8 jul Aleitamento Materno

Relato de Amamentação


Tuca Petlik, mãe da Maya, nascida em 31 de agosto de 2012.

Minha gravidez foi muito tranquila. Somente no início senti desconforto de sono e enjoo, mas nem cheguei a vomitar. Não inchei quase nada; engordei somente 10kg. Não sentia muito calor nem fome absurda. Não fiquei mega ansiosa, nem perto da hora da Maya nascer. Minha mãe vivia dizendo que desse jeito eu poderia tranquilamente ter 10 filhos.

Meu parto foi bem longo e cansativo, porém tranquilo. Maya nasceu ótima, com apgar 10/10 e nem icetrícia teve. Logo após o parto eu estava praticamente 100%. Não tomei nenhum ponto. Fiquei de pé e caminhei logo em seguida e tomei banho sozinha (apesar da insistência das enfermeiras de que não era recomendável eu fazer isso).

O que foi mesmo um “parto” para mim foi a amamentação. Preparei-me como me orientaram e como eu pude. O único procedimento que era um consenso entre os profissionais com quem conversei que realmente funcionava para preparar o peito era tomar sol, mas consegui fazer isso pouquíssimas vezes durante a gestação. Fiz um curso de pós parto, onde aprendi algumas coisas sobre o assunto, li alguns artigos e só.

Lembro-me de já no Hospital sentir incômodo da água do chuveiro em meus peitos, que ardiam. Maya mamava, mamava e mamava sem dar trégua. Quando o leite desceu, dois dias após o parto, eu virei Pamela Anderson de uma hora pra outra. O peito inteiro ficou grande e duro, até o bico. As enfermeiras do hospital me diziam que o bico duro daquele jeito dificultaria a pega e elas tentaram várias vezes me ensinar as massagens para amolecer, mas tentei sozinhas diversas vezes e não conseguia. Rapidamente meus dois mamilos ficaram machucados.

Viemos para casa e eu amamentando com dor. Maya começou a perder peso. O pediatra que estava nos acompanhando disse que apesar de eu ter leite, provavelmente por causa da dor, eu não estava produzindo ocitocina suficiente para ejetar o leite. Ele me receitou remédio para dor e pediu que voltássemos lá depois de alguns dias.

 A perda de peso continuou. Eu estava muito mal. Além da dor física, tinha a dor de ver minha filha perdendo peso. Eu estava muito abalada.

O pediatra me sugeriu que eu ficasse alguns dias sem dar o peito, para dar um tempo, ver se melhorava. Eu ordenharia meu leite e daria para a minha filha no copinho.

Tentei usar a bomba elétrica, mas vi sair sangue do meu peito pela primeira vez e assustei. Achei que a bomba machucava. Passei a ordenhar manualmente meu leite, mas não conseguia tirar leite suficiente para uma mamada, então complementava com leite artificial. Maya aceitou tranquilamente.

Somado a isso, áreas vermelhas no meu peito e febre mostravam que havia leite acumulado. Com as fissuras no mamilo, poderia virar mastite. O pediatra e a consultora de amamentação diziam que eu deveria fazer massagem para tirar essa área vermelha. Mas eu simplesmente não conseguia! Eu não sabia fazer as massagens. Meu pai, que também é pediatra, me indicou uma enfermeira, especialista em amamentação que morava perto de casa. Liguei para ela, que veio em casa e massageou meu peito. Ela frisava que eu tinha que fazer massagem, mas não podia fazer muita, pois isso estimularia a produção. Indicou-me fazer massagem depois das mamadas nas áreas que permanecessem duras e ordenhasse para tirar o leite. Tudo isso por no máximo 10 minutos, seguido de compressa fria. Eu tentei diversas vezes, mas não melhorava o quadro. Tive que ver esta enfermeira mais umas duas vezes até que eu aprendesse direito a fazer a tal da massagem!

Para as fissuras, cada um me dizia para fazer uma coisa. Tomar sol, passar pomada de lanolina, não passar pomada de lanolina, casca de banana, não usar casca de banana, andar com os peitos de fora, usar concha. Fiquei andando de peito de fora por muitos dias. Tinha pingo de leite pela casa toda. E como os mamilos estavam machucados, tudo o que encostasse, incomodava. Então eu praticamente não segurava minha filha. Só ficava com ela quando estava dando de mamar.

Eu não aguentava mais fazer coisa para o peito. Além de tudo o que tinha que fazer com a bebê (dar de mamar por hoooras, trocar,), quando ela dormia, eu tinha uma rotina gigante de coisas para fazer para o peito. Massagem, ordenha, compressa, tomar sol… Era muito desgastante!

Depois de três dias dando leite no copinho, as fissuras não melhoraram praticamente nada. Liguei para a consultora de amamentação que me sugeriu ficar mais alguns dias neste esquema. Quando completei uma semana de copinho, os machucados haviam melhorado 70%. Voltei ao pediatra que me sugeriu usar relactador, pois minha produção teria diminuído, já que eu havia ficado todo esse tempo tirando leite manualmente.

Tentei usar o relactador algumas vezes e, além de termos uma baita dificuldade de posicionar o tubinho, tive impressão ele machucou a minha auréola! Fiquei desesperada. Não aguentava mais de dor, mas não via mais saída. Achava que não iria conseguir amamentar minha filha.

Mandei emails angustiados para as listas de discussão que eu fazia parte. Uma colega de um ex-trabalho se ofereceu para vir a minha casa para conversarmos. Ela me fez acreditar que eu tinha leite. Eu via meu peito pingar o dia inteiro, mas achava que era “normal” e ela me disse que o peito dela só pingava assim quando tinha muito leite. E me indicou procurar a Dra Nina, que havia ajudado ela com os diversos problemas de amamentação que ela teve. Não dei muito ouvidos. Estava ficando louca com a quantidade de palpites que recebia e tantas vezes antagônicos.

Resolvi por minha conta, apelar para o bico de silicone. Fui à loja e comprei. Tentei usar e achei que melhorou. Empolguei-me e dei de mamar quanto a bebê quis… E aí, claro, os machucados voltaram a aumentar… Desesperada mais uma vez, liguei para Dra Nina, que conseguiu um encaixe para o dia seguinte.

Eu estava sem esperança. A Dra Nina me disse que era para ordenhar meu leite com bomba e dar para a Maya numa mamadeira especial, com controle de fluxo e pega semelhante a do peito, que dificultaria o desmame até as fissuras melhorarem. Eu disse que a bomba machucava meu peito e ela me garantiu que não. Sugeriu que a Bia Kesselring, enfermeira obstétrica especialista em amamentação, viesse em casa para me ensinar a usar. Para as fissuras, indicou o tratamento úmido: usar pomada de lanolina e usar conchas.

Compramos a mamadeira no mesmo dia e a Bia veio no dia seguinte. Eu tirava meu leite e complementava com leite artificial. O uso das conchas, uma coisa aparentemente tão boba, mudou a minha vida. Eu podia, finalmente, segurar minha filha nos braços, sem sentir dor!

Áreas duras frequentemente apareciam nos meus seios. Até que apareceu uma bola dura na auréola direita, que foi aumentando. Dra Nina me indicou fazer um ultrassom. Era uma inflamação. Fui a um mastologista, marido da Bia, que me recomendou ordenha e antinflamatório. A bola foi diminuindo.

Eu ia na Dra Nina toda semana. As fissuras melhoravam bem lentamente. Minha produção ia aos poucos se regulando à demanda da Maya, até que alcancei a “amamentação” exclusiva por leite materno! Ficamos todos MUITO satisfeitos com esta vitória. A Maya estava então com quase dois meses.

Um dia senti, de repente, uma dor MUITO forte no seio esquerdo. Doía até para mexer o braço. Por sorte, eu estava próxima do consultório da Nina, que também por sorte, estava lá, pois havia ido atender uma emergência. Uma área vermelha no meu peito sugeria um início de mastite. Relatei que havia sentido também coceiras neste mamilo. Nina pediu para eu observar como o vermelho progredia até o dia seguinte e me receitou um remédio para candidíase.

No dia seguinte, o vermelho havia aumentado. Era mastite mesmo, e eu passei a tomar antibiótico.

Mais um remédio que se somava a imensa lista que incluíram: remédio para dor e febre, antiinflamatório, anti-fúngico, antibiótico… Fora os naturais para aumentar a produção, vitamina C e E para ajudar na cicatrização, etc. E pensar que durante a gravidez, não precisei tomar nada. No parto, nem anestesia eu tomei.

Tratada a mastite e a candidíase, os machucados melhoraram a olhos vistos. Agora era a hora de ir introduzindo o peito aos poucos.

Comecei a oferecer o peito uma vez ao dia. Toda vez que ela mamava, ficava sensível. Tentava aumentar para duas vezes ao dia, mas ficava de um jeito que eu achava que ia machucar de novo, e voltava atrás. Ficava um dia sem dar nenhuma vez. Fiquei nesse esquema por vários dias.

Eu tinha que ordenhar no mínimo cinco vezes ao dia para garantir a produção. Eu acordava de madrugada para ordenhar, pois a Maya dormia no mínimo 8 horas seguidas e meu peito não podia ficar sem estímulo por tanto tempo. Era a casa inteira dormindo e eu lá, ordenhando na madrugada.

Eu não podia ficar fora de casa por muitas horas, pois tinha que ordenhar. Quando eu saía, tinha sempre que levar uma parafernália de mamadeiras, leite meu ordenhado numa bolsa térmica e água quente para aquecer o leite, além de tudo do bebê que normalmente precisamos carregar.

E eu nessas de dar o peito uma vez, duas vezes… Outro dia duas vezes, no outro uma só… E a coisa não andava… Sentia o mamilo sensível… A Maya tinha dias que rejeitava o peito…

Até que um dia eu cansei. E decidi que ia dar SÓ o peito. Falei com a Nina para perguntar se tinha que tomar algum cuidado e se ela achava que tudo bem. Ela me apoiou. Eu disse que achava que ela podia perder um pouco de peso no começo, até a minha produção se regular à demanda dela e a Nina disse que não tinha problema, que ela tinha reservas. Neste dia, ela estava com dois meses e três semanas.

Maya fez praticamente uma greve de fome por uns três dias. Chorava que tinha fome, eu dava o peito, ela não pegava. Chorava, chorava, chorava. Até que dormia. Acordava mais calma e mamava um pouco. E assim foi indo.

No segundo dia só dando peito, eu saí às 8h00 de casa e só voltei às 20h00. Foi uma sensação de liberdade tão grande!

Meus peitos chegavam a ficar bastante sensíveis, mas nunca machucaram como antes. E eu tinha na cabeça que se machucasse de novo, eu já sabia o que fazer, pois já tinha passado por aquilo e isso me dava segurança.

Foi depois de tudo isso que descobri o famoso prazer de amamentar e, finalmente, junto com ele, a alegria de ser mãe.

Não tenho palavras para agradecer a todos que me apoiaram e me ajudaram a superar todas estas dificuldades e encontrar essa alegria.

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