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15 fev Temas em Pediatria

DICA: O cansaço do final do dia: de quem? Da mãe? Do bebê?


Após um longo dia cuidando do seu bebê, à noitinha, na hora de começar a rotina noturna, tudo está muito difícil, “chegou a hora da bruxa”. Ele chora, esperneia. Não tem nada que o satisfaça.
Aqui estão algumas dicas para te ajudar a preparar-se para o adormecimento noturno do seu bebê.

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Você ficou o dia inteiro com o bebê, o amamentou, alimentou, brincou, trocou as fraldas, passeou, banhou. Ao final do dia, na hora de colocá-lo para dormir, está muito difícil: o bebê chora, tudo que você oferece a ele não o satisfaz, você não sabe mais o que fazer e às vezes chega a chorar junto com ele.

Triste, frustrada, telefona para seu marido, contando o ocorrido. Quando ele chega em casa, você passa o pequeno “gremlin” para os braços do papai. O papai conversa um pouquinho com ele, embala no colo, põe o pequeno para dormir e em alguns minutos o bebê adormece. Você não sabe se chora, fica ressentida ou simplesmente fica feliz, pois finalmente, com o pai, ele adormeceu!

Os bebês sabem diferenciar o pai e a mãe! Eles sentem tudo! Se você vai colocá-lo para dormir quando está estressada, cansada, com fome, sem forças, nem paciência, apressada para que ele adormeça logo, para assim poder descansar, tomar um banho, comer alguma coisa ou simplesmente dormir são grandes as chances de que o processo de adormecimento seja difícil e longo. Algumas dicas que poderão ajudá-la:

- Tenha um tempo para você. Quando seu marido chegar em casa, deixe-o com o bebê! Saia por 20 minutos, meia hora, dê uma volta no quarteirão, vá até a padaria tomar um suco, comprar um pão fresquinho, dar uma caminhada, vá tomar um café com uma amiga. Permita-se sair à rua um pouquinho e ver que o mundo continua sendo o mundo. Lá fora, os carros passando na rua, as pessoas voltando do trabalho, trânsito, movimento. Quando você voltar para casa, tudo continuará igual, porém, você estará diferente. Se faz bem a você, também faz bem ao seu bebê. Essa baixa de energia é muito importante para você e influência diretamente no seu bebê, na forma como você relaciona-se com ele.

- Antes de colocar seu bebê para dormir, coma, beba algo, vá ao banheiro, tente desligar-se de tudo o que você ainda tem para fazer. Concentre-se apenas no momento do adormecimento do pequeno. Deixe o celular, computador, livros, os pensamentos que não são importantes de fora do quarto. Fique 100% com seu bebê Entre no quarto com ele, totalmente disponível: “Estou aqui para te ajudar a adormecer, está tudo bem!”.
O bebê humano nasce imaturo e depende totalmente de pelo menos um adulto que cuide dele integralmente. Comumente o adulto de referência, nessa fase, é a mãe. Principalmente no início da vida o bebê demanda que nos emprestemos a ele 100%! O bebê ocupa a mãe em demasia, é um trabalho intenso, contínuo, e muitas vezes pouco reconhecido! Essa demanda maciça (talvez única em intensidade, frente a tantas outras ao longo de nossas vidas), é árdua, e, portanto necessita de muito apoio e ajuda de qualidade!

Um bebê só ficará bem, se sua mãe estiver bem e sentir-se apoiada!

Maiana Rappaport- psicóloga/ psicanalista e consultora do sono de bebês e crianças.

Na Casa Curumim oferece: Oficina soninho bom do bebê de 0 a 6 meses, Consultoria do sono personalizada para bebês e crianças pequenas Oficina de reciclagem de vovós e vovôs na atualidade, grupo de pós-parto “Conversa de mães”, atendimento psicológico a gestantes, mães no pós-parto, depressão pós-parto, casais, adultos em geral.

“Oficina Soninho Bom do bebê de 0 a 6 meses”
Próxima oficina acontecerá dia 22/03/2017, quarta-feira
das 10h às 13h na Casa Curumim!
Vagas Limitadas!
Para informações e inscrições: soninhobomdobebe@gmail.com

3 dez Temas em Pediatria

O sono do bebê: Por que o bebê precisa dormir tanto, se ele não quer fazê-lo?


Por Maiana Rappaport- Psicóloga Psicanalista e Consultora do sono de bebês e crianças. Coordena o Grupo de Pós-parto e a Oficina de reciclagem de vovós e vovôs na Casa Curumim.

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O sono é um aspecto de suma importância na saúde dos seres humanos. Desde o útero, o feto alterna momentos em que dorme e permanece acordado. O bebê humano nasce imaturo. Nas primeiras semanas de vida, o bebê tem um sono muito irregular e não sabe diferenciar o dia e a noite. Viver fora do útero cansa e muito! Afinal de contas, após o nascimento, o bebê precisa respirar aprender a mamar na sua mãe, deglutir, digerir o leite, fazer coco e xixi, interagir com as pessoas ao seu redor, adaptar-se ao mundo aéreo, barulhos, intensidades variadas de luminosidade, sons, diferentes toques e muito mais. O choro é o recurso que o bebê tem para comunicar-se quando tem algum desconforto, e esses podem ser variados: fome, dor, cansaço, frio, calor, falta de contato, saudade do colo, do cheiro e da voz da mãe, entre outros.

Desde as primeiras semanas, o pequeno necessita de uma rotina mínima para dormir, descansar, e assim, aproveitar o dia e desenvolver-se de forma saudável. Com o tempo é desejável que ofereçamos ao bebê um ritual do sono, que consiste numa sequência constante e repetitiva de ações, que vá sinalizando que está na hora dele relaxar e dormir. Essa possibilidade de previsibilidade promove ao bebê, a sensação de continuidade e segurança.

Durante o sono, os bebês recarregam suas energias, metabolizam sensações, emoções, inúmeras informações que recebem quando estão despertos; e consolidam todos os novos conhecimentos. No sono da noite, vários hormônios importantes são liberados: a melatonina (do sono), o GH (do crescimento), a leptina (controla a sensação de saciedade) e muito mais. O humor, a atenção, o estado de espírito, a memória e o aprendizado, dependem de quantidade e qualidade de horas de sono. Cada indivíduo tem suas necessidades particulares, mas em geral, os recém-nascidos necessitam dormir de 16 a 18 horas, fracionadas durante o dia e a noite.

Porém, conforme ele vai crescendo, o tempo que aguenta ficar acordado e bem, de dia, vai aumentando. Ainda assim, nos primeiros anos ele necessita de sonecas diurnas e até seus 5 anos, ainda que não faça mais sonecas diurnas, necessita de 10 a 11 horas de sono noturno!

Pesquisas atuais evidenciam que a falta de sono contínuo e de qualidade pode provocar labilidade no humor, problemas de aprendizagem, de concentração, atenção e memória. Hiperatividade, impulsividade, agressividade, obesidade e ansiedade. Além de baixa no funcionamento metabólico e imunológico e consequências no potencial cognitivo e relacional.

O trabalho, da Consultora do sono com famílias de bebês e primeira infância, consiste em informar aos pais (com bases em evidências cientificas) como se dá a dinâmica do sono do bebê e da criança (de acordo com sua idade) e assim, os mesmos possam adequar suas expectativas às reais possibilidades dos pequenos. Além de oferecer-lhes instrumentos para observarem seus filhos, reconhecerem suas comunicações (pessoais e singulares) e criarem um ambiente de sono saudável para que o pequeno aprenda a relaxar e a dormir, sem choro. Ele necessita e quer dormir, mas não sabe colocar-se numa situação de relaxamento e adormecer sozinho, requer ajuda e precisa aprender!

Com consistência nas ações, persistência dos pais e muito carinho, processualmente o pequeno aprenderá a dormir com prazer, de forma cada vez mais continua e independente.

Informe-se:

- Oficina do sono em grupo, dirigida a casais, gestantes e pais de bebês de 0 a 6 meses. E-mail: soninhobomdobebê@gmail.com

- Consultoria do sono individual e personalizada dirigida a famílias com bebês desde o nascimento até o final da primeira infância (5 anos). E-mail: maiana.r@uol.com.br

3 nov Temas em Pediatria

Crianças Insuportáveis


Por Maíra Scombatti

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Outro dia, refletindo junto com uma outra mãe durante um atendimento, propus aprofundarmos o que ela estava sentindo quando me disse: “Eu não estou suportando o meu filho! Eu não sei mais o que fazer!”. No exercício da escuta empática, senti com ela o desespero que às vezes aparece na jornada da maternidade.

A maioria de nós, mães e pais, já sabe o que seria “certo” fazer. Sabemos racionalmente, mas é comum nos perdemos na irracional arte de criar filhos. Faz parte. E acho importante percebermos que, diversas vezes, as melhores teorias pedagógicas e psicológicas transformam-se em culpas imensas sobre os ombros parentais.

Com essa perspectiva, não me interessa dizer o que “sei”, o que li ou mesmo o que vivi. Não me agradam listas prontas do tipo “os 10 passos para lidar com uma criança insuportável”, a não ser que esses 10 passos sejam variações de olhares singulares, da pausa para respirar, da conexão com os sentimentos das crianças e dos pais.

Ainda junto com essa mãe, propus que pensássemos naquele momento: o que pode significar essa percepção de “uma criança insuportável”? Separando conceitos, dá para lembrar que insuportável é aquilo que é muito difícil suportar. Suportar é tanto o “não ceder, aguentar, resistir”; quanto o “ser capaz de segurar”, ou ainda, reflito eu: ser capaz de dar o suporte. Podemos pensar, então, que uma criança fica insuportável quando não a aguentamos, quando não conseguimos dar suporte àquele ser. “Ah, então, a culpa é dos pais?” Podem perguntar os experts em teorias simplistas. E eu proponho, assim como proponho para mim mesma depois de perceber um conflito com meus filhos: que tal parar de procurar culpados, ampliar a percepção do presente e abrir espaço para que soluções singulares surjam?

Então, vamos lá, diante da percepção “eu não consigo suportar meu filho”, minha proposta é: vamos trabalhar o acolhimento. Acolhimento das crianças, sim, mas em conjunto com o acolhimento dos adultos que cuidam das crianças. Acolher é oferecer refúgio, proteção ou conforto físico, abrigar(-se), amparar(-se). O acolhimento do sentir, do que faz sentido, para que possamos ampliar outros sentidos e verdadeiramente transformar relações.

Meu filho está insuportável? Antes de pensar em culpados, eu consigo perceber o que eu estou sentindo? É raiva? Impotência? Cansaço? Vontade de “esganar”? Posso me permitir sentir? Posso acolher meu sentimento antes de qualquer ação? Consigo tomar alguma distância? Posso pedir ajuda de outro adulto (familiar, profissional ou amigo)?

Algumas crianças exigem bastante suporte e conseguem bem facilmente tirar um adulto do seu eixo. É fácil criticar a educação de determinada família quando temos apenas filhos com temperamentos mais fáceis. E, sim, existem diferenças de temperamentos. Para quem teve mais de um filho, essa é uma percepção bem comum e a diferença também pode ser acolhida.

Outro ponto de acolhimento na percepção do insuportável: como mães e pais, vivemos um desafio imenso quando temos como proposta educar sem reproduzir os modelos violentos, físicos ou morais, a que fomos submetidos no passado. Essa é outra reflexão que tenho ampliado cada vez mais com as famílias que me procuram. Facilmente percebemos o que não queremos fazer: “não quero que meu filho obedeça porque tem medo de apanhar. Mas quero que ele me respeite e respeite os outros seres humanos. Sei que quero educá-lo com amorosidade, mas algumas vezes me percebo sem saber como construir esse respeito sem imposições violentas”. Essa fala resume um pouco o que sinto como mãe e o que escuto enquanto profissional de outras mães e pais. É difícil mesmo (e olha aí o acolhimento do que é difícil também!).

Com algumas famílias, vejo que ao acolhermos de verdade nossas limitações, podemos também aceitar o insuportável e abrir espaço para o novo. Para a solução que ainda não foi pensada e, assim, construímos uma paternidade ou maternidade criativa e presente.

Também sou adepta do bom humor sempre que possível: como não achar graça quando nos percebemos raivosos e pensando (ou gritando) coisas do tipo: Por que raios este ser não consegue me ouvir agora, com toda minha amorosidade??? Depois das cenas tragicômicas, dá pra perceber que a raiva estava ofuscando a amorosidade. E que ela estava ali para ser sentida, acolhida e é importante que possamos criar este acolhimento para o que nos desequilibra também.

Ao invés de julgar (aos outros ou a mim mesma): pais incompetentes, crianças insuportáveis, prefiro propor: pais acolhidos, crianças acolhidas. E assim seguimos suportando-nos com uma boa escuta, que acolha e suporte o que por vezes fica insuportável. Suportemo-nos, com amor, com raiva e com espaço para a criatividade que nos surpreende!

Maíra Scombatti

É psicopedagoga e atende crianças, adolescentes e famílias. Mãe do Theo e do Ian, coordena projetos sócio-educativos desde 1999. É autora do livro “Conversas de gente Grande – histórias infantis para adultos”(ComArte/USP). Atualmente realiza atendimentos na Casa Curumim e é colaboradora no Instituto de Psiquiatria da FMUSP, onde empreende oficinas teatrais para crianças e adolescentes em tratamento.

12 out Temas em Pediatria

DÊ O PRESENTE AO SEU FILHO


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Quando eu era criança tinha um tabuleiro de xadrez que ficava sobre a mesa de centro. Eu passava horas inventando histórias para os bonequinhos, o rei e a rainha. Me lembro como se fosse hoje de tão gostosa que a brincadeira era. Eu não sabia jogar xadrez, e felizmente meus pais não me atrapalharam a diversão tentando me ensinar.

Crianças são curiosas. Criativas. Se encantam com cores, texturas, formas, orifícios. Criança gosta de explorar. Podem se entreter horas com um pedaço de qualquer coisa.

Mas a preocupação cada vez mais crescente de prepara-las para o futuro, tem feito muitos pais direcionarem suas explorações. Apresentam-lhes cada vez mais estímulos cheios de objetivos, brinquedos estruturados para desenvolver-lhes aptidões variadas. Sem falar de celulares e tablets. Tentam prepará-los para a concorrência da vida. Se você aprende desde pequeno já leva vantagem, dizem por aí. Ledo engano.

Na ânsia de garantir o futuro dos filhos, os pais se esquecem de oferecer-lhes o que eles mais precisam no presente: ser criança e se perder no prazer indescritível da imaginação. E porque “não se pode perder tempo” impõem um ritmo acelerado até com hora marcada e tempo definido para brincar livremente. Primeiro a obrigação!

Pais, deem tempo aos seus filhos. E voltem no tempo para brincar com eles sem pressa.
Quando me lembro do mergulho nas brincadeiras como as do xadrez, sinto um lamento de não conseguir mais viajar pelo mundo mágico que só criança consegue entrar. Brincando hoje com crianças me divirto ao ver o entusiasmo delas, principalmente quando estamos de verdade com elas. Mas a gente não consegue mais aquele tal pirlimpimpim que permite a elas serem a brincadeira. A nossa diversão de adulto é se encantar com o encanto delas que nos contagia. E isso também é muito bom!

Quando convido pais a brincarem com seus filhos em minha sala de crianças, frequentemente ficam constrangidos e por não saber bem o que fazer às vezes começam a testar o conhecimento dos filhos perguntando que cor é essa ou o que está escrito. Uma pena. Não conseguem se desligar da obrigação de aprender e perdem a chance de acompanhar o prazer dos filhos na descoberta. Essas são as que permanecem na memória como verdadeiro aprendizado, pois vêm acompanhadas de prazer.

Ao inventar e brincar a criança não apenas absorve o mundo, mas recria-o para si mesma. E é a capacidade de recriar a vida a cada dia que diferencia os grandes adultos, como Tom Hanks no inesquecível Quero ser grande.

Denise de Sousa Feliciano
Psicóloga e Psicanalista

30 abr Temas em Pediatria

“LAÇOS DE ENCANTAMENTO – BRINCADEIRAS DE BEBÊ”


“LAÇOS DE ENCANTAMENTO – BRINCADEIRAS DE BEBÊ”
Do afeto ao desenvolvimento infantil
Lucila Faleiros Neves
Vanessa Andrade Caldeira

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Quando a luz dos olhos meus
E a luz dos olhos teus
Resolvem se encontrar
Ai que bom que isso é meu Deus
Que frio que me dá o encontro desse olhar

Vinicius de Moraes
Os bebês nos encantam e surpreendem.
Nos primeiros anos de vida o bebê se desenvolve rapidamente. São muitas descobertas e interesses.

Quando nos deparamos com recém-nascidos, tão dependentes e frágeis, é difícil acreditar, que em 12 meses estarão dando seus primeiros passos e demonstrarão tantas habilidades. Esse desenvolvimento todo, tão rico, deve-se especialmente ao afeto, elemento organizador interno de nossas mentes. Toda aprendizagem começa com afeto!

Desde o período da gestação os pais se preparam para se conectar com o bebê que aguardam e assim poder cuidar adequadamente de um novo ser. O processo biológico natural favorece que os pais reajam acertadamente aos sinais de seus recém-nascidos. Para tanto os pais precisam observar seus bebês, interpretar seus sinais e reagir com bom senso. Para desenvolverem-se bem emocionalmente e intelectualmente os bebês necessitam de relacionamentos ricos, profundos e sustentadores no início da vida.

As crianças aprendem sobre o mundo brincando de maneira ativa. A brincadeira acontece por meio de todo seu aparato sensorial e motor movido essencialmente pelo afeto! A primeira lição de um bebê na causalidade ocorre bem cedo quando, por exemplo, descobre que seu sorriso traz um sorriso responsivo de alegria no rosto de seus pais. A conversa, olho no olho é uma importante forma de relacionamento com crianças de todas as idades. Um olhar, e tudo muda…..

O bebê precisa ter certeza de que aprovamos o que está fazendo! Precisa saber que está indo bem em suas incursões exploratórias! Por isso é importante ter alguém por perto transmitindo segurança e júbilo por suas conquistas.
É consenso, nos dias atuais, que “Brincar é coisa séria”. Através das brincadeiras os bebês conhecem seu próprio corpo, desenvolvem habilidades de movimento, de linguagem, de raciocínio e de interação com o mundo, conquistam habilidades. Brincar com um bebê pede respeito aos seus sistemas fisiológico, motor, afetivo e cognitivo. Estimulação e ambientes adequados são reconhecidos como base para o desenvolvimento saudável.

No 1º ano de vida os bebês aprendem através das sensações que lhes chegam e das experimentações que fazem. Estão muito atentos aos estímulos sensoriais: visuais, auditivos, labirínticos, percepção do corpo e os táteis. As roupas não devem impedir os contatos e movimentos, principalmente das mãos, que exploram o meio o tempo todo. A manga da roupa não deve cobrir as mãos, para que brinque melhor. Quando estão sem roupas, movimentam-se mais.

Para adquirir boa coordenação motora a criança pequena deve ter oportunidades de explorar diferentes espaços e formas e realizar movimentos cada vez mais elaborados. A experimentação reiterativa, característica marcante na infância, realiza-se para responder às necessidades de aprendizagem de cada momento. O bebê se interessa por ver, sentir e compreender os deslocamentos do seu corpo, dos objetos, das pessoas.

Conforme cresce vai cada vez mais longe e se encanta com as novas possibilidades de exploração e arrisca-se cada vez mais. Porém, necessita assegurar-se de que é observado.

Ter oportunidades diferentes como entrar debaixo da mesa ou em uma caixa, brincar de esconder e aparecer, ser empurrado por outro para trás e para frente, balançar na rede ajudam o bebê a saber mais sobre seu corpo e o espaço que o rodeia.

Quando o bebê está acordado e ativo é importante variar as posições em que é colocado. Cada posição oferecerá desafios diferentes, pois a gravidade estará atuando de forma diferente em todo o corpo do bebê. A posição de lado, por exemplo, quando o bebê é bem pequeno, favorece que as mãos se encontrem, que o bebê sinta o contato de uma mão na outra, brinque com as mãos, tendo-as à frente dos olhos, facilitando que as conheça melhor.

Quando se ocupa brincando, interagindo, descobrindo o mundo, o bebê poderá dormir melhor. Os períodos de sono são importantes para o bebê assimilar o que experimentou.

Estar atento aos sinais de cansaço ajuda a graduar e saber quando parar. As manifestações mais comuns de cansaço são: bocejo, língua para fora, vira o rosto, estica-se para trás, irritação e às vezes choro.

Inicialmente brinca-se curtos períodos de cada vez – quando tudo está bem, saciado, confortável, alerta e prontinhos para a ação. Pouco tempo de cada vez, mas uma atividade rica, proveitosa, gostosa, divertida e com muito afeto!

A criança maior consegue manifestar o quanto brincar é vital priorizando o brincar em detrimento de qualquer outra atividade. E o bebê? Como manifesta sua necessidade vital de brincar? Temos garantido na rotina diária do bebê oportunidades para brincar junto?

Um dos objetivos da nossa oficina do brincar é instrumentalizar pais para enriquecerem as brincadeiras com os pequenos e proporcionar aos bebês e crianças um espaço acolhedor, prazeroso e facilitador do seu desenvolvimento!
O importante é se divertir!!
Vamos brincar juntos?

Inscrições pelo cel.: (11) 99811-5595 via WhatsApp ou e-mail: lacosdeencantamento@gmail.com

Saiba mais sobre nosso trabalho em:

Referências:
- Pulkkinen, A.: PEKIP: Estimular Bebês Brincando – Alles Trade Editora e Comércio Exterior Ltda
- Brazelton, T.B.; Greenspan, S.I.: As Necessidades Essencias das Crianças – Artmed Editora

10 dez Temas em Pediatria

Uso do repelente de insetos em crianças


1. Evitando os mosquitos (1)

a. Proteção mecânica: utilize roupas com as mangas longas e calças compridas. As roupas finas não impedem as picadas, preferir tecidos de trama mais fechada e mais grossos. Evite roupas escuras (atraem mais insetos) e as roupas que ficam muito coladas ao corpo pois elas permitem a picada. O uso de perfumes pode atrair alguns insetos e deve ser evitado nas crianças. Algumas roupas já vêm tratadas com substâncias repelentes (geralmente artigos esportivos como camisas para camping e pesca).

b. Nos períodos do nascer e do pôr do sol as janelas devem ficar fechadas, o que reduz a entrada de muitos mosquitos. Os mosquitos como o Aedes atacam mais durante as primeiras horas da manhã e no final da tarde, mas podem picar à noite se houver suficiente luz artificial. São encontrados em locais abertos e possuem predileção pelo tornozelo, então a criança deve ser protegida quando está brincando fora de casa, com roupas que cubram esta parte do corpo (2). O uso do ar condicionado ajuda a manter os mosquitos afastados.

c. Existem produtos que podem ser utilizados nas roupas como a permetrina 0,5% em spray (para ser aplicada APENAS nas roupas e telas de janelas e NÃO diretamente sobre a pele).

d. Instalação de telas e mosquiteiros. Eles podem ser tratados com a permetrina em spray ou alguns já estão disponíveis com a substância com ação repelente.

e. A dedetização por empresa especializada reduz a quantidade de mosquitos na casa, mas deve-se seguir todas as orientações de tempo de afastamento da casa e limpeza após a sua realização.

f. Os repelentes elétricos (com liberação de inseticidas) são úteis e diminuem a entrada dos mosquitos quando colocados próximos das janelas e portas. Deve-se tomar cuidado com os repelentes líquidos que podem ser retirados da tomada pela criança e acidentalmente ingeridos.

g. Aparelhos ultrassônicos ou que emitem luzes não possuem eficácia comprovada. h. Realizar a limpeza do terreno da casa e, se possível, de terrenos, praças ou casas próximas, além da retirada de lixo e entulhos que possam acumular água parada que servem como local de criação de novos mosquitos.

2. Uso de repelentes: os repelentes tópicos podem ser usados para passeios em locais com maior número de insetos como praias, fazendas e chácaras, não devendo ser utilizado durante o sono ou por períodos prolongados. Na tabela 1 (3), constam alguns dos repelentes existentes no Brasil e suas respectivas concentrações da substância ativa. Eles atuam formando uma camada de vapor com odor que afasta os insetos. Sua eficácia pode ser alterada pela concentração da substância ativa, por substâncias exaladas pela própria pele, fragrâncias florais, umidade, gênero (menor eficácia em mulheres), de modo que um repelente não protege de maneira igual a todas as pessoas.

a. Abaixo de 6 meses – não há estudos nessa faixa etária sobre segurança dos repelentes e extrapola-se o uso dos recomendados para bebês acima de 6 meses em caso de exposição inevitável e com orientação médica.

b. Acima dos 6 meses – IR3535 – protege por cerca de 4 horas. É usado na Europa há vários anos e, em concentrações de 20% é eficaz, mas os estudos diferem quanto ao período de ação contra o Aedes aegypti que parece ser muito curto.

c. Acima de 2 anos – os que contém DEET são os mais utilizados. Quanto maior a concentração da substância, mais longa é a duração do seu efeito, com um platô entre 30 e 50%. Uma formulação com cerca de 5% de DEET confere proteção por aproximadamente 90 minutos, com 7% de DEET a proteção dura quase 2 horas e com 20% de DEET a proteção é de 5 horas. A concentração máxima para uso em crianças varia de país para país: nos EUA a Academia Americana de Pediatria recomenda concentrações de até 30% para crianças acima de 2 anos. A Sociedade Canadense de Pediatria preconiza repelentes com até 10% de DEET para crianças de 6 meses a 12 anos e autores franceses, concentrações de até 30% para crianças entre 30 meses e 12 anos. Há consenso quanto a se evitar a aplicação em crianças menores de 6 meses. A maioria dos repelentes disponíveis no Brasil possuem menos de 10% de DEET. A restrição da concentração de DEET a 15% ou menor baseada na toxicidade em animais pode resultar em doses insuficientes para a prevenção de doenças potencialmente graves (4) como a Dengue e a Zika a. Assim, o risco da toxicidade deve ser devidamente pesado em relação ao risco da doença. A associação de baixas concentrações de DEET com outros inseticidas está em estudo e parece ser promissora para evitar a resistência aos repelentes atualmente disponíveis. (5)

d. Icaridina – em concentrações de 10% confere proteção por 3 a 5 horas e a 20%, de 8 a 10 horas. Deriva da pimenta e permite aplicações mais espaçadas que o DEET, com eficácia comparável. Parece ser mais potente contra o Aedes Aegypti do que o DEET e o IR3535 e está liberado para uso acima de 2 anos.

e. Óleos naturais: são os mais antigos repelentes conhecidos e parecem ter eficácia razoável. Porém, por serem altamente voláteis (evaporam rápido), protegem por pouco tempo. Um estudo mostrou que o óleo de soja a 2% conferiu proteção contra o Aedes por quase 1 hora e meia. O óleo de citronela por evaporar muito rápido, fornece proteção muito curta. Óleo de andiroba puro mostrou ser muito menos efetivo que o DEET. Óleo de capim-limão teve seu princípio ativo isolado (PMD) e em concentração de 30% é comparável ao DEET a 20%, sendo o mais efetivo dos óleos naturais.

f. Esses produtos podem causar reações alérgicas locais e sistêmicas e devem ser usados com cautela e, preferencialmente, com a orientação do Pediatra.

g. Atenção ao utilizar pulseiras de citronela, pois além da baixa eficácia(6) já foram relatados casos de alergia no local do contato com a pele.

3. Orientação quanto à aplicação dos repelentes:

a. NUNCA aplicar na mão da criança para que ela mesma espalhe no corpo. Elas podem esfregar os olhos ou mesmo colocar a mão na boca.

b. Aplicar a quantidade e intervalo recomendados pelo fabricante, lembrando que a maioria dos repelentes atuam até 4cm do local da aplicação.

c. NÃO aplicar próximo da boca, nariz, olhos ou sobre machucados na pele e seguir as orientações do fabricante guardando a bula ou embalagem para posterior consulta, em caso de ingestão ou efeitos adversos.

d. Assim que não for mais necessário o repelente deve ser retirado com um banho com água e sabonete.

e. NÃO permitir que a criança durma com o repelente aplicado. Apesar de seguro se usado corretamente o repelente é uma substância química e pode causar reações alérgicas ou intoxicações na criança quando utilizado em excesso.

f. Em locais muito quentes (temperaturas maiores que 30 graus) ou em crianças que suam muito, os fabricantes recomendam reaplicações mais frequentes.

g. Repelentes com hidratantes ou protetores solares devem ser evitados, pois essas associações não são recomendadas em crianças. Os repelentes reagem com os protetores solares e acabam por reduzir o efeito do protetor quando aplicados juntos. Pode-se aplicar o protetor solar e após 20 a 40 minutos realizar a aplicação do repelente escolhido.

h. A apresentação em loção cremosa é mais segura do que a apresentação em spray e deve ser preferida nas crianças.

tabela

1. Markus JR. Prurigo estrófulo – reação de hipersensibilidade induzida por picada de insetos. Pronap. 2014;17(2):71-82.

2. Arya SC, Agarwal N. Advice to travelers on topical insect repellent use against dengue mosquitoes in far North Queensland, Australia. J Travel Med. 2011 Nov-Dec;18(6):434; author reply

3. Stefani GPP, A.C.; Castro, A.P.B.M.; Fomin, A.B.F.; Jacob, C.M.A. Insect repellents: recommendations for use in children. Rev Paul Pediatr. 2009;27(1):81-9.

4. Chen-Hussey V, Behrens R, Logan JG. Assessment of methods used to determine the safety of the topical insect repellent N,N-diethyl-m-toluamide (DEET). Parasit Vectors. 2014;7:173.

5. Abd-Ella A, Stankiewicz M, Mikulska K, Nowak W, Pennetier C, Goulu M, et al. The Repellent DEET Potentiates Carbamate Effects via Insect Muscarinic Receptor Interactions: An Alternative Strategy to Control Insect Vector-Borne Diseases. PLoS One. 2015;10(5):e0126406.

6. Webb CE, Russell RC. Advice to travelers on topical insect repellent use against dengue mosquitoes in Far North Queensland, Australia. J Travel Med. 2011 Jul-Aug;18(4):282-3.

Fonte: Sociedade Brasileira de Pediatria.

23 nov Temas em Pediatria

Relato sobre sono


Relato de Lilian Yuri Okada, mãe da Nina (atualmente com 11 meses) sobre Consultoria do sono para recém nascidos (oficina soninho bom do bebê de 0 a 6 meses).

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Consultoria realizada pela consultora do sono Maiana Rappaport, psicóloga e psicanalista, iniciada quando minha filhinha Nina tinha 2 meses de vida e acompanhada até os 4 meses de vida

“O aspecto mais importante no apoio dado pela Consultora de Sono primeiramente foi a escuta. Para mim, foi bastante acolhedor tê-la auxiliando em minhas dúvidas, não se limitando apenas às questões do sono, englobando também a saúde geral da bebê e a da mãe.

As orientações sobre desenvolvimento geral foram importantes porque determinados estágios no qual o bebê se encontra tem implicações em sua rotina de sono. Assim, entendendo o contexto e fase em que a bebê estava, pudemos atender de forma mais efetiva as necessidades dela.

As informações sobre os estágios e saltos de desenvolvimento, além de interessantes, nos permitiram ser empáticos com a Nina e nos ajudaram a lidar melhor com ela. Mais especificamente, sobre as questões do sono, foi fundamental entender o ciclo e janelas de sono do bebê e as orientações de como proceder. Outro ponto importante foi chamar a atenção para o fato de que, normalmente, atribuímos ao bebê o nosso ritmo de sono, mas que é necessário acompanhar o ritmo do bebê para depois, de forma muito vagarosa, encaixá-lo em nosso ritmo.
Seguir as orientações contribuiu não apenas para o bem estar da bebê, mas também para a redução de estresse da família toda, em especial da mãe, que passa a maior parte do tempo com o bebê.

A consultora enfatizou a importância da saúde física e mental da mãe para que ela cuide melhor do bebê. Ressaltou a importância de dormir sempre que possível e procurar relaxar com técnicas de automassagem.

No caso da Nina, que não havia uma questão crítica em relação ao sono, apesar disso, a consultoria foi de grande valor para nós, pais. Tínhamos quase que total desconhecimento das informações referentes às questões do sono que a consultora nos trouxe (ciclo, quantidade de horas necessárias, importância do sono, comportamento médio dos bebês, etc). Informações simples, dadas de forma precisa e clara que foram fundamentais para ajustarmos nossa conduta com a Nina. A partir dessas informações, surgiram outras dúvidas que foram esclarecidas pela consultora no período do contrato, respeitando as necessidades da Nina.

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Por ser muito novinha, o ritmo e padrão de soneca da Nina eram inconstantes o que gerava uma certa angústia em como lidar, às vezes dormia muito, outras vezes lutava contra o sono chegando à exaustão. A consultora mostrou-se sempre à disposição para tirar nossas dúvidas e nos tranquilizar.

Nossa experiência com a Nina em relação ao sono tem sido muito melhor depois que seguimos as orientações da consultora. Talvez, se não tivéssemos tido tais orientações, estaríamos enfrentando agora uma situação mais difícil de lidar. Por exemplo, poderíamos ter estabelecido um ritmo prejudicial à qualidade de sono dela ou “viciá-la” a dormir somente em determinadas condições não favoráveis aos pais, como o colo. A Nina é uma bebê atenta e desperta, dorme pouco, mas atualmente temos propiciado situações e ritmo para que ela tire sonecas mais longas durante o dia.”

7 set Temas em Pediatria

Doutor, meu bebê não dorme!…


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… não mama, não quer comer, chora demais, morde outras crianças com frequência. São algumas das muitas queixas que inundam as consultas de puericultura em busca de respostas que aliviem a angústia que contagia toda a família.

Frequentemente o pediatra não encontra qualquer disfunção que explique o sintoma. Alguns reconhecerão um traço emocional na origem desses distúrbios funcionais, mas desconhecem encaminhamentos que possam ser eficazes e rápidos. A ideia de um atendimento psíquico muitas vezes não é facilmente recebido pelos pais, que buscam alívio rápido para angústias que se tornam insustentáveis.

Os primeiros três anos de vida de uma criança formam o alicerce de toda sua vida, seja do ponto de vista de seu desenvolvimento fisiológico, seja psicoafetivo. Dificuldades nessa etapa de vida podem comprometer todo o aparelho mental da criança, impossibilitando o desenvolvimento de suas competências. Em níveis mais graves pode representar os primeiros sinais dos Transtornos do Espectro Autista (TEA) que precisam ser escutados com a máxima brevidade para os devidos encaminhamentos que farão toda a diferença da saúde mental dessa criança.

A periodicidade das consultas de puericultura permite ao pediatra observar e acompanhar vários aspectos do desenvolvimento do bebê e perceber rapidamente quando algo não vai bem. Essa observação não se refere apenas às curvas de crescimento e desenvolvimento motor, mas também abrange a dinâmica que a família estabelece com a criança e também com o próprio pediatra. Pais muito aflitos, que ligam constantemente para o médico expressam com esse comportamento pouca confiança em sua capacidade de cuidarem de seu filho. Essa insegurança tanto pode ser por imaturidade emocional dos pais, quanto uma percepção intuitiva deles sobre distúrbios psicoemocionais dessa criança. O pediatra precisa estar atento a esses sinais e se indagar sobre o que eles representam para a família, pois muitas vezes significa um pedido de ajuda implícito, porém inconsciente. Da mesma forma a angústia de um bebê pode estar denunciando a incapacidade de seus pais estarem sintonizados com suas necessidades, revelando assim uma carência do vínculo primordial que não foi bem constituído.

E diante dessas observações o que fazer? Conversar com eles sobre isso e sugerir que possam buscar a ajuda de um profissional qualificado a compreender a dinâmica inconsciente que pode estar impedindo um vínculo familiar prazeroso e saudável. Durante os primeiros 1000 dias da criança, a possibilidade de reconhecer e intervir em transtornos vinculares que impedem uma interação saudável entre o bebê e seus pais é a grande oportunidade de evitar muito sofrimento desnecessário e investir na saúde mental da vida ulterior dessa criança.

Alguns psicanalistas se especializaram em atendimentos chamados Intervenções Psicanalíticas Pais-Bebê, Intervenção Precoce na Relação Pais-Bebê ou Terapia Conjunta Pais-Bebê que têm como objetivo escutar o significado inconsciente desses sintomas, permitindo que o desconforto apresentado pelo bebê desapareça na medida em que deixa de ocupar a função psíquica que a sustentava. Além da remissão do sintoma de sofrimento emocional do bebê, observa-se fortalecer as funções parentais e o vínculo.

Denise de Sousa Feliciano é Psicóloga e Psicanalista. Membro do Departamento de Psicanálise de Criança e Professora do Instituto Sedes Sapientiae; Doutora em psicologia pelo IPUSP-SP, especialização em Psicopatologia do Bebê pela USP e Université Paris 12; Membro Filiado da Sociedade Brasileira de Psicanálise de SP; Membro da Sociedade Brasileira de Pediatria e do Departamento de Saúde Mental da Sociedade de Pediatria de SP. Ela atende na Casa Curumim, informe-se.

4 mai Temas em Pediatria

Bronquiolite


Por Tatiana Sano, pediatra especialista em Pneumologia Pediátrica da Casa Curumim.

bronquiolite-no-bebê21-1Muitas mães já devem ter ouvido falar na Bronquiolite, principalmente agora durante o outono/inverno, mas o que é Bronquiolite?

Bronquiolite Viral Aguda é uma doença que acomete crianças menores de 2 anos, principalmente as menores de 1 ano e é uma das principais viroses responsáveis pelas internações e idas ao pronto socorro nesta época do ano.

Esses vírus inflamam a mucosa (levando a um inchaço e produção de muco) que reveste a parte interna dos bronquíolos (ramificações bem finas da arvore brônquica). O ar passa com dificuldade provocando o principal sintoma da Bronquiolite o “chiado”= sibilos.

Por que acomete crianças menores que 2 anos?
Por causa do pequeno calibre das vias aéreas qualquer inchaço de suas paredes ou a mínima quantidade de muco já podem ser suficientes para provocar uma obstrução importante na passagem de ar. Além disso, a imunidade dos lactentes para estes vírus respiratórios ainda é pequena
Quais são os principais vírus que causam Bronquiolite:

Vírus Sincicial Respiratório-VSR (75%), Rinovírus (39%), Coronavirus (21%), Influenza (10%),
Como a doença evolui?

Inicia com os sintomas de um resfriado comum como coriza, obstrução nasal, tosse e febre e é muito comum a história de ter algum familiar, como irmão mais velho resfriado, ou frequentar escolinha. Em 3-4 dias evolui com piora da tosse, chiado e desconforto respiratório (respiração rápida, ofegante. A maioria das crianças se recupera em cerca de 2 semanas mas em alguns casos a tosse e o chiado podem persistir até um mês. A Bronquiolite pode ser mais séria nos menores de 3 meses, nos que nasceram prematuros ou quando o bebe é portador de alguma doença crônica (cardiopatia, doença renal, etc…). Frequentar creches, viver em casas com muitas pessoas ou conviver com fumantes também são fatores que podem agravar o quadro..
Como o diagnóstico é feito?

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O diagnóstico é feito baseado na história clínica e no exame físico. Radiografia do tórax, exame de sangue ou pesquisa viral devem ser realizados apenas nos casos moderados/graves ou quando é necessário excluir outras doenças. Nos casos mais simples basta a avaliação clinica.
Quais são as complicações mais comuns?

Na maioria das vezes a bronquiolite evolui bem e sem complicações. Nos casos mais sérios, devemos nos preocupar com a desidratação, insuficiência respiratória (perda da capacidade de oxigenar o corpo com a respiração) ou infecção bacteriana.

Quando levar ao pronto-socorro?

bronquiolite-e-chiado-no-peito1 1. Desconforto respiratório= Respiração rápida, A barriga sobe e desce muito e rápido, ou a musculatura entre as costelas ou a fúrcula ( aquele buraquinho nom pescoço) afundam, ou as asas do nariz se elevam.
1- Sinais de desidratação: diminuição da urina, boca seca, choro sem lagrima e pulso acelerado ou Recusa alimentar)
2- Cianose= lábios ou mãos e pés arroxeados, azuis.
3- Sonolência excessiva ou irritabilidade excessiva (quando sem febre o bebê ficar muito caidinho ou irritado.

Tratamento
Uma vez que a doença é causada por vírus, ainda não há medicações eficazes e seguras. O tratamento tem como objetivo melhorar os sintomas: tosse, chiado, desconforto respiratório e tentar manter o bem estar do bebê.
1- Tentar manter a alimentação – oferecer mais vezes em menores quantidades, com cuidado para não engasgar.
2- Lavagem nasal, pois a obstrução nasal piora o desconforto respiratório e dificulta a alimentação
3- Inalação com soro fisiológico para tentar fluidificar o muco e secreções nasais
4- Elevar a cabeceira do berço em 30° para dormir (levantar todo o colchão,ou a cabeceira do berço).
5- Algumas vezes pode ser necessário o uso de medicamentos (broncodilatadores/ corticoide/ e outros), mas eles ajudam somente nos casos mais sérios.
Prevenção
O fator mais importante é lavar as mãos com frequência, pois o contágio da doença se dá principalmente pelas mãos e por objetos contaminados com os vírus. Outras medidas importantes são: evitar contato com doentes, evitar exposição das crianças ao cigarro, a vacinação anual para influenza e o aleitamento materno, pois anticorpos maternos passam para o bebê.

Referências Bilbliográficas:
1- Shawn L. Ralston, Allan S. Lieberthal, et all. Clinical Practice Guideline: The Diagnosis, Management, and Prevention of Bronchiolitis. Pediatrics, 2014; 134;e 1474
2- Hyvarien, Acta Paediatr 2005; 94: 1378
3- Stein, Lancet 1999; 354: 541
4- Petruzella FD, Gorelick MH, Duration of illness in infants with bronchiolitis evaluated in the emergency department. Pediatrics, 2010; 126(2):285
5- Shazberg G, Revel-Vilk S, Shoseyov D, Bem-Ami A, Klar A, The clinical course of bronchiolitis associated with acute otitis media. Arch DIS child 2000; 83(4):317
6- Up to date- Bronchiolitis in children, diagnosis, management, treatment and prevention

18 set Temas em Pediatria

Por que toda criança precisa brincar?


Por Gilka Girardello

Brincando elas:
aprendem a escolher: uni-duni-tê.
aprendem a imaginar: esta poça d’água vai ser o mar.
aprendem a perseverar: caiu o castelo, vou fazer de novo.
aprendem a imitar: eu era o motorista – brrrrrrum.
aprendem a criar: dou um nó aqui, outro aqui e tá pronto o circo.
aprendem a descobrir: misturei amarelo e azul, olha o que deu.
aprendem a confiar em si: olha o que eu consegui fazer.
aprendem novos conhecimentos: 28, 29, 30, lá vou eu!
aprendem a fantasiar: daí a gente voava.
aprendem novas habilidades: vou fazer o cabelo da minha fada cacheado.
aprendem a partilhar: tira, bota, deixa ficar.
aprendem a inventar: essa tampinha de garrafa vai ser o pratinho deles.
aprendem a pensar logicamente: joga a bola pra ele!
aprendem a pensar narrativamente: vou te contar.
aprendem a interagir: posso brincar com vocês?
aprendem a cooperar: dá a mão que eu te ajudo.
aprendem a questionar: será que é assim mesmo?
aprendem a memorizar: vamos ver quem pula corda até cem?
aprendem a conhecer suas forças: deixa que eu defendo.
aprendem a conhecer seus limites: tô com medo.
aprendem a encorajar: vem que eu te seguro.
aprendem a fazer julgamentos: assim não vale.
aprendem a analisar: os grandes aqui, os pequenos ali.
aprendem a devanear: hã?
aprendem a compaixão: dá a mão que eu te puxo.
aprendem a fazer analogias: aquela nuvem não parece um cavalo?
aprendem a organizar: ó que legal a minha fila de carrinhos.
aprendem a fazer cultura: vamos brincar de inventar piada?
aprendem a compartilhar: pega essa boneca que eu pego aquela.
aprendem a perdoar: tudo bem, já passou. aprendem a desbravar: vamos ver o que tem lá? aprendem a construir: era uma vez uma cidade assim. aprendem a destruir: vamos desmanchar pra fazer outro.
aprendem a sentir: fiquei com o olho cheio d’água. aprendem a rir: ra-ra-rá, lembra aquela hora? aprendem a olhar: acho que aquela graminha ali é um gafanhoto.
aprendem a ver: você tá triste?
Entre outras razões, porque brincar é o principal jeito de
as crianças aprenderem. E muito mais.
Mais que um jeito de aprender, brincar é o jeito de as crianças serem. Não é uma coisa que possa ser substituída, reembolsada amanhã, ou uma preparação para o futuro. As crianças precisam brincar hoje e todos os dias de sua infância. Todas as crianças, no mundo inteiro, têm o direito de aprender essas coisas e de ser plenamente assim. Se não brincarem – muito – quando crianças, não conseguirão aprender (nem ser) direito depois. E todos os adultos do mundo precisam aprender melhor o que as crianças, mesmo sem perceber, têm pra nos ensinar.

Fique de olho nas datas das Oficinas de Brincar que acontecem na Casa Curumim. Mais informações AQUI.

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