5 ago Aleitamento Materno Família Pós-Parto

A armadilha da Mulher Maravilha


Birth-Art

Adaptação de texto do Dr. Daniel Becker -  médico pediatra RJ, por Maiana Rappaport, psicóloga pela PUC SP, psicanalista pelo Sedes Sapientiae, especializada no atendimento a gestantes e pós-parto. Ela coordena o Grupo de Pós-Parto “Conversa de Mães” que acontece toda segunda, na Casa Curumim. 

Nasce um bebê no Xingu, no sertão de Minas Gerais, numa aldeia africana, numa tribo em Maui, numa cidadezinha no interior da Tailândia ou da Polônia ou da Inglaterra, na favela da Zona Norte  – a cena se repete, a mãe está cercada de cuidados e apoio.

Nasce um bebê em Copacabana, no apartamento 1104. A avó está trabalhando em tempo integral. O pai só tem cinco dias de licença. A vizinha do 1103 não só não ajuda, como sequer conhece, e ainda reclama do choro noturno. E a empregada diz que só ganha pra cuidar da casa. Ajudar à noite, nem pensar. E aí temos esse fascinante fenômeno social: a única mulher do planeta que é deixada pra cuidar de um bebê sem nenhuma ajuda é a da classe média, urbana, ocidental. Pior: ela achava que ia conseguir…

Mas essa onipotência (culturalmente induzida, claro – e muitas vezes socialmente exigida…) só dura até o 5º dia, quando muito. Na segunda semana, a mulher percebe que um bebê demanda demais. Precisa de atenção 24 horas, permanente. E os cuidados muitas vezes exigem duas pessoas. Sem ajuda, é virtualmente impossível. A amamentação facilita e muito o cuidado, já que não é preciso tratar de mamadeiras, latas, esterilizadores e bicos. Mas é preciso tempo e descanso para produzir leite. É o clássico bordão, muitas vezes ignorado: um bebê só ficará bem se sua mãe estiver bem. Em alguns momentos, é crucial que a mãe volte a ser mulher – um indivíduo separado de sua filha, que precisa descansar, se cuidar, relaxar, pensar em outras coisas. Ela precisa desses momentos como o bebê precisa do seu leite.

Por isso, é preciso que tenhamos menos onipotência, e que reconheçamos que vamos sim precisar de ajuda. Para isso, é necessário planejamento: quem vai ajudar, como, quando. O pai vai segurar a onda nas noites? Até quando? A avó pode mesmo ajudar? E os conflitos que tantas vezes surgem nesse momento? Uma coisa é apoiar, acolher; outra, se intrometer ou criticar – fronteira sutil e muitas vezes rompida de forma inconsciente e perversa. A empregada vai cuidar de casa? Vai ter comida pronta? O patrão vai respeitar e não ligar para falar de trabalho?

Nos dias de hoje, a situação se complica ainda mais. Em nossos tempos hiper-conectados, de distrações múltiplas e permanentes e com enorme apelo, é dificílimo estarmos concentrados em uma tarefa. Muitas vezes a futura mãe se ilude e acha que vai amamentar, trocar fraldas, ver a novela, passar e-mail de trabalho, estudar para o concurso e postar no Facebook, ao mesmo tempo, já nos primeiros dias de vida do recém nascido.

E como se a situação em si já não fosse complicada o suficiente, aparecem outros obstáculos: o marido quer ensinar a colocar o bebê no seio (com a melhor das intenções), dizendo que ela está fazendo errado; a mãe (avó do bebê) diz “mas o que custa dar uma mamadeirinha, ela chora tanto”; as amigas dizendo que pra elas foi muito simples, que fizeram assim ou assado e que você está fazendo tudo errado; a prima exibicionista cujo bebê dorme bem, mama bem e “não dá nenhum trabalho”…. e a sociedade toda dizendo que se você não consegue amamentar   seu bebê e cuidar dele integralmente, é porque não tem competência.

O que a mulher precisa no momento da amamentação é apoio de verdade. Apoio aberto, honesto e atento. Ela não precisa de crítica, ensinamentos verticais, lições de moral ou prescrições autoritárias. Muito menos de conselhos sobre mamadeiras. Ela precisa de espaço psíquico, tempo e um mínimo de estrutura para se dedicar ao bebê. E de apoio técnico, prático. Aliás, esse é um importante papel que o pai pode exercer nesse momento da vida familiar, o nascimento de um filho. Tão ou mais importante quanto trocar fraldas, ninar e dar banho, é garantir que o binômio mãe-bebê vai ter paz e tranquilidade para se conhecer, se conectar, evoluir em direção a um bom desenvolvimento e a uma amamentação bacana. Para isso, cuidar da casa, e garantir que esteja em ordem; comida na geladeira e contas em dia; atender o telefone e dar conta dos palpiteiros; receber as visitas e oferecer as desculpas pois a mamãe agora está descansando… e estar atento às necessidades da sua mulher…”

Ilustração de Amanda Greavette

3 ago Aleitamento Materno

Aleitamento materno e prevenção da obesidade infantil


Por Melissa Ramos Morais

2a5ea38c2344a4ca0d0b3065ba879aaeA obesidade tem uma associação importante com os aspectos emocionais e vivências psíquicas dos indivíduos. Desde a vida intra-uterina, esses aspectos tem relação com as experiências dos pequenos e durante o seu desenvolvimento pessoal serão decisivos para a formação da personalidade, caráter e maneira de lidar com suas emoções.

A figura materna tem fundamental importância nessa fase. Sendo a mãe a primeira pessoa com quem haverá uma interação, a qualidade do vínculo mãe e filho é primordial para o desenvolvimento saudável, em todas as esferas do ser. Nesse contexto, o aleitamento materno, como primeira e mais adequada forma de alimentação do recém-nascido, tem um papel fundamental na prevenção da obesidade.

O leite humano é único em sua composição. Ele é uma substância ativa, capaz de se modificar para atender as necessidades de cada binômio mãe-filho.

Essa capacidade de modificação, durante o decurso de uma mamada, permite à criança conhecer diferentes sabores e desenvolver a capacidade de saciedade e autorregulação, o que significa preparar a criança para interromper a ingestão de alimentos, quando esses já forem suficientes para sua necessidade naquele momento.

A perda dessa capacidade leva a criança a continuar comendo, mesmo quando já está satisfeita e atingiu o necessário de calorias daquela refeição.

Vários estudos mostraram evidências de que, quanto maior o tempo de duração do aleitamento materno exclusivo, menores as chances de ganho de peso excessivo durante a infância e até o início da adolescência.

Dessa forma, o aleitamento materno não só é um ato de amor, como também uma proteção contra doenças, uma melhora na tolerância contra alergias alimentares, além de prevenir a obesidade infantil.

Pense nisso.

Dra. Melissa Ramos Morais

Pediatra / Nutróloga

CRM 98732

Referências:

Manual de orientação: Obesidade na infância e Adolescência. Departamento de Nutrologia, Sociedade Brasileira de Pediatria.

Nóbrega, FJ. Distúrbios da Nutrição

1 ago Aleitamento Materno

Amamentação exclusiva: Isto também passará


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por Maíra Scombatti

Como integrante da equipe da Casa Curumim, recebi um e-mail com um convite – direcionado aos profissionais que têm envolvimento com a amamentação – para a escrita de um artigo sobre aleitamento materno. Inicialmente pensei que não era o caso para um artigo meu, já que costumo atuar mais com crianças “maiorzinhas” e famílias com questões que surgem depois dos períodos de amamentação. Mas, logo em seguida, fiquei com vontade de contribuir. Afinal, além de contar com a experiência de ser mãe de dois garotões, gosto bastante de refletir com os textos de uma outra psicopedagoga, a argentina Laura Gutman.

Como mãe, passei por inúmeras questões durante o processo de amamentação do meu primeiro filho. Como muitas das mulheres ocidentais, vivia o dilema: quero amamentar em livre demanda, mas quero também manter minha autonomia e liberdade. Por vezes me sentia completamente presa à “obrigação” de amamentar. E os seis primeiros meses passaram devagar, com noites que pareciam séculos intermináveis… Por fim, “venci” o desafio da exclusividade do primeiro semestre e continuei amamentando por bastante tempo. Com ajuda de bons profissionais e boas leituras, aos poucos fui relaxando e percebendo que também na maternidade tudo passa. Não, não dava para “desatarrachar” o peito e deixar o bebê mamando enquanto eu saía para espairecer um pouco, mas dava para respirar e buscar a beleza de cada momento, com aceitação e presença.

Mamilos rachados, mastites, noites completamente insones… como diz uma antiga história Sufi: “isto também passará”. E os momentos deliciosos, do bebê relaxado em nosso colo, olho no olho, aquela risadinha de êxtase pós mamada, cheirinho de aconchego no ar? “Isto também passará”.

Com meu segundo filho, fico ainda com vontade de “congelar” os momentos sublimes do amamentar… Mas sinto, de verdade, que a amamentação é vida e a vida é assim; intensa, impermanente, exigente no que se refere a nossa presença para aproveitar seus presentes. E os seis primeiros meses do segundo passaram voando e cá estou eu já com um pouco de tempo e autonomia para refletir sobre todo esse processo.

Laura Gutman diz que muitas de nós mulheres contemporâneas e ocidentais temos o costume de nos preparar para o parto, mas não para a maternidade. “Ou, em todo caso, não nos preparamos para abandonar a autonomia que adquirimos com muito esforço e vontade. Portanto, digamos com todas as letras: para dar de mamar temos que estar dispostas a perder toda a autonomia, liberdade e tempo para nós mesmas. É uma decisão. Na medida em que optemos por uma modalidade, perderemos vantagens na outra”.

Se eu tivesse lido o trecho acima durante a experiência com meu primogênito, talvez ficasse ainda mais ansiosa. Mas agora leio com os olhos da vida em transformação. Sim, é preciso abandonar a ideia de liberdade e autonomia para amamentar em livre demanda e exclusivamente durante os primeiros seis meses do bebê, mas “isto também passará” e, assim como gradualmente o bebê vai ganhando sua autonomia, nós mães vamos redescobrindo a nossa, revendo nossas prioridades, conquistando novos espaços e tempos. E vale a pena!

Para finalizar, deixo aqui outros trechos de textos da Laura Gutman, que avalio como úteis  para novas reflexões, conscientização e apoio à amamentação nesta Semana Mundial de Aleitamento 2013:

Quando o bebê nasce, o reflexo de sucção é muito intenso. Como as palavras indicam, ele age sob o reflexo de procurar, encontrar e sugar o leite materno. Para isso, é preciso que o bebê fique perto do peito. Muito tempo. Todo o tempo. Porque o estímulo é o corpo da mãe, o cheiro, o tom, o ritmo cardíaco, o calor, a voz, enfim, tudo que ele conhece.
 Como nas relações amorosas - e trata-se disso -, precisamos de tempo e privacidade. As mulheres precisam entrar em comunicação com o homem para aceitar o ato sexual. Não diferença no ato de amamentar. O bebê precisa estar informado para sentir o contato e poder sugar, e as mulheres, para produzir leite e gerar amor. Simples assim.
Se
recordarmos que o leite materno não é apenas alimento, mas, sobretudo, amor, comunicação, apoio, presença, abrigo, calor, palavra, sentido, acharemos absurdo negar o peito porque “não precisa”, “já comeu” ou “é manha”. Então, é manha quando precisamos de um abraço prolongado do homem que amamos?

 ”Dar de mamar é se despojar das mentiras que nos contamos durante toda a vida sobre quem somos ou quem deveríamos ser. É estarmos soltas, poderosas, famintas, como lobas, leoas, tigresas, cangurus, ou gatas. Muito semelhantes às mamíferas de outras espécies em seu total apego pelas crias, ignorando o resto da comunidade, mas atentas milimetricamente, às necessidades do recém-nascido.

Extasiadas diante do milagre, tentando reconhecer que fomos nós mesmas que o tornamos possível, e nos reencontrando com o que é sublime.

 Amamentar nossos bebês é ecológico no sentido mais amplo da palavra. É voltar a ser o que somos. (). E para conseguir isso, é indispensável procurar proteção, estando sempre centradas na sabedoria poderosa e natural de nosso coração.

Imagem: arquivo pessoal (momentos da amamentação durante os 6 primeiros meses do meu caçula, Ian)

Bibliografia: Gutman, Laura

     La revolución de las madres: el desafío de nutrir a nuestros hijos / Laura Gutman; coordinado por Tomás Lambré.- 1a ed.- Buenos Aires: Del Nuevo Extremo, 2008.

     A maternidade e o encontro com a própria sombra: o resgate do relacionamento entre mães e filhos./ Laura Gutman; tradução: Luís Carlos cabral. – Rio de Janeiro: BestSeller, 2010.

1 ago Aleitamento Materno

Relato de amamentação


Por Bárbara Greco Miura, mãe do Kenzo

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Meu parto, apesar de cesárea, foi humanizado e Kenzo veio para meus braços assim que nasceu, sem necessidade de qualquer intervenção. Como chorou muito, o pediatra (Douglas) foi deixando que ele se acalmasse para ai sim começar a mamar ainda na primeira hora.

Kenzo sempre foi faminto e não passava de 2h sem mamar, e assim foi durante 2 meses, com espaçamento maior só na madrugada, quando dormia umas 5h, o que dava um bom descanso. Fui totalmente adepta da livre demanda.

No 3º mês, entretanto, ele esticou muito e não engordou, e Douglas ao avaliar viu que havia algo errado. Chamou a fono da clinica (Teresa) e ela observou que a língua dele era muito presa e que ele não estava mais fazendo a pega correta. Decidimos fazer a cirurgia que realmente é tranquila, em apenas 5 minutos a língua já esta solta e ele mamando.

Após isto, ainda passou por 2 sessões com Teresa e ela foi ensinando como posicioná-lo corretamente durante a mamada e exercícios para a língua também se posicionar corretamente.

Os 6 primeiros meses não foram fáceis. Sem o apoio emocional de meu marido, e profissional de Douglas e Teresa, não teria conseguido. Depois desse período, a amamentação virou prazer e realmente curto esse momento com Kenzo. Hoje, aos 17 meses, ele ainda mama livremente.

Pediatra – Douglas Nóbrega Gomes

Fonoaudióloga: Maria Teresa Sanches

 (depoimento escrito para a 22ª Semana Mundial de Aleitamento Materno – SMAM2013)

18 jul Aleitamento Materno

(mini) Relato de amamentação


Por Lorena Oliveira, mãe da Sophia.

Que delícia conhecer este espaço da Casa Curumim!
Casa esta que nos acolheu de forma magnífica através das profissionais Nina e Teresa Sanches. Hoje, com 6 meses de idade, a nossa pequena Sophia cresce forte, saudável, feliz e amamentando com uma “bezerrinha” rs!!! Obrigada Nina e Teresa por nos auxiliarem na amamentação e na vida! Hoje, Pedro Morais e eu nos sentimos pais mais fortes e preparados também pelo apoio que recebemos de vocês. Nina, especial agradecimento por me ajudar a tornar minha experiência como mãe em algo doce e sereno. Obrigada por nos atender com presteza sempre (seja a hora e o dia que for rs).. Obrigada por cuidar tão bem e humanamente da nossa Sophia! Mais do que a pediatra dela você é uma pessoa que nos orienta, guia e que nos faz confiar que tudo “já deu certo”! Parabéns a toda equipe Casa Curumim! Bjo carinhoso. Lorena, Pedro e Sophia.

8 jul Aleitamento Materno

Relato de Amamentação


Tuca Petlik, mãe da Maya, nascida em 31 de agosto de 2012.

Minha gravidez foi muito tranquila. Somente no início senti desconforto de sono e enjoo, mas nem cheguei a vomitar. Não inchei quase nada; engordei somente 10kg. Não sentia muito calor nem fome absurda. Não fiquei mega ansiosa, nem perto da hora da Maya nascer. Minha mãe vivia dizendo que desse jeito eu poderia tranquilamente ter 10 filhos.

Meu parto foi bem longo e cansativo, porém tranquilo. Maya nasceu ótima, com apgar 10/10 e nem icetrícia teve. Logo após o parto eu estava praticamente 100%. Não tomei nenhum ponto. Fiquei de pé e caminhei logo em seguida e tomei banho sozinha (apesar da insistência das enfermeiras de que não era recomendável eu fazer isso).

O que foi mesmo um “parto” para mim foi a amamentação. Preparei-me como me orientaram e como eu pude. O único procedimento que era um consenso entre os profissionais com quem conversei que realmente funcionava para preparar o peito era tomar sol, mas consegui fazer isso pouquíssimas vezes durante a gestação. Fiz um curso de pós parto, onde aprendi algumas coisas sobre o assunto, li alguns artigos e só.

Lembro-me de já no Hospital sentir incômodo da água do chuveiro em meus peitos, que ardiam. Maya mamava, mamava e mamava sem dar trégua. Quando o leite desceu, dois dias após o parto, eu virei Pamela Anderson de uma hora pra outra. O peito inteiro ficou grande e duro, até o bico. As enfermeiras do hospital me diziam que o bico duro daquele jeito dificultaria a pega e elas tentaram várias vezes me ensinar as massagens para amolecer, mas tentei sozinhas diversas vezes e não conseguia. Rapidamente meus dois mamilos ficaram machucados.

Viemos para casa e eu amamentando com dor. Maya começou a perder peso. O pediatra que estava nos acompanhando disse que apesar de eu ter leite, provavelmente por causa da dor, eu não estava produzindo ocitocina suficiente para ejetar o leite. Ele me receitou remédio para dor e pediu que voltássemos lá depois de alguns dias.

 A perda de peso continuou. Eu estava muito mal. Além da dor física, tinha a dor de ver minha filha perdendo peso. Eu estava muito abalada.

O pediatra me sugeriu que eu ficasse alguns dias sem dar o peito, para dar um tempo, ver se melhorava. Eu ordenharia meu leite e daria para a minha filha no copinho.

Tentei usar a bomba elétrica, mas vi sair sangue do meu peito pela primeira vez e assustei. Achei que a bomba machucava. Passei a ordenhar manualmente meu leite, mas não conseguia tirar leite suficiente para uma mamada, então complementava com leite artificial. Maya aceitou tranquilamente.

Somado a isso, áreas vermelhas no meu peito e febre mostravam que havia leite acumulado. Com as fissuras no mamilo, poderia virar mastite. O pediatra e a consultora de amamentação diziam que eu deveria fazer massagem para tirar essa área vermelha. Mas eu simplesmente não conseguia! Eu não sabia fazer as massagens. Meu pai, que também é pediatra, me indicou uma enfermeira, especialista em amamentação que morava perto de casa. Liguei para ela, que veio em casa e massageou meu peito. Ela frisava que eu tinha que fazer massagem, mas não podia fazer muita, pois isso estimularia a produção. Indicou-me fazer massagem depois das mamadas nas áreas que permanecessem duras e ordenhasse para tirar o leite. Tudo isso por no máximo 10 minutos, seguido de compressa fria. Eu tentei diversas vezes, mas não melhorava o quadro. Tive que ver esta enfermeira mais umas duas vezes até que eu aprendesse direito a fazer a tal da massagem!

Para as fissuras, cada um me dizia para fazer uma coisa. Tomar sol, passar pomada de lanolina, não passar pomada de lanolina, casca de banana, não usar casca de banana, andar com os peitos de fora, usar concha. Fiquei andando de peito de fora por muitos dias. Tinha pingo de leite pela casa toda. E como os mamilos estavam machucados, tudo o que encostasse, incomodava. Então eu praticamente não segurava minha filha. Só ficava com ela quando estava dando de mamar.

Eu não aguentava mais fazer coisa para o peito. Além de tudo o que tinha que fazer com a bebê (dar de mamar por hoooras, trocar,), quando ela dormia, eu tinha uma rotina gigante de coisas para fazer para o peito. Massagem, ordenha, compressa, tomar sol… Era muito desgastante!

Depois de três dias dando leite no copinho, as fissuras não melhoraram praticamente nada. Liguei para a consultora de amamentação que me sugeriu ficar mais alguns dias neste esquema. Quando completei uma semana de copinho, os machucados haviam melhorado 70%. Voltei ao pediatra que me sugeriu usar relactador, pois minha produção teria diminuído, já que eu havia ficado todo esse tempo tirando leite manualmente.

Tentei usar o relactador algumas vezes e, além de termos uma baita dificuldade de posicionar o tubinho, tive impressão ele machucou a minha auréola! Fiquei desesperada. Não aguentava mais de dor, mas não via mais saída. Achava que não iria conseguir amamentar minha filha.

Mandei emails angustiados para as listas de discussão que eu fazia parte. Uma colega de um ex-trabalho se ofereceu para vir a minha casa para conversarmos. Ela me fez acreditar que eu tinha leite. Eu via meu peito pingar o dia inteiro, mas achava que era “normal” e ela me disse que o peito dela só pingava assim quando tinha muito leite. E me indicou procurar a Dra Nina, que havia ajudado ela com os diversos problemas de amamentação que ela teve. Não dei muito ouvidos. Estava ficando louca com a quantidade de palpites que recebia e tantas vezes antagônicos.

Resolvi por minha conta, apelar para o bico de silicone. Fui à loja e comprei. Tentei usar e achei que melhorou. Empolguei-me e dei de mamar quanto a bebê quis… E aí, claro, os machucados voltaram a aumentar… Desesperada mais uma vez, liguei para Dra Nina, que conseguiu um encaixe para o dia seguinte.

Eu estava sem esperança. A Dra Nina me disse que era para ordenhar meu leite com bomba e dar para a Maya numa mamadeira especial, com controle de fluxo e pega semelhante a do peito, que dificultaria o desmame até as fissuras melhorarem. Eu disse que a bomba machucava meu peito e ela me garantiu que não. Sugeriu que a Bia Kesselring, enfermeira obstétrica especialista em amamentação, viesse em casa para me ensinar a usar. Para as fissuras, indicou o tratamento úmido: usar pomada de lanolina e usar conchas.

Compramos a mamadeira no mesmo dia e a Bia veio no dia seguinte. Eu tirava meu leite e complementava com leite artificial. O uso das conchas, uma coisa aparentemente tão boba, mudou a minha vida. Eu podia, finalmente, segurar minha filha nos braços, sem sentir dor!

Áreas duras frequentemente apareciam nos meus seios. Até que apareceu uma bola dura na auréola direita, que foi aumentando. Dra Nina me indicou fazer um ultrassom. Era uma inflamação. Fui a um mastologista, marido da Bia, que me recomendou ordenha e antinflamatório. A bola foi diminuindo.

Eu ia na Dra Nina toda semana. As fissuras melhoravam bem lentamente. Minha produção ia aos poucos se regulando à demanda da Maya, até que alcancei a “amamentação” exclusiva por leite materno! Ficamos todos MUITO satisfeitos com esta vitória. A Maya estava então com quase dois meses.

Um dia senti, de repente, uma dor MUITO forte no seio esquerdo. Doía até para mexer o braço. Por sorte, eu estava próxima do consultório da Nina, que também por sorte, estava lá, pois havia ido atender uma emergência. Uma área vermelha no meu peito sugeria um início de mastite. Relatei que havia sentido também coceiras neste mamilo. Nina pediu para eu observar como o vermelho progredia até o dia seguinte e me receitou um remédio para candidíase.

No dia seguinte, o vermelho havia aumentado. Era mastite mesmo, e eu passei a tomar antibiótico.

Mais um remédio que se somava a imensa lista que incluíram: remédio para dor e febre, antiinflamatório, anti-fúngico, antibiótico… Fora os naturais para aumentar a produção, vitamina C e E para ajudar na cicatrização, etc. E pensar que durante a gravidez, não precisei tomar nada. No parto, nem anestesia eu tomei.

Tratada a mastite e a candidíase, os machucados melhoraram a olhos vistos. Agora era a hora de ir introduzindo o peito aos poucos.

Comecei a oferecer o peito uma vez ao dia. Toda vez que ela mamava, ficava sensível. Tentava aumentar para duas vezes ao dia, mas ficava de um jeito que eu achava que ia machucar de novo, e voltava atrás. Ficava um dia sem dar nenhuma vez. Fiquei nesse esquema por vários dias.

Eu tinha que ordenhar no mínimo cinco vezes ao dia para garantir a produção. Eu acordava de madrugada para ordenhar, pois a Maya dormia no mínimo 8 horas seguidas e meu peito não podia ficar sem estímulo por tanto tempo. Era a casa inteira dormindo e eu lá, ordenhando na madrugada.

Eu não podia ficar fora de casa por muitas horas, pois tinha que ordenhar. Quando eu saía, tinha sempre que levar uma parafernália de mamadeiras, leite meu ordenhado numa bolsa térmica e água quente para aquecer o leite, além de tudo do bebê que normalmente precisamos carregar.

E eu nessas de dar o peito uma vez, duas vezes… Outro dia duas vezes, no outro uma só… E a coisa não andava… Sentia o mamilo sensível… A Maya tinha dias que rejeitava o peito…

Até que um dia eu cansei. E decidi que ia dar SÓ o peito. Falei com a Nina para perguntar se tinha que tomar algum cuidado e se ela achava que tudo bem. Ela me apoiou. Eu disse que achava que ela podia perder um pouco de peso no começo, até a minha produção se regular à demanda dela e a Nina disse que não tinha problema, que ela tinha reservas. Neste dia, ela estava com dois meses e três semanas.

Maya fez praticamente uma greve de fome por uns três dias. Chorava que tinha fome, eu dava o peito, ela não pegava. Chorava, chorava, chorava. Até que dormia. Acordava mais calma e mamava um pouco. E assim foi indo.

No segundo dia só dando peito, eu saí às 8h00 de casa e só voltei às 20h00. Foi uma sensação de liberdade tão grande!

Meus peitos chegavam a ficar bastante sensíveis, mas nunca machucaram como antes. E eu tinha na cabeça que se machucasse de novo, eu já sabia o que fazer, pois já tinha passado por aquilo e isso me dava segurança.

Foi depois de tudo isso que descobri o famoso prazer de amamentar e, finalmente, junto com ele, a alegria de ser mãe.

Não tenho palavras para agradecer a todos que me apoiaram e me ajudaram a superar todas estas dificuldades e encontrar essa alegria.

10 jun Aleitamento Materno

Relato de amamentação


Por Akiko, mãe da Sawa

Como prometido há um tempo, vou contar toda minha história de lactante com o objetivo de ajudar outras mães que passam por dificuldades na amamentação e que por falta de apoio de uma boa equipe (tanto técnica quanto familiar), acabaram desistindo de seus sonhos de continuar amamentando. Não tenho intenção de julgar ninguém que tenha desistido, é muuuuuito difícil em alguns casos e só com muito apoio para prosseguir.

Meu parto, apesar de cesárea, foi humanizado e Kenzo veio para meus braços assim que saiu da barriga. Como chorou muito, o pediatra (Douglas) foi deixando que ele se acalmasse para aí sim começar a mamar. Não precisou de nenhuma intervenção, ainda mais por que seu choro tão forte foi suficiente para limpar as  vias aéreas, foram 40 min “esguelando” deitado em meu peito. Quando começou a acalmar, o pediatra o posicionou para começar a mamar e foi ensinando para mim e Kazuo como ajuda-lo a abocanhar o seio corretamente. Não senti qualquer dor ou incomodo naquele momento. Ele mamou por 1h ainda na sala de parto.

Durante os 3 dias na maternidade a experiência da amamentação foi um pouco dolorida mas suportável. Kenzo sempre foi faminto e não passava de duas horas sem mamar.

E assim foi durante 2 meses, ele mamando com intervalos de no máximo 2h e com espaçamento maior só na madrugada, quando dormia umas 5h, o que dava um bom descanso. Fui totalmente adepta da livre demanda.

Não fiz restrições severas em minha alimentação, pois fui percebendo que ele não tinha cólica, não alterava o humor, nada, só evitava muito queijo e chocolate e continuava fazendo uma boa alimentação como na gravidez.

Kenzo teve estirões de crescimento consideráveis, ele esticava muito e engordava pouco o que fez com que ouvíssemos muitas vezes – ele não precisa de reforço? Seu leite é suficiente? etc, etc… –  mas fui firme e tive o aval do pediatra que ele não precisava de reforço, pois o desenvolvimento dele no conjunto estava ótimo e como eu e Kazuo fomos crianças magras, mesmo tendo tomado leite artificial, que costuma deixar crianças mais gordinhas, isso não ocorreu conosco.

No 3º mês, entretanto, ele esticou muito, muito, muito e não engordou, e fomos avaliar o que teria acontecido.

O Dr. Douglas decidiu chamar a fono da clínica, a Dra. Maria Teresa Sanches e ela observou que a língua dele era muito presa e que ele não estava mais fazendo a pega correta , e assim, não estava extraindo o leite posterior (a parte gorda do leite), pois meu peito enchia muito, ele extraia só o anterior (a parte que tem os anticorpos – o que o pessoal chama erroneamente de “leite fraco”). Na hora de extrair o posterior, que é mais grosso, ele começava a chorar. Eu não sabia, e mudava de peito, pois achava que já estava sem leite, uma vez que normalmente ele ficava mais de 30 minutos em cada um. Esse excesso de esforço também consumia calorias dele desnecessariamente.

A sugestão da fono foi que fizesse o corte do freio, mas era uma decisão que cabia a mim e Kazuo. Como eu tinha feito essa cirurgia quando criança e Kazuo também tem um pouco de língua presa, avaliamos que era melhor fazer logo para que ele voltasse a mamar direito pois não queríamos entrar com leite artificial desnecessariamente, principalmente por que eu tinha muito leite.

Tentamos primeiro fazer somente translactação (“trans”), extraia o leite anterior com bombinha elétrica e já deixava no posterior para ele mamar. Se ele quisesse mais, passava para ele o que tinha extraído pela “trans” enquanto ele mamava.

Na “trans” você coloca o leite em um copinho e com uma sonda coloca uma ponta dentro do copo e a outra presa no peito, ai a criança vai mamando o peito e sugando o “canudinho” ao mesmo tempo. Isso é muito usado inclusive para estimular a produção de leite em prematuros e já há relatos de sucesso até para mães adotivas, que começam a produzir leite através dessa técnica.

Na semana seguinte, voltamos ao pediatra e nada de ganho de peso.

Li bastante sobre a cirurgia e vi que seria bem simples e lá fomos nós para uma odontopediatra que faz a mesma. Realmente é tranquilo, em apenas 5 minutos a língua já esta solta e o bebê mamando. Kazuo ficou com ele na cadeira, ela passou um gel anestésico e levantou a língua dele, Realmente o freio era muito grosso, curto e prendia ate a ponta da língua. Com cauterizador, ela foi soltando e meu estômago foi colado nas costas, mas me mantive firme ali olhando, descobri o que era o tal do amor incondicional.

Após isto, ele passou por 2 sessões com a fono com a Dra. Teresa e ela foi ensinando como posicioná-lo corretamente durante a mamada e exercícios para a língua também se posicionar corretamente.

Antes, achava que era uma índia, que podia pendurá-lo no peito e fazer mil coisas enquanto ele mamava e vi que não era bem assim, que precisava dar atenção para aquele momento.

Em uma das sessões, fiquei tão estressada com tantas coisas que teria que fazer (exercício para a língua, posicionamento correto na hora de amamentar, extração de leite com bombinha, translactaçao, …!), que ao chegar em casa, meu leite quase secou, não saia nada e Kenzo estava ficando faminto. Liguei p/ o pediatra e optamos por entrar com o leite artificial através da “trans” e se meu leite não voltasse, tomaria um medicamento para voltar a produzir. Como muitos sabem, sou um pouco reticente quanto a tomar medicamento, mas se não tivesse jeito, fazer o que…logo eu que tinha tanto leite…

E ai, entrei com minhas “técnicas pessoais”. Tomei missoshiro com iriko (peixe seco), que já haviam dito que aumentava o leite e tive a ideia de oferecer o leite artificial nas oferendas de nosso altar de antepassados.

Foram apenas 2 doses de 60 ml de leite artificial através da “trans” e ao acordar no dia seguinte, estava com as mamas bem cheias!

Mesmo assim, por 1 semana, continuei passando 60 ml na ultima mamada e fui reduzindo ate retirar completamente.

Continuei retirando o leite anterior e passando por “trans” em 3 mamadas durante o dia por 2 semanas. Kenzo ganhou um pouco de peso, não muito, mas já estava mamando corretamente.

Com 4 meses e meio, decidimos apostar no reforço 2 vezes ao dia p/ ver se isso dava um incremento de peso para ele. Começamos com 2 de 60 ml, sempre através de “trans”. Ele continuava esticando bastante e ganhando peso mas não muito. E sempre ouvindo comentários – nossa, ele é comprido ne? – rsrsrs, para não dizerem – nossa, ele é magrinho ne? – rsrsrsrs

Continuamos com o reforço nesse esquema e assim foi até o 6º mês. Ele chegou a tomar 210 ml por dia de leite artificial, o que para uma criança nessa idade, que só toma leite artificial, é o equivalente a quantidade de apenas 1 mamada + ou –

Ah, quando ele estava com 4 meses, tb começou a pressão externa – não ta na hora dele comer comidinha? – e mantivemos firme nosso propósito de só amamentar até o 6 mês, o que é orientado por Meishu-Sama e é amplamente divulgado e incentivado pelo Ministério da Saúde e pela OMS.

1 semana antes dele completar 6 meses, aproveitamos a vinda de meu pai para o dia dos pais e começamos com os alimentos sólidos, tudo no seu tempo certo. Começamos com as frutas durante 1 semana e na semana seguinte, entramos com os vegetais, carnes, carboidratos, etc.

Mesmo comendo as papinhas, ele continua mamando intensamente e olha que ele come bem! Em 2 semanas de papinhas, ele ganhou 400g, não muito, mas para ele, bastante, o que o pediatra já havia previsto, que provavelmente ele ganharia um pouco mais de peso quando entrasse nas comidas, mas não muito, uma vez que a estrutura física dele é de uma criança “sarada” rsrsrsrs (pelo menos alguém em casa assim ahahahaha).

Agora sim entrei na fase do prazer da amamentação. Não que antes não fosse gratificante, mas no fundo ficava essa auto-cobrança de que eu precisava alimentá-lo, que ele dependia daquele leite p/ crescer saudável. Agora, deixo que ele mame quando quer, o quanto quer, da forma que quer, já que ele faz 4 refeições que são suficientes para o crescimento. E ele mama e como é bom curtir isso depois de toda essa saga!

Por isso, ficam aqui os pontos principais do que vivi:

- leite fraco – NÃO EXISTE! “pelamordedeus” ! existe criança que não extrai todo o leite, que foi o meu caso

- pouco leite – é possível, mas pode ser aumentado através do estimulo (quanto mais mama, mais produz) e pode ser incrementado com a translactação/ relactação. Há diversos relatos que podem ser encontrados no google sobre isso. Há medicamentos que também ajudam na produção, mas fica aqui minha sugestão do missoshiro com iriko, no meu caso deu muito certo.

- leite secar e voltar – totalmente possível, já vi relatos inclusive de mães que ficaram mais de 1 mês sem amamentar e conseguiram voltar com a “trans”

Mesmo assim, continuo dizendo, amamentação depende de todo um apoio, principalmente do parceiro, e de muita disposição, pois consome bastante a mãe e a produção de leite depende muito da condição emocional da mãe, pois é o cérebro que libera a ocitocina que vai produzir o leite.

Nem todas mulheres estão preparadas ou querem passar por isso e suas vontades devem ser respeitadas! Cada mãe sabe o que é melhor para ela e seu filho!

15 mai Aleitamento Materno

Relato de amamentação


Por Ana Garini, mãe do Rafael. 

A Casa Curumim é, pra minha família, parte de casa. O lugar onde a gente chega, toma um café e é acolhido. Sem frescuras, e sempre, com muito carinho.

Nossa história com eles, começa junto com o nascimento do Rafael, nosso filho, que já vai fazer dez meses. Ele resolveu nascer dia 14 de julho, na sua data prevista, num parto humanizado, divertido, assistido pelo Douglas. Porém , ele veio ao mundo com só 2,5kg (sendo que a previsão era nascer com 3,300kg) e 45 cm. Isso não era problema, pensei eu, porque ele vai mamar muito e recuperamos. Aí veio a segunda notícia: o Rafa tinha uma retração no queixo e não conseguia mamar direito. E eu não vou mentir, depois do pânico do parto , meu maior pânico era amamentar.

Eu achava a amamentação um processo doloroso, difícil, sacrificado, enfim, nada agradável. Aí o Douglas com aquela calma que lhe é peculiar, pediu pra gente passar em consulta com a Teresa, fonoaudióloga.

O Rafa tinha 1 dia de vida quando a Teresa chegou. Direta e reta, ela saiu dando ordens pra mim e pro meu marido.

No começo a gente não gostou, claro. (E ela também não, porque quando ela chegou no quarto do hospital – relato dela- a gente estava preocupado com a ração das cachorras e não com o nosso filho…) Mas , os 2 Douglas e Teresa, não desistiram da gente nem do nosso pequeno. Com carinho, mas com firmeza, nos direcionaram, deram suporte e o Rafa engrenou, aprendendo a mamar não só no peito, mas no copinho também.  Meu marido fazia todos os exercícios antes de cada mamada e eu anotava os detalhes de cada mamada, numa planilha , até o Rafael recuperar o peso; o que aconteceu rápido!

Do meu lado, esses dois me ensinaram a ser uma mãe melhor, a amamentar (experiência que achei muito especial) e não tive NENHUM problema amamentando, nada daqueles relatos horríveis que lia. O processo foi gostoso e o Rafa aproveitou bastante!

Espero que meu filho cresça e continue acolhido por essa casa linda, que cuida de todos os pequenos que lá chegam!

13 mai Aleitamento Materno

As vantagens da amamentação.


Por Patrícia Boudakian

teng-chuah-thean

  • o leite materno é o alimento mais completo que existe para o bebê até o sexto mês. Por isso, não é preciso completar com outros leites, mingaus, suquinhos, chá ou água, fazendo economia para o orçamento familiar;
  • o leite materno é muito fácil de digerir e não sobrecarrega o intestino e os rins do bebê. Isso explica porque as fezes do bebê são aguadas (amarelas ou verdes), e que a urina se apresente bem clarinha e abundante;
  • ele protege o bebê da maioria das doenças;
  • é prático, não precisa ferver, misturar, coar, dissolver ou esfriar;
  • está sempre pronto, a qualquer hora ou lugar;
  • transmite amor e carinho, fortalecendo os laços entre a mãe e o bebê;
  • protege a mãe da perda de sangue em grande quantidade depois do parto;
  • a amamentação diminui as chances da mãe ter câncer de mama e de ovário.
11 mai Pós-Parto

Baby Blues


A Tristeza Materna ou Baby Blues, você sabe o que é?

por Maiana Rappaport

When baby brings the blues … postnatal depressionOs sintomas mais frequentes do Baby Blues são: tristeza, irritabilidade, ansiedade, choro, mudanças bruscas de humor, indisposição, insegurança, baixa auto-estima e sensação de incapacidade de cuidar do bebê. Esses sentimentos acontecem devido às rápidas alterações nos níveis hormonais, associados ao estresse do parto e à passagem pela situação de espera ansiosa, típica do final da gravidez, para a de conscientização da nova realidade. A maternidade, além de satisfaçã,o significa também assumir novas tarefas. A limitação de algumas atividades anteriores ao parto, um novo papel a ser desempenhado, carregado de incertezas e inseguranças.

Após o nascimento concreto do corpo do bebê, no parto, o período do Baby Blues é o do nascimento simbólico do novo ser. Torna-se necessário elaborar a transformação da filha em mãe, a transformação da autoimagem corporal, a administração da relação entre a sexualidade e a maternidade. Bem como a perda do bebê da fantasia da gravidez, no pós-parto a mãe vai entrando em contato com o bebê real, um ser de desejo independente, separado dela.

O Baby Blues é um quadro benigno e vai sendo superado por volta do primeiro mês de forma espontânea. Apesar de ser comum e normal envolve uma quantidade razoável de sofrimento que pode ser atenuado na medida em que a mãe sente-se apoiada para cuidar do bebê e vá sentindo-se mais segura em desempenhar a função materna. O apoio que ela necessita pode ser oferecido pela família, profissionais especializados e grupo de apoio ao pós-parto, onde pode compartilhar o seu sofrimento junto a outras mulheres em igual situação, sob a orientação de um profissional.

Klaus & Kennel, Pais/ Bebê: a formação do apego, Porto Alegre, Artes Médicas, 1992.
Langer,M. – Maternidade e sexo, Porto Alegre, Artes Médicas, 1981.
Szejer,M. Palavras para nascer: a escuta psicanalítica na maternidade, São Paulo, Casa do Psicólogo, 1999.
Soifer,R. Psicologia da gravidez, do parto e do puerpério, Porto Alegre, Artes Médicas, 1980.
Winnicott,D. (1956) Da Pediatria à Psicanálise, Rio de Janeiro, Imago, 2000.
Os bebês e suas mães, São Paulo, Martins Fontes, 1994.

A Casa Curumim oferece toda segunda-feira, o Grupo de Pó-Parto Conversa de Mães, comandado pela psicóloga Maiana Rappaport. Para mais informações, acesse o link a seguir: http://www.casacurumim.com.br/grupo-pos-parto-conversa-de-maes/

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