5 ago Aleitamento Materno

Relato de Amamentação


Por Bruno Mendonça Coêlho, pai da pequena Helena.

“Ter filhos não é para quem tem pressa.

… e Helena nasceu! O parto normal ocorreu, depois de bolsa rota, com o mínimo de intervenções possível. E quero salientar que foi assim não porque tenha qualquer apreço à ideia do parto desassistido tecnologicamente. Muito pelo contrário! Sou fã de carteirinha da tecnologia e dos avanços da ciência e, como não podia deixar de ser no nosso caso, parimos no Hospital Albert Einstein embasados por uma extensa leitura que fiz da literatura médica sobre parto e que me fez ficar tranquilo em sermos assistidos por uma equipe superpreparada que tinha essa conduta menos interventiva… e Helena nasceu.

E veio a hora de amamentar, afinal de contas é o que esperamos, ou ao menos, o que supomos que ocorrerá: que depois de 38 semanas no útero, tudo o que o bebê quer é o peito da mãe. Mas a realidade, às vezes, é muito mais complexa do que as campanhas pró amamentação da Unicef e do Ministério da Saúde fazem crer. Apesar de nossa vontade, Helena nasceu com dificuldades de amamentação e por mais que tentasse, não conseguia mamar no peito.

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Como tantas outras crianças que nascem antes das 39 semanas (o chamado termo precoce), ela não coordenava perfeitamente o mecanismo de sucção. O resultado disso é que a abertura da boca, a saída da língua e a pressão para puxar o leite não se entendiam. O maestro estava dormindo. Coisas de uma boca ainda pequenininha e de um sistema nervoso que poderia ter esperado e amadurecido um pouquinho mais antes de nascer. Uma semana a mais ou a menos nesta fase da vida faz muita diferença. Quando isso se junta a um mamilo um pouco menos “exuberante”… a zica é completa.

… e apesar da intervenção da equipe do berçário, nada de mamar. É justamente nesta hora que bate um desespero! Ela nasceu pequenininha e ainda não está mamando, o que fazer agora? E tudo o que ouvimos sobre amamentação exclusiva até os seis meses, como fica? E nem o pessoal do berçário do Hospital A. Einstein consegue resolver o problema… Diante deste cenário, cair em tentação (dar “complemento”, mamadeira etc) é a coisa mais fácil que existe, ainda mais quando não dispomos de meios para resolvê-lo. Felizmente dispúnhamos! Tiemi Yoshida, a pediatra de Helena e uma fã de rock muito animada — We rock it! —, nos encaminhou para Fernanda (Santa Fernanda, como diz Luiza).

Bem, Fernanda Cacciari (faço questão de dar os nomes, afinal são excelente profissionais e merecem ser valorizados!) é uma fonoaudióloga de Santos — Santista Fernanda!, né Luiza —, especialista em amamentação e alimentação infantil, que fez, e ainda faz, toda diferença na vida de Helena. Pra começar, nos acalmou em relação ao que estava acontecendo (deu-nos toda a explicação técnica acima). Além do mais, nos ensinou várias técnicas para amamentá-la que dispensam a necessidade de mamadeira além de estar nos acompanhado desde então.

Partindo do princípio de que a dor não é condição para amamentação, tem ajustado diariamente a “pegada” de Helena na mama de Luiza, possibilitando um aleitamento confortável. Também nos ajudou a retirar o leite com a bomba, a dar leite no copinho, com uma sonda, entre outras técnicas ninja para hora de mamar… E o trabalho trouxe seus frutos… há uns dias, com seis dias de vida, Helena “fez a pega” e mamou sozinha pela primeira vez!‼‼ E tem evoluído bastante dia-a-dia tornando bem mais fácil o processo de amamentar. Hoje, Luiza deu de mamar sem a ajuda de ninguém…

Mas porque contar toda essa história? A questão é que por falta de informação adequada, de ajuda especializada, muitas pessoas abdicam de amamentar seus filhos. Junto a isso, frases como “eu não tinha leite”, “o bebê não queria o peito”, “meu leite era fraco” entre outras ajudam a contaminar o cenário da amamentação. O problema é que quem mais sai perdendo é a criança, visto que muito da proteção imunológica do recém nascido vem do leite materno ¬— isso para citar só um dos benefícios do aleitamento. No nosso caso, tivemos a felicidade de sermos bem orientados e de encontrar uma pessoa especialista no assunto. Também somos afortunados por podermos arcar com essa orientação. Neste sentido, um último argumento para aqueles que pensam excessivamente nos custos: leite artificial, remédios, médicos e tratamentos ao longo do tempo (quem mama mais, fica menos doente ao longo da vida) também custam uma boa grana…

Ideal seria um protocolo nacional sistematizado para o aleitamento! Um bem para pais e filhos!”

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