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26 ago Aleitamento Materno

Método Canguru no Brasil: 15 anos de Política Pública


Por Paulo Vicente Bonilha Almeida

Um dos grandes desafios para todos nós, brasileiros, refere-se ao cuidado de nossas crianças. Uma conjunção de políticas públicas volta- das para a gestante, criança e família vem sendo desenvolvida pelo País nas últimas décadas levando a alguns resultados exitosos, embora saiba- mos que ainda há muito o que fazer.

Nesta perspectiva, destacamos a Atenção Humanizada ao Recém- -Nascido (RN) de Baixo Peso – Método Canguru, política pública nacional desde o ano 2000, que vem modificando o paradigma do cuidado perinatal e contribuindo para a redução da morbimortalidade neonatal.

O Brasil apresentou redução de 77% das mortes na infância desde 1990 até 2012, com isso cumprindo, com três anos de antecedência, o Objetivo de Desenvolvimento do Milênio (ODM) número 4, que previa a redução em 2/3 da mortalidade desse público entre 1990 e 2015. Em 1990 a taxa brasileira indicava que a cada mil crianças nascidas vivas, 58 mor- riam antes de completar cinco de anos de vida. Em 2012, o índice foi reduzido para 16/1.000, o quinto maior ritmo de queda do mundo deixando conosco a tarefa de identificarmos a cada momento as questões que irão determinar a redução desses índices.

Estes resultados, segundo uma publicação da revista Lancet, em 2013, foram atribuídos, em grande parte, à expansão da Atenção Básica no país, por meio da Estratégia Saúde da Família (ESF), somada ao benefício do programa de transferência de renda Bolsa-Família, que possibilitaram melhorias nas condições de educação e saúde, garantindo às famílias mais vulneráveis, maior cobertura de vacinação, de consultas de pré-natal e puericultura, entre outras.
Destacamos, ainda, a Política Nacional de Aleitamento Materno, com suas múltiplas estratégias de ação (Iniciativa Hospital Amigo da Criança, Estratégia Amamenta e Alimenta Brasil, Ação Mulher Trabalhadora que Amamenta, Rede Brasileira de Bancos de Leite e campanhas anuais de mobilização social) a qual tem conseguido ampliar as taxas de aleitamento materno de forma significativa contribuindo efetivamente para que o País atingisse as metas internacionais. Nas capitais brasileiras e no Distrito Federal, o tempo médio de aleitamento materno aumentou em um mês e meio entre 1999 a 2008.

O Programa Nacional de Imunização, que em 2013 completou 40 anos, conseguiu que o País eliminasse a ocorrência de muitas doenças imunopreveníveis e já vem conseguindo ofertar as vacinas recomenda- das pela Organização Mundial de Saúde (OMS), mantendo altos índices de cobertura vacinal.

Mais recentemente, o Ministério da Saúde, a partir da Rede Cegonha, fortaleceu medidas para o enfrentamento da mortalidade materna e infantil (em especial no componente neonatal cuja redução tem se mos- trado mais lenta) a partir do fomento à atenção integral e humanizada às gestantes e aos bebês, qualificando o pré-natal, apoiando a adoção das boas práticas obstétricas e neonatais, baseadas em evidências e preconizadas pela OMS. Entre essas práticas, destacamos o enfrentamento às cesáreas sem indicação médica precisa, que favorecem o nascimento pré-termo ou em idade gestacional limítrofe e, consequentemente, uma série de complicações.

A Rede Cegonha possibilitou ainda a criação de mais de 1.000 leitos de Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN) e por meio da Portaria GM-MS 930/2012, instituiu o conceito de “cuidado progressivo”, buscando a continuidade do cuidado, desde a UTIN, passando pelo leito de Uni- dade de Cuidados Intermediários Convencional, até chegar à Unidade de Cuidados Intermediários Canguru. Esta tipologia de leito canguru é outra inovação citada na portaria, que reforçou a garantia do direito do recém- -nascido internado em UTIN contar com sua mãe, pai ou cuidador 24h por dia, conquistas normativas fortemente influenciadas pelas práticas do Método Canguru no País.
Iniciativa igualmente importante no âmbito da Rede Cegonha, do ponto de vista da qualificação e humanização da atenção, foi a normatização de diretrizes de atenção ao RN no momento do nascimento. A tríade de boas práticas – clampeamento oportuno do cordão umbilical, contato pele a pele e aleitamento materno na primeira hora de vida – associada à garantia de oferta de profissionais capacitados em reanimação neonatal, são fundamentais para a redução da morbidade e do componente neonatal da mortalidade infantil.

Considerando todo o acima exposto, percebe-se que o atual contexto da saúde da criança no Brasil, não permite mais que as políticas públicas se contentem com a sobrevivência infantil, precisando necessariamente, a exemplo de muitos países, da estruturação de políticas públicas que ao mesmo tempo se preocupem com o pleno desenvolvimento na primeira infância.

Neste sentido, foram articuladas estratégias que culminaram, em 2015, com a publicação da Política de Atenção Integral à Saúde da Criança (PNAISC). Esta política agrega sete eixos que perpassam todas as redes de atenção à saúde, envolvendo ações que vão desde a atenção humanizada perinatal até o desenvolvimento integral da criança. Um dos sete eixos é a Atenção Humanizada ao Recém-Nascido – Método Canguru.

No Brasil, o Método Canguru sempre foi utilizado como um cuidado diferenciado visando à qualidade da assistência. Ao completar 15 anos de política no País, destaca-se além da redução da mortalidade, uma série de vantagens evidenciadas em publicações científicas, entre elas um melhor desenvolvimento neuropsicomotor.

A estratégia de disseminação do Método Canguru, historicamente adotada pela Coordenação Geral de Saúde da Criança e Aleitamento Materno do Ministério da Saúde brasileiro, com a criação de Centros de Referência e formação maciça de tutores para a disseminação do Método tem permitido sua implantação crescente em mais e mais hospitais.

O sucesso da capacitação dos hospitais de ensino do País, sendo vários deles referência nacional na atenção neonatal, foi outra conquista, com destaque para os que compõem a Rede Brasileira de Pesquisa Neo- natal. Muitos, nos últimos anos, não apenas aderiram ao Método Canguru, mas estão atuando como multiplicadores em sua região, cumprindo com seu papel de formação e extensão universitária.

Este modo de trabalhar e seus resultados já colocaram o País em evidência no âmbito internacional, trazendo um novo desafio de responder a crescentes demandas de países interessados em firmar parcerias de cooperação internacional com o Brasil. Neste sentido, é também com júbilo que o Ministério da Saúde pode anunciar que em 2015 foi iniciada a primeira Cooperação Internacional neste campo, apoiando El Salvador a ser mais um país a ter seus recém-nascidos beneficiados pelo Método Canguru.

No âmbito nacional, o desafio maior que ora se apresenta é a qualificação das equipes de Atenção Básica do País para uma atenção qualificada à criança que nasceu pré-termo egressa de internação neonatal, na 3a etapa do Método Canguru. O objetivo é que os profissionais da Atenção Básica sintam-se seguros para acolher e acompanhar essas crianças, utilizando-se deste Método, de forma compartilhada com a equipe multiprofissional da maternidade de nascimento do bebê.

Esta publicação cumprirá papel importante como registro histórico e para a consolidação da implementação desta Política Nacional em todos os aspectos aqui abordados, se tornando leitura obrigatória por todos os profissionais e gestores do Sistema Único de Saúde (SUS) empenhados em ofertar uma atenção mais qualificada e humanizada a cada brasileirinha e brasileirinho de nosso país.

Finalmente, não poderia encerrar sem deixar de prestar, em nome do Ministério da Saúde, uma justa homenagem à Profa. Zeni Lamy, docente da Universidade Federal do Maranhão, que, com tanto brilhantismo e dedicação vem coordenando a expansão e o fortalecimento desta Política no País. Na pessoa dela homenageio e agradeço a Luiza Geaquinto, responsável pela Política na Coordenação Geral Saúde da Criança e Aleitamento Materno – GSCAM, aqui no Ministério da Saúde e a cada um dos não menos devotados Consultores Nacionais e Tutores Estaduais do Método Canguru, que compõem este belo e generoso time de verdadeiros militantes pelo SUS e pela saúde dos bebês e suas famílias no Brasil!
Boa leitura!

Anexo de E-mail

4 ago Aleitamento Materno

As bactérias do leite materno


Por Rachel Francischi, Nutricionista da Casa Curumim

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Sim, o leite materno contém bactérias! E elas são muito desejadas, por mais estranho que possa parecer. Os micróbios do leite materno ajudam no desenvolvimento e amadurecimento do sistema imunológico do bebê, na resistência contra infecções e até mesmo na proteção contra o aparecimento de alergias e asma na infância!

O contato com essas bactérias saudáveis da mãe é extremamente importante para o desenvolvimento infantil. Partos tipo cesarianas e o uso de leite artificial vêm contribuindo para o aumento de alergias e doenças mediadas pelo sistema imunológico devido à falta da exposição do bebê às saudáveis bactérias maternas.

Então vamos entender um pouco melhor desse assunto:

Nós temos trilhões de bactérias no nosso intestino. Essas bactérias são chamadas de microbiota intestinal. Já foram identificadas mais de 500 espécies diferentes, sendo algumas muito saudáveis e outras nem tanto. Uma microbiota intestinal adequada depende de vários fatores, como nascimento por parto normal, aleitamento materno e consumo de dieta equilibrada. A microbiota equilibrada e saudável traz muitos benefícios para o ser humano:

- produção de vitaminas (vitamina K, vitamina B12) para o nosso corpo;
- modulação do funcionamento do nosso sistema imunológico, diminuição de alergias e de doenças inflamatórias;
- regulação do funcionamento do intestino;
- formação de barreira intestinal para impedir a entrada de patógenos (os outros micróbios causadores de doença);
- melhora na absorção de nutrientes, tais como ferro, zinco e vitamina D;
- modulação do funcionamento do sistema nervoso (através do eixo de comunicação intestino-cérebro): emoções e comportamentos ligados à depressão, ansiedade, estresse, memória, aprendizagem, e até mesmo autismo;
- regulação da sensação de saciedade, do desenvolvimento da obesidade e do diabetes mellitus.

No entanto, fatores como o uso de medicamentos, a alimentação desbalanceada, o estresse físico e/ou mental podem desequilibrar nossa população de bactérias do “bem” e do “mal” no intestino. E aí todos esses benefícios para a saúde podem ser perdidos!

Assim como no intestino, há também centenas de espécies de bactérias no leite humano, e há uma grande variação dos tipos de bactérias de mãe para mãe. O leite materno é um alimento probiótico por natureza! As bactérias variam desde o colostro e ao longo dos meses de amamentação, uma sabedoria impressionante para garantir ao bebê as melhores bactérias possíveis em cada etapa do seu crescimento.

E como as bactérias chegam até o leite materno? Os cientistas ainda estão descobrindo os mecanismos exatos e acreditam que existe uma conexão através das circulações sanguínea e linfática, desde o intestino da mãe até as glândulas mamárias.

Até bem pouco tempo atrás, acreditava-se que era somente no trabalho de parto que o bebê entrava em contato por primeira vez com as bactérias maternas para formar a sua microbiota intestinal. No parto normal, sabemos que bebê é colonizado especialmente por bactérias saudáveis naturalmente presentes na vagina e na pele materna, diferentemente do parto cesárea. Nos últimos anos, a descoberta de bactérias maternas também no cordão umbilical, no líquido amniótico, nas membranas fetais e no mecônio de bebês saudáveis contraria a ideia que o útero seja um ambiente estéril. Os estudos recentes sugerem que desde o útero o bebê já está em contato com as bactérias da mãe.

Ou seja, os tipos de bactérias que o feto encontra no útero da mãe, e não só no tipo de parto e no tipo de aleitamento (materno ou artificial), podem influenciar a programação metabólica que esse bebê terá ao longo de toda a vida!

E parece que até mesmo a cólica do recém-nascido pode ter relação com a microbiota não saudável no intestino da mãe e consequentemente do bebê. A teoria dos pesquisadores é que a microbiota não saudável do bebê pode alterar a junção das células intestinais, interferindo na motilidade e permeabilidade do intestino do bebê (através de processos inflamatórios, nervosos e/ou hormonais), podendo causar dores abdominais e cólicas no recém-nascido.

Tudo isso ainda é muito novo na ciência, as hipóteses ainda estão sendo testadas para que possamos atuar tanto na prevenção como no tratamento de cólicas, alergias e doenças. Mas já sabemos que quanto mais saudáveis forem os tipos de bactérias no intestino da mãe e consequentemente no útero e no leite materno, melhor será o desenvolvimento do bebê, especialmente do seu sistema imunológico.

E claro que sabemos que o leite materno é sempre superior a qualquer leite artificial, independentemente da microbiota materna. Sempre, sempre mesmo, o leite materno será o melhor alimento para o bebê independente da microbiota materna! E a ciência ainda está descobrindo como podemos melhorar ainda mais os tipos de bactérias do leite materno…

Sabemos que a variedade de bactérias saudáveis no nosso intestino diminuiu muito nas últimas décadas, principalmente pelo crescimento da urbanização e do uso de antibióticos. O alto grau de processamento/industrialização da nossa comida também interferiu na nossa microbiota. Não é de se surpreender que o tipo de bactérias no leite de mães de áreas rurais tende a ser mais saudável do que no leite de mães de áreas urbanas.

Os estudos apontam que a qualidade da dieta materna desde a gestação e consequentemente o perfil de bactérias do intestino da mãe modulariam quais os tipos de bactérias que fazem parte da vida uterina, do parto, do aleitamento e consequentemente da microbiota do bebê.

Se você quer ter bactérias saudáveis e transmitir ainda mais bactérias saudáveis pelo seu leite materno, cuide especialmente da sua dieta. O quê comemos alimenta as populações das nossas bactérias! E se queremos que o leite materno tenha colônias de bactérias das mais saudáveis que existem, cuidemos da dieta materna desde a gestação.

Caprichar nos alimentos naturais e ricos em fibras, especialmente as verduras, frutas e legumes naturais, os grãos integrais, a aveia, os feijões, os alimentos com nenhum ou menor grau de industrialização como os iogurtes naturais, poucos doces/açúcares e pouca farinha branca, pouca ou nenhuma fritura ou gordura hidrogenada, moderação no consumo de carnes e alimentos de origem animal são algumas dicas que podem ajudar na colonização e permanência da maior variedade de bactérias saudáveis na nossa microbiota intestinal.

O uso de probióticos (organismos vivos ingeridos que conferem benefícios para a nossa saúde) na dieta materna desde a gestação e no pós-parto também pode ser indicado, dependendo do estado nutricional materno.

Já sabíamos que a nutrição materna era fundamental para o crescimento e desenvolvimento do bebê durante a gestação e amamentação. Agora os estudos da microbiota ampliam a importância da alimentação saudável materna para várias outras áreas da saúde infantil. Cuidemos com carinho das nossas bactérias!

Referências

Bode L, McGuire M, Rodriguez JM, Geddes DT, Hassiotou F, Hartmann PE, McGuire MK. It’s alive: microbes and cells in human milk and their potential benefits to mother and infant. Adv Nutr. 2014 5(5):571-3.

Conlon MA, Bird AR. The Impact of Diet and Lifestyle on Gut Microbiota and Human Health. Nutrients. 2015;7(1):17-44.

Funkhouser LJ, Bordenstein SR. Mom knows best: the universality of maternal microbial transmission. PLoS Biol. 2013;11(8):e1001631.

Liu X, Cao S, Zhang X. Modulation of Gut Microbiota-Brain Axis by Probiotics, Prebiotics, and Diet. J Agric Food Chem. 2015 Sep 16;63(36):7885-95.

West CE. Probiotics for allergy prevention. Beneficial Microbes 2016 7:2, 171-9.

8 jun Aleitamento Materno

Ordenha e Armazenamento de Leite


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Por Gabriela Sintra Rios – Psicóloga e Coordenadora do Grupo de Amamentação da Casa Curumim.

Com o retorno ao trabalho ou mesmo naqueles momentos em que a mãe precisa se ausentar por um tempo e deixar seu bebê com outro responsável, surgem muitas dúvidas a respeito de como realizar a ordenha e armazenar o seu leite.

Algumas mães encontram mais facilidade em fazer a retirada manualmente e vão adquirindo prática ao longo da amamentação, outras preferem a bomba mecânica que geralmente podem ser alugadas ou adquiridas, contudo com o avanço da tecnologia e com a disponibilidade de materiais mais modernos no mercado, é importante ressaltar que estas quando não usadas de maneira correta podem acarretar lesões mamilares.

Existem algumas razões importantes para ordenhar o leite materno. A ordenha contribui para o aumento da produção de leite e mantém a lactação. Ajuda a amenizar o ingurgitamento mamário e a prevenção de uma mastite – as ordenhas de alívio ajudam a mãe nos momentos em que os peitos estão muito doloridos e cheios. Prepara as mamas tornando-as mais macias na região dos mamilos e aréola – parte escura da mama -, afim de facilitar a pega e favorecer a mamada do bebê. O leite pode ser retirado e oferecido ao bebê que por algum motivo não pode ser amamentado. A mãe pode se sentir à vontade para doar a bancos de leite, caso produza em demasia.

Como preparar as mamas para a retirada de leite

Importante que a mãe esteja com as mãos limpas, com os cabelos presos e protegendo a boca e o nariz com máscara. Não há necessidade de higienizar as mamas, mas caso realize, procure usar apenas água, pois o sabão muitas vezes pode ressecar os mamilos. Procure sentar em uma posição confortável com os ombros relaxados e o corpo levemente inclinado para a frente. Para a ordenhar é sempre importante a mãe realizar uma massagem prévia com movimentos circulares que podem percorrer a região da aréola e toda a extensão da mama.

Como retirar o leite

Com os dedos em forma de “C” procure posicionar o dedo polegar na aréola acima da aréola do mamilo e o indicador abaixo, os outros dedos irão sustentar a mama. Pressione a região da aréola com movimentos firmes, aproximando os dedos e direcionando-os para o tórax, de forma intermitente (tipo “aperta-solta”), até o leite começar a fluir. Procure não pressionar somente o bico, pois não irá sair nada de leite. As primeiras gotas de leite devem ser desprezadas (em média 0,5 a 1 ml).
No começo pode sair pouco leite, mas com a estimulação o leite começará a pingar ou sair em pequenos jatos. A mãe pode mudar a posição dos dedos, assim facilita o esvaziamento de todas as partes da mama. Ao final aplique delicadamente gotas de leite na região dos mamilos e aréola.

Como conservar e fazer o descongelamento do leite

Utilize sempre recipientes de vidro e com tampas de plástico, estes devem ser previamente esterilizados. Uma boa forma de esterilizar é ferver o vidrinho por 15 minutos, ou mesmo usando esterilizadores de micro-ondas pelo tempo determinado na embalagem do esterilizador. Em seguida escorra o vidro e a tampa sobre um pano limpo até secarem naturalmente.

Segundo a Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano, o leite ordenhado e congelado deve ser estocado por um período máximo de 15 dias a partir da data da coleta, sendo mantido em temperatura máxima de -3 °C (congelador ou freezer). Essas normas foram adotadas aqui no Brasil, devido ao fato de morarmos em um país tropical, onde há mudanças constantes de temperatura, e com isso esse tempo máximo garante sua qualidade.

Caso seja ordenhado e oferecido por um período de até 12 horas, este poderá ser mantido na geladeira em temperatura máxima de 5 °C (guardado na prateleira da geladeira e não na porta, pois com o abrir e fechar pode ocorrer a oscilação de temperatura).

O frasco não precisa ficar totalmente cheio, a mãe pode completa-lo aos poucos com outras coletas, mas é importante deixar um espaço de pelo menos dois dedos entre a borda do frasco e o leite.

Caso a ordenha seja feita no trabalho, as dicas são as mesmas, porém procure transportar o leite bem congelado para casa em bolsas ou caixas térmicas, vale utilizar aqueles gelox para manter a temperatura. Identifique o frasco com a data e hora da coleta. O leite utilizado será sempre com a data dos mais velhos para os mais novos.

No momento do descongelamento, coloque o leite em um recipiente em banho-maria, aquecendo sem ferver, ao desligar o fogo, a temperatura da água deve estar em torno dos 40 ºC, sendo possível tocar a água sem se queimar. O frasco deve então permanecer na água aquecida até descongelar completamente o leite. Importante salientar que o leite materno não deve ser levado ao micro-ondas para o seu descongelamento ou aquecimento, pois este procedimento pode destruir seus fatores de proteção.

Dicas importantes para as mães

Para as mães que trabalham fora, procure amamentar o seu bebê sempre que você estiver em casa, assim a produção de leite é mantida; Quando mais você der de mamar neste período que estiver com seu bebê, mais leite você terá; Procure amamentar logo pela manhã ao acordar, á tarde quando regressar do trabalho e a noite antes de adormecerem; Aproveite os finais de semana para amamentar com mais frequência, pois estará estimulando a produção e reforçando o vínculo entre você se seu bebê. Após descongelar o leite descongelado, retire somente a quantidade que o bebê for tomar. Ofereça o leite em copinho, xícara ou colher, e caso ele não tome todo o leite a sobra que tocar a boca do bebê deverá ser desprezada.

23 set Aleitamento Materno

A livre demanda do ponto de vista nutricional


por Rachel Francischi, nutricionista da Casa Curumim

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O adulto pode ficar algumas ou várias horas sem comer. O seu metabolismo sabe enfrentar períodos de jejuns sem grandes prejuízos para o corpo humano. Assim, a maioria de nós pode aguardar os momentos oportunos para receber alimentos. Diversos hormônios são liberados na corrente sanguínea, no momento exato e na quantidade certa para permitir as diversas reações químicas de adaptação do corpo para a presença ou não do alimento. Insulina, glucagon, cortisol são exemplos desses hormônios.

Mas… um bebê não pode esperar. Sua sensação de fome é muito, muito intensa! Além disso, sua comida (o leite materno) muda substancialmente ao longo do tempo. O leite materno muda inclusive se sofre atrasos para ser oferecido. Isso porque o leite materno não é um alimento morto, é um alimento vivo, em constante evolução a cada mamada!

A quantidade de gordura muda muito durante uma mamada, e o bebê precisa muito dessa gordura do leite materno. A composição do leite materno muda também entre as mamadas. Por exemplo, o leite do inicio de uma mamada tem pouco gordura, e o leite ao final da mamada chega ter cinco vezes mais gordura. A gordura é fundamental para o adequado crescimento do bebê. O leite materno da manhã não é exatamente o mesmo leite materno da noite.

De forma simplificada, podemos dizer que a composição do leite materno (especialmente a quantidade média de gordura) numa determinada mamada depende de quatro fatores: tempo entre as mamadas; quantidade de gordura no final da mamada anterior; volume (quantidade de leite) mamado na mamada anterior; e volume consumido na mamada atual. É assim que a natureza regula a composição do leite materno.

Pois é! Um bebê que mama 50 mL de cada peito não é o mesmo que aquele bebê que toma 100 mL de um só peito. E a dieta do bebê que toma 100 mL a cada duas horas é completamente diferente daquele que toma 200 ml a cada quatro horas.

Isso porque a quantidade de gordura diminui com o tempo transcorrido desde a mamada anterior (quanto mais tempo de intervalo entre as mamadas, menos gordura terá no leite materno da mamada atual). E a quantidade de gordura no leite materno aumenta com a concentração de gordura no final da mamada anterior. Também aumenta quanto mais leite saiu na mamada anterior. E também aumenta quanto mais leite estiver saindo na mamada atual.

Por exemplo, um bebê que mama numa mesma mamada dos dois peitos raramente acaba com o leite mamado no segundo peito. Nesse caso, ele mama cerca de dois terços de leite menos gorduroso (leite mais diluído) e um terço de leite concentrado. Por outro lado, o bebê que mama de um só peito na mamada, toma cerca de metade de leite diluído e metade de leite concentrado.

O leite materno é um alimento versátil. Para o bebê, não é nada monótono se alimentar apenas dele. Isso porque o bebê não come sempre o mesmo alimento quando está recebendo o aleitamento materno sob livre demanda. Podemos dizer que ele tem a sua disposição um cardápio variado para escolher, desde o equivalente a uma sopa levinha até sobremesas bem cremosas!

O bebê então “escolhe” seu cardápio de leite materno dando instruções ao peito através de três chaves:

1) A quantidade de leite que mama a cada mamada (quer dizer, mamando mais ou menos tempo e com maior ou menor intensidade).

2) O tempo entre uma mamada e a próxima mamada.

3) Tomar só de um peito ou de ambos peitos.

O que um bebê é capaz de fazer com o leite materno é autêntica engenharia de alimentos para obter exatamente a nutrição que necessita diariamente. O controle que o bebê tem sobre sua própria dieta é total e perfeito quando pode variar estas três chaves. Impor um regime de horários (dar de mamar a cada 3 horas por exemplo) é impedir a sábia natureza de agir e regular a exata nutrição que o bebê precisa. Nisso é que consiste o aleitamento materno sob livre demanda: que o bebê decida quando vai mamar, por quanto tempo vai mamar e se vai mamar de um peito apenas ou dos dois peitos.

Referencias bibliográficas

González C. Un regalo para toda la vida: guía de lactancia materna. Madrid, Ed Temas de Hoy, 2009.

González C. Mi niño no me come. Madrid, Ed Temas de Hoy, 2011.

León-Cava N, Lutter C, Ross J, Martin L. Cuantificación de los beneficios de la lactancia materna: reseña de la evidencia. Washington, Organización Panamericana de la Salud, 2002.

7 ago Aleitamento Materno

Amamentação e trabalho: para dar certo, o compromisso é de todos!


Hoje o bate-papo com a Dra. Honorina de Almeida, a Dra. Nina, pediatra especialista em aleitamento materno da Casa Curumim é sobre como a mulher deve se preparar para o retorno ao trabalho e seguir amamentando.

A mãe carrega seu bebê durante 9 meses de gestação e após o nascimento desenvolve a dedicação em tempo integral que é necessária nesses primeiros meses de vida fortalecendo ainda mais essa relação entre mãe e bebê. Quando a licença-maternidade chega ao fim, a dor dessa separação pode ser muito forte. Muitas mães já começam a sofrer desde as primeiras semanas só com o pensamento da volta ao trabalho. Então é importante que ela possa aproveitar esses primeiros meses com o bebê mas no momento adequado se preparar para se separar do bebê.

“A mulher pode se dar o direito de sofrer, faz parte do processo e a sensação de abandono em relação ao filho é enorme, mas voltar ao trabalho também é positivo, apesar de um tanto precoce na maioria das empresas brasileiras”, afirma a Dra. Nina.
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No Brasil, muitas empresas públicas e também um número cada vez mais crescente de empresas privadas garantem 6 meses de licença maternidade. Mas ainda a maioria das empresas trabalham com o que lei (CLT) determina: licença-maternidade de 4 meses e duas pausas de meia hora para alimentar o bebê/ ordenhar o leite durante a jornada de trabalho até o 6º mês de vida do bebê.

Para amenizar o impacto da distância, as mães podem adotar algumas medidas para prepara-lás e preparar o bebê para a separação que virá. Ela pode começar a sair por algum tempo para que possa ficar algum tempo longe da presença dela e também possa estar com a pessoa que vai cuidar dele. Assim ela e o bebê poderão vivenciar a situação de estarem um sem o outro por algum tempo.

Quem vai cuidar e onde o bebê vai ficar na volta ao trabalho?

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Segundo a Dra. Nina, o ideal é ir amadurecendo as soluções. Decidir quem vai cuidar do bebê, quando começar a ordenhar e a armazenar o leite, no local de trabalho como o leite será ordenhado, armazenado e transportado. Além é claro, de ensinar o bebê a se alimentar sem ser pelo peito. Ir aos poucos e com paciência oferecendo o leite no copinho para que a transição seja tranquila e deixando a pessoa que vai cuidar do bebê alimentá-lo. Quando o retorno ao trabalho acontece depois dos 6 meses e o bebê já come, a situação é muito mais fácil.

“A mulher tem que saber que é assim, que não é só ruim voltar a traballhar, que existem coisas boas neste processo. Um estudo recente mostrou que filhos de mães que trabalham fora são mais educados e independentes e as filhas são mais bem sucedidas do que filhas de mulheres que não trabalharam fora. Provavelmente temos esses resultados pois os pais são o maior exemplo para os filhos. Por outro lado, também temos estudos que mostram que para a criança não é bom se os pais trabalham em demasia e ficam muito tempo fora de casa. O desafio atual é encontrar um meio termo e ficar o mínimo de tempo fora de casa. Vale a pena dizer também que tentar organizar no trabalho, para ficar o mínimo possível fora de casa. Tentar um acordo com o chefe para flexibilizar o horário. Um dos pais pode entrar no trabalho mais cedo e assim voltar mais cedo para casa. O outro começa mais tarde. Enfim, pensar nas possibilidades para que o bebê possa ficar o maior tempo possível com um dos pais. Quando se tem familiares que podem cuidar, melhor ainda”, completa a Dra.

A empresa deve dar suporte àa mãe nesse retorno, mas como sabemos, muitas pessoas não conhecem a importância do leite materno e cada mãe que retorna ao trabalho pode conversar com seus colegas de trabalho sobre o tema. Explicar que o leite materno protege seu filho, que ficará menos doente, e estará mais contente com o sucesso da amamentação.

ordenha-humanaQuando o bebê vai para um bercário, há que ter recursos para ajudar essa mãe a manter a amamentação. Às vezes, o berçário tem resistência quanto a receber o leite materno ordenhado, então é interessante a família mostrar como funciona o processo para descongelar, como oferecer no copinho e sempre destacar que chupeta e mamadeira são grandes vilões do aleitamento materno.

O que é preciso para manter a produção de leite após a volta ao trabalho?

leiteee-armazenado-1Para manter a produção é essencial esvaziar as mamas quando a mãe estiver longe do bebê, extraindo seu leite em intervalos regulares. Quanto mais se retira o leite, mais leite se produz. Por isso, quando a mãe estiver com o bebê o ideal é que ela ofereça o peito sempre que ele solicitar. Assim, a mulher que trabalha poderá continuar amamentando seu bebê de manhã, antes de sair de casa e após retornar do trabalho.

Lembrando que a Semana Mundial de Aleitamento Materno, que acontece de 1 a 7 de agosto, com o tema Amamentação e Trabalho: para dar certo, o compromisso é de todos, reforça a importância de as empresas terem salas de apoio para as trabalhadoras continuarem a amamentação mesmo com a volta à vida profissional. Nas salas de apoio, a mãe pode retirar e armazenar o leite para ser oferecido posteriormente ao bebê. As empresas também são incentivadas a oferecer licença maternidade de seis meses e creches próximas ao trabalho. O incentivo à licença prolongada segue a recomendação de profissionais de que, até os seis meses, a criança não receba nenhum outro alimento ou bebida além do leite humano.

6 ago Aleitamento Materno

Aprendendo sobre relactação


Em um bate-papo com a Dra. Honorina de Almeida (Dra. Nina), pediatra especialista em aleitamento materno da Casa Curumim, ela explicou sobre a relactação, uma técnica que ajuda muitas mulheres a produzir leite para seus bebês – sejam eles biológicos ou não.

Ela contou que quando a mulher já amamentou e por algum motivo o leite secou, através do processo da relactação ela consegue recuperar a produção de leite e amamentar novamente.

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“A técnica pode ser feita de várias maneiras. Geralmente, usamos um equipamento chamado Sistema de Nutrição Suplementar que é mais conhecido como relactador. Como mostra a figura ao lado é um sistema simples que leva o leite (colocado em um frasco) para o bebê através de uma sonda que é grudada no peito da mulher de maneira que fique dentro da boca do bebê quando ele estiver sugando o peito. Ele vai mamar no peito enquanto recebe o leite, que pode ser o materno ou fórmula láctea”, explica a Dra. Nina.

Essa técnica é usada por mulheres que fizeram cirurgias de mama, com baixa produção de leite ou para bebês que por algum motivo específico não conseguem sugar todo o leite da mãe. É uma maneira de incluir o complemento para os bebês que precisam, sem ter que usar a mamadeira, grande vilã da amamentação.

A Dra. Explica que a estimulação das mamas, pela sucção do bebê, favorece a produção de leite.

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Segundo a Dra. Nina, toda vez que o bebê recebe o leite que não seja através do peito ele deixa de estimular a mama a produzir leite. Se ele mama o leite que precisa sugando o peito, há duas grandes vantagens: a primeira é que enquanto ele está recebendo o complemento através da relactação, ele está sugando a mama, que funciona assim, quanto mais suga, mais produz. E a segunda, é que evita a confusão de bicos, situação na qual normalmente o bebê opta pela mamadeira, onde o fluxo de leite é maior e o esforço menor.

Durante o processo da relactação é fundamental não dar a mamadeira ao bebê. Por isso, caso haja a necessidade de dar o leite sem ser no relactador, a mulher deve optar por um copinho.

Mães adotivas

Para a mulher que adotou um bebê e mesmo que nunca tenha amamentando nem engravidado e tem o desejo de vivenciar este momento, utiliza-se o mesmo sistema. Nesse caso, chama-se lactação induzida. Também pode ser necessário o auxílio de medicações capazes de estimular a produção do hormônio prolactina -, que induz a produção de leite. Um bom planejamento para as estimulações das mamas também é importante nessa situação.

Segundo a Dra. Nina, mais do que a vontade de nutrir o bebê há o desejo de conexão com aquela criança, de criação de vínculo através do contato. Um momento mágico que proporcionará uma ligação profunda entre aquela mulher e aquele bebê, que apesar de não ter sido gerado em seu ventre, se conectará à ela através do olhar, do contato pele-a-pele e do alimento.

6 ago Aleitamento Materno

Relato de Amamentação


Amamentando minhas trigêmeas

Por Sabrina Martins Schvarcz, mãe de Luana, 11, Alex, 10 e Melissa, Cecilia e Laura, 3 anos

Eu já tinha dois filhos quando recebi a notícia de que seria mãe de trigêmeas. Melissa, Cecilia e Laura vieram ao mundo para virarem minha vida do avesso, e me ensinarem que é preciso muita paciência, disciplina e amor para se criar cinco filhos nos dias de hoje.

A gravidez foi relativamente tranquila, talvez por ter acontecido naturalmente, sem nenhum tipo de tratamento. Como eu já tinha passado pela experiência de estar grávida, não tinha muitas dúvidas e incertezas, nada era novidade, a não ser uma dose a mais de cansaço e cuidados. E depois de trinta e quatro semanas e um dia de gestação, elas nasceram respirando sozinhas e pesando 1,890kg, 1815kg e 1540kg, e foram direto para a UTI neonatal.

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Mas na rotina de mãe de UTI, tudo era novidade. Eu não amamentei no primeiro dia, nem no segundo, nem no terceiro. Tive que assinar um termo autorizando minhas pequenas a receberem leite materno pasteurizado doado, pois eu ainda não produzia o suficiente para as três. Fiquei em choque, e só naquele momento é que me dei conta, de que eu não amamentaria minhas trigêmeas exclusivamente, em livre demanda, como fiz com meus outros dois filhos.

Foi difícil vê-las na mamadeira tão pequenas, e recebendo um leite que não era meu, ainda que por sonda. Mesmo indo ao lactário diariamente a quantidade de leite que eu conseguia extrair era sempre insuficiente para as três, então alternávamos de modo que a cada mamada uma delas recebesse meu leite. Conforme foram sendo liberadas para mamar diretamente no peito, começaram a receber também complemento de leite artificial. Nos horários de mamadas eu estava sempre lá, mas muitas vezes a escolhida só queria dormir, e enquanto eu tentava despertá-la para mamar, via a irmã bem acordada e mamando toda a mamadeira oferecida pela enfermeira. Na mamada seguinte a cena era a mesma, ainda que com outras bebês, e assim sucessivamente, de modo que algumas vezes, apesar de estar disponível em todas as mamadas, acabava o dia e eu não tinha amamentado ninguém. Nesse esquema de rodízio, foi difícil fazer com que elas realmente aprendessem a mamar. Tive dificuldades com a pega correta, especialmente com a Cecilia, que era menorzinha e passou mais tempo na UTI.

Apesar de tantas limitações envolvendo o processo de amamentação das minhas trigêmeas, em nenhum momento pensei em desistir só pelo fato que de teriam que receber complemento na mamadeira de qualquer jeito. Reunidas em casa depois de quarenta e um longos dias de UTI neo, fiz uma planilha para organizar as mamadas. Ia alternando entre um peito e complemento para a primeira, outro peito e complemento para a segunda, e só complemento para a terceira, de forma que cada uma das meninas recebesse a maior quantidade de leite materno possível.

Não tive dificuldades com a amamentação dos meus filhos mais velhos, mas dessa vez foi tudo diferente. Eu sentia que aos poucos, elas mesmas iam mamando cada vez menos no peito e preferindo a mamadeira. Algumas vezes a segunda não tinha paciência de esperar eu acabar a mamada da primeira, e acabava ficando só na mamadeira também.

Ao final de cinco meses alimentando as meninas em livre demanda as mamadas já estavam bem dessincronizadas, e somente uma delas ainda gostava de mamar no peito. Ainda assim, todos os dias eu tirava leite com a bombinha para oferecer para as outras duas. Com a diminuição do interesse por parte delas a produção de leite foi também diminuindo, até que aos seis meses a quantidade de leite era muito pequena perto do que elas mamavam, e todas já preferiam a mamadeira. O processo de desmame aconteceu gradativamente, e embora eu tenha ficado chateada na época, as meninas naturalmente desmamaram aos seis meses de idade. Para mim que já havia amamentado dois filhos exclusivamente até os seis meses e depois seguido amamentando até um ano, foi difícil, pois de certa forma me sentia rejeitada pelas meninas.

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Hoje elas estão com quase quatro anos e são meninas grandes e saudáveis, nem de longe lembram os bebês frágeis que eu vi pela primeira vez na incubadora de UTI neo. São crianças alegres, brincalhonas, cheias de vida, aprontam muito e raramente ficam doentes. Quando olho para elas hoje, pouco sinto da tristeza que permeou todas as questões relacionadas à amamentação do trio nos primeiros meses de vida. O que ficou desse processo, são as lembranças boas dos momentos de cumplicidade, do olho-no-olho, e a certeza de que fiz o que estava a meu alcance para que pudessem ter o melhor de mim. O mais curioso é que até hoje elas adoram ver bebês sendo amamentados, e sempre que brincam de bonecas, costumam oferecer o peito para suas próprias filhinhas!

5 ago Aleitamento Materno

Relato de Amamentação


Por Bruno Mendonça Coêlho, pai da pequena Helena.

“Ter filhos não é para quem tem pressa.

… e Helena nasceu! O parto normal ocorreu, depois de bolsa rota, com o mínimo de intervenções possível. E quero salientar que foi assim não porque tenha qualquer apreço à ideia do parto desassistido tecnologicamente. Muito pelo contrário! Sou fã de carteirinha da tecnologia e dos avanços da ciência e, como não podia deixar de ser no nosso caso, parimos no Hospital Albert Einstein embasados por uma extensa leitura que fiz da literatura médica sobre parto e que me fez ficar tranquilo em sermos assistidos por uma equipe superpreparada que tinha essa conduta menos interventiva… e Helena nasceu.

E veio a hora de amamentar, afinal de contas é o que esperamos, ou ao menos, o que supomos que ocorrerá: que depois de 38 semanas no útero, tudo o que o bebê quer é o peito da mãe. Mas a realidade, às vezes, é muito mais complexa do que as campanhas pró amamentação da Unicef e do Ministério da Saúde fazem crer. Apesar de nossa vontade, Helena nasceu com dificuldades de amamentação e por mais que tentasse, não conseguia mamar no peito.

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Como tantas outras crianças que nascem antes das 39 semanas (o chamado termo precoce), ela não coordenava perfeitamente o mecanismo de sucção. O resultado disso é que a abertura da boca, a saída da língua e a pressão para puxar o leite não se entendiam. O maestro estava dormindo. Coisas de uma boca ainda pequenininha e de um sistema nervoso que poderia ter esperado e amadurecido um pouquinho mais antes de nascer. Uma semana a mais ou a menos nesta fase da vida faz muita diferença. Quando isso se junta a um mamilo um pouco menos “exuberante”… a zica é completa.

… e apesar da intervenção da equipe do berçário, nada de mamar. É justamente nesta hora que bate um desespero! Ela nasceu pequenininha e ainda não está mamando, o que fazer agora? E tudo o que ouvimos sobre amamentação exclusiva até os seis meses, como fica? E nem o pessoal do berçário do Hospital A. Einstein consegue resolver o problema… Diante deste cenário, cair em tentação (dar “complemento”, mamadeira etc) é a coisa mais fácil que existe, ainda mais quando não dispomos de meios para resolvê-lo. Felizmente dispúnhamos! Tiemi Yoshida, a pediatra de Helena e uma fã de rock muito animada — We rock it! —, nos encaminhou para Fernanda (Santa Fernanda, como diz Luiza).

Bem, Fernanda Cacciari (faço questão de dar os nomes, afinal são excelente profissionais e merecem ser valorizados!) é uma fonoaudióloga de Santos — Santista Fernanda!, né Luiza —, especialista em amamentação e alimentação infantil, que fez, e ainda faz, toda diferença na vida de Helena. Pra começar, nos acalmou em relação ao que estava acontecendo (deu-nos toda a explicação técnica acima). Além do mais, nos ensinou várias técnicas para amamentá-la que dispensam a necessidade de mamadeira além de estar nos acompanhado desde então.

Partindo do princípio de que a dor não é condição para amamentação, tem ajustado diariamente a “pegada” de Helena na mama de Luiza, possibilitando um aleitamento confortável. Também nos ajudou a retirar o leite com a bomba, a dar leite no copinho, com uma sonda, entre outras técnicas ninja para hora de mamar… E o trabalho trouxe seus frutos… há uns dias, com seis dias de vida, Helena “fez a pega” e mamou sozinha pela primeira vez!‼‼ E tem evoluído bastante dia-a-dia tornando bem mais fácil o processo de amamentar. Hoje, Luiza deu de mamar sem a ajuda de ninguém…

Mas porque contar toda essa história? A questão é que por falta de informação adequada, de ajuda especializada, muitas pessoas abdicam de amamentar seus filhos. Junto a isso, frases como “eu não tinha leite”, “o bebê não queria o peito”, “meu leite era fraco” entre outras ajudam a contaminar o cenário da amamentação. O problema é que quem mais sai perdendo é a criança, visto que muito da proteção imunológica do recém nascido vem do leite materno ¬— isso para citar só um dos benefícios do aleitamento. No nosso caso, tivemos a felicidade de sermos bem orientados e de encontrar uma pessoa especialista no assunto. Também somos afortunados por podermos arcar com essa orientação. Neste sentido, um último argumento para aqueles que pensam excessivamente nos custos: leite artificial, remédios, médicos e tratamentos ao longo do tempo (quem mama mais, fica menos doente ao longo da vida) também custam uma boa grana…

Ideal seria um protocolo nacional sistematizado para o aleitamento! Um bem para pais e filhos!”

3 ago Aleitamento Materno

Introdução da Alimentação Complementar e a Amamentação


Por Rachel Francischi

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Hoje escrevi um artigo sobre a introdução da alimentação complementar e a amamentação. Os temas se relacionam porque justamente a volta ao trabalho da mamãe muitas vezes acompanha a introdução dos primeiros alimentos na vida do bebê.

Qual a idade ideal que os primeiros alimentos devem ser introduzidos da vida do bebê?

Os primeiros alimentos devem ser oferecidos aos seis meses de idade do bebê.

Mas se a mãe vai voltar antes disso ao trabalho, a introdução alimentar deve ser antes dos seis meses?

Não. A amamentação deve ser exclusiva, ou seja, apenas leite materno, até os seis meses de idade, para garantir um sistema imunológico mais forte, menor risco de infecções, alergias e perfeito crescimento e desenvolvimento do bebê.
Em raríssimos casos, orientamos a introdução de alimentos com 5 meses e meio de idade, por exemplo, mas isso tem que ser feito pelo pediatra ou nutricionista responsável que acompanha o bebê e sob circunstâncias especiais.

E como conseguir a amamentação exclusiva até os seis meses se a mãe vai voltar ao trabalho antes disso?

Infelizmente no nosso país ainda há muitas mães que precisam voltar ao trabalho antes dos seis meses de idade do bebê. Em muitos casos, conseguimos garantir a amamentação exclusiva até o sexto mês através da ordenha do leite materno e seu congelamento, para oferecimento ao bebê nos períodos de ausência da mãe. Nos primeiros dias de separação mãe-bebê, é importante que a mãe faça a ordenha do leite materno a cada 3 horas aproximadamente, e armazene de forma adequada (em potes de vidro lavados e previamente fervidos por 15 minutos, e depois da ordenha guardados em geladeira ou congelador) para que o bebê possa tomar o melhor alimento do mundo, o leite materno, enquanto a mãe estiver ausente.

No link a continuação estão todos os detalhes de como realizar essa ordenha e congelamento de forma adequada: http://www.redeblh.fiocruz.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?sid=360

Por que alguns bebês passam a acordar mais vezes à noite depois que a mãe volta ao trabalho?

Nos momentos de reencontro mãe-bebê, é normal que o bebê passe mais tempo mamando e peça o peito com mais frequência, para compensar o período que passaram separados e também para matar as saudades!

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Se um bebê de 3, 4 ou 5 meses fica olhando a gente comer com muito interesse, isso significa que ele já está com vontade e precisando comer nossos alimentos?

Não, de jeito nenhum. O bebê fica curioso ao ver alguém levar um alimento ou um copo até a boca, pois é praticamente a única coisa que nós adultos levamos à boca na frente de um bebê, que leva tudo até a boca. Tudo mesmo, roupinha, brinquedo, dedo e até mesmo papel e objetos perigosos se não estivermos atentos! Logo, o bebê fica muito curioso ao ver você levando algo amarelo (uma banana por exemplo), vermelho (um pedaço de melancia por exemplo), algo prateado e pontudo (o garfo) até a sua boca, e fica muito interessado nisso, quer pegar e fazer igual, imitando. Mas ele não sabe o que é comer, mastigar ou engolir um alimento sólido e é imprudente oferecer alimentos sólidos para um bebê tão pequeno. Isso pode inclusive afetar a saúde do bebê, que deverá começar a comer no momento oportuno, após os seis meses de idade.

Por que muita gente, médicos inclusive, pedem para oferecer suco de laranja lima para o bebê, mesmo antes dos seis meses de idade?

Essa recomendação é muito antiga e não é mais usada. Ela existiu porque há muitos e muitos anos, quando ainda não se existia fórmulas infantis de leite artificial, os bebês que não podiam ser amamentados tinham que tomar leite de vaca. Mas não era o mesmo leite de vaca que as crianças maiores e os adultos podem tomar. A mãe tinha que diluir o leite de vaca com água filtrada ou fervida, porque o leite de vaca puro era muito forte e fazia mal para o bebê. Acontece que o leite de vaca não tem nada, nadinha de vitamina C. Ele tem cálcio, tem proteínas, gorduras, vitaminas do complexo B, mas vitamina C o leite de vaca não tem. E aí os bebês que tomavam leite de vaca tinham uma doença grave, chamada escorbuto, pela falta de vitamina C. Então, para o bebê que não mamava mais no peito, logo aos 2 meses de idade, os médicos já recomendavam oferecer de colherzinha um pouquinho de suco de laranja lima feito em casa, para garantir o consumo da vitamina C.

Mas é importante todo mundo saber que, hoje em dia, tanto os bebês que mamam no peito, como os bebês que tomam fórmula infantil, recebem toda a vitamina C que precisam nos seus leites, seja o leite materno ou o leite artificial. Não precisam e não devem tomar suco de laranja lima antes dos seis meses de idade.

Mas e depois dos seis meses de idade, podem começar pelo suco de laranja lima como o primeiro alimento?

Não recomendamos mais oferecer as frutas na forma de suco para bebês, nem para crianças (e nem para adultos). Os estudos mostraram que os sucos de frutas contém altíssima carga de açúcar da fruta (frutose), predispõem ao diabetes e não ensinam a criança a mastigar e a aprender o gosto, a textura, a forma das frutas naturais.

Além disso, grande parte das vitaminas e fibras das frutas são perdidas quando esprememos ou batemos a fruta, e a nutrição dentro de um suco é sempre pior do que a nutrição que temos dentro da fruta.

Então, se não é o suco, qual deve ser o primeiro alimento a ser oferecido para o bebê?

Aqui no Brasil, o Ministério da Saúde recomenda que o primeiro alimento oferecido ao bebê seja uma fruta. A fruta deve ser de preferência da estação e madura, e sempre que possível devemos preferir alimentos orgânicos ou da agricultura familiar.

Em outros países, o primeiro alimento pode ser um legume cozidinho ou até mesmo um cereal cozido, tipo um mingauzinho. Tudo depende muito da cultura local e da alimentação da mãe, pois o leite materno já transmite para o bebê alguns sabores e características do que a mãe come normalmente e assim o bebê já está “acostumado” parcialmente com esses alimentos. Como somos um país tropical com uma imensa riqueza de frutas lindas e deliciosas, é esperado que as frutas sejam bem aceitas e toleradas pelo bebê brasileiro como seus primeiros alimentos.

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Mas o bebê precisa comer a fruta porque o leite materno já não é suficiente para a nutrição dele?

Não, não é bem assim. A fruta contém algumas vitaminas como vitamina C, contém fibras, potássio e carboidratos. Mas tudo isso já tem no leite materno. E a fruta não tem quase nada de proteínas, nem de gorduras, que é o que o bebê precisa em grande quantidade para crescer forte e saudável. E adivinha onde achamos as proteínas ideais e as gorduras tipo ômegas-3 de melhor qualidade no mundo inteiro? Isso mesmo, no leite materno!

Sinceramente, o quê o bebê precisa é de leite materno. Mamar exclusivamente até os seis meses de vida e depois até pelo menos os dois anos de idade. Tudo o que ele precisa de nutrientes está no leite materno. Mas, após os seis meses de idade, a necessidade de alguns nutrientes como ferro e zinco é muito alta, e o leite materno não contém tanto ferro e zinco assim. Então, precisamos introduzir os alimentos para que o bebê possa complementar o ferro e o zinco, que estão principalmente nos feijões, nas carnes vermelhas e nos vegetais de folhas verde-escuras. Ou suplementar esses nutrientes caso seja necessário. O pediatra ou o nutricionista que acompanha o bebê saberá decidir se é esse o caso.

Pelo o que entendi, se o bebê comer muita fruta e pular as mamadas várias vezes ele pode não crescer direito?

Isso mesmo, muita fruta e pouco leite materno para um bebê de seis meses não é legal e pode desnutri-lo.

No início da alimentação complementar, não recomendamos que o bebê pule as mamadas, comendo apenas a frutinha no meio da manhã ou da tarde. Além de prejudicar a produção de leite materno se a mãe começar a pular mamadas e não ordenhar, a nutrição do bebê também será prejudicada. O ideal no início da alimentação complementar é oferecer ambos, fruta e leite materno, ao bebê. E aos poucos, bem aos pouquinhos ao longo dos primeiros meses da introdução dos alimentos, podemos ir espaçando as mamadas e substituindo-as pelas refeições com os alimentos.

Não vemos a introdução alimentar do bebê como o início de um desmame, pelo contrário! Vemos sim como uma nova etapa que introduzimos na vida do bebê, que se soma à amamentação. Por isso chamamos de alimentação complementar, porque complementa, e não substitui, o leite materno.

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Por que alguns bebês são mais difíceis de comer que outros?

Alguns bebês são mais interessados e curiosos com os alimentos. Logo nas primeiras vezes já abrem a boquinha, querem segurar e amassar as frutas, querem comer sozinhos e parecem se divertir (e se sujar!) muito com esse momento. Mas isso depende muito da personalidade de cada bebê… E a maioria dos bebês não é assim… Muitos bebês não são ainda tão interessados nos alimentos, não entendem muito bem o que é aquilo vindo na direção da boquinha deles, não querem pegar algo frio e esquisito na mãozinha… Não sabem e nem entendem que terão que abrir a boca e engolir algo muito diferente do alimento líquido, morno, perfeito que comem deitadinhos no colo aconchegante da mamãe, ouvindo o coração da mãe bater durante a amamentação.

A transição alimentar é uma fase intensa, o bebê terá que passar a comer sentado em vez de deitado, numa cadeira dura e fria em vez do colo quente e confortável, um alimento com textura em vez de um líquido perfeito e homogêneo que é o leite materno. Temos que ter muita paciência e compreensão para ajudar o bebê a entender essa mudança. Quanto mais divertido, lúdico e alegre for o momento de oferecer os alimentos para o bebê, melhor para o desenvolvimento infantil e a construção de uma boa e saudável relação com o alimento. Isso significa jamais, jamais obrigar ou forçar um bebê ou uma criança a comer, por nenhum método e sob nenhuma circunstância.

Se você gostou e deseja saber mais, visite http://www.rachelnutricionista.com.br/nutricao-infantil/ , participe de uma de nossas deliciosas “Oficina de Papinhas, Copinhos e Nutrição Infantil” ou agende uma Consulta Nutricional Infantil comigo. Será um prazer acompanhá-los nessa maravilhosa descoberta do prazer da alimentação saudável. Obrigada!

Rachel Francischi
Nutricionista (FSP/USP)
Mestre em Biologia Funcional e Molecular na área de Bioquímica (UNICAMP) • Master Practioner em Programação Neurolinguística (PNL) • Nutricionista para América Latina e Caribe do Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas (ONU) (2007-2012)
e-mail:contato@rachelnutricionista.com.br 
site:www.rachelnutricionista.com.br
facebook.com/nutricionistarachel 

8 jun Aleitamento Materno

Amamentação pode evitar leucemia na infância


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Crianças que foram amamentadas no peito por pelo menos seis meses enquanto bebês podem ter um risco menor de desenvolver leucemia na infância em relação àquelas que não foram amamentadas no peito, mostra uma nova análise de estudos antigo.

Revisando 18 estudos, pesquisadores descobriram que crianças que eram amamentadas no peito de suas mães por seis meses ou meais tinham um risco 19% menor de desenvolver leucemia durante a infância, em compensação com os as que não haviam sido amamentadas, ou haviam, mas por um período menor de tempo.

Em uma análise separada de 15 desses estudos, os pesquisadores perceberam que as crianças que foram amamentadas por qualquer período de tempo eram pelo menos 11% menos susceptíveis a desenvolver a doença, em relação àquelas que nunca haviam sido amamentadas.

O autor da nova análise foi Efrat L. Amitay, da Universidade de Haifa, em Israel. A especialista envolveu 18 estudos, que abordavam mais de 10 mil casos de leucemia e 17,5 mil crianças que não possuíam a doença. Tais estudos foram publicados entre 1960 e 2014.

As descobertas se unem a um corpo de evidências que traçam uma “forte associação entre a nutrição infantil e a leucemia”, diz Amitay. “Essa informação pode ser usada pela saúde pública para realizar recomendações para os pais, que podem contribuir na precaução da doença em seus filhos” continuou.

O mecanismo exato envolvido nesta ligação entre o leite materno e a leucemia ainda não está claro, mas os pesquisadores têm algumas sugestões. “O leite materno é uma substância que dá vida. Ela contém anticorpos produzidos pela mãe que promovem uma comunidade saudável de bactérias no intestino das crianças e influenciam o desenvolvimento do sistema imunológico delas”, explicou.

Outra possibilidade que pode explicar a ligação é que o leite materno mantém os níveis de pH no estômago das crianças em um patamar que promove a produção de proteínas benéficas chamadas HAMLET, disseram os pesquisadores. Estudos realizados em roedores mostraram que o HAMLET pode ter a habilidade de matar células do câncer.

O leite materno também possui células-tronco que possuem propriedades similares às células-troncos de embriões, que podem ajudar o sistema imunológico na luta contra o câncer. “Os potenciais preventivos da amamentação devem ser comunicados de forma aberta para o público geral, não apenas para as mães. Desta forma, a amamentação pode ser mais socialmente aceita e facilitada”, escreveram os pesquisadores no estudo, que foi publicado no dia 1º de junho no JAMA Pediatrics.

Fonte: Live Science

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