5 ago Aleitamento Materno

Relato de Amamentação


Por Aline Zamboni, mãe da Heloísa

Heloisa Batizado 0271Desde que nos casamos, há três anos, a vontade de engravidar era muito grande e quando eu e meu marido, Daniel,  descobrimos a vinda da Heloísa desejamos que ela viesse ao mundo da maneira mais natural possível. E foi assim que aconteceu! Um parto natural lindo! Mas já no hospital sentimos uma certa dificuldade com a amamentação, sentia que não sabia ao certo como ajeita-la no peito e por conta disso ela permanecia pouco tempo.

Quando saímos do hospital minha mãe percebeu que o choro excessivo da Heloísa poderia ser fome e por recomendação iniciamos a mamadeira com complemento.  Após dois dias em casa recebemos a ajuda da obstetriz Beatriz com algumas dicas de posicionamento e também de tirar o leite. Minha doula, Daniela Andretto, também veio me ajudar e me ensinou a tirar o leite manualmente mais rápido!

Percebi meu grande potencial em produzir leite! Eu realmente tinha uma produção muito boa, o bico do meu peito era ideal… então porque a Heloísa chorava horrores quando chegava perto do meu seio? Ela nem tentava sugar!  Nesse ponto já não precisávamos mais do complemento. Leite materno exclusivo, porém na chuquinha.

Com uma semana de vida, por orientação do Dr. Douglas,  recebemos ajuda da fonoaudióloga  Dra. Teresa Sanches. Entramos com os exercícios para soltar a língua e o leite, que antes era dado na chuquinha, passou a ser dado por uma sonda presa no meu dedinho, sendo sugado de um copo. Depois de duas semanas a Dra. Teresa percebeu que iriamos ter que reduzir o freio da língua da Heloísa e por causa da boa evolução nos exercícios da língua pudemos passar para uma mamadeira da medela.

Heloisa Batizado 0222Fizemos o procedimento na língua, os exercícios de ondulação, compramos a mamadeira que se assemelhava ao peito, usamos seringas para direcionar o leite, translactador, mas nada disso mudava o comportamento dela frente ao meu peito: ela berrava e se jogava para trás, meu seio parecia ter espinhos ferventes e isso me entristecia muito.

E por mais que eu tentasse as pessoas diziam: “ela não vai mais pegar o peito”, “ela já se acostumou com a mamadeira”, “tadinha dessa menina, deixa ela na mamadeira”, me sentia incompetente e,  dentro de mim  eu dizia “ela vai pegar o peito” e isso me dava animo para não me entregar a  mamadeira.

Quando minha filha completou um mês nessa rotina, confesso, que não aguentava mais… quis tanto um parto natural, quis tanto proporcionar  a ela uma chegada a vida mais leve que, a amamentação estava sendo frustrante e estressante para nós duas. Não tinha nada de natural ver minha filha aos berros.  Conversei com o Dr. Douglas que  me ouviu e me deixou muito a vontade para desistir  do processo, mas antes disso, pediu para que eu tentasse por mais quinze dias.

Confesso, mais uma vez, que precisei de um tempo, e por alguns dias não fiz exercício algum e não tentei coloca-la no peito. Precisava de um pouco de paz. A Dra. Teresa e meu marido foram meus maiores incentivadores e por muitos momentos foram os únicos que acreditavam que conseguiríamos. Eu dizia para eles que eu estava tentando, mas eu não estava.

Não deixei de oferecer o peito, mas comecei a oferecer em momentos diferentes: depois de ter mamado, antes de ter mamado, enquanto dormia, em pé, deitada e, quando ela tinha um mês e meio de vida, depois de ter mamado 150 ml de leite na mamadeira, estressadíssima, por algum motivo não aparente, ela pegou o peito e mamou muito! No outro dia não quis o peito, no terceiro dia pegou só um pouquinho, no quarto dia só dei o peito e nunca mais dei a mamadeira.

Na segunda semana de peito exclusivo eu tive candidíase e mastite, amamentei chorando por muitas vezes. Quando ela completou dois meses descobrimos que ela é alérgica e tive que restringir minha alimentação (restrição a leite de vaca e derivados, soja, oleaginosas, trigo, carne vermelha, ovo, peixes e crustáceos), mais uma vez seria mais fácil desistir e deixa-la no leite em pó, ouvi de muita gente que eu era louca de deixar de comer tanta coisa só para amamentar … Hoje a Heloísa tem 5 meses e meio, desenvolvimento e peso normal e, só mama no peito. Minha restrição alimentar continua. Mas eu digo para quem quiser ouvir,  valeu a pena cada minuto que investimos nesse processo. Obrigada ao Dr. Douglas e a Dra. Teresa pelo apoio e pelas orientações médicas, as avós que intensificaram as orações e mesmo a distancia nos incentivaram, cada uma a sua maneira, e, claro, ao meu marido que sempre acreditou que conseguiríamos e que teve muita paciência.

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