12 out Temas em Pediatria

DÊ O PRESENTE AO SEU FILHO


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Quando eu era criança tinha um tabuleiro de xadrez que ficava sobre a mesa de centro. Eu passava horas inventando histórias para os bonequinhos, o rei e a rainha. Me lembro como se fosse hoje de tão gostosa que a brincadeira era. Eu não sabia jogar xadrez, e felizmente meus pais não me atrapalharam a diversão tentando me ensinar.

Crianças são curiosas. Criativas. Se encantam com cores, texturas, formas, orifícios. Criança gosta de explorar. Podem se entreter horas com um pedaço de qualquer coisa.

Mas a preocupação cada vez mais crescente de prepara-las para o futuro, tem feito muitos pais direcionarem suas explorações. Apresentam-lhes cada vez mais estímulos cheios de objetivos, brinquedos estruturados para desenvolver-lhes aptidões variadas. Sem falar de celulares e tablets. Tentam prepará-los para a concorrência da vida. Se você aprende desde pequeno já leva vantagem, dizem por aí. Ledo engano.

Na ânsia de garantir o futuro dos filhos, os pais se esquecem de oferecer-lhes o que eles mais precisam no presente: ser criança e se perder no prazer indescritível da imaginação. E porque “não se pode perder tempo” impõem um ritmo acelerado até com hora marcada e tempo definido para brincar livremente. Primeiro a obrigação!

Pais, deem tempo aos seus filhos. E voltem no tempo para brincar com eles sem pressa.
Quando me lembro do mergulho nas brincadeiras como as do xadrez, sinto um lamento de não conseguir mais viajar pelo mundo mágico que só criança consegue entrar. Brincando hoje com crianças me divirto ao ver o entusiasmo delas, principalmente quando estamos de verdade com elas. Mas a gente não consegue mais aquele tal pirlimpimpim que permite a elas serem a brincadeira. A nossa diversão de adulto é se encantar com o encanto delas que nos contagia. E isso também é muito bom!

Quando convido pais a brincarem com seus filhos em minha sala de crianças, frequentemente ficam constrangidos e por não saber bem o que fazer às vezes começam a testar o conhecimento dos filhos perguntando que cor é essa ou o que está escrito. Uma pena. Não conseguem se desligar da obrigação de aprender e perdem a chance de acompanhar o prazer dos filhos na descoberta. Essas são as que permanecem na memória como verdadeiro aprendizado, pois vêm acompanhadas de prazer.

Ao inventar e brincar a criança não apenas absorve o mundo, mas recria-o para si mesma. E é a capacidade de recriar a vida a cada dia que diferencia os grandes adultos, como Tom Hanks no inesquecível Quero ser grande.

Denise de Sousa Feliciano
Psicóloga e Psicanalista

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