27 out Pós-Parto

Relato sobre Grupo Pós-Parto


Por Cristina Paiva

Cris Paiva e Bernardo
Frequentar o Grupo de Pós-Parto conduzido pela Maiana Rappaport foi um grande privilégio. Fico tentando lembrar qual foi o acaso feliz que me levou a ele. Acho que foi o sorriso generoso e confidente de gato de Alice no País das Maravilhas da Maiana, que me interceptou no balcão da Curumim para se apresentar e oferecer o folheto do grupo (será que foi minha cara de riso e choro?).

Encontrei naquele sorriso aberto um refúgio para começar a tagarelar imediatamente sobre a tempestade em mar revolto que me tragava de uma só vez: um belo dia acordei, e tinha um bebezinho no berço! Estou sozinha, apurada, desesperada, apaixonada, do avesso, sem dormir, cheia de dúvidas e certezas, com fome e com sede!… – é normal? (mãe, como diz um amigo, é uma mulher que ficou louca).

Compreensiva e calmamente, ela me ouviu, fez algum comentário tranquilizador e concluiu: venha na semana que vem para conversarmos! Era tudo o que eu precisava… Mesmo em meio ao caos do terceiro mês de vida do bebê, tive a sorte de reunir coragem para sair de casa (nas primeiras vezes que dirigi depois do parto, sentia-me uma senhorinha assustada escondida atrás do volante com tantos carros e pessoas na rua “me ameaçando”! Ai, meu DEUS, OLHA! uma MOTO!) e começar a frequentar o grupo. Pôr os pés fora de casa aos poucos, abrindo-me do recolhimento tão necessário para criar uma conexão profunda com os sentimentos e necessidades do bebê, foi uma parte desse processo de reencontro – reencontro com o mundo, reencontro comigo e com meu bebê que já me esperava dentro da barriga.

Sorte também foi ter conseguido recrutar uma amiga querida, a Suzana, que havia tido a Liz quase junto comigo. Ter essa dupla genial ao lado foi muito enriquecedor, e nossos encontros de segunda-feira eram aguardados como o evento da semana, com direito a cafezinho com bolo depois da conversa.

E falávamos de tudo, desde o famigerado sono do bebê; a relação com os amigos e a família (marido, irmãos, sogros…); dúvidas relacionadas aos cuidados com os pequenos (alimentação, babás, berçários…); sobre as angústias a respeito das mudanças em nossas vidas trazidas pela maternidade, de projeto, profissionais, existenciais… até assuntos mais banais como a viagem do fim de semana ou onde comprar roupinhas.

À medida que nossos bebês iam ganhando movimento e esticando cada vez mais seus bracinhos e pernas; que se organizavam para pegar objetos e manipula-los; que aprendiam a se comunicarem conosco; nós também fomos ganhando autonomia, nos encontrando aos poucos novamente nessa nova condição.

No grupo, pudemos experimentar uma roda de mães como deviam ser as de antigamente, trocar informações e ter compreensão, carinho e apoio, mas como não poderia deixar de ser nos dias de hoje: Maiana sempre auxiliando, com informações preciosas ou ponderações, na construção de um espaço onde pudéssemos estar livres para elaborar nossas questões e atravessar essa fase louca e deliciosa de modo intenso e tranquilo, saindo mais inteiras, mais preparadas, já com saudades daquelas tardes e do bolinho.

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