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12 set Aleitamento Materno

IV Curso de Aconselhamento em Aleitamento Materno


Para mais informações, clique aqui: www.cursosaleitamentomaterno.com.br

31 jul Aleitamento Materno

25ª Semana mundial da amamentação – SMAM 2017


Por Honorina de Almeida (Dra. Nina)

Todos os anos, na primeira semana de agosto, comemora-se a Semana Mundial de Amamentação. Nesse ano o tema é #Junt@sPelaAmamentação. Que propõe uma discussão sobre a importância do trabalho em conjunto para o sucesso do aleitamento materno.

No entanto, essa história começou a não muito tempo atrás, foi dura e sofrida para muitas organizações sociais e pessoas que se propuseram a lutar e não aceitar o desmame e suas graves consequências como uma situação irreversível.

Vou tentar contar para vocês em um pequeníssimo resumo um pouco dessa história que fala muito sobre o tema desse ano.

Eram tempos difíceis, a Indústria de fórmula infantil utilizava um marketing agressivo sobres os “benefícios e vantagens” de usar a fórmula infantil. Amostras grátis de fórmula e mamadeiras eram distribuídas nas maternidades sem controle algum. Como consequência as mulheres amamentavam cada vez menos. Uma catástrofe silenciosa se instalava nos países mais pobres. Com um aumento absurdo de doenças e mortes.

A mortalidade aumentou tanto que despertou a atenção de 2 pediatras britânicos, Hendrickes e Morley e em 1973 uma revista, New Internationalist publicou um artigo dos dois “The Baby Food Tragedy” (A Tragédia dos Alimentos para Bebês). Nesse artigo, eles responsabilizavam as indústrias de alimentação infantil pelo aumento das doenças e desnutrição nos bebês pelo uso de métodos irresponsáveis de marketing. As mães eram levadas a desmamar seus bebês e utilizar a fórmula infantil sem conhecer todos os riscos dessa prática.

Em 1974 Mike Muller, um jovem engenheiro, escreveu um relatório “The Baby Liller”, onde também mostrava entre outras coisas, as graves consequências de alimentar um bebê com fórmula preparada com água contaminada.
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No entanto, o grande impacto veio quando o relatório foi lançado na Suíça pela ONG Arbeitsgruppe Dritte Welt (Grupo de trabalho para o Terceiro Mundo) com o título “Nestle Kills Babies”. A ONG foi processada pela Nestlé por difamação, venceu o processo e cada um dos responsáveis pela publicação foi condenado a pagar uma indenização (pequena) a empresa.

Para surpresa de todos, nos comentários finais do processo o Juiz criticou severamente a maneira como a corporação atuava no terceiro mundo e exigiu uma mudança dessa prática. Esse processo causou uma grande repercussão internacional, na mídia e nos movimentos sociais, o que levou a um boicote aos produtos da Nestlé que se espalhou por vários países.

Todo esse processo abriu também uma discussão sobre os métodos utilizados pela indústria para vender formulas infantis nos países pobres.

Em 1990, em Florença, na Itália, a OMS (Organização Mundial de Saúde) e UNICEF) organizou um encontro (Aleitamento Materno nos anos 90 – uma iniciativa Global) com ONGs e representantes de vários países para discutir, propor iniciativas e definir uma agenda de ações que pudessem melhorar as taxas de aleitamento que estavam terrivelmente baixas. O resultado desse encontro foi uma pauta de propostas chamadas “Declaração de Innocenti” e que foi a base para importantíssimos avanços e ações de incentivo ao aleitamento materno. Em 1991, foi fundada a Aliança Mundial de Ação Pró-amamentação (WABA) com o objetivo de acompanhar as metas propostas. Em 1992, a WABA criou a Semana Mundial de Amamentação (SMAM) como forma de promover as ações que foram estabelecidas na “Declaração de Innocenti”. Atualmente é celebrada em mais de 120 países.

Esse é um dos maiores exemplos de que trabalhar juntos, para um objetivo comum, pode construir uma história maravilhosa de sucesso.

Aqui no Brasil a semana é coordenada pelo Ministério da Saúde com a parceria das secretarias de saúde dos Estados e Municípios, Rede de Banco de Leite Humano, Hospitais amigos da Criança, ONGs, Sociedade de Pediatria e outras sociedades de classes, órgãos internacionais, entre tantos outros.

A Casa Curumim desde sua criação tem buscado parcerias e celebrado a Semana Mundial de Aleitamento Materno com ações que ajudam a divulgar as ações para promover, proteger e apoiar o aleitamento materno.

Abaixo fiz uma lista onde vocês poderão encontrar mais informações:

NBCAL (Normas Brasileiras de Comercialização de Alimentos Infantis)

SBP – Sociedade Brasileira de Pediatria – SBP

Sociedade de Pediatria de São Paulo – SPSP

WABA: World Alliance for Breastfeeding ActionProtects, Promotes and supports Breastfeeding Worldwide

IBFAN Rede Internacional em defesa pelo direito de amamentar

Holding corporations accountable: corporate conduct, international codes, and citizen action: Judith Richter, Zed Books, 2001
The Baby Killer – Mike Muller
Hendrickes e Morley , New Internationalist. The Baby food tragedy

18 jul Aleitamento Materno SMAM

Semana Mundial de Aleitamento Materno 2017


De 1 a 7 de agosto, acontece a Semana Mundial de Aleitamento Materno 2017.

A SMAM 2017 comemora o trabalho em conjunto para o bem comum, que produz resultados sustentáveis, maiores que a soma de nossos esforços individuais.

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Aprendemos com a SMAM 2016 que a promoção, proteção e apoio à amamentação são fundamentais para o desenvolvimento sustentável.

Agrupamos os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) em quatro Áreas Temáticas, que se relacionam entre si e com a amamentação. Esses quatro grupos nos ajudam a definir o nosso trabalho no contexto dos ODS. A partir deste ano, esses grupos também nos ajudarão a identificar outros grupos para trabalhar.

A SMAM 2017 irá proporcionar uma plataforma para colaboração a longo prazo. Para mais informações, ideias e ferramentas para ação, por favor, visite o website worldbreastfeedingweek.org para planejar e medir os sucessos para os próximos anos.

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Várias mãos fazem o trabalho ficar mais leve e cada um de nós tem uma parte a desempenhar! Mãos à obra!!!

NUTRIÇÃO, SEGURANÇA ALIMENTAR E REDUÇÃO DA POBREZA

Nutrição: As crianças amamentadas recebem nutrição ideal e proteção contra infecções.

Segurança Alimentar: O leite materno tem fonte segura e assegura a alimentação mesmo em tempos de crises humanitárias.

Redução da Pobreza: A amamentação é uma forma de baixo custo para alimentar os bebês, sem sobrecarregar o orçamento doméstico.

ALGUNS FATOS

• A desnutrição, incluindo a não amamentação contribui para 45% de todas as mortes de crianças com menos de 5 anos de idade anualmente.

• A não amamentação está associada a perdas econômicas de cerca de US$302 bilhões anualmente ou 0.49% da renda nacional bruta (RNB) per capita.

SOBREVIVÊNCIA, SAÚDE E BEM-ESTAR

Sobrevivência: A amamentação melhora significativamente a saúde, o desenvolvimento e a sobrevivência de bebês e crianças.

Saúde e bem-estar: A amamentação melhora significativamente a saúde, o desenvolvimento e a sobrevivência de bebês e crianças, bem como a saúde das mulheres, tanto a curto como a longo prazo.

ALGUNS FATOS

• O custo financeiro de um programa para implementar a Estratégia Global para a Alimentação de Lactentes e Crianças de Primeira Infância da OMS/UNICEF em 214 países é estimado em US$130 por nascido vivo. O investimento em serviços eficazes para aumentar e manter as taxas de aleitamento materno, provavelmente proporcionará um retorno dentro de alguns anos, bem como possivelmente em apenas um ano.

• Em média, os bebês amamentados têm um quociente de inteligência (QI) de 2,6 pontos superiores aos dos bebês não amamentados, com diferenças maiores para duração mais longa da amamentaçãoaún mayores ante períodos de lactancia más prolongados.

MEIO AMBIENTE E MUDANÇA CLIMÁTICA

Meio ambiente: O leite materno é um alimento natural e renovável, que é seguro para o meio ambiente, produzido e entregue sem causar poluição, sem uso de embalagem e sem desperdício.

Mudança climática: A produção e o consumo de fórmulas infantis geram emissões de gases do efeito estufa (GEE) que aceleram o aquecimento global.

ALGUNS FATOS

• 720,450 toneladas de formula infantil vendidas anualmente em 6 países asiáticos geram quase 2,9 milhões de toneladas de GEE. Isso equivale a quase 11.200 milhões de quilômetros (km), impulsionado por um veículo de passageiro médio ou 1,03 milhão de toneladas de resíduos enviados para aterros sanitários.

• Nas indústrias, estima-se que mais de 4000 litros de água sejam necessários para produzir 1 kg de pó de fórmula infantil.

PRODUTIVIDADE DAS MULHERES E EMPREGO

Produtividade das mulheres: Os empregadores se beneficiam de ter uma força de trabalho mais motivada e produtiva, devido ao menor absenteísmo, mais lealdade ao emprego e menor rotatividade de funcionárias.

Emprego: A proteção parental e outras políticas no local de trabalho podem ajudar as mulheres a combinarem a amamentação com o trabalho remunerado.

ALGUNS FATOS

• Para cada mês adicionado à licença-maternidade remunerada, reduz em 13% a taxa de mortalidade infantil.

• Apenas 53% dos países atendem ao padrão mínimo da OIT de 14 semanas de licença-maternidade.

Fonte: WABA

18 mai Aleitamento Materno

Primeira clínica multiprofissional especializada em Aleitamento Materno de São Paulo


Curumim é uma palavra de origem tupi que significa crianças indígenas. Foi a partir deste nome que os fundadores Honorina de Almeida e Douglas Nóbrega Gomes pensaram na Casa Curumim. Um local que respeita a criança, a natureza da mulher de parir e amamentar, ajudando para que estes momentos sejam iniciados de forma natural e apoiando em situações de dificuldade, com
o respaldo da medicina e da experiência dos profissionais que atendem nela.

A Casa Curumim reúne profissionais especializados em manejo clínico da lactação que podem proporcionar orientações para que a experiência de amamentar seja prazerosa e duradoura. Oferece também atendimento integral à família: Assistência na amamentação (hospitalar e domiciliar), assistência neonatal humanizada em sala de parto humanizado, pediatria integral, homeopatia, grupo de gestantes, pós-parto e aleitamento materno, fisioterapia e terapia ocupacional, psicologia infantil, oficina de brincar e musicalização, oficinas de papinha, nutrição infantil e alimentação complementar, nutrição na gestação e infância, pré-natal, atendimento psicológico à gestante e ao pós-parto, fonoaudiologia neonatal e infantil, cursos direcionados aos profissionais da saúde como o de Manejo Clínico em Aleitamento Materno e Aconselhamento em Aleitamento Materno.

Referência por ser a primeira clínica de aleitamento materno de São Paulo, a Casa Curumim é também ponto de encontro para homens e mulheres que buscam um atendimento humanizado e respeitoso da gestação à adolescência. 

 

26 ago Aleitamento Materno

Método Canguru no Brasil: 15 anos de Política Pública


Por Paulo Vicente Bonilha Almeida

Um dos grandes desafios para todos nós, brasileiros, refere-se ao cuidado de nossas crianças. Uma conjunção de políticas públicas volta- das para a gestante, criança e família vem sendo desenvolvida pelo País nas últimas décadas levando a alguns resultados exitosos, embora saiba- mos que ainda há muito o que fazer.

Nesta perspectiva, destacamos a Atenção Humanizada ao Recém- -Nascido (RN) de Baixo Peso – Método Canguru, política pública nacional desde o ano 2000, que vem modificando o paradigma do cuidado perinatal e contribuindo para a redução da morbimortalidade neonatal.

O Brasil apresentou redução de 77% das mortes na infância desde 1990 até 2012, com isso cumprindo, com três anos de antecedência, o Objetivo de Desenvolvimento do Milênio (ODM) número 4, que previa a redução em 2/3 da mortalidade desse público entre 1990 e 2015. Em 1990 a taxa brasileira indicava que a cada mil crianças nascidas vivas, 58 mor- riam antes de completar cinco de anos de vida. Em 2012, o índice foi reduzido para 16/1.000, o quinto maior ritmo de queda do mundo deixando conosco a tarefa de identificarmos a cada momento as questões que irão determinar a redução desses índices.

Estes resultados, segundo uma publicação da revista Lancet, em 2013, foram atribuídos, em grande parte, à expansão da Atenção Básica no país, por meio da Estratégia Saúde da Família (ESF), somada ao benefício do programa de transferência de renda Bolsa-Família, que possibilitaram melhorias nas condições de educação e saúde, garantindo às famílias mais vulneráveis, maior cobertura de vacinação, de consultas de pré-natal e puericultura, entre outras.
Destacamos, ainda, a Política Nacional de Aleitamento Materno, com suas múltiplas estratégias de ação (Iniciativa Hospital Amigo da Criança, Estratégia Amamenta e Alimenta Brasil, Ação Mulher Trabalhadora que Amamenta, Rede Brasileira de Bancos de Leite e campanhas anuais de mobilização social) a qual tem conseguido ampliar as taxas de aleitamento materno de forma significativa contribuindo efetivamente para que o País atingisse as metas internacionais. Nas capitais brasileiras e no Distrito Federal, o tempo médio de aleitamento materno aumentou em um mês e meio entre 1999 a 2008.

O Programa Nacional de Imunização, que em 2013 completou 40 anos, conseguiu que o País eliminasse a ocorrência de muitas doenças imunopreveníveis e já vem conseguindo ofertar as vacinas recomenda- das pela Organização Mundial de Saúde (OMS), mantendo altos índices de cobertura vacinal.

Mais recentemente, o Ministério da Saúde, a partir da Rede Cegonha, fortaleceu medidas para o enfrentamento da mortalidade materna e infantil (em especial no componente neonatal cuja redução tem se mos- trado mais lenta) a partir do fomento à atenção integral e humanizada às gestantes e aos bebês, qualificando o pré-natal, apoiando a adoção das boas práticas obstétricas e neonatais, baseadas em evidências e preconizadas pela OMS. Entre essas práticas, destacamos o enfrentamento às cesáreas sem indicação médica precisa, que favorecem o nascimento pré-termo ou em idade gestacional limítrofe e, consequentemente, uma série de complicações.

A Rede Cegonha possibilitou ainda a criação de mais de 1.000 leitos de Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN) e por meio da Portaria GM-MS 930/2012, instituiu o conceito de “cuidado progressivo”, buscando a continuidade do cuidado, desde a UTIN, passando pelo leito de Uni- dade de Cuidados Intermediários Convencional, até chegar à Unidade de Cuidados Intermediários Canguru. Esta tipologia de leito canguru é outra inovação citada na portaria, que reforçou a garantia do direito do recém- -nascido internado em UTIN contar com sua mãe, pai ou cuidador 24h por dia, conquistas normativas fortemente influenciadas pelas práticas do Método Canguru no País.
Iniciativa igualmente importante no âmbito da Rede Cegonha, do ponto de vista da qualificação e humanização da atenção, foi a normatização de diretrizes de atenção ao RN no momento do nascimento. A tríade de boas práticas – clampeamento oportuno do cordão umbilical, contato pele a pele e aleitamento materno na primeira hora de vida – associada à garantia de oferta de profissionais capacitados em reanimação neonatal, são fundamentais para a redução da morbidade e do componente neonatal da mortalidade infantil.

Considerando todo o acima exposto, percebe-se que o atual contexto da saúde da criança no Brasil, não permite mais que as políticas públicas se contentem com a sobrevivência infantil, precisando necessariamente, a exemplo de muitos países, da estruturação de políticas públicas que ao mesmo tempo se preocupem com o pleno desenvolvimento na primeira infância.

Neste sentido, foram articuladas estratégias que culminaram, em 2015, com a publicação da Política de Atenção Integral à Saúde da Criança (PNAISC). Esta política agrega sete eixos que perpassam todas as redes de atenção à saúde, envolvendo ações que vão desde a atenção humanizada perinatal até o desenvolvimento integral da criança. Um dos sete eixos é a Atenção Humanizada ao Recém-Nascido – Método Canguru.

No Brasil, o Método Canguru sempre foi utilizado como um cuidado diferenciado visando à qualidade da assistência. Ao completar 15 anos de política no País, destaca-se além da redução da mortalidade, uma série de vantagens evidenciadas em publicações científicas, entre elas um melhor desenvolvimento neuropsicomotor.

A estratégia de disseminação do Método Canguru, historicamente adotada pela Coordenação Geral de Saúde da Criança e Aleitamento Materno do Ministério da Saúde brasileiro, com a criação de Centros de Referência e formação maciça de tutores para a disseminação do Método tem permitido sua implantação crescente em mais e mais hospitais.

O sucesso da capacitação dos hospitais de ensino do País, sendo vários deles referência nacional na atenção neonatal, foi outra conquista, com destaque para os que compõem a Rede Brasileira de Pesquisa Neo- natal. Muitos, nos últimos anos, não apenas aderiram ao Método Canguru, mas estão atuando como multiplicadores em sua região, cumprindo com seu papel de formação e extensão universitária.

Este modo de trabalhar e seus resultados já colocaram o País em evidência no âmbito internacional, trazendo um novo desafio de responder a crescentes demandas de países interessados em firmar parcerias de cooperação internacional com o Brasil. Neste sentido, é também com júbilo que o Ministério da Saúde pode anunciar que em 2015 foi iniciada a primeira Cooperação Internacional neste campo, apoiando El Salvador a ser mais um país a ter seus recém-nascidos beneficiados pelo Método Canguru.

No âmbito nacional, o desafio maior que ora se apresenta é a qualificação das equipes de Atenção Básica do País para uma atenção qualificada à criança que nasceu pré-termo egressa de internação neonatal, na 3a etapa do Método Canguru. O objetivo é que os profissionais da Atenção Básica sintam-se seguros para acolher e acompanhar essas crianças, utilizando-se deste Método, de forma compartilhada com a equipe multiprofissional da maternidade de nascimento do bebê.

Esta publicação cumprirá papel importante como registro histórico e para a consolidação da implementação desta Política Nacional em todos os aspectos aqui abordados, se tornando leitura obrigatória por todos os profissionais e gestores do Sistema Único de Saúde (SUS) empenhados em ofertar uma atenção mais qualificada e humanizada a cada brasileirinha e brasileirinho de nosso país.

Finalmente, não poderia encerrar sem deixar de prestar, em nome do Ministério da Saúde, uma justa homenagem à Profa. Zeni Lamy, docente da Universidade Federal do Maranhão, que, com tanto brilhantismo e dedicação vem coordenando a expansão e o fortalecimento desta Política no País. Na pessoa dela homenageio e agradeço a Luiza Geaquinto, responsável pela Política na Coordenação Geral Saúde da Criança e Aleitamento Materno – GSCAM, aqui no Ministério da Saúde e a cada um dos não menos devotados Consultores Nacionais e Tutores Estaduais do Método Canguru, que compõem este belo e generoso time de verdadeiros militantes pelo SUS e pela saúde dos bebês e suas famílias no Brasil!
Boa leitura!

Anexo de E-mail

4 ago Aleitamento Materno

As bactérias do leite materno


Por Rachel Francischi, Nutricionista da Casa Curumim

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Sim, o leite materno contém bactérias! E elas são muito desejadas, por mais estranho que possa parecer. Os micróbios do leite materno ajudam no desenvolvimento e amadurecimento do sistema imunológico do bebê, na resistência contra infecções e até mesmo na proteção contra o aparecimento de alergias e asma na infância!

O contato com essas bactérias saudáveis da mãe é extremamente importante para o desenvolvimento infantil. Partos tipo cesarianas e o uso de leite artificial vêm contribuindo para o aumento de alergias e doenças mediadas pelo sistema imunológico devido à falta da exposição do bebê às saudáveis bactérias maternas.

Então vamos entender um pouco melhor desse assunto:

Nós temos trilhões de bactérias no nosso intestino. Essas bactérias são chamadas de microbiota intestinal. Já foram identificadas mais de 500 espécies diferentes, sendo algumas muito saudáveis e outras nem tanto. Uma microbiota intestinal adequada depende de vários fatores, como nascimento por parto normal, aleitamento materno e consumo de dieta equilibrada. A microbiota equilibrada e saudável traz muitos benefícios para o ser humano:

- produção de vitaminas (vitamina K, vitamina B12) para o nosso corpo;
- modulação do funcionamento do nosso sistema imunológico, diminuição de alergias e de doenças inflamatórias;
- regulação do funcionamento do intestino;
- formação de barreira intestinal para impedir a entrada de patógenos (os outros micróbios causadores de doença);
- melhora na absorção de nutrientes, tais como ferro, zinco e vitamina D;
- modulação do funcionamento do sistema nervoso (através do eixo de comunicação intestino-cérebro): emoções e comportamentos ligados à depressão, ansiedade, estresse, memória, aprendizagem, e até mesmo autismo;
- regulação da sensação de saciedade, do desenvolvimento da obesidade e do diabetes mellitus.

No entanto, fatores como o uso de medicamentos, a alimentação desbalanceada, o estresse físico e/ou mental podem desequilibrar nossa população de bactérias do “bem” e do “mal” no intestino. E aí todos esses benefícios para a saúde podem ser perdidos!

Assim como no intestino, há também centenas de espécies de bactérias no leite humano, e há uma grande variação dos tipos de bactérias de mãe para mãe. O leite materno é um alimento probiótico por natureza! As bactérias variam desde o colostro e ao longo dos meses de amamentação, uma sabedoria impressionante para garantir ao bebê as melhores bactérias possíveis em cada etapa do seu crescimento.

E como as bactérias chegam até o leite materno? Os cientistas ainda estão descobrindo os mecanismos exatos e acreditam que existe uma conexão através das circulações sanguínea e linfática, desde o intestino da mãe até as glândulas mamárias.

Até bem pouco tempo atrás, acreditava-se que era somente no trabalho de parto que o bebê entrava em contato por primeira vez com as bactérias maternas para formar a sua microbiota intestinal. No parto normal, sabemos que bebê é colonizado especialmente por bactérias saudáveis naturalmente presentes na vagina e na pele materna, diferentemente do parto cesárea. Nos últimos anos, a descoberta de bactérias maternas também no cordão umbilical, no líquido amniótico, nas membranas fetais e no mecônio de bebês saudáveis contraria a ideia que o útero seja um ambiente estéril. Os estudos recentes sugerem que desde o útero o bebê já está em contato com as bactérias da mãe.

Ou seja, os tipos de bactérias que o feto encontra no útero da mãe, e não só no tipo de parto e no tipo de aleitamento (materno ou artificial), podem influenciar a programação metabólica que esse bebê terá ao longo de toda a vida!

E parece que até mesmo a cólica do recém-nascido pode ter relação com a microbiota não saudável no intestino da mãe e consequentemente do bebê. A teoria dos pesquisadores é que a microbiota não saudável do bebê pode alterar a junção das células intestinais, interferindo na motilidade e permeabilidade do intestino do bebê (através de processos inflamatórios, nervosos e/ou hormonais), podendo causar dores abdominais e cólicas no recém-nascido.

Tudo isso ainda é muito novo na ciência, as hipóteses ainda estão sendo testadas para que possamos atuar tanto na prevenção como no tratamento de cólicas, alergias e doenças. Mas já sabemos que quanto mais saudáveis forem os tipos de bactérias no intestino da mãe e consequentemente no útero e no leite materno, melhor será o desenvolvimento do bebê, especialmente do seu sistema imunológico.

E claro que sabemos que o leite materno é sempre superior a qualquer leite artificial, independentemente da microbiota materna. Sempre, sempre mesmo, o leite materno será o melhor alimento para o bebê independente da microbiota materna! E a ciência ainda está descobrindo como podemos melhorar ainda mais os tipos de bactérias do leite materno…

Sabemos que a variedade de bactérias saudáveis no nosso intestino diminuiu muito nas últimas décadas, principalmente pelo crescimento da urbanização e do uso de antibióticos. O alto grau de processamento/industrialização da nossa comida também interferiu na nossa microbiota. Não é de se surpreender que o tipo de bactérias no leite de mães de áreas rurais tende a ser mais saudável do que no leite de mães de áreas urbanas.

Os estudos apontam que a qualidade da dieta materna desde a gestação e consequentemente o perfil de bactérias do intestino da mãe modulariam quais os tipos de bactérias que fazem parte da vida uterina, do parto, do aleitamento e consequentemente da microbiota do bebê.

Se você quer ter bactérias saudáveis e transmitir ainda mais bactérias saudáveis pelo seu leite materno, cuide especialmente da sua dieta. O quê comemos alimenta as populações das nossas bactérias! E se queremos que o leite materno tenha colônias de bactérias das mais saudáveis que existem, cuidemos da dieta materna desde a gestação.

Caprichar nos alimentos naturais e ricos em fibras, especialmente as verduras, frutas e legumes naturais, os grãos integrais, a aveia, os feijões, os alimentos com nenhum ou menor grau de industrialização como os iogurtes naturais, poucos doces/açúcares e pouca farinha branca, pouca ou nenhuma fritura ou gordura hidrogenada, moderação no consumo de carnes e alimentos de origem animal são algumas dicas que podem ajudar na colonização e permanência da maior variedade de bactérias saudáveis na nossa microbiota intestinal.

O uso de probióticos (organismos vivos ingeridos que conferem benefícios para a nossa saúde) na dieta materna desde a gestação e no pós-parto também pode ser indicado, dependendo do estado nutricional materno.

Já sabíamos que a nutrição materna era fundamental para o crescimento e desenvolvimento do bebê durante a gestação e amamentação. Agora os estudos da microbiota ampliam a importância da alimentação saudável materna para várias outras áreas da saúde infantil. Cuidemos com carinho das nossas bactérias!

Referências

Bode L, McGuire M, Rodriguez JM, Geddes DT, Hassiotou F, Hartmann PE, McGuire MK. It’s alive: microbes and cells in human milk and their potential benefits to mother and infant. Adv Nutr. 2014 5(5):571-3.

Conlon MA, Bird AR. The Impact of Diet and Lifestyle on Gut Microbiota and Human Health. Nutrients. 2015;7(1):17-44.

Funkhouser LJ, Bordenstein SR. Mom knows best: the universality of maternal microbial transmission. PLoS Biol. 2013;11(8):e1001631.

Liu X, Cao S, Zhang X. Modulation of Gut Microbiota-Brain Axis by Probiotics, Prebiotics, and Diet. J Agric Food Chem. 2015 Sep 16;63(36):7885-95.

West CE. Probiotics for allergy prevention. Beneficial Microbes 2016 7:2, 171-9.

8 jun Aleitamento Materno

Ordenha e Armazenamento de Leite


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Por Gabriela Sintra Rios – Psicóloga e Coordenadora do Grupo de Amamentação da Casa Curumim.

Com o retorno ao trabalho ou mesmo naqueles momentos em que a mãe precisa se ausentar por um tempo e deixar seu bebê com outro responsável, surgem muitas dúvidas a respeito de como realizar a ordenha e armazenar o seu leite.

Algumas mães encontram mais facilidade em fazer a retirada manualmente e vão adquirindo prática ao longo da amamentação, outras preferem a bomba mecânica que geralmente podem ser alugadas ou adquiridas, contudo com o avanço da tecnologia e com a disponibilidade de materiais mais modernos no mercado, é importante ressaltar que estas quando não usadas de maneira correta podem acarretar lesões mamilares.

Existem algumas razões importantes para ordenhar o leite materno. A ordenha contribui para o aumento da produção de leite e mantém a lactação. Ajuda a amenizar o ingurgitamento mamário e a prevenção de uma mastite – as ordenhas de alívio ajudam a mãe nos momentos em que os peitos estão muito doloridos e cheios. Prepara as mamas tornando-as mais macias na região dos mamilos e aréola – parte escura da mama -, afim de facilitar a pega e favorecer a mamada do bebê. O leite pode ser retirado e oferecido ao bebê que por algum motivo não pode ser amamentado. A mãe pode se sentir à vontade para doar a bancos de leite, caso produza em demasia.

Como preparar as mamas para a retirada de leite

Importante que a mãe esteja com as mãos limpas, com os cabelos presos e protegendo a boca e o nariz com máscara. Não há necessidade de higienizar as mamas, mas caso realize, procure usar apenas água, pois o sabão muitas vezes pode ressecar os mamilos. Procure sentar em uma posição confortável com os ombros relaxados e o corpo levemente inclinado para a frente. Para a ordenhar é sempre importante a mãe realizar uma massagem prévia com movimentos circulares que podem percorrer a região da aréola e toda a extensão da mama.

Como retirar o leite

Com os dedos em forma de “C” procure posicionar o dedo polegar na aréola acima da aréola do mamilo e o indicador abaixo, os outros dedos irão sustentar a mama. Pressione a região da aréola com movimentos firmes, aproximando os dedos e direcionando-os para o tórax, de forma intermitente (tipo “aperta-solta”), até o leite começar a fluir. Procure não pressionar somente o bico, pois não irá sair nada de leite. As primeiras gotas de leite devem ser desprezadas (em média 0,5 a 1 ml).
No começo pode sair pouco leite, mas com a estimulação o leite começará a pingar ou sair em pequenos jatos. A mãe pode mudar a posição dos dedos, assim facilita o esvaziamento de todas as partes da mama. Ao final aplique delicadamente gotas de leite na região dos mamilos e aréola.

Como conservar e fazer o descongelamento do leite

Utilize sempre recipientes de vidro e com tampas de plástico, estes devem ser previamente esterilizados. Uma boa forma de esterilizar é ferver o vidrinho por 15 minutos, ou mesmo usando esterilizadores de micro-ondas pelo tempo determinado na embalagem do esterilizador. Em seguida escorra o vidro e a tampa sobre um pano limpo até secarem naturalmente.

Segundo a Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano, o leite ordenhado e congelado deve ser estocado por um período máximo de 15 dias a partir da data da coleta, sendo mantido em temperatura máxima de -3 °C (congelador ou freezer). Essas normas foram adotadas aqui no Brasil, devido ao fato de morarmos em um país tropical, onde há mudanças constantes de temperatura, e com isso esse tempo máximo garante sua qualidade.

Caso seja ordenhado e oferecido por um período de até 12 horas, este poderá ser mantido na geladeira em temperatura máxima de 5 °C (guardado na prateleira da geladeira e não na porta, pois com o abrir e fechar pode ocorrer a oscilação de temperatura).

O frasco não precisa ficar totalmente cheio, a mãe pode completa-lo aos poucos com outras coletas, mas é importante deixar um espaço de pelo menos dois dedos entre a borda do frasco e o leite.

Caso a ordenha seja feita no trabalho, as dicas são as mesmas, porém procure transportar o leite bem congelado para casa em bolsas ou caixas térmicas, vale utilizar aqueles gelox para manter a temperatura. Identifique o frasco com a data e hora da coleta. O leite utilizado será sempre com a data dos mais velhos para os mais novos.

No momento do descongelamento, coloque o leite em um recipiente em banho-maria, aquecendo sem ferver, ao desligar o fogo, a temperatura da água deve estar em torno dos 40 ºC, sendo possível tocar a água sem se queimar. O frasco deve então permanecer na água aquecida até descongelar completamente o leite. Importante salientar que o leite materno não deve ser levado ao micro-ondas para o seu descongelamento ou aquecimento, pois este procedimento pode destruir seus fatores de proteção.

Dicas importantes para as mães

Para as mães que trabalham fora, procure amamentar o seu bebê sempre que você estiver em casa, assim a produção de leite é mantida; Quando mais você der de mamar neste período que estiver com seu bebê, mais leite você terá; Procure amamentar logo pela manhã ao acordar, á tarde quando regressar do trabalho e a noite antes de adormecerem; Aproveite os finais de semana para amamentar com mais frequência, pois estará estimulando a produção e reforçando o vínculo entre você se seu bebê. Após descongelar o leite descongelado, retire somente a quantidade que o bebê for tomar. Ofereça o leite em copinho, xícara ou colher, e caso ele não tome todo o leite a sobra que tocar a boca do bebê deverá ser desprezada.

23 set Aleitamento Materno

A livre demanda do ponto de vista nutricional


por Rachel Francischi, nutricionista da Casa Curumim

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O adulto pode ficar algumas ou várias horas sem comer. O seu metabolismo sabe enfrentar períodos de jejuns sem grandes prejuízos para o corpo humano. Assim, a maioria de nós pode aguardar os momentos oportunos para receber alimentos. Diversos hormônios são liberados na corrente sanguínea, no momento exato e na quantidade certa para permitir as diversas reações químicas de adaptação do corpo para a presença ou não do alimento. Insulina, glucagon, cortisol são exemplos desses hormônios.

Mas… um bebê não pode esperar. Sua sensação de fome é muito, muito intensa! Além disso, sua comida (o leite materno) muda substancialmente ao longo do tempo. O leite materno muda inclusive se sofre atrasos para ser oferecido. Isso porque o leite materno não é um alimento morto, é um alimento vivo, em constante evolução a cada mamada!

A quantidade de gordura muda muito durante uma mamada, e o bebê precisa muito dessa gordura do leite materno. A composição do leite materno muda também entre as mamadas. Por exemplo, o leite do inicio de uma mamada tem pouco gordura, e o leite ao final da mamada chega ter cinco vezes mais gordura. A gordura é fundamental para o adequado crescimento do bebê. O leite materno da manhã não é exatamente o mesmo leite materno da noite.

De forma simplificada, podemos dizer que a composição do leite materno (especialmente a quantidade média de gordura) numa determinada mamada depende de quatro fatores: tempo entre as mamadas; quantidade de gordura no final da mamada anterior; volume (quantidade de leite) mamado na mamada anterior; e volume consumido na mamada atual. É assim que a natureza regula a composição do leite materno.

Pois é! Um bebê que mama 50 mL de cada peito não é o mesmo que aquele bebê que toma 100 mL de um só peito. E a dieta do bebê que toma 100 mL a cada duas horas é completamente diferente daquele que toma 200 ml a cada quatro horas.

Isso porque a quantidade de gordura diminui com o tempo transcorrido desde a mamada anterior (quanto mais tempo de intervalo entre as mamadas, menos gordura terá no leite materno da mamada atual). E a quantidade de gordura no leite materno aumenta com a concentração de gordura no final da mamada anterior. Também aumenta quanto mais leite saiu na mamada anterior. E também aumenta quanto mais leite estiver saindo na mamada atual.

Por exemplo, um bebê que mama numa mesma mamada dos dois peitos raramente acaba com o leite mamado no segundo peito. Nesse caso, ele mama cerca de dois terços de leite menos gorduroso (leite mais diluído) e um terço de leite concentrado. Por outro lado, o bebê que mama de um só peito na mamada, toma cerca de metade de leite diluído e metade de leite concentrado.

O leite materno é um alimento versátil. Para o bebê, não é nada monótono se alimentar apenas dele. Isso porque o bebê não come sempre o mesmo alimento quando está recebendo o aleitamento materno sob livre demanda. Podemos dizer que ele tem a sua disposição um cardápio variado para escolher, desde o equivalente a uma sopa levinha até sobremesas bem cremosas!

O bebê então “escolhe” seu cardápio de leite materno dando instruções ao peito através de três chaves:

1) A quantidade de leite que mama a cada mamada (quer dizer, mamando mais ou menos tempo e com maior ou menor intensidade).

2) O tempo entre uma mamada e a próxima mamada.

3) Tomar só de um peito ou de ambos peitos.

O que um bebê é capaz de fazer com o leite materno é autêntica engenharia de alimentos para obter exatamente a nutrição que necessita diariamente. O controle que o bebê tem sobre sua própria dieta é total e perfeito quando pode variar estas três chaves. Impor um regime de horários (dar de mamar a cada 3 horas por exemplo) é impedir a sábia natureza de agir e regular a exata nutrição que o bebê precisa. Nisso é que consiste o aleitamento materno sob livre demanda: que o bebê decida quando vai mamar, por quanto tempo vai mamar e se vai mamar de um peito apenas ou dos dois peitos.

Referencias bibliográficas

González C. Un regalo para toda la vida: guía de lactancia materna. Madrid, Ed Temas de Hoy, 2009.

González C. Mi niño no me come. Madrid, Ed Temas de Hoy, 2011.

León-Cava N, Lutter C, Ross J, Martin L. Cuantificación de los beneficios de la lactancia materna: reseña de la evidencia. Washington, Organización Panamericana de la Salud, 2002.

7 ago Aleitamento Materno

Amamentação e trabalho: para dar certo, o compromisso é de todos!


Hoje o bate-papo com a Dra. Honorina de Almeida, a Dra. Nina, pediatra especialista em aleitamento materno da Casa Curumim é sobre como a mulher deve se preparar para o retorno ao trabalho e seguir amamentando.

A mãe carrega seu bebê durante 9 meses de gestação e após o nascimento desenvolve a dedicação em tempo integral que é necessária nesses primeiros meses de vida fortalecendo ainda mais essa relação entre mãe e bebê. Quando a licença-maternidade chega ao fim, a dor dessa separação pode ser muito forte. Muitas mães já começam a sofrer desde as primeiras semanas só com o pensamento da volta ao trabalho. Então é importante que ela possa aproveitar esses primeiros meses com o bebê mas no momento adequado se preparar para se separar do bebê.

“A mulher pode se dar o direito de sofrer, faz parte do processo e a sensação de abandono em relação ao filho é enorme, mas voltar ao trabalho também é positivo, apesar de um tanto precoce na maioria das empresas brasileiras”, afirma a Dra. Nina.
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No Brasil, muitas empresas públicas e também um número cada vez mais crescente de empresas privadas garantem 6 meses de licença maternidade. Mas ainda a maioria das empresas trabalham com o que lei (CLT) determina: licença-maternidade de 4 meses e duas pausas de meia hora para alimentar o bebê/ ordenhar o leite durante a jornada de trabalho até o 6º mês de vida do bebê.

Para amenizar o impacto da distância, as mães podem adotar algumas medidas para prepara-lás e preparar o bebê para a separação que virá. Ela pode começar a sair por algum tempo para que possa ficar algum tempo longe da presença dela e também possa estar com a pessoa que vai cuidar dele. Assim ela e o bebê poderão vivenciar a situação de estarem um sem o outro por algum tempo.

Quem vai cuidar e onde o bebê vai ficar na volta ao trabalho?

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Segundo a Dra. Nina, o ideal é ir amadurecendo as soluções. Decidir quem vai cuidar do bebê, quando começar a ordenhar e a armazenar o leite, no local de trabalho como o leite será ordenhado, armazenado e transportado. Além é claro, de ensinar o bebê a se alimentar sem ser pelo peito. Ir aos poucos e com paciência oferecendo o leite no copinho para que a transição seja tranquila e deixando a pessoa que vai cuidar do bebê alimentá-lo. Quando o retorno ao trabalho acontece depois dos 6 meses e o bebê já come, a situação é muito mais fácil.

“A mulher tem que saber que é assim, que não é só ruim voltar a traballhar, que existem coisas boas neste processo. Um estudo recente mostrou que filhos de mães que trabalham fora são mais educados e independentes e as filhas são mais bem sucedidas do que filhas de mulheres que não trabalharam fora. Provavelmente temos esses resultados pois os pais são o maior exemplo para os filhos. Por outro lado, também temos estudos que mostram que para a criança não é bom se os pais trabalham em demasia e ficam muito tempo fora de casa. O desafio atual é encontrar um meio termo e ficar o mínimo de tempo fora de casa. Vale a pena dizer também que tentar organizar no trabalho, para ficar o mínimo possível fora de casa. Tentar um acordo com o chefe para flexibilizar o horário. Um dos pais pode entrar no trabalho mais cedo e assim voltar mais cedo para casa. O outro começa mais tarde. Enfim, pensar nas possibilidades para que o bebê possa ficar o maior tempo possível com um dos pais. Quando se tem familiares que podem cuidar, melhor ainda”, completa a Dra.

A empresa deve dar suporte àa mãe nesse retorno, mas como sabemos, muitas pessoas não conhecem a importância do leite materno e cada mãe que retorna ao trabalho pode conversar com seus colegas de trabalho sobre o tema. Explicar que o leite materno protege seu filho, que ficará menos doente, e estará mais contente com o sucesso da amamentação.

ordenha-humanaQuando o bebê vai para um bercário, há que ter recursos para ajudar essa mãe a manter a amamentação. Às vezes, o berçário tem resistência quanto a receber o leite materno ordenhado, então é interessante a família mostrar como funciona o processo para descongelar, como oferecer no copinho e sempre destacar que chupeta e mamadeira são grandes vilões do aleitamento materno.

O que é preciso para manter a produção de leite após a volta ao trabalho?

leiteee-armazenado-1Para manter a produção é essencial esvaziar as mamas quando a mãe estiver longe do bebê, extraindo seu leite em intervalos regulares. Quanto mais se retira o leite, mais leite se produz. Por isso, quando a mãe estiver com o bebê o ideal é que ela ofereça o peito sempre que ele solicitar. Assim, a mulher que trabalha poderá continuar amamentando seu bebê de manhã, antes de sair de casa e após retornar do trabalho.

Lembrando que a Semana Mundial de Aleitamento Materno, que acontece de 1 a 7 de agosto, com o tema Amamentação e Trabalho: para dar certo, o compromisso é de todos, reforça a importância de as empresas terem salas de apoio para as trabalhadoras continuarem a amamentação mesmo com a volta à vida profissional. Nas salas de apoio, a mãe pode retirar e armazenar o leite para ser oferecido posteriormente ao bebê. As empresas também são incentivadas a oferecer licença maternidade de seis meses e creches próximas ao trabalho. O incentivo à licença prolongada segue a recomendação de profissionais de que, até os seis meses, a criança não receba nenhum outro alimento ou bebida além do leite humano.

6 ago Aleitamento Materno

Aprendendo sobre relactação


Em um bate-papo com a Dra. Honorina de Almeida (Dra. Nina), pediatra especialista em aleitamento materno da Casa Curumim, ela explicou sobre a relactação, uma técnica que ajuda muitas mulheres a produzir leite para seus bebês – sejam eles biológicos ou não.

Ela contou que quando a mulher já amamentou e por algum motivo o leite secou, através do processo da relactação ela consegue recuperar a produção de leite e amamentar novamente.

imagem de relactação

“A técnica pode ser feita de várias maneiras. Geralmente, usamos um equipamento chamado Sistema de Nutrição Suplementar que é mais conhecido como relactador. Como mostra a figura ao lado é um sistema simples que leva o leite (colocado em um frasco) para o bebê através de uma sonda que é grudada no peito da mulher de maneira que fique dentro da boca do bebê quando ele estiver sugando o peito. Ele vai mamar no peito enquanto recebe o leite, que pode ser o materno ou fórmula láctea”, explica a Dra. Nina.

Essa técnica é usada por mulheres que fizeram cirurgias de mama, com baixa produção de leite ou para bebês que por algum motivo específico não conseguem sugar todo o leite da mãe. É uma maneira de incluir o complemento para os bebês que precisam, sem ter que usar a mamadeira, grande vilã da amamentação.

A Dra. Explica que a estimulação das mamas, pela sucção do bebê, favorece a produção de leite.

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Segundo a Dra. Nina, toda vez que o bebê recebe o leite que não seja através do peito ele deixa de estimular a mama a produzir leite. Se ele mama o leite que precisa sugando o peito, há duas grandes vantagens: a primeira é que enquanto ele está recebendo o complemento através da relactação, ele está sugando a mama, que funciona assim, quanto mais suga, mais produz. E a segunda, é que evita a confusão de bicos, situação na qual normalmente o bebê opta pela mamadeira, onde o fluxo de leite é maior e o esforço menor.

Durante o processo da relactação é fundamental não dar a mamadeira ao bebê. Por isso, caso haja a necessidade de dar o leite sem ser no relactador, a mulher deve optar por um copinho.

Mães adotivas

Para a mulher que adotou um bebê e mesmo que nunca tenha amamentando nem engravidado e tem o desejo de vivenciar este momento, utiliza-se o mesmo sistema. Nesse caso, chama-se lactação induzida. Também pode ser necessário o auxílio de medicações capazes de estimular a produção do hormônio prolactina -, que induz a produção de leite. Um bom planejamento para as estimulações das mamas também é importante nessa situação.

Segundo a Dra. Nina, mais do que a vontade de nutrir o bebê há o desejo de conexão com aquela criança, de criação de vínculo através do contato. Um momento mágico que proporcionará uma ligação profunda entre aquela mulher e aquele bebê, que apesar de não ter sido gerado em seu ventre, se conectará à ela através do olhar, do contato pele-a-pele e do alimento.

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