3 mai Aleitamento Materno

Relato de amamentação


Por Juliana Almeida, mãe do Filipe

Amamentação, início difícil.

Filipe nasceu em um parto humanizado no dia 24 de julho de 2012. Vasta literatura e experiência médica descrevem esse tipo de recepção ao recém-nascido, sem intervenções desnecessárias, como a mais acolhedora e incentivadora da amamentação. Logo que nasceu, meu filho já foi colocado no peito para a primeira mamada. Quarenta minutos depois, totalmente satisfeito, dormiu no meu colo. Somente após seu ritual de chegada é que ele foi cumprir os protocolos do hospital.

Tudo parecia perfeito. Mas ao voltar do berçário, três horas depois, o processo da amamentação começou a desandar. Ele não queria mais mamar e ainda vomitava um pouco. Segundo as enfermeiras, estava nauseado do parto. Mais algumas horas se passaram, fiz nova tentativa, mas desta vez ele começou a morder em vez de sugar. Com ajuda das enfermeiras e de uma amiga fonoaudióloga acostumada a trabalhar com bebês conseguimos finalmente uma boa pega e uma mamada mais eficaz. Mas em outras vezes ele voltava ao esquema antigo.

Essa inconstância se repetiu pelas 48 horas seguintes, até que o pediatra Douglas Nóbrega Gomes deu o diagnóstico: meu filho estava com a pega errada por ter nascido com retrognatia (queixo para trás) e precisava aprender a mamar da forma correta, caso contrário me machucaria a ponto de eu não ter mais condições de prosseguir. Recomendou que eu me aconselhasse com uma fonoaudióloga especializada em amamentação e, enquanto isso, deveria oferecer leite artificial. Saí da maternidade arrasada, com o copinho de leite na mão.

A falta de estímulo de sucção adequado acarretou outro senão: meu leite demorou mais para descer. O que geralmente acontece nos primeiros três dias, no meu caso levou cinco. E o bebê seguia com fome, claro, pois o colostro já não o alimentava mais. Segui à risca todas as orientações dadas pela fono Maria Teresa Sanches. Fiz massagens nos seios, exercícios na boquinha do bebê, um número mínimo de mamadas, usei a bomba para estimular a produção de leite.

Dar o complemento alimentar no copinho era a pior parte. Eu mais derramava o conteúdo do que conseguia fazer o bebê ingeri-lo. Isso sem contar a sensação de tristeza e indignação. “Onde está aquela serenidade das imagens de mães amamentando seus filhos que vemos nas campanhas?”, eu me perguntava. Pensei várias vezes em desistir, mas meu marido me apoiou muito e participou ativamente de todo o processo.

Em seguida passamos a utilizar o método da translactação, que eu carinhosamente apelidei de “engana bebê”. Você prende uma sonda junto ao mamilo para oferecer o leite de fórmula, que tem que ser sugado como se fosse o materno, evitando o desmame.

Alguns bebês logo aprendem a sugar corretamente e dispensam o aparato, outros demoram mais. No começo o processo foi um pouco confuso e demorado e eu precisava de pelo menos mais um par de mãos para dar conta do recado. Mas com o tempo fui me adaptando e passei a fazer tudo sozinha.

Ao final do primeiro mês já não precisei mais complementar a alimentação com tanta frequência e o Filipe começou a ganhar peso de maneira constante. O Filipe aprendeu a pega correta, mas não deu para dispensar o complemento porque ele tem mais fome do que a quantidade de leite que consigo produzir. O mais importante é que ele continuou recebendo o leite materno, garantindo carinho, maior imunidade e nutrição.

Depois que passei por todo esse processo conheci outras mães que também tiveram dificuldades no início da amamentação. E a maioria delas, com apoio profissional e pessoal, conseguiu se fortalecer emocionalmente e não desistiu deste ato de amor que é a amamentação.

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