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25 nov Pós-Parto

TRISTEZAS NO PÓS-PARTO


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(Cena do filme “O Estranho em Mim”)

Por Denise de Sousa Feliciano

A imagem da mãe apaixonada que embala ou amamenta seu bebê pode ser contagiante. Não é à toa que tantos artistas e fotógrafos, renomados ou não, fizeram dessa cena a inspiração para belas obras de arte e ensaios fotográficos. Mas a arte é a edição da vida real. Nela o artista privilegia a inspiração que lhe captura, escolhendo as emoções que quer eternizar ocultando as demais.

A experiência de maternidade não é só encanto e serenidade, é a árdua construção de uma identidade nova na vida da mulher, na configuração da família, e no processo de tornar-se íntimo de um estranho que veio para ficar. Esse processo depende de fatores diversos, desde a matriz psíquica que a mulher traz consigo, de sua história, da história e o lugar desse bebê na vida de seus pais e da dinâmica do casal (ou não-casal) que engravida.

A intensidade emocional que todos esses fatores impõem à maternidade leva a mulher a esgotamentos emocionais e a demandas que em outras circunstâncias tem condições de dar conta por si mesma. É por isso que se faz necessário uma rede de acolhimento à mãe, para que ela possa também ser capaz de oferecer ao bebê o suporte emocional que estrutura sua saúde mental. O papel do pai é fundamental, mas também o apoio das famílias de origem são importantes, desde que não sejam invasivas e permitam que a mãe aprenda com sua própria experiência de ser mãe.

Por essa razão é que a mulher em geral se mostra mais fragilizada e vulnerável após o parto, sobretudo quando retorna da maternidade para sua antiga casa, que não é mais a mesma. A estranheza do ambiente que se torna desconhecido e, mais ainda, a estranheza de não reconhecer a si mesma são o motivo do estado entristecido que as mães costumam ter nesse período, chamado de baby-blues.

O chorar com frequência, magoar-se, emocionar-se e se sentir incapaz de tarefas aparentemente simples fazem parte desse estado mental, que é também o modo como a mãe se identifica com as vivências emocionais de seu filho e o compreende.

Infelizmente a falsa ideia de que maternidade é sinônimo de alegria e encantamento pode assustar as pessoas ao seu redor que – por medo de uma depressão -, tentam animá-la a qualquer custo mascarando as emoções genuínas e impondo-lhe uma alegria superficial que a colocam em grande solidão. O que poderia ser passageiro se fosse acolhido e cuidado, passa a se intensificar e pode se encaminhar para um estado depressivo mais preocupante.

Mesmo em casos mais intensos em que a mãe não se sente capaz de cuidar do bebê e/ou de si mesma, é fundamental que haja apoio e atenção das pessoas à sua volta que são referencias emocionais e em quem poderá se fortalecer.

No filme O Estranho em mim, podemos acompanhar o declínio emocional gradativo da personagem Rebecca que esperava com entusiasmo a chegada de seu bebê. Aos poucos se vê num estranhamento extremo que a leva a fugir de casa e de si mesma para um estado de encapsulamento silencioso. A solidão e a ausência de um olhar atento para sua gradativa fragilidade desencadeiam nela o que nomeia-se de depressão pós-parto. Mas é no extremo de seu desespero que o seu silêncio torna-se o grito por socorro que permite que ela receba ajuda e cura. Um alerta para todos nós.

Denise de Sousa Feliciano é psicanalista, doutora em Psicologia do Desenvolvimento Humano pela USP/SP, especialista em Psicopatologia do Bebê e Psicanálise com Crianças, vice-presidente do Departamento de Saúde Mental da Sociedade de Pediatria de SP. Atende na Casa Curumim.

5 set Pós-Parto

Os benefícios da convivência entre avós e netos.


Adaptação por Maiana Rappaport: Psicóloga /Psicanalista e Consultora do sono de bebês e crianças – Coordena Oficina de reciclagem de avós na atualidade, grupo de pós parto “Conversa de mães” e oficina soninho bom do bebê de 0 a 6 meses” na Casa Curumim.

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Não é preciso muito esforço para notar como a interação entre netos e avós é positiva. Estudo feito durante 19 anos, pelo Boston College, EUA, comprova que os dois lados se beneficiam desse relacionamento. Para os avós, a conexão permite contato com uma geração muito mais nova e, consequentemente, uma abertura a novas ideias. Para os netos, os idosos oferecem a sabedoria adquirida durante a vida – e esse conhecimento acaba sendo incorporado pelas crianças quando elas se tornam adultas, além de os avós também costumarem passar às novas gerações muitas histórias sobre o passado, o que é enriquecedor para qualquer criança. Além de tudo isso, os pesquisadores também concluíram que a relação avós-netos pode ajudar a diminuir sintomas depressivos para ambas as partes. 

Uma nova pesquisa sobre o assunto foi realizada pela Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos.  Os cientistas elaboraram uma hipótese de que os avós com a mente saudável aumentam as chances de sobrevivência dos filhos de seus filhos porque, assim, são capazes de transmitir a eles seus conhecimentos e habilidades. Como um reforço à teoria, eles procuraram e conseguiram identificar em vários genes mutações relativamente novas que protegem contra doenças neuro-degenerativas, como o Alzheimer, que costuma aparecer em pessoas idosas. Segundo os cientistas, parece estar havendo uma seleção natural diante de nossos olhos. Ou seja, as pessoas que têm esses genes vivem mais (porque estão protegidas contra as doenças neuro-degenerativas) e, consequentemente, conseguem colaborar mais com a criação dos netos, pois estão saudáveis. 



Contar com a ajuda dos pais na hora de terem filhos!

Um estudo britânico recente, feito com 2 mil participantes, por exemplo, mostrou que mulheres que moram perto da casa de suas mães têm mais probabilidade de ter filhos. A razão mais provável apontada pelos pesquisadores é que a facilidade com os cuidados deixa essas mulheres melhor preparadas psicologicamente e mais tranquilas na hora de decidir ter um filho. Ou seja, o apoio dos avós é muito importante e é sempre bom poder contar com ele. Para isso, se relacionar de forma saudável para todas as partes envolvidas; é importante conversar e chegar a um consenso na família. Os avós têm de compartilhar dos princípios dos pais ou, pelo menos, respeitar as ideias. É importante ressaltar que a criança nunca deve ser impedida de conviver com avós amorosos, mesmo que as regras deles não estejam completamente de acordo com a dos pais.

Pais X Avós


Acontece que nem tudo é um mar de rosas nessa história. Se você já deixou seu filho com os avós, com certeza sabe que os desentendimentos são inevitáveis! Fica então a dúvida: como agir nesses casos?

Algumas dicas que podem facilitar a boa convivência. Confira:

- Os avós devem fazer sua parte procurando se informar sobre novos padrões de comportamento, métodos de educação e tratamentos de saúde. Por exemplo, frequentando Oficinas de reciclagem para a atualização dos conhecimentos nos cuidados com os bebês, também podem ser um espaço para sensibilização e reflexão sobre o espaço das avós dentro da família, hoje, e a importância do bom apoio que os avós podem oferecer aos seus filhos, na ocasião destes tornarem-se pais e formarem sua própria família. Também podem acompanhar alguma visita do neto ao pediatra (já que elas tendem a pensar que, se o que fizeram deu certo, não há por que não repetir). Na consulta, conhecem o pediatra da criança e razões comprovadas cientificamente, para as ações e métodos de educação e cuidados dos seus filhos.

- O mais importante é que os papéis sejam bem definidos. Todos vão palpitar, sim, sobre assuntos que envolvem a criança, mas, com uma boa conversa, entrar em um acordo não será tão difícil. Não há certo e errado, e sim aquilo que funciona para o casal e que deve ficar claro para familiares. Um acordo que pode ser renovado conforme novas situações apareçam. Os pais precisam aceitar a sabedoria dos avós, assim como esses devem respeitar a autoridade dos pais.

- Quando acontecer algum desentendimento, respire fundo e deixe a discussão para um momento em que a criança não esteja presente. Isso garante uma convivência pacífica e saudável entre todos.

- Se a criança costuma ficar todos os dias na casa dos avós, os limites devem ser melhor delimitados. Convivendo cotidianamente com o neto, os avós podem sentir-se mais livres para aplicar seus próprios métodos de criação, o que pode chatear os pais. Mais uma vez, uma conversa franca e tranquila será necessária para chegar à solução. E cabe aqui ainda uma regra geral: a autoridade dos pais é sempre maior, mas, se eles dependem de outras pessoas para cuidar dos filhos, têm que aceitar que a influência externa é inevitável.

- Tratar os avós como babás de luxo é o grande erro cometido pelos pais. Por isso, se a criança precisa ou quer passar o dia na casa deles, não faça listas indicando o que pode ou não pode ser feito.

Confie na relação direta existente entre avós e neto e respeite suas decisões e atitudes. Lembre-se dos momentos felizes e divertidos que você mesmo passou ao lado dos seus avós fazendo tudo aquilo que lhe era proibido pelos pais e que, no entanto, não lhe fizeram nenhum grande mal.

Oficina de Reciclagem: tornando-se vovós na atualidade


Conversando sobre tornarem-se vovós, a importância da comunicação e apoio entre as gerações e atualizando conhecimentos sobre: aspectos emocionais do parto e pós-parto, amamentação e cuidados com o bebê! Mais informações e datas: administracao@casacurumim.com.br (Jacqueline)

10 jun Parto Pós-Parto

Períneo antes e depois: A preparação para o parto e os cuidados no pós parto


Por Sandra Sisla, fisioterapeuta especializada em saúde da mulher.

Existem maneiras de preparar o períneo para evitar laceração durante o parto. A partir da 33ª semana de gestação, podemos iniciar a preparação para o parto vaginal com o EPI-NO que é um dispositivo para exercícios do assoalho pélvico. O EPI-NO consiste em um balão de silicone conectado a um tubo e uma bomba que ao insuflar aumenta o diâmetro para um alongamento do períneo. O balão de silicone é introduzido vazio na vagina e paulatinamente vai ganhando amplitude e alongamento nestes músculos.

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O treino do EPI-NO é interessante para exercitar o alongamento e também para ganhar maior percepção da região do períneo. Treinamos também para o período expulsivo e com a respiração direcionada, promovemos uma simulação deste momento e das possibilidades de posições para o parto.

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A massagem perineal é também uma possibilidade para a percepção e alongamento da região do períneo. As manobras de deslizamento e de pressão sobre o intróito vaginal preparam a pele, a mucosa e os músculos para o evento do parto.

No pós-parto é sempre bom retomar os cuidados com o corpo com exercícios para recuperação do Tônus e da funcionalidade do períneo. Após 50 dias do parto realizamos uma avaliação perineal e orientamos exercícios para aumentar a força muscular do períneo, abdominais especiais aliados a exercícios perineais e abdominais hipopressivos.

E assim o corpo vai ganhando tônus e recuperando devagar sua dinâmica e vigor.

6 abr Pós-Parto

Decisões da maternidade.


* Adaptação da coluna de Rosely Sayão- Caderno Cotidiano do Jornal A Folha de São Paulo dia 24/02/2015

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“A vida não está fácil para muitas mulheres que pretendem ser mães em breve, que já estão gravidas, que acabaram de ter bebê ou que já são mães de crianças pequenas. De uns tempos para cá, inauguramos a era das patrulhas rigorosas contra determinadas situações que envolvem o parto e a maternidade.

(…) Depois do parto, vem a questão da amamentação, e há pressão e discordância entre profissionais das ciências da saúde. Amamentar é bom, disso ninguém duvida. Por quanto tempo? Em qualquer contexto? ( …) Nos deparamos com movimentos fortes que promovem a amamentação, sem perdoar as mulheres que ou não podem ou não conseguem ou não querem amamentar. Logo em seguida, tem a chegada do bebê em casa: cama compartilhada? Quarto compartilhado? Sono autônomo? E lá vem novas verdades de grupos barulhentos que também penalizam mulheres que fazem escolhas diferentes, mesmo sem querer.

Eu poderia continuar com essa lista enorme de movimentos favoráveis a uma determinada situação e contrárias a todas as outras, mas prefiro deixar para as mulheres uma reflexão.

Ter um filho não é fácil desde o principio, antes de ele nascer. Aliás, ser mulher e ser mãe, no século 21, ainda é bem difícil: temos muito que enfrentar. Então que tal se as lutas sociais que travamos e que envolvem a maternidade fossem mais acolhedoras com as mulheres que fazem escolhas diferentes das quais consideramos as melhores?

Foi uma jovem mulher prestes a dar à luz que me comoveu tanto com suas questões e me inspirou a ter essa conversa. Ela disse que buscou informações a respeito do parto e chegou à conclusão de que o natural e em casa seria a melhor opção para o filho. Desde que considerou essa possibilidade, porém, anda aflita, não dorme mais e sente-se culpada antecipadamente, caso escolha a operação cesariana, mais tranquila para ela.

O ser humano é complexo: temos desejos, anseios, sonhos, mas nem sempre temos as condições necessárias – físicas emocionais e sociais- para dar concretude a eles. Por isso, nem sempre fazemos as melhores escolhas: fazemos as possíveis, e isso se aplica a cada uma de nós.”

As mulheres no pós-parto não necessitam de criticas, julgamentos morais, imposições e conselhos. Elas precisam de tranquilidade, apoio, carinho e compreensão nesse momento tão delicado, de tantas transformações: o nascimento de um novo filho! Carecem de tempo, cuidado para conhecer e se conectar ao seu bebê, e de uma escuta acolhedora às suas angustias e dúvidas.

Venham conhecer o Grupo de pós-parto “Conversa de mães”, onde você e seu bebê serão muito bem recebidos, num espaço de livre expressão para a troca de experiências e emoções entre mães – no primeiro ano de vida de seus bebês- num ambiente de suporte e apoio, livre de críticas.

Conversa mediada pela psicóloga e psicanalista Maiana Rappaport.
Toda segunda feira das 15h às 16h30.

27 out Pós-Parto

Relato sobre Grupo Pós-Parto


Por Cristina Paiva

Cris Paiva e Bernardo
Frequentar o Grupo de Pós-Parto conduzido pela Maiana Rappaport foi um grande privilégio. Fico tentando lembrar qual foi o acaso feliz que me levou a ele. Acho que foi o sorriso generoso e confidente de gato de Alice no País das Maravilhas da Maiana, que me interceptou no balcão da Curumim para se apresentar e oferecer o folheto do grupo (será que foi minha cara de riso e choro?).

Encontrei naquele sorriso aberto um refúgio para começar a tagarelar imediatamente sobre a tempestade em mar revolto que me tragava de uma só vez: um belo dia acordei, e tinha um bebezinho no berço! Estou sozinha, apurada, desesperada, apaixonada, do avesso, sem dormir, cheia de dúvidas e certezas, com fome e com sede!… – é normal? (mãe, como diz um amigo, é uma mulher que ficou louca).

Compreensiva e calmamente, ela me ouviu, fez algum comentário tranquilizador e concluiu: venha na semana que vem para conversarmos! Era tudo o que eu precisava… Mesmo em meio ao caos do terceiro mês de vida do bebê, tive a sorte de reunir coragem para sair de casa (nas primeiras vezes que dirigi depois do parto, sentia-me uma senhorinha assustada escondida atrás do volante com tantos carros e pessoas na rua “me ameaçando”! Ai, meu DEUS, OLHA! uma MOTO!) e começar a frequentar o grupo. Pôr os pés fora de casa aos poucos, abrindo-me do recolhimento tão necessário para criar uma conexão profunda com os sentimentos e necessidades do bebê, foi uma parte desse processo de reencontro – reencontro com o mundo, reencontro comigo e com meu bebê que já me esperava dentro da barriga.

Sorte também foi ter conseguido recrutar uma amiga querida, a Suzana, que havia tido a Liz quase junto comigo. Ter essa dupla genial ao lado foi muito enriquecedor, e nossos encontros de segunda-feira eram aguardados como o evento da semana, com direito a cafezinho com bolo depois da conversa.

E falávamos de tudo, desde o famigerado sono do bebê; a relação com os amigos e a família (marido, irmãos, sogros…); dúvidas relacionadas aos cuidados com os pequenos (alimentação, babás, berçários…); sobre as angústias a respeito das mudanças em nossas vidas trazidas pela maternidade, de projeto, profissionais, existenciais… até assuntos mais banais como a viagem do fim de semana ou onde comprar roupinhas.

À medida que nossos bebês iam ganhando movimento e esticando cada vez mais seus bracinhos e pernas; que se organizavam para pegar objetos e manipula-los; que aprendiam a se comunicarem conosco; nós também fomos ganhando autonomia, nos encontrando aos poucos novamente nessa nova condição.

No grupo, pudemos experimentar uma roda de mães como deviam ser as de antigamente, trocar informações e ter compreensão, carinho e apoio, mas como não poderia deixar de ser nos dias de hoje: Maiana sempre auxiliando, com informações preciosas ou ponderações, na construção de um espaço onde pudéssemos estar livres para elaborar nossas questões e atravessar essa fase louca e deliciosa de modo intenso e tranquilo, saindo mais inteiras, mais preparadas, já com saudades daquelas tardes e do bolinho.

23 out Parto Pós-Parto

Fisioterapia Perineal – Preparando-se para o parto


Por Sandra Sisla, fisioterapeuta perineal e pós-parto

Você quer um parto normal?  Você sabe como preparar seu períneo?

Para que o parto normal vaginal aconteça de forma fisiológica natural é preciso saber que a posição verticalizada, a respiração, a movimentação, o apoio, a calma durante o trabalho de parto e a preparação do períneo fazem toda a diferença.

Muito se fala sobre os “traumas” causados por uma via vaginal e os procedimentos usuais como a episiotomia. Mas até que ponto esses traumas são reais e até que ponto é realmente necessária uma episiotomia? O que falam as evidencias científicas?

A episiotomia pode ser eletiva e não é um procedimento necessário em todos os partos. No Brasil ainda é um procedimento protocolar mas sabe-se por evidencias cientificas que a incidência de episio deveria estar por volta dos 15%. Outro mito é a incontinência urinária que também acomete mulheres da mesma forma independente do tipo de parto.

Mas sem episio como é que fica? E as lacerações e a elasticidade vaginal após o parto? É bem verdade que as lacerações podem ocorrer mas não na magnitude que se imagina e grande parte apenas a mucosa é comprometida sem a necessidade de sutura. O que dizer da episio que é por si só uma grande laceração? Também não se relatam os efeitos colaterais da episiotomia como cicatrizes dolorida, infecções e dores após o parto.

O períneo pode ser preparado para este evento! É preciso paciência e perseverança.

Na Africa em alguma tribos as mulheres espertas usavam cabaças de tamanhos variados para alongar o canal vaginal até próximos do diâmetro da cabeça do bebe. Desta experiência surgiu o EPI-NO, um aparelho que consiste numa bomba inflável que gradualmente alonga o canal vaginal auxiliando na flexibilização dos tecidos.
Para preparar para o parto os exercícios se iniciam três semanas antes da data provável de parto e alem da flexibilidade o aparelho permite a sensação da expulsão, auxiliando de forma substancial no momento do parto para que a mulher saiba exatamente como fazer a força, como respirar, como participar.

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A massagem perineal também é um bom recurso mas os relatos apontam que há uma certa dificuldade ao final da gestação pelo aumento da barriga.

O EPI-NO também é de grande auxilio para o fortalecimento da musculatura perineal após o parto, como exercício de resistência.

Atendimento individual para orientações e preparação do períneo com o uso do EPI-NO (aparelho que ajuda a gestante a alongar a abertura vaginal) e outros exercícios.

Fonte: Gestante Vida

10 abr Pós-Parto

A importância do apoio no pós-parto


Por: Maiana Rappaport

O nascimento de um filho é um acontecimento que modifica a vida do casal, são muitas as mudanças que a mãe e o pai têm que enfrentar; especialmente a mãe, que tende a responder a esta nova fase de acordo com as características do bebê, ás suas pessoais e a sua habilidade de solicitar e aceitar apoio. A mulher tem que se adaptar à nova vida: às demandas do bebê, uma interação conjugal que inclui o bebê e a vida profissional e social, com a presença de um ser que depende dela. Além disso, com o nascimento do bebê a mulher deixa de ser o centro de sua própria vida. Perde o seu próprio ritmo diário, seu dia passa a ser ditado pelas necessidades do bebê.

Principalmente nos primeiros meses, a mãe está submetida à privação do sono e à adaptação da vida ao ritmo do bebê. A resposta da mulher a estas mudanças é influenciada por fatores individuais e ambientais, destacando-se, como um dos fatores mais importantes que influencia o seu bem-estar, o apoio que ela recebe daqueles que a rodeiam. O pai e avós do recém-nascido têm grande importância na rede de apoio para a recém-mãe. A literatura tem mostrado que a disponibilidade e fruição de uma rede de apoio social favorecem a responsividade materna, trazendo benefícios a curto e longo prazo para a mãe, criança e o próprio casal. Cada mãe pode necessitar de diferentes tipos de apoio, em diferentes circunstâncias, quer seja uma orientação, uma ajuda prática ou mesmo algumas palavras de carinho. Muitas vezes, a ajuda pode não ser solicitada ou mesmo recebida, mas o fato da mãe saber que tem com quem contar tem um impacto potencial positivo. Mães com uma rede de apoio social maior mostram-se mais sensíveis em sua interação com o bebê. Com suas necessidades emocionais mais atendidas, tornam-se mais hábeis para se centrar nas necessidades do bebê.

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“Para amamentar um filho precisamos muito mais do que dois peitos.Precisamos de dois braços que sustentem os nossos, enquanto carregamos, entre sonhos, nosso bebê. Dois olhos, que nos olhem sem preconceitos, enquanto o nosso olhar se perde no sorriso do nosso filho. Suaves carícias que nos curem, quando as feridas doem. Palavras que nos encham de coragem, quando estivermos a ponto de desistir. Precisamos de um abraço longo e sem pressa, quando a solidão da noite nos devore. Precisamos de um mundo que nos espere, enquanto nós damos de mamar a nossos filhos. Voltaremos. Iguais, porém melhores.”

Lic. Paula Napolitano.

Maiana Rappaport é Psicóloga clínica formada pela PUC/SP e psicanalista pelo Sedes Sapientiae, especialista no atendimento à gestantes e mães no pós-parto.

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A armadilha da Mulher Maravilha


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Adaptação de texto do Dr. Daniel Becker -  médico pediatra RJ, por Maiana Rappaport, psicóloga pela PUC SP, psicanalista pelo Sedes Sapientiae, especializada no atendimento a gestantes e pós-parto. Ela coordena o Grupo de Pós-Parto “Conversa de Mães” que acontece toda segunda, na Casa Curumim. 

Nasce um bebê no Xingu, no sertão de Minas Gerais, numa aldeia africana, numa tribo em Maui, numa cidadezinha no interior da Tailândia ou da Polônia ou da Inglaterra, na favela da Zona Norte  – a cena se repete, a mãe está cercada de cuidados e apoio.

Nasce um bebê em Copacabana, no apartamento 1104. A avó está trabalhando em tempo integral. O pai só tem cinco dias de licença. A vizinha do 1103 não só não ajuda, como sequer conhece, e ainda reclama do choro noturno. E a empregada diz que só ganha pra cuidar da casa. Ajudar à noite, nem pensar. E aí temos esse fascinante fenômeno social: a única mulher do planeta que é deixada pra cuidar de um bebê sem nenhuma ajuda é a da classe média, urbana, ocidental. Pior: ela achava que ia conseguir…

Mas essa onipotência (culturalmente induzida, claro – e muitas vezes socialmente exigida…) só dura até o 5º dia, quando muito. Na segunda semana, a mulher percebe que um bebê demanda demais. Precisa de atenção 24 horas, permanente. E os cuidados muitas vezes exigem duas pessoas. Sem ajuda, é virtualmente impossível. A amamentação facilita e muito o cuidado, já que não é preciso tratar de mamadeiras, latas, esterilizadores e bicos. Mas é preciso tempo e descanso para produzir leite. É o clássico bordão, muitas vezes ignorado: um bebê só ficará bem se sua mãe estiver bem. Em alguns momentos, é crucial que a mãe volte a ser mulher – um indivíduo separado de sua filha, que precisa descansar, se cuidar, relaxar, pensar em outras coisas. Ela precisa desses momentos como o bebê precisa do seu leite.

Por isso, é preciso que tenhamos menos onipotência, e que reconheçamos que vamos sim precisar de ajuda. Para isso, é necessário planejamento: quem vai ajudar, como, quando. O pai vai segurar a onda nas noites? Até quando? A avó pode mesmo ajudar? E os conflitos que tantas vezes surgem nesse momento? Uma coisa é apoiar, acolher; outra, se intrometer ou criticar – fronteira sutil e muitas vezes rompida de forma inconsciente e perversa. A empregada vai cuidar de casa? Vai ter comida pronta? O patrão vai respeitar e não ligar para falar de trabalho?

Nos dias de hoje, a situação se complica ainda mais. Em nossos tempos hiper-conectados, de distrações múltiplas e permanentes e com enorme apelo, é dificílimo estarmos concentrados em uma tarefa. Muitas vezes a futura mãe se ilude e acha que vai amamentar, trocar fraldas, ver a novela, passar e-mail de trabalho, estudar para o concurso e postar no Facebook, ao mesmo tempo, já nos primeiros dias de vida do recém nascido.

E como se a situação em si já não fosse complicada o suficiente, aparecem outros obstáculos: o marido quer ensinar a colocar o bebê no seio (com a melhor das intenções), dizendo que ela está fazendo errado; a mãe (avó do bebê) diz “mas o que custa dar uma mamadeirinha, ela chora tanto”; as amigas dizendo que pra elas foi muito simples, que fizeram assim ou assado e que você está fazendo tudo errado; a prima exibicionista cujo bebê dorme bem, mama bem e “não dá nenhum trabalho”…. e a sociedade toda dizendo que se você não consegue amamentar   seu bebê e cuidar dele integralmente, é porque não tem competência.

O que a mulher precisa no momento da amamentação é apoio de verdade. Apoio aberto, honesto e atento. Ela não precisa de crítica, ensinamentos verticais, lições de moral ou prescrições autoritárias. Muito menos de conselhos sobre mamadeiras. Ela precisa de espaço psíquico, tempo e um mínimo de estrutura para se dedicar ao bebê. E de apoio técnico, prático. Aliás, esse é um importante papel que o pai pode exercer nesse momento da vida familiar, o nascimento de um filho. Tão ou mais importante quanto trocar fraldas, ninar e dar banho, é garantir que o binômio mãe-bebê vai ter paz e tranquilidade para se conhecer, se conectar, evoluir em direção a um bom desenvolvimento e a uma amamentação bacana. Para isso, cuidar da casa, e garantir que esteja em ordem; comida na geladeira e contas em dia; atender o telefone e dar conta dos palpiteiros; receber as visitas e oferecer as desculpas pois a mamãe agora está descansando… e estar atento às necessidades da sua mulher…”

Ilustração de Amanda Greavette

11 mai Pós-Parto

Baby Blues


A Tristeza Materna ou Baby Blues, você sabe o que é?

por Maiana Rappaport

When baby brings the blues … postnatal depressionOs sintomas mais frequentes do Baby Blues são: tristeza, irritabilidade, ansiedade, choro, mudanças bruscas de humor, indisposição, insegurança, baixa auto-estima e sensação de incapacidade de cuidar do bebê. Esses sentimentos acontecem devido às rápidas alterações nos níveis hormonais, associados ao estresse do parto e à passagem pela situação de espera ansiosa, típica do final da gravidez, para a de conscientização da nova realidade. A maternidade, além de satisfaçã,o significa também assumir novas tarefas. A limitação de algumas atividades anteriores ao parto, um novo papel a ser desempenhado, carregado de incertezas e inseguranças.

Após o nascimento concreto do corpo do bebê, no parto, o período do Baby Blues é o do nascimento simbólico do novo ser. Torna-se necessário elaborar a transformação da filha em mãe, a transformação da autoimagem corporal, a administração da relação entre a sexualidade e a maternidade. Bem como a perda do bebê da fantasia da gravidez, no pós-parto a mãe vai entrando em contato com o bebê real, um ser de desejo independente, separado dela.

O Baby Blues é um quadro benigno e vai sendo superado por volta do primeiro mês de forma espontânea. Apesar de ser comum e normal envolve uma quantidade razoável de sofrimento que pode ser atenuado na medida em que a mãe sente-se apoiada para cuidar do bebê e vá sentindo-se mais segura em desempenhar a função materna. O apoio que ela necessita pode ser oferecido pela família, profissionais especializados e grupo de apoio ao pós-parto, onde pode compartilhar o seu sofrimento junto a outras mulheres em igual situação, sob a orientação de um profissional.

Klaus & Kennel, Pais/ Bebê: a formação do apego, Porto Alegre, Artes Médicas, 1992.
Langer,M. – Maternidade e sexo, Porto Alegre, Artes Médicas, 1981.
Szejer,M. Palavras para nascer: a escuta psicanalítica na maternidade, São Paulo, Casa do Psicólogo, 1999.
Soifer,R. Psicologia da gravidez, do parto e do puerpério, Porto Alegre, Artes Médicas, 1980.
Winnicott,D. (1956) Da Pediatria à Psicanálise, Rio de Janeiro, Imago, 2000.
Os bebês e suas mães, São Paulo, Martins Fontes, 1994.

A Casa Curumim oferece toda segunda-feira, o Grupo de Pó-Parto Conversa de Mães, comandado pela psicóloga Maiana Rappaport. Para mais informações, acesse o link a seguir: http://www.casacurumim.com.br/grupo-pos-parto-conversa-de-maes/

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