7 ago Aleitamento Materno

Relato de Amamentação


Por Carolina Paixão, mãe da Serena

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No auge dos meus 40 dias amamentando já tenho história para contar.
Serena deu suas primeiras sugadas nos seus primeiros momentos de vida, estimulando meu corpo e o dela a nos preparar para essa jornada.
E pegou o bico direitinho, se tornando de cara uma boa filhotinha. Que orgulho que dá! Mas estávamos só começando…
A primeira dificuldade foi a diferença de bico, um era mais curto que outro e ja fui classificada como bico curto pelas enfermeiras da maternidade. Fato que me preocupou no momento mas que depois descobri que era só questão de tempo.
Ainda na maternidade me perguntava quanto tempo, em que intervalo, se dava uma ou duas mamas e obtive varias informações: amamente de 3 em 3h, 20 min cada mama, dê em livre demanda (quando o bebê quiser, esvaziando uma mama de cada vez). Mas quando vou saber que o bebê quer e quando a mama esvazia? Quando o bebê quer é instintivo, como toda a amamentação. Mas nós nos afastamos tanto de seguir nosso faro que ficamos inseguras. Só mais tarde descobri alguns sinais da mama vazia e com ajuda: flacidez, rejeição da Serena (ela jogava a cabeça para trás, puxando meu bico). Trocava de mama e ela aceitava com amor.
E a livre demanda? Já havia lido e ouvido a respeito nas minhas pesquisas ainda sobre o parto. O que o parto tem a ver? Garantir através de uma equipe humanizada aquela primeira hora de amamentação é fundamental para estimular a produção de leite através da ocitocina, garantir o abastecimento de leitinho e estabelecer o vínculo mamãe -bebê. Como a Serena nasceu com 2,5kg, sua glicemia era medida periodicamente e ao menor sinal de hipoglicemia nos era oferecido a suplementação alimentar. Lembro que a primeira vez que isso aconteceu, meu obstetra estava no quarto e, firmemente, perguntou para a enfermeira se eu não estava amamentando e que essa era a opção para a manutenção da glicemia e funcionou sempre. Eu colocava ela no peito e na próxima medição os índices estavam normais!
Mas foi só em casa que eu entendi o que é a livre demanda. Por que nos primeiros dias ela dormiu bastante. Acorda ou não acorda? Os mais próximos dão mil opiniões. Que as vezes te deixam insegura! Por isso leia, converse, se empodere. Sempre.
Acordava a Serena para comer, como o pediatra do hospital recomendou. Esse pediatra dizia: pais bons são aqueles que pensam com a cabeça e não com o coração; logo desconfiei. Resultado: ela não amamentava nem dormia bem. Deixei rolar. E assim tem sido. Ela mama quando pede, ou fazendo o movimento de procura com a boca ou chorando. Descobri que não precisa esperar chorar, já que nesse momento a fome já é gigante. E aos poucos ela foi ditando seu ritmo. Hoje ela dorme 2h, 2,5h entre as mamadas.
Depois de uns dias, percebi que doía um pouco o peito, justo aquele que o bico era perfeito e veio a primeira consulta pediátrica onde recebi a instrução básica da amamentação: se o bebê pegar direitinho não dói. E pegar direitinho é colocar o bebê bem colado ao seu corpo, abrir o bocão, lábios de peixinho, língua posicionada abaixo do bico. E não é que eu não senti nada? Exercício de presença! Senão machucava. Delícia, ela recuperou o peso do nascimento, podemos seguir.
Segunda consulta pediátrica, 15 dias depois. Peso bom. Mais instruções importantes: ordenhar um pouco antes para deixar a mama flácida para a Serena conseguir abocanhar melhor e aproveitar o leite mais gorduroso. A boquinha dela é pequena e estamos só começando a aprender… Paciência é a palavra de ordem!! E eu já contei? Em uma mamada, no mesmo seio, o leite muda sua composição, de mais hidratado e proteico para mais gorduroso, o que faz o bebê engordar! Incrível a Mãe Natureza!!!
E como é difícil ordenhar. Massagem antes, que é a melhor parte, ordenha manual depois. Paciência de novo. O tempo que eu poderia estar descansando… Mas faz toda a diferença para os seios e para o bebê.
Nesse meio tempo comecei a frequentar o grupo de aleitamento da Casa Curumim (lugar onde encontramos a pediatra). Que delícia de troca. Todo o tipo de dúvida: mama demais, mama de menos, não faz coco, livre demanda, peso, pegada do bebê. Vale a pena. Nos encoraja e nos empodera!
Mesmo com toda a orientação senti uma dor, como um raio no seio, que persistia após a mamada. Tentamos homeopatia para inflamação e não funcionou. Como eu estava sofrendo com a dor, partimos para alopatia. Aliviou um pouco, mas ainda tenho episódios de dor.
Consulta com o obstetra e tudo bem… Foi uma inflamação.. Cuidar das mamas com carinho e seguir adiante.
Acho que só faltou contar uma parte: quando a Serena coloca a mão no meu peito durante a mamada, ou faz carinho, ou me olha nos olhos, ou sorri no final, saciada. É por isso que vale a pena! Puro amor e conexão divina, da qual eu fui agraciada!

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