3 dez Temas em Pediatria

O sono do bebê: Por que o bebê precisa dormir tanto, se ele não quer fazê-lo?


Por Maiana Rappaport- Psicóloga Psicanalista e Consultora do sono de bebês e crianças. Coordena o Grupo de Pós-parto e a Oficina de reciclagem de vovós e vovôs na Casa Curumim.

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O sono é um aspecto de suma importância na saúde dos seres humanos. Desde o útero, o feto alterna momentos em que dorme e permanece acordado. O bebê humano nasce imaturo. Nas primeiras semanas de vida, o bebê tem um sono muito irregular e não sabe diferenciar o dia e a noite. Viver fora do útero cansa e muito! Afinal de contas, após o nascimento, o bebê precisa respirar aprender a mamar na sua mãe, deglutir, digerir o leite, fazer coco e xixi, interagir com as pessoas ao seu redor, adaptar-se ao mundo aéreo, barulhos, intensidades variadas de luminosidade, sons, diferentes toques e muito mais. O choro é o recurso que o bebê tem para comunicar-se quando tem algum desconforto, e esses podem ser variados: fome, dor, cansaço, frio, calor, falta de contato, saudade do colo, do cheiro e da voz da mãe, entre outros.

Desde as primeiras semanas, o pequeno necessita de uma rotina mínima para dormir, descansar, e assim, aproveitar o dia e desenvolver-se de forma saudável. Com o tempo é desejável que ofereçamos ao bebê um ritual do sono, que consiste numa sequência constante e repetitiva de ações, que vá sinalizando que está na hora dele relaxar e dormir. Essa possibilidade de previsibilidade promove ao bebê, a sensação de continuidade e segurança.

Durante o sono, os bebês recarregam suas energias, metabolizam sensações, emoções, inúmeras informações que recebem quando estão despertos; e consolidam todos os novos conhecimentos. No sono da noite, vários hormônios importantes são liberados: a melatonina (do sono), o GH (do crescimento), a leptina (controla a sensação de saciedade) e muito mais. O humor, a atenção, o estado de espírito, a memória e o aprendizado, dependem de quantidade e qualidade de horas de sono. Cada indivíduo tem suas necessidades particulares, mas em geral, os recém-nascidos necessitam dormir de 16 a 18 horas, fracionadas durante o dia e a noite.

Porém, conforme ele vai crescendo, o tempo que aguenta ficar acordado e bem, de dia, vai aumentando. Ainda assim, nos primeiros anos ele necessita de sonecas diurnas e até seus 5 anos, ainda que não faça mais sonecas diurnas, necessita de 10 a 11 horas de sono noturno!

Pesquisas atuais evidenciam que a falta de sono contínuo e de qualidade pode provocar labilidade no humor, problemas de aprendizagem, de concentração, atenção e memória. Hiperatividade, impulsividade, agressividade, obesidade e ansiedade. Além de baixa no funcionamento metabólico e imunológico e consequências no potencial cognitivo e relacional.

O trabalho, da Consultora do sono com famílias de bebês e primeira infância, consiste em informar aos pais (com bases em evidências cientificas) como se dá a dinâmica do sono do bebê e da criança (de acordo com sua idade) e assim, os mesmos possam adequar suas expectativas às reais possibilidades dos pequenos. Além de oferecer-lhes instrumentos para observarem seus filhos, reconhecerem suas comunicações (pessoais e singulares) e criarem um ambiente de sono saudável para que o pequeno aprenda a relaxar e a dormir, sem choro. Ele necessita e quer dormir, mas não sabe colocar-se numa situação de relaxamento e adormecer sozinho, requer ajuda e precisa aprender!

Com consistência nas ações, persistência dos pais e muito carinho, processualmente o pequeno aprenderá a dormir com prazer, de forma cada vez mais continua e independente.

Informe-se:

- Oficina do sono em grupo, dirigida a casais, gestantes e pais de bebês de 0 a 6 meses. E-mail: soninhobomdobebê@gmail.com

- Consultoria do sono individual e personalizada dirigida a famílias com bebês desde o nascimento até o final da primeira infância (5 anos). E-mail: maiana.r@uol.com.br

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