7 ago Aleitamento Materno

Relato de amamentação gemelar


Amamentação exclusiva gemelar, por Christiane Abbud, julho de 2014

“Amamentei meus gêmeos exclusivamente por 6 meses e após a introdução
à alimentação sólida por um ano”. Essa frase já causou as mais diversas reações às pessoas que escutam. Já me chamaram de heroína, de corajosa, de persistente, de doida, de coitada….e a melhor resposta é “por quê não?”.

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Já disse meu sobrinho, na sabedoria de seus 5 anos quando soube que teria um primo e uma prima de uma vez só:” ainda bem que a tia Chris tem dois peitos para amamentar”!

Vamos à uma breve introdução, afinal, tudo tem sua história e quem eu sou diz muito sobre minhas atitudes.

Quando descobri que a herança genética de minhas avós havia batido em minha porta, eu já era mãe de uma menina de 2 anos e meio. Clara mamou exclusivamente até os 7 meses e depois até um ano, sem complicações, com muito amor. Seu parto foi lindo, parto natural hospitalar, muito tranquilo. E o plano continuou sendo esse, mesmo com o fato de que agora eu teria 2 partos em um só dia.

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Mas isso merece um relato à parte. Enfim, nasceram os gêmeos. Com 39 semanas e 6 dias, parto normal, com analgesia. Gemelar 1 (nomeada de Lívia) veio primeiro e pélvica. Quem viu, disse que ela escorregou para fora de mim, perfeitinha e faminta. Logo que ela nasceu já começou a procurar o peito. Mamou com força. Enquanto isso, o Pai cortava o cordão umbilical e esperávamos as contrações reiniciarem para anunciar que o Gemelar 2 (nomeado de Pedro) estava pronto para nascer. Lívia ficou mamando, quietinha. Todos emocionados com a sabedoria da natureza. Lívia nasceu como quis, quando quis e porque deixaram que ela nascesse assim! Foi aí que eu conhecí pessoalmente o Douglas…não havia dado tempo de conhece-lo pessoalmente (tínhamos muitas indicações), mas quando ele chegou para pegar a Lívia eu olhei pra ele e disse: “Você não vai deixar darem complemento para eles, vai?” e a resposta veio muito rapidamente “não se preocupe, de maneira alguma eles vão tomar complemento sem
necessidade”. UFA!

Nisso Lívia largou o peito, o pediatra a levou para pesar e fazer os testes necessários.

Logo que a Lívia saiu do peito, novas contrações. Foram 40 minutos de exclusividade e o Pedro começou a querer nascer. Foram 3 empurrões segurando a mão do meu marido e o Pedro nasceu. Esse, quem segurou foi o Pai. Foi feita a mesma coisa, coloquei o Pedro no peito, mas ele mamou um pouco e parou, ele estava mais cansado.

hahaha

Enquanto o Pedro mamava, Lívia foi colocada “pele a pele” com o Pai e depois ficamos os 3. Um mamando e a outra embrulhadinha no meio de minhas pernas.

Já no quarto, Lívia mamava forte e Pedro mais devagar, as vezes brigava com o bico e desistia de mamar. Eu sabia o que deveria fazer, então já fazia o rodízio de mamas. Passamos o dia assim. Quando o Douglas veio visitar, comentamos o que acontecia com o Pedro. Ele observou a maneira com que eu estava amamentando, deu orientação de posição melhor para amamentar os gêmeos e achou melhor chamar uma
fonoaudióloga para fazer uma avaliação e orientar. Afinal, Pedro quase não havia conseguido mamar efetivamente.

amamama

Logo chegou a Teresa. Rapidamente avaliou o Pedro e já começamos com os exercícios. Ela ensinou o Pai e a mim o que deveria ser feito antes da mamada para que Pedro pudesse mamar. Ele não conseguia colocar a língua para fora para mamar. Então, ele dobrava a língua e não conseguia ter acesso ao bico da mama. Fizemos tudo que a Teresa orientou. Pedro conseguiu mamar e bem na hora que tivemos alta.

E a Lívia mamando forte.

Fomos para casa, a Teresa iria fazer uma visita para acompanhar a evolução do Pedro e ela iria ensinar algumas posições para que eu pudesse amamentar os dois ao mesmo tempo e ajudaria com a organização das mamadas.

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Nisso surgiu um novo problema. Pedro evoluiu super bem, aprendeu a mamar
direitinho, mas a Lívia começou a morder.

Não sei o que seria de mim sem a Teresa. Sob orientação dela, desenvolvemos planilhas de mamadas, onde eu anotava em qual mama eles haviam mamado, a que horas, a duração da mamada e a fralda suja. Assim, para a próxima mamada, eu não ficava confusa em qual peito deveria colocar os bebês.

Usei as planilhas por um tempo, logo consegui confiar apenas na memória e na ajuda de elásticos de cor diferentes nos pulsos para saber qual bebê tinha mamado em qual peito.

O mais difícil na amamentação gemelar é mesmo a logística. No primeiro mês, eu amamentava ao mesmo tempo, mas sempre precisava do marido ou de minha mãe para ajudar. Eles aprenderam os exercícios a serem feitos com os bebês e me ajudavam. Principalmente a colocar a Lívia da maneira correta no peito, porque se não, ela mordia.

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Tive o privilégio de ficar exclusivamente com os bebês por muito tempo. Me dividia com a primogênita, mas foram meses “apenas” de amamentação. Pra mim isso era muito importante porque embora tenham dividido o espaço, meus gêmeos nasceram com peso de bebês de gestação única, vieram a termo e sem complicações.

A produção de leite era suficiente para 12 mamadas diárias, mais a ordenha do excesso, que eu congelava para ter meu leite guardado em caso de emergência. lembro que um dia estava muito cansada e segui o conselho do Douglas de deixar minha Mãe e o Marido darem uma mamada para que eu pudesse dormir por 4 horas seguidas. Logo me arrependi, porque acordei toda ensopada de leite, que jorrava por ter atrasado uma mamada…..peguei os gêmeos correndo e fui amamentar.

Não foi fácil. Tive ajuda de minha Mãe (que me deixou ser Mãe) e do marido, parceiro para tudo. Não tivemos e ainda não temos babá. Mas não era algo sofrido para mim. Pelo contrário, eu adorei amamentar cada um dos meus 3 filhos. Fiz sim algumas concessões. Ao se amamentar gêmeos perde-se ainda mais o pudor de ficar com o peito de fora. Tinha situações em que ambos queriam mamar ao mesmo tempo e eu respeitava isso, portanto, precisávamos escolher bem o local para uma saida em família e muitas vezes acabávamos optando por ficar em casa. Fazia tudo de maneira automática, seguindo o curso normal da vida. Uma vez me perguntaram se eu já não havia amamentado o suficiente, até quando eu queria amamentar, se aos 7 meses já não seria a hora de pensar em desmame e complemento. Respondi que ainda não estávamos preparados para o desmame, que aconteceria gradativamente.

Aos poucos, as 6 mamadas diárias foram reduzidas à uma noturna, com 1 ano de vida. Mesmo assim, eu ainda tinha leite congelado, assim que as mamadas foram espassando, principalmente pela manhã, eu ordenhava antes de amamentar e consegui fazer um bom estoque pessoal.

Sou eternamente grata ao Dr. Douglas Gomes, que rapidamente colocou a Maria Teresa Sanches em nosso caminho e foi o que salvou nossa maravilhosa história de amamentação. A Natureza faz o seu papel, mas às vezes precisamos interferir e ajuda-la. Optamos por ensinar um recém-nascido a mamar e outra a parar de morder para que eu pudesse realizar meu sonho de amamentar os gêmeos e propiciar a eles todos os benefícios da amamentação que a sua irmã teve. Seria mais fácil dar leite artificial, mas não era o que eu considerava ideal. E que bom que existem profissionais altamente qualificados para nos ajudar! Obrigada Teresa!!!! Hoje, com quase dois anos, os gêmeos estão super saudáveis!!!

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