado, ou frequentar escolinha. Em 3-4 dias evolui com piora da tosse, chiado e desconforto respiratório (respiração rápida, ofegante. A maioria das crianças se recupera em cerca de 2 semanas mas em alguns casos a tosse e o chiado podem persistir até um mês. A Bronquiolite pode ser mais séria nos menores de 3 meses, nos que nasceram prematuros ou quando o bebe é portador de alguma doença crônica (cardiopatia, doença renal, etc…). Frequentar creches, viver em casas com muitas pessoas ou conviver com fumantes também são fatores que podem agravar o quadro..
Como o diagnóstico é feito?

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O diagnóstico é feito baseado na história clínica e no exame físico. Radiografia do tórax, exame de sangue ou pesquisa viral devem ser realizados apenas nos casos moderados/graves ou quando é necessário excluir outras doenças. Nos casos mais simples basta a avaliação clinica.
Quais são as complicações mais comuns?

Na maioria das vezes a bronquiolite evolui bem e sem complicações. Nos casos mais sérios, devemos nos preocupar com a desidratação, insuficiência respiratória (perda da capacidade de oxigenar o corpo com a respiração) ou infecção bacteriana.

Quando levar ao pronto-socorro?

bronquiolite-e-chiado-no-peito1 1. Desconforto respiratório= Respiração rápida, A barriga sobe e desce muito e rápido, ou a musculatura entre as costelas ou a fúrcula ( aquele buraquinho nom pescoço) afundam, ou as asas do nariz se elevam.
1- Sinais de desidratação: diminuição da urina, boca seca, choro sem lagrima e pulso acelerado ou Recusa alimentar)
2- Cianose= lábios ou mãos e pés arroxeados, azuis.
3- Sonolência excessiva ou irritabilidade excessiva (quando sem febre o bebê ficar muito caidinho ou irritado.

Tratamento
Uma vez que a doença é causada por vírus, ainda não há medicações eficazes e seguras. O tratamento tem como objetivo melhorar os sintomas: tosse, chiado, desconforto respiratório e tentar manter o bem estar do bebê.
1- Tentar manter a alimentação – oferecer mais vezes em menores quantidades, com cuidado para não engasgar.
2- Lavagem nasal, pois a obstrução nasal piora o desconforto respiratório e dificulta a alimentação
3- Inalação com soro fisiológico para tentar fluidificar o muco e secreções nasais
4- Elevar a cabeceira do berço em 30° para dormir (levantar todo o colchão,ou a cabeceira do berço).
5- Algumas vezes pode ser necessário o uso de medicamentos (broncodilatadores/ corticoide/ e outros), mas eles ajudam somente nos casos mais sérios.
Prevenção
O fator mais importante é lavar as mãos com frequência, pois o contágio da doença se dá principalmente pelas mãos e por objetos contaminados com os vírus. Outras medidas importantes são: evitar contato com doentes, evitar exposição das crianças ao cigarro, a vacinação anual para influenza e o aleitamento materno, pois anticorpos maternos passam para o bebê.

Referências Bilbliográficas:
1- Shawn L. Ralston, Allan S. Lieberthal, et all. Clinical Practice Guideline: The Diagnosis, Management, and Prevention of Bronchiolitis. Pediatrics, 2014; 134;e 1474
2- Hyvarien, Acta Paediatr 2005; 94: 1378
3- Stein, Lancet 1999; 354: 541
4- Petruzella FD, Gorelick MH, Duration of illness in infants with bronchiolitis evaluated in the emergency department. Pediatrics, 2010; 126(2):285
5- Shazberg G, Revel-Vilk S, Shoseyov D, Bem-Ami A, Klar A, The clinical course of bronchiolitis associated with acute otitis media. Arch DIS child 2000; 83(4):317
6- Up to date- Bronchiolitis in children, diagnosis, management, treatment and prevention

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