5 set Pós-Parto

Os benefícios da convivência entre avós e netos.


Adaptação por Maiana Rappaport: Psicóloga /Psicanalista e Consultora do sono de bebês e crianças – Coordena Oficina de reciclagem de avós na atualidade, grupo de pós parto “Conversa de mães” e oficina soninho bom do bebê de 0 a 6 meses” na Casa Curumim.

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Não é preciso muito esforço para notar como a interação entre netos e avós é positiva. Estudo feito durante 19 anos, pelo Boston College, EUA, comprova que os dois lados se beneficiam desse relacionamento. Para os avós, a conexão permite contato com uma geração muito mais nova e, consequentemente, uma abertura a novas ideias. Para os netos, os idosos oferecem a sabedoria adquirida durante a vida – e esse conhecimento acaba sendo incorporado pelas crianças quando elas se tornam adultas, além de os avós também costumarem passar às novas gerações muitas histórias sobre o passado, o que é enriquecedor para qualquer criança. Além de tudo isso, os pesquisadores também concluíram que a relação avós-netos pode ajudar a diminuir sintomas depressivos para ambas as partes. 

Uma nova pesquisa sobre o assunto foi realizada pela Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos.  Os cientistas elaboraram uma hipótese de que os avós com a mente saudável aumentam as chances de sobrevivência dos filhos de seus filhos porque, assim, são capazes de transmitir a eles seus conhecimentos e habilidades. Como um reforço à teoria, eles procuraram e conseguiram identificar em vários genes mutações relativamente novas que protegem contra doenças neuro-degenerativas, como o Alzheimer, que costuma aparecer em pessoas idosas. Segundo os cientistas, parece estar havendo uma seleção natural diante de nossos olhos. Ou seja, as pessoas que têm esses genes vivem mais (porque estão protegidas contra as doenças neuro-degenerativas) e, consequentemente, conseguem colaborar mais com a criação dos netos, pois estão saudáveis. 



Contar com a ajuda dos pais na hora de terem filhos!

Um estudo britânico recente, feito com 2 mil participantes, por exemplo, mostrou que mulheres que moram perto da casa de suas mães têm mais probabilidade de ter filhos. A razão mais provável apontada pelos pesquisadores é que a facilidade com os cuidados deixa essas mulheres melhor preparadas psicologicamente e mais tranquilas na hora de decidir ter um filho. Ou seja, o apoio dos avós é muito importante e é sempre bom poder contar com ele. Para isso, se relacionar de forma saudável para todas as partes envolvidas; é importante conversar e chegar a um consenso na família. Os avós têm de compartilhar dos princípios dos pais ou, pelo menos, respeitar as ideias. É importante ressaltar que a criança nunca deve ser impedida de conviver com avós amorosos, mesmo que as regras deles não estejam completamente de acordo com a dos pais.

Pais X Avós


Acontece que nem tudo é um mar de rosas nessa história. Se você já deixou seu filho com os avós, com certeza sabe que os desentendimentos são inevitáveis! Fica então a dúvida: como agir nesses casos?

Algumas dicas que podem facilitar a boa convivência. Confira:

- Os avós devem fazer sua parte procurando se informar sobre novos padrões de comportamento, métodos de educação e tratamentos de saúde. Por exemplo, frequentando Oficinas de reciclagem para a atualização dos conhecimentos nos cuidados com os bebês, também podem ser um espaço para sensibilização e reflexão sobre o espaço das avós dentro da família, hoje, e a importância do bom apoio que os avós podem oferecer aos seus filhos, na ocasião destes tornarem-se pais e formarem sua própria família. Também podem acompanhar alguma visita do neto ao pediatra (já que elas tendem a pensar que, se o que fizeram deu certo, não há por que não repetir). Na consulta, conhecem o pediatra da criança e razões comprovadas cientificamente, para as ações e métodos de educação e cuidados dos seus filhos.

- O mais importante é que os papéis sejam bem definidos. Todos vão palpitar, sim, sobre assuntos que envolvem a criança, mas, com uma boa conversa, entrar em um acordo não será tão difícil. Não há certo e errado, e sim aquilo que funciona para o casal e que deve ficar claro para familiares. Um acordo que pode ser renovado conforme novas situações apareçam. Os pais precisam aceitar a sabedoria dos avós, assim como esses devem respeitar a autoridade dos pais.

- Quando acontecer algum desentendimento, respire fundo e deixe a discussão para um momento em que a criança não esteja presente. Isso garante uma convivência pacífica e saudável entre todos.

- Se a criança costuma ficar todos os dias na casa dos avós, os limites devem ser melhor delimitados. Convivendo cotidianamente com o neto, os avós podem sentir-se mais livres para aplicar seus próprios métodos de criação, o que pode chatear os pais. Mais uma vez, uma conversa franca e tranquila será necessária para chegar à solução. E cabe aqui ainda uma regra geral: a autoridade dos pais é sempre maior, mas, se eles dependem de outras pessoas para cuidar dos filhos, têm que aceitar que a influência externa é inevitável.

- Tratar os avós como babás de luxo é o grande erro cometido pelos pais. Por isso, se a criança precisa ou quer passar o dia na casa deles, não faça listas indicando o que pode ou não pode ser feito.

Confie na relação direta existente entre avós e neto e respeite suas decisões e atitudes. Lembre-se dos momentos felizes e divertidos que você mesmo passou ao lado dos seus avós fazendo tudo aquilo que lhe era proibido pelos pais e que, no entanto, não lhe fizeram nenhum grande mal.

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