27 mar Aleitamento Materno

Relato de amamentação


Por Beth, mãe da Catarina.

“Mas doutora, eu vou poder amamentar no centro cirúrgico? – Claro Beth!” E esse foi o pacto que eu fiz com a minha GO, no momento que decidimos agendar a cesárea quando eu estava por volta da 38ª semana de gestação. A essa altura estava tentando elaborar, o que na época me parecia a única opção viável para trazer ao mundo um bebê em posição pélvica. Hoje eu tenho uma visão bem diferente disso, mas a minha experiência de parto tem conteúdo suficiente para outro relato. O que eu gostaria mesmo é de dividir aqui é a minha saga com a amamentação.

As 9:16h do dia 10/05/2013 a Catarina veio ao mundo e, quando a GO perguntou para a neonatologista do hospital se a bebê poderia dar “um cheiro no colostro”, a resposta caiu como uma bomba na minha cabeça – Não, não, a prioridade é aquecer o bebê!

Para uma nutricionista, não amamentar seu filho na primeira hora de vida tem o mesmo efeito de uma facada no coração. Amamentar seu filho somente depois de 7 horas que ele veio ao mundo, é uma experiência digna de cortar os pulsos…

Após chegarmos em casa, a Catarina chegou a dormir mais de 8h seguidas nos primeiros dias de vida e não chorava muito de fome. Eu a colocava no meu peito, ela sugava, o peito jorrava leite, tudo parecia sob controle, até que chegou o dia da primeira consulta com o pediatra, uma semana depois do parto.

Apesar de eu ter escolhido seguir com o neonatologista do hospital para o parto (outra escolha que daria mais um relato interessante), o único contato com pediatra que eu tive antes do nascimento da minha filha foi o doutor Douglas, graças a uma amiga do trabalho. Minha sorte, pois na primeira consulta constatamos que ela tinha ganhado menos de 50g. Na segunda consulta, 4 dias depois, fui nocauteada por uma perda de peso de 120g. Havia algo muito errado com a amamentação, mas como seria possível? Ela mamava, eu tinha muito leite, meu peito não doía… foi aí que a jornada começou. Para minha sorte, um anjo chamado Teresa apareceu na sala, chamada as pressas pelo dr. Douglas, que estava com cara de bem preocupado. Ficamos mais uma hora e meia naquela consulta e diversos pontos foram constatados: peito grande, leite demais, bebê com dificuldade de sucção e muito sonolento.

Aprendi que tinha que tirar o primeiro leite para ajudá-la a chegar ao leite posterior mais rápido. Aprendi que uma bomba tira-leite de qualidade é o melhor presente que uma gestante pode ganhar. Aprendi que não poderia dar mamadeira para não causar confusão de bico. Aprendi que não basta ter leite, o bebê tem que mamar. E o mais importante, aprendi que a curva de ganho de peso da OMS pode enlouquecer uma mãe. Sim, aprendi mais coisas em 40 dias que em 5 anos de faculdade.

Fizemos um diário de bordo e eu anotava todas as mamadas com riqueza de detalhes. Aquilo tinha virado uma meta pessoal, eu tinha que amamentar minha filha e ela não tomaria nenhum complemento, a não ser o meu próprio leite. Eu não consegui me adaptar ao copinho, então a segunda opção foi a translactação. Foi um desafio, pois mirar a boca do bebê no bico do peito e na cânula não era fácil. Depois de alguns dias, resolvi investir no translactador da Medela. Recomendo muito!!!!!

E foi assim, dando meu leite como complemento 3 vezes ao dia. Garantindo pelo menos 6 mamadas diárias, fazendo exercícios orais na bebê antes de cada mamada e me entregando de corpo e alma a experiência mais primitiva que já vivi, que conseguimos reverter o quadro e depois de 1 mês a Catarina havia recuperado o peso de quando nasceu.

Agradeço todos os dias ter cruzado o caminho do dr. Douglas e da dra. Teresa. Agradeço o apoio deles, do meu marido e das mulheres e mães sábias que encontrei durante o meu pós parto.

Na faculdade, aprendi a importância da amamentação, os benefício do leite materno e a técnica correta. Mas foi a vida que me ensinou que amamentação vai além da técnica. Amamentação é entrega. E entregar-se não é fácil… é preciso de muito amor e muito apoio para transpor as barreiras.

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