30 abr Família

Tornando-se uma família!


Por Dra. Honorina de Almeida

Hoje em dia os casais grávidos estão cada vez mais envolvidos com a gestação e o parto. Procuram fazer o melhor para que o bebê se desenvolva adequadamente e fique bem. Assim é normal que algumas dúvidas apareçam. Será que serei uma boa mãe? Vou conseguir amamentar? Serei um bom pai? Daremos conta das necessidades do nosso bebê? Como ficará nossa vida? Teremos condições de fazer tudo o que fazíamos antes? Essas são perguntas que surgem, nessa nova situação e as respostas virão naturalmente com a experiência de CONVIVER com o bebê.

Vejamos. Uma gestação dura em média 40 semanas e nesse período junto com as mudanças corporais da mulher, vai ocorrendo uma espécie de preparação da mente para que esse casal no final da gestação esteja suficientemente preparado para o desafio de cuidar de um bebê.

Mas, após o nascimento, o que foi pensado e elaborado na teoria, necessita agora ser vivido na prática. Saber que o bebê acorda várias vezes a noite é diferente de acordar várias vezes à noite. Saber que um bebê chora é diferente de ouvi-lo chorar. Esses podem ser momentos de muito cansaço e insegurança e é normal sentir dificuldades em lidar com a situação.

Muito bem. O que pode estar acontecendo?
Vamos tentar pensar nos dois lados. Um casal que é agora uma família com um bebê recém chegado, e um bebê que está vivendo uma situação de um recém chegado a um mundo muito diferente do que conhecia.

No inicio, o bebê ainda tem um lado desconhecido que precisa ser compreendido. Mas, muitos casais que tem um bebê poderão dizer: nós conversamos muito com ele durante a gestação e ele nos conhece, conhece nossa voz e etc…. Mas será que isso basta? Claro que é muito importante iniciar a relação com o bebê antes do nascimento. É uma fase de preparação para recebê-lo. Como um namoro a distância que funciona muito bem, harmonicamente, mas que após a emoção do primeiro encontro, o casal, percebe que mesmo sentindo o maior amor do mundo, precisa se conhecer de verdade. Muitos momentos maravilhosos certamente acontecem, mas também momentos de conflitos, que são normais e saudáveis em qualquer relação. É importante que essa nova família saiba que é necessário um tempo para que esse ajuste aconteça. Mas quanto tempo? Toda uma vida, dirão alguns, mas certamente nossas avós tinham alguma razão em definir os três primeiros meses como um tempo razoável para pais e bebê se conhecerem.

Devemos ainda nos lembrar que o processo de cuidar e educar é contínuo e assim, da mesma forma que sabemos que um bebê com 1 mês de vida ainda não consegue caminhar sozinho, esperar que com essa idade ele faça um horário regular para mamar ou mesmo que durma a noite inteira pode ser inadequado.

Mas o que ajuda nesses momentos? Ajuda saber que esse período é assim, que ler livros sobre bebês é bom, mas que demais às vezes atrapalha. Que ouvir o coração muitas vezes é o melhor caminho e que principalmente não existem duas histórias iguais. Cada família é uma família e cada bebê é um bebê. Tentar aceitar o bebê como ele é e principalmente, na dúvida, seguir o que o coração diz pode ser mais acertado que seguir regras muito técnicas.

Bingo: No inicio da vida de um bebê e certamente muitas vezes na vida…ouvir a voz que vem do coração… se mostra a escolha mais acertada.

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